Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

NOVA PROPOSTA PARA A FORMAÇÃO DO LICENCIADO EM FÍSICA

Polônia Altoé Fusinato

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2005

Texto completo

## NOVA PROPOSTA PARA A FORMAÇÃO DO LICENCIADO EM FÍSICA

Prof . Dra. Polonia Altoé Fusinato * (poly@dfi.uem.br) a

Universidade Estadual de Maringá, *Departamento de Física CEP 87020-900, Maringá, Pr

## INTRODUÇÃO

As mudanças que ocorrem atualmente no mundo em todas as áreas do conhecimento, são muito rápidas e significativas. O conhecimento científico produzido principalmente pela Ciência e Tecnologia é o fator determinante das transformações ocorridas no mundo contemporâneo.

- O fenômeno da globalização derrubou as fronteiras do conhecimento entre as nações surpreendendo a sociedade com terminologias e avanços científicos -tecnológicos nunca antes imaginados. Os meios de comunicação utilizados pela mídia divulgam quotidianamente os resultados da grande revolução científica tais como: tomografia computadorizada, ressonância magnética, cirurgia a laser, terapia gênica, projeto genoma, clonagem de animais, transgênicos, entre outros.

Esses acrescentamentos científicos e tecnológicos têm provocado mudanças profundas na sociedade, principalmente com relação à oferta de empregos e o perfil do 'novo' profissional, mas as instituições formadoras desse profissional e os meios escolares, não estão acompanhando as rápidas mudanças introduzidas pelo mundo globalizado.

Hoje, a necessidade de um aperfeiçoamento e de um aprofundamento da discussão acerca das várias realidades definidoras daquela realidade estatística da qualidade de ensino no país, é obstaculizado por um quadro econômico dos Estados, que reconhecem a necessidade da valorização do trabalho didático, mas relegam essa necessidade a um plano político inferior, onde se perdem praticamente todos os horizontes possíveis de mudança.

Um dos problemas principais do ensino em geral e particularmente no de Física, é a falta de motivação dos alunos para as atividades escolares e para o estudo em particular. O comportamento em sala de aula é ausente e a maioria dos alunos passa o tempo conversando, brincando, fazendo piadas para provocar o riso dos colegas, raramente fazem anotações de aula, enfim ficam alheios ao assunto em estudo. A indisciplina e o desinteresse, impossibilitam um debate produtivo em sala de aula e nos induz a reflexões sobre as origens dessa situação. Para o educador esta situação conflitante é extremamente estressante, levando-o muitas vezes a adoecer, pois tanto o objetivo de sua função docente como a razão de ser da escola, deixam de ser atingidos. Muitos professores procuram inovações mais dinâmicas, ou instrumentos que possam ajudar a enfrentar esse problema. No ensino de Física em particular, a procura maior refere-se às metodologias que prometem resultados quanto à motivação dos alunos, fornecendo detalhes quanto às estratégias correspondentes. Os professores parecem procurar um método a prova de suas próprias falhas, ou seja, que funcione pelos seus méritos intrínsecos.

Atuando há mais de duas décadas no Ensino Médio e paralelamente na Universidade, mais precisamente na formação do professor de Física para o Ensino Médio, sabemos que este desempenha hoje um papel fundamental na dinâmica da escola formativa. Ele é agente ativo na construção da base definidora das áreas do conhecimento e do patrimônio cultural subjacente ao ensino das ciências, com especial atenção ao significado: das práticas de observação -percepção na construção de teorias, a início intuitivas; de experimentos qualitativos e quantitativos na construção de teorias científicas; dos vários níveis de explicação/compreensão em relação à cadeia expêriencia-leis-princípios-teoriasmodelos (importante dizer que esta cadeia está imersa na subjetividade do trabalho científico e não na objetividade de um único método científico, ditador e cartesiano da 'realidade'); do uso da matemática na Física; da adaptação de textos; vídeos e experiências de baixo custo, no universo da prática quotidiana do processo ensino/aprendizagem.

No entanto, estas etapas necessárias à compreensão da ciência e de seu ensino se perderam ao longo dos cursos de formação do professorado e de uma prática educacional condicionada ao repasse de informações desprovidas de formação.

A proposta de um programa de formação de professores que incorpore uma perspectiva crítico-reflexiva em direção à profissionalização do ofício de ensinar, é sem dúvida um grande desafio. De modo geral, os docentes responsáveis pela formação inicial de professores vêm utilizando, junto aos licenciandos, estratégias que procuram favorecer um processo reflexivo sobre suas práticas nos estágios supervisionados. São característicos dessas estratégias, os diários de aula, as gravações em vídeo das aulas dos estágios e as correspondentes discussões, a elaboração de relatórios com a finalidade de analisar as atividades didáticas desenvolvidas, as observações e análises de aulas de outros professores, (Abib, 1997; Carvalho, 1987; Carvalho & Gil Perez, 1993; Carvalho & Gil Perez, 2001). Todas essas estratégias têm em comum a intenção de criar condições para que o aprendiz possa se expor, revelando suas concepções e critérios acerca dos saberes docentes e, desse modo, abrir espaço para um diálogo mais efetivo.

O quadro delineado pelos resultados das pesquisas no campo da educação científica e da educação em geral , nas últimas décadas e em particular no que se refere aos avanços na compreensão do processo de ensino-aprendizagem, já aponta para a necessidade e relevância de uma prática do magistério mais complexa e original, se o que se pretende é um ensino com qualidade e o rompimento com a cultura do fracasso escolar. É nesse sentido que a mudança das práticas escolares é urgente; há muito que a escola pode e deve fazer na criação de condições efetivas de aprendizagem e de inclusão. A adesão a uma concepção de professor como profissional reflexivo e da reflexão na ação como estratégia que fundamenta a epistemologia da prática, implica numa programação para que o Estágio Supervisionado, seja executado de uma forma capaz de fornecer condições e instrumentos para que o futuro professor exercite essas capacidades.

Vivenciamos um momento muito especial na Universidade Estadual de Maringá UEM, em que todos os projetos pedagógicos dos cursos de graduação estão sendo reformulados, merecendo especial atenção as Licenciaturas. È uma excelente oportunidade para inovar a metodologia na formação do professor de Física, realizando um Estágio Supervisionado dinâmico e participativo.

Este trabalho pretende mostrar alguns resultados da aplicação de um projeto de ensino em escola da rede pública, propondo um modelo diferenciado de Estágio Supervisionado. No projeto foram estabelecidas ações a ser desenvolvidas, com base na realidade escolar, competências e experiências das partes envolvidas no processo. Ministrando aulas há mais de duas décadas na disciplina de Prática de Ensino de Física na UEM, entendemos que este novo modelo de estágio, constitui-se num desafio, tanto para professores como para os graduandos. A realização deste modele de estágio pretende unir competências e ex periências de professores e alunos dos dois níveis de ensino e pelos resultados alcançados até o presente momento, deve acrescentar contribuições importantes para o ensino-aprendizagem.

## Metodologia

O projeto para a realização do Estágio Supervisionada, estabelece na escola a figura do PROFESSOR TUTOR, exercida pelo regente da classe onde o graduando faz seu estágio, cujo modelo assemelha-se a uma residência médica. O estagiário escolherá um período (manhã, tarde ou noite) por semana, em que permanecerá na escola, durante seu estágio, participando juntamente com o seu professor tutor, de todas as atividades que este desempenha na escola. Denominamos esta modalidade de estágio, de RESIDÊNCIA ESCOLAR pelo fato do estudante permanecer por um período i nteiro no âmbito da escola, participando ativamente de todas às atribuições do professor, tendo por isso a oportunidade de familiarizar-se com o ambiente escolar e sua futura função profissional.

Este modelo de estágio, implica na participação ativa do docente universitário da disciplina de Estágio Supervisionado (orientador), do professor regente da classe em que se realiza o estágio (tutor) e o graduando de licenciatura (estagiário). A atribuição de cada um dos atores deve ser programada em conjunto para que sua execução possa ser harmônica. Entre as muitas atribuições das respectivas categorias, citamos:

- 1) O docente da disciplina Estágio Supervisionado, em parceria com os professores de Física da escola e estagiários, planeja, organiza e supervisiona as ações, orienta o estagiário, acompanha os estágios em sala de aula, analisa e avalia os resultados, reestruturando as atividades, se necessário.
- 2) O estagiário participa de todas as atividades de estágio, desde o planejamento até a execução, sempre atuando junto com o professor de estágio e o professor tutor. De acordo com suas possibilidades de tempo, escolherá uma manhã, tarde ou noite para permanecer na escola e desenvolver dentro das atividades programadas as etapas de observação, entreajuda, participação na aula do professor da classe, mini-cursos, regência e outras atividades.
- 3) O professor tutor planeja e organiza junto com o professor de estágio, de todas as atividades propostas. Supervisiona a execução das atividades em sala de aula, aponta as dificuldades e necessidades de suas classes e participa com o professor de estágio e estagiários da elaboração de ações que busquem soluções para as

dificuldades. Auxilia o professor de estágio, na avaliação da programação executada bem como do desempenho do estagiário durante sua atuação, através da análise e discussão de cada atividade planejada e executada.

Para o docente representante da Universidade, da escola e graduandos é muito importante buscar inicialmente conhecer a situação real do ensino de Ciências nas escolas de Ensino Fundamental e Médio da região onde se pretende aplicar esse modelo de projeto, para que se possa saber quais são as expectativas e necessidades relacionadas ao aprendizado de Ciências e da Física. Após diagnóstico, planejar ações que visem a elaboração de material instrucional, tomando-se como base metodologias e recursos já conhecidos ou referenciados.

Espera-se que a divulgação do resultado da aplicação desse modelo de projeto, contribua para dinamizar o Estágio Supervisionado de Física e de outras Licenciaturas da UEM, bem como na melhoria do Ensino de Física no Ensino Médio e contribua também para gerar a produção de recursos de ensino, tais como textos, vídeos, experimentos, brinquedos, que podem ser explorados como metodologias de ensino de Física.

## Resultados e Conclusão

A aplicação desse novo modelo de estágio, mostrou que há possibilidades de intervenção no quadro atual de ensino. Durante a execução das atividades, foram surgindo dúvidas conceituais de Física e de operações de matemática. Organizou-se diversos minicursos em contra-turnos, onde em grupos menores, os interessados sanavam suas dúvidas. A participação do estagiário nas atividades de sala de aula, auxiliando o professor no esclarecimento de dúvidas durante o atendimento a grupos de estudo, foi considerado pelo professor da classe, como uma contribuição muito positiva. Contribuíram positivamente também os recursos pedagógicos utilizados como auxílio didático, como: experimentos, questionamentos sobre fatos divulgados na mídia, vídeos, filmes e outros. Alguns dos professores de Física da escola em que o novo modelo de estágio esta sendo aplicado, afirmaram que pela primeira vez em muitos anos, a recuperação bimestral aplicada a seus alunos no final do primeiro semestre, mostrou uma diferença melhor nos resultados.

O projeto está em seu primeiro ano de implantação, portanto ainda é muito cedo para fazer uma avaliação de resultados expressivamente significativos. Conhecemos o sistema de ensino de nossa região e os problemas que vivencia cotidianamente, por fazer parte do mesmo há quase três décadas e temos convicção de que o trabalho conjunto de professores e alunos do ensino Superior e do Ensino Médio, resulte em aumento na capacitação docente/discente, enriquecimento de recursos didáticos-pedagógicos, estreitamento nas interações entre os diferentes níveis de ensino e a colaboração mútua no ensino-aprendizagem de Física .

## Referências Bibliográficas

ABIB, M.L.V. A construção de conhecimentos sobre ensino na formação inicial do professor de física: '.... agora nós já temos as perguntas'. Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação. Tese de doutorado, 1997.

CARVALHO, A.M.P. & GIL PÉREZ, D. Prática de Ensino: os estágios na formação do professor. Pioneira, São Paulo, 1987.

CARVALHO, A.M.P. & GIL-PÉREZ, D. A Formação de professores de ciências. S. Valenzuela (trad.). Cortez, São Paulo, 1993.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_ O saber e o saber fazer do professor. In Ensinar a ensinar: didática para a escola fundamental e média. Organizado por Amélia D. de Castro & Anna M.P. de Carvalho. Pioneira Thomson Learning. São Paulo, 2001.

FRANZONI, M. A evolução de um grupo de estudantes em uma disciplina de Prática de Ensino de Biologia. Bauru, 129 p. Dissertação de Mestrado, UNESP, 1999.

MARCELO, C. Pesquisa sobre a formação de professores: o conhecimento sobre aprender a ensinar. Revista Brasileira de Educação (ANPED). Nº 9, set/out/nov/dez, 1998.

PERRENOUD, P. Formar professores em contextos sociais de mudança. Prática reflexiva e participação crítica. Revista Brasileira de Educação. 12, set/out/nov/dez, 1999-b.

PIERSON, A.; FREITAS, D; FRANZONI, M. & VILLANI, A. Integrando as disciplina Prática de Ensino em Ciências e Prática de Ensino em Física. Atas II Encontro de Pesquisadores em Ensino de Ciências. CD Rom, 1999.

TARDIF, M. Saberes profissionais dos professores e conhecimentos universitários: elementos para uma epistemologia da prática profissional dos professores e suas conseqüências em relação à form ação para o magistério. Revista Brasileira de Educação (ANPED). Nº 13, jan/fev/mar/abr, 2000.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.