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PRÁTICA DE ENSINO DE FÍSICA: AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DE LICENCIANDOS NA APLICAÇÃO DE UMA PROPOSTA DE ELETRODINÂMICA

Cléverson Mota Pereira, Roberto Nardi, Dirceu Da Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
Tipo
Pôster

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Texto completo

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## PRÁTICA DE ENSINO DE FÍSICA: AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DE LICENCIANDOS NA APLICAÇÃO DE UMA PROPOSTA DE ELETRODINÂMICA

Cléverson Mota Pereira [cleverson@fc.unesp.br] a Roberto Nardi [nardi@fc.unesp.br] b Dirceu da Silva c [dirceu@unicamp.br]

- a CTI - Univap - Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências. Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência.
- Universidade Estadual Paulista - UNESP - Campus de Bauru-SP

b Professor Assistente Doutor - Depto. de Educação - Faculdade de Ciências. Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências. Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência - UNESP - Bauru-SP c Professor Assistente Doutor - Depto. de Metolodologia - Faculdade de Educação - UNICAMP - Campinas-SP

## RESUMO

A pesquisa, de natureza qualitativa, consistiu em um estudo de caso que buscou analisar a atuação de dois alunos do Curso de Licenciatura em Física da Unesp - Campus de Bauru numa situação de sala de aula, tendo com pano de fundo uma proposta construtivista para ensino de Eletricidade (BARROS, 1999). Aplicou-se uma seqüência de atividades experimentais de ensino sobre Eletrodinâmica para uma turma de 30 alunos de Ensino Médio por dois licenciandos durante a execução de um módulo dentro das atividades do Curso intitulado 'O Outro Lado da Física', parte integrante do estágio supervisionado previsto ao final das disciplinas de Prática de Ensino de Física. As atividades foram filmadas e posteriormente discutidas com os ministrantes e seus pares, alunos do curso de licenciatura em Física. Analisou-se uma entrevista dos dois licenciandos ao término do módulo utilizando-se como guia, elementos da Análise de Discurso com o intuito de melhor compreender as falas dos estudantes. A partir da entrevista, selecionou-se alguns episódios de ensino, os quais contêm aspectos de ordem disciplinar, didáticos e dialógicos citados pelos licenciandos em relação as aulas ministradas e da validade de proposta de ensino. De acordo com a análise, os licenciandos tiveram alguns problemas passíveis de correção, bem como as atividades utilizadas precisam ser revistas para um melhor aproveitamento das aulas, no entanto, os resultados indicam a aprovação as atividades práticas pelos estudantes de nível médio.

## PALAVRAS-CHAVE: FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA; PRÁTICA DE ENSINO; ELETRODINÂMICA.

## INTRODUÇÃO

- O atual ensino de Física em nossas escolas não tem obtido, na maior parte dos casos, algum tipo de sucesso com os estudantes, pois tal ensino tem-se realizado freqüentemente mediante a apresentação de conceitos, leis e fórmulas, de forma desarticulada,, distanciados do mundo vivido pelos alunos e professores e não só, mas também por isso, vazios de significados (BRASIL, 1999, p. 22).
- O currículo de Física, ao desconsiderar o mundo vivencial dos alunos, omitindo os desenvolvimentos realizados durante o século XX (BRASIL, 1999, p.8) desconsidera o atual estágio de evolução dos conhecimentos científicos, suas conquistas, desafios, problemas e, principalmente, sua incorporação tecnológica (BRASIL, 1999, p.8) E, sendo o currículo apresentado como conteúdos a . serem transmitidos, a disciplina de Física perde seu poder de atração frente aos estudantes. Portanto, o conteúdo ensinado não somente é menos extenso do que nos níveis superiores (o que é razoável), mas ele é diluído, leve abstrato, desconexo e superficial: em suma ele é insignificante para o aluno (VILLANI, 1984, p. 79).

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A possível melhora do currículo de Física só se dará com uma permanente revisão (BRASIL, 1999, p. 8) do que será abordado na disciplina, deste modo o professor poderá satisfazer as necessidades atuais do Ensino Médio quanto a formação de cidadãos capazes de tomar decisões, cidadãos críticos do mundo em que vivem. Já, a manutenção de tal situação nas escolas tem um preço: O distanciamento entre os conteúdos programáticos e a experiência dos alunos certamente responde pelo desinteresse e até mesmo pela deserção que constatamos em nossas escolas (BRASIL, 1999, p. 8). As recentes investigações didáticas mostram que 'os estudantes desenvolvem melhor sua compreensão conceitual e aprendem mais acerca da natureza das ciências quando participam em investigações científicas, em que haja suficiente oportunidade e apoio para reflexão ' (HUDSON, 1992 apud CARVALHO et al, 1999, p. 10). Não se pode esquecer que 'um aprendizado significativo dos conhecimentos científicos requer a participação dos estudantes na (re)construção dos conhecimentos que, habitualmente, se transmitem já elaborados ' (CARVALHO et al, 1999, p. 10).

Muito se tem discutido sobre a necessidade de se mudar a prática docente tradicional, mas poucos materiais trazem propostas claras, objetivas e práticas para os professores que têm pouco (ou quase nenhum) tempo para dedicar ao estudo de teorias pedagógicas e, além disso, encontram grande dificuldade para aplicá-las de fato. (CARVALHO et al, 1999, p. 12). Além disso,

As dificuldades em se ensinar Física podem ser atribuídas aos sucessivos filtros aplicados à Física desde os trabalhos dos pesquisadores (os que lidam diretamente com sua complexidade, precisão e riqueza de detalhes) passando pelos cursos de formação de professores e, finalmente, chegando às salas de aula do nível médio geram uma progressiva redução de conteúdo, acoplada ao afastamento daquilo que está sendo produzido pelos pesquisadores (VILLANI, 1984, p. 80-81).

No entanto, é importante destacar que os professores de Física, em sua maioria, não optam conscientemente pela abordagem tradicional, eles apenas repetem o processo educacional pelo qual passaram, assim, muitos professores fazem em sala de aula aquilo que os seus antigos mestres fizeram com eles quando eram alunos " (DUFFEE et al., 1992; RIVILLA et al., 1995 apud BARROS, 1999, p. 56). Como existe um processo cíclico quanto a como o futuro professor irá se portar, o qual é dependente de como foi sua experiência como aluno, para que ocorram as alterações desejadas será necessário romper tal processo.

O fato dos professores não realizarem qualquer tipo de modificação, não alterando suas práticas pedagógicas mesmo estando ciente da nova legislação educacional, de um grande número de publicações sobre ensino de Física pode ser atribuído a outros motivos, pois o conhecimento é apenas uma parte da experiência humana. Os outros componentes destas experiências incluem o sentimento, o julgamento, a disposição (vontade de fazer) e a ação' (DUFFEE et al., 1992 apud BARROS, 1999, p. 56). Porém, para que os futuros professores utilizem abordagens que sejam significativas para seus alunos, é necessário promover ações, não apenas, mas desde a graduação para que desprendam-se desse processo. Uma possibilidade para tanto é possibilitar que o licenciando reflita sobre sua prática docente e consiga fazer alterações enquanto leciona. Esse processo é conhecido como reflexão na ação (SCHON, 1992) e um espaço conveniente para tal discussão, durante a formação do professor, é o Estágio Supervisionado e a disciplina Prática de Ensino de Física.

Assim, a universidade deve proporcionar meios para tal reflexão sobre o processo de ensino, abordando suas peculiaridades, não se furtando ao contato real com a sala de aula, com a necessidade do improviso, mas encarando-o como algo dinâmico e complexo que é. Desta maneira o futuro profissional estaria aprendendo a construir o conhecimento, e não apenas a aplicar técnicas ou conhecimentos específicos, os quais muitas vezes se tornam inúteis frente a determinadas situações novas nunca antes estudadas (CARVALHO et al, 2001). Espera-se que o futuro professor possa encontrar algo de novo e envolvente, permanecendo próximo de novas possibilidades e escolhas para a sua vida (FRANZONI, 2001, p. 9).

## METODOLOGIA DA PESQUISA

Nossa pesquisa, de natureza qualitativa, investigou a possível construção de saberes docentes por professores de Física em formação durante a utilização de uma proposta construtivista de ensino de

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eletricidade BARROS (1999). O público-alvo do módulo sobre Eletricidade que compunha o curso 'O Outro Lado da Física' foi um grupo inicial de 30 alunos do período matutino de uma escola pública estadual do município de Bauru - SP, em sua maioria alunos da última série do nível médio. Foram os objetivos iniciais dessa pesquisa analisar: a atuação dos licenciandos em Física ao utilizarem uma proposta construtivista para o ensino de Eletricidade e suas possíveis contribuições p ara a formação de professores de Física e a validade das atividades construtivistas durante sua aplicação pelos licenciandos aos alunos do curso 'O Outro Lado da Física'.

A proposta foi levada a aplicação por dois licenciandos do curso de Física noturno da Unesp, campus de Bauru durante uma atividade integrante da Disciplina Prática de Ensino de Física do curso de Licenciatura em Física noturno da Unesp, câmpus de Bauru, realizado durante o segundo semestre de 2002 com carga horária de 80 horas-aula. O curso foi intitulado 'O Outro Lado da Física' e os licenciandos dividiram-se em cinco grupos, os quais ministraram módulos sobre os temas: Mecânica, Óptica, Termologia, Eletricidade e Eletromagnetismo, Física Moderna e Astronomia., sendo acompanhados por nós o módulo de Eletricidade, composto por dois licenciandos. O trabalho de campo foi conduzido durante o mês de outubro de 2002 numa escola pública estadual no centro do município de Bauru-SP. Os dois licenciandos responsáveis pelo módulo de Eletricidade receberam do pesquisador uma proposta de trabalho em conjunto durante a duração de suas atividades de estágio. No total, foram realizados cinco encontros na escola entre os licenciandos e os alunos do ensino médio, os quais foram filmados. Após esses encontros foram realizados encontros entre os licenciandos e o pesquisador, os quais também foram filmados para posterior análise, a qual foi feita partir da entrevista dos licenciandos e dos comentários dos estudantes sobre o desenvolvimento do módulo.

## RESULTADOS

A seguir, selecionamos algumas falas do licenciando P2 para caracterizar suas impressões sobre seu desempenho e sobre a proposta utilizada. Na coluna 'Enfoque' está o assunto que gerou o comentário para melhor compreensão do leitor. As formas verbais foram caracterizadas em relação as competências disciplinar, didática e dialógica (VILLANI, 2000) de acordo com o discurso do licenciando.

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## CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise dos dados indicou que os estudantes de Nível Médio ficaram satisfeitos com a manipulação de instrumentos como amperímetros e outros objetos do cotidiano utilizados pela proposta. No entanto, devido as características utilizadas para o controle do desenvolvimento do aprendizado dos estudantes, estes acabaram por se queixarem quanto a constante necessidade de explicitação de seus respectivos entendimentos assinalando a necessidade de ajustes nas atividades da proposta utilizada.

Em relação aos licenciandos, observou-se um maior comprometimento com as atividades por parte do licenciando P1, o qual mostrou-se mais à vontade com seus erros e dúvidas, no entanto, P2, demonstrou sinceridade quanto aos erros que cometeu. Percebeu-se que a falta de familiaridade com a abordagem construtivista influenciou mais o licenciando P2, o que foi compensado para P1 por seu maior comprometimento com o estágio. Os dois licenciandos demonstraram atitudes vinculadas as competências necessárias ao professor de Física (VILLANI, 2000) para um bom desempenho.

As características esboçadas pelos envolvidos nessa pesquisa possibilita melhor compreender a questão sobre formação de professores e sua implicação nas futuras aulas de Física. A aplicação dessa proposta inovadora, construtivista e com avaliação integrada ao desenvolvimento das atividades indicou, apesar da necessidade de ajustes, que o talento do professor, seu timing nunca será substituído pela melhor proposta de ensino. Pelo contrário, o fato dos licenciandos utilizarem a proposta de autoria de BARROS (1999), indicou que os licenciandos não alteraram o planejamento ou mesmo algumas atividades da proposta em função das dificuldades dos estudantes e deles próprios. Atribui-se a esse fato a inexperiência com situações de sala de aula e propostas construtivistas, bem como ao comprometimento diferenciandos dos licenciandos com o Estágio Supervisionado.

A análise mais aprofundada de certas situações vivenciadas pelos licenciandos poderá contribuir com as pesquisas sobre Formação de Inicial de Professores, um assunto que necessita ainda de muita discussão e muitas providências.

## REFERÊNCIAS

BARROS FILHO, J . Construção de um sistema de avaliação contínuo em um curso de eletrodinâmica de Nível Médio. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Educação, Unicamp, Campinas, 1999.

BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnologia. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC/SENTEC, 1999. 64 p.

CARVALHO, A. M. P. e RODRIGUES, M. I. R. Professores - Pesquisadores: Reflexão e Mudança Metodológica no Ensino de Física - O contexto da Avaliação, Ciência e Educação, v . 8, n. 1, p. 39-54. Ed. Escrituras, São Paulo, 2002. ISSN 1516-7313.

CARVALHO, A. M. P. e VIANNA, D. Bruno Latour e Contribuições da Antropologia da Ciência: Aspectos para o Ensino das Ciências - Em Foco - Jornal Ciência & Ensino, n. 10, junho de 2001, - gepCE - Faculdade de Educação - Unicamp.

CARVALHO, A. M. P. et al Termodinâmica: Um ensino por investigação. FEUSP, São Paulo, 1999, 123 p.

FRANZONI, M. e VILLANI, A. Uma experiência de grupo na formação inicial de professores. Educação em Ciências: da p esquisa à prática docente. Educação para a Ciência. (Org.) Roberto Nardi. São Paulo, Escrituras, 2001.

ORLANDI, E. P. Análise do Discurso: Princípios e Procedimentos. Campinas, SP. Editora Pontes, 4.ª edição, 2002.

VILLANI, A. e PACCA, J. L. A. La Competencia Dialógica Del Profesor de Ciências en Brasil. Enseñanza de Las Ciencias. 2000, 18(1), 95-104.

SCHÖN, D. A. Formar professores como profissionais reflexivos. IN: NÓVOA, Antônio (Org). Os professores e a sua formação . Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1992. p.78-91.

VILLANI, A. Reflexões sobre o ensino de Física no Brasil: Práticas, Conteúdos e Pressupostos. Revista de Ensino de Física, vol. 6, n 2, dezembro de 1984, pp. 76 - 95. 0

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