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CONSTRUINDO O CONHECIMENTO DO UNIVERSO A PARTIR DO INDIVÍDUO - ENSINO DE ASTRONOMIA NO ENSINO FUNDAMENTAL

Cleiton Joni Benetti Lattari, Rute Helena Trevisan, Everaldo José De Lima, Deolinda Puzzo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CONSTRUINDO O CONHECIMENTO DO UNIVERSO A PARTIR DO INDIVÍDUO ENSINO DE ASTRONOMIA NO ENSINO FUNDAMENTAL

Cleiton J.B. Lattari *1 (PQ)(lattari@sercomtel.com.br), Rute H. Trevisan 2 (PQ), Everaldo Lima 2 (PG), Deolinda Puzzo (PG). 2 (1) FEMA/IMESA - Assis, SP (2) FÍSICA/UEL, Londrina, Pr

## RESUMO

- O estudo da astronomia torna-se cada vez mais necessário como forma de incentivo no tratamento de temas básicos no ensino de ciências, física e matemática, tanto no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, como nos cursos que abordam essas disciplinas no terceiro grau. São freqüentes os pedidos de inserção de Astronomia nos cursos de aperfeiçoamento de professores e não raro a exigência de que esta disciplina seja incluída nos currículos dos cursos de física e matemática, seja ela como disciplina optativa ou fazendo parte do conjunto de disciplinas obrigatórias. Discutiremos aqui, uma metodologia que incenti va o ensino de astronomia e apóia o professor em sala de aula.

Palavras - Chaves: metodologia, ensino, astronomia

## INTRODUÇÃO

- Os conceitos de Astronomia trabalhados no ensino fundamental encontram-se nos livros didáticos e nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1986) compondo assim o eixo temático Terra e Universo que busca inteirar no individuo o conceito de Universo.

Nós devemos fazer com que o aluno saia da Terra, mais precisamente se desligue do bairro ande mora para poder entender o mundo que o cerca. Esse avanço na vida do indivíduo só é possível dentro de um sistema de ensino bem estruturado onde todas as questões básicas da exi stência possam ser discutidas sem preconceitos ou formalismos pré-definidos.

- O Olhar do indivíduo para fora o leva a querer saber mais. Isso conduz a um processo de ensino / aprendizagem que o liberta das fronteiras levando-o a apropriar-se de sua própria vida através do conhecimento. Por essa razão as aulas de Ciências precisam ser bem elaboradas mantendo uma dinâmica única com dosagens corretas de cada conteúdo, respeitando as limitações do indivíduo e a sua curiosidade. O individuo está no Universo e ele faz parte de um pequeno corpo que chamamos Terra. Essa Terra está 'presa' a uma estrela chamada Sol, que pertence a uma galáxia chamada Via Láctea que por sua vez faz parte de um grupo local de galáxias onde está Andrômeda. Agora você tem que ensinar tudo isso aos alunos do Ensino Fundamental. A primeira questão é: como ensinar algo tão complexo? E outras logo a seguem: O que devo dizer aos alunos a respeito da forma da Terra, por exemplo? Como fazê-los entender que a Terra é um corpo em movimento? Como explicar aos alunos que o Sol é maior que a Terra e que comparado com outras estrelas do Universo conhecido ele é relativamente pequeno? São questões que estão na mente do professor e que ele teme não as responder por não estar preparado para isso .
- O professor necessita de mudança de posturas (Harres et al, 2001) para ensinar temas complexos. Quando olhamos para 'a mensagem das estrelas' de Galileu Galilei, podemos notar que a persistência na aquisição do conhecimento é fundamental . Como ele mesmo diz no inicio de seu tratado:
- ' Grandes sem duvida são as coisas que neste breve tratado proponho à contemplação dos estudiosos da natureza. Grandes, digo, seja pela sua excelência intrínseca, seja por sua inaudita novidade, seja enfim pelo instrumento por força do qual essas coisas se desvelaram aos nossos sentidos'. (Galilei, 1987)

Desta forma, o professor e o aluno devem se sentir imbuídos do espírito cientifico ao estudar os conceitos básicos da Astronomia. Galileu, interado do método científico, procurou ser minucioso em suas observações do Céu, procurando cientificamente explicações para aquilo que observava.

Para Astolfi e Develay, (2002) é a história das idéias e não a história dos homens que nos esclarece sobre as condições de produções do saber. E quatro perguntas fundamentais transitam no plano filosófico e também no plano didático: O que é um conceito científico? Qual o lugar dos fatos na descoberta? Qual pode ser a função didática da noção de obstáculos epistemológicos? Como pensar as leis e as teorias?

O professor precisa estar atento ao contexto de sua sala de aula e pronto para lapidar os conceitos que os seus alunos trazem a respeito dos astros. Não basta dizer, é preciso fazer e mostrar; é necessário sair de um processo de ensino formal para um sistema de ensino / aprendizagem mais espontâneo onde a sala de aula com quadro e giz é apenas um de seus elementos (Laburu et al.; 2001).

## I. ENSINO / APRENDIZAGEM DE ASTRONOMIA

Tem-se colocado muito aos professores uma série de técnicas para o ensino da astronomia básica considerando que esses professores, muitas vezes nunca viram essa disciplina no curso de sua formação. Considerando o fato de que, muitas vezes, eles precisam desse conhecimento de forma imediata, pois está no programa e precisa ser ensinado, não sobra muito tempo, em cursos de formação continuada, para abrir discussões sobre os paradigmas do ensino de astronomia. A estrutura, então, desses cursos se resumem no ensino das oficinas e na proposta de construção de algum instrumento que possa auxiliar o professor em suas aulas, como a construção da luneta de óculos, por exemplo, proposta por Canalle (1994), ou mesmo lançando mão das experiências de Caniato (1990), o que traz ao professor um certo alento, mas não resolve o seu problema.

O processo de ensino / aprendizagem fica ainda mais difícil, quando esse professor toma o livro didático como a sua única fonte de consulta e o interpreta para os seus alunos. Estudos têm revelado que esses livros ainda possuem muitos erros conceituais (Canalle, et al, 1997 e Trevisan, et al, 1997), que reforçam idéias erradas de órbita de planetas e outros conceitos dificulta ndo a aprendizagem de conceitos novos e corretos. Muitas vezes, o próprio professor é possuidor dessas idéias preconcebidas e as passa com grande segurança para os alunos, reforçando uma seqüência de conceitos errados que dificultam qualquer mudança conceitual. O aluno por sua vez, inserido em um mundo dinâmico e cheio de novos elementos de aprendizagem, traz para a escola as suas dúvidas e ansiedades a respeito da astronomia, corrida espacial e seres extraterrestres que ora e outra tomam conta da mídia forçando-o a indagar o professor. O professor despreparado para trabalhar o assunto pouco tem a acrescentar senão, muitas vezes, reforçar aquilo que é dito. Isso se dá devido a pouca literatura existente a respeito de astronomia em língua portuguesa, principalmente no Brasil, e ainda ao fato de que em seu curso de formação o professor não foi estimulado a pensar sobre o assunto e nem foi criado uma filosofia de debate que o conduzisse a construir conceitos sólidos dos temas chaves para o ensino fundamental a respeito de astronomia.

## II.O HOMEM COMO UM OBSERVADOR DO UNIVERSO

Olhar para o céu, simplesmente é apenas uma forma de ver um livro fechado. O lhar para o céu com questionamentos é a chave para abrir esse livro da natureza. O universo é um laboratório que deve ser explorado com a nossa inteligência. Podemos vê-lo, como nas observações a olho nu e com telescópios, podemos ouvi-lo como nas observações com radiotelescópios (Trevisan e Lattari, 2000), podemos explorá-lo em outros comprimentos de ondas, como fazemos com satélites postos fora da atmosfera terrestre.

Como o ser humano é o elemento transformador do mundo, capaz de observar, planejar, refletir e agir criando meios de armazenamento e tratamento de conhecimento para ser usado por gerações futuras, ele tem de cercar-se da tecnologia com reflexão para poder dominar os seus elementos e utilizá-lo em seu processo de aprendizagem . Não devemos nos impressionar com os instrumentos sofisticados que o homem inventa para observar o céu. Basta os nossos olhos para termos momentos de descobertas fantásticas ao olhar para o céu à noite. O agregamento da tecnologia a esse processo, quando possível, pode si m, tornar o processo de ensino / aprendizagem mais significativo (Angotti, et al, 2001), mas no ensino de astronomia isso não é determinante. Podemos construir o ensino de

astronomia com um simples bastão de um metro fixado no solo - o Gnomôn. E através do estudo das sombras, deduzir que a Terra é um corpo que se movimenta no espaço, observar as estações do ano e os equinócios e entender como Erastóstenes mediu a circunferência da Terra. Construir um relógio de sol. Usando o próprio corpo, como podemos observar na figura 1, como gnomôn, pode-se fazer estudos da evolução da sombra durante um dia e medir o meridiano astronômico local. Com uma folha de papel, uma linha, um clipe e transferidor, pode-se construir um astrolábio que nos dará a elevação dos astros em relação à linha do horizonte e também nos conduzir à interpretação das fazes da Lua.Apenas utilizando esses dois instrumentos, o nosso senso de observação e a nossa curiosidade científica, podemos desenvolver aulas interdisciplinares de Ciências com a Matemática com ótimos aproveitamentos dos alunos com relação aos conceitos de geometria e trigonometria.

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Fig.1. Os professores discutem em curso de treinamento sobre o gnomon Humano, para poderem utilizar mais tarde com seus alunos dentro de uma proposta didática metodológica.

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Esta é apenas algumas das questões, para não falar da inter-relação da astronomia com outras disciplinas, como a Biologia, a Geografia, a História, a Física, a Tecnologia, etc... Numa postura, onde o individuo é colocado como observador do Universo e que há uma relação forte entre aquilo que ele observa e a evolução dos objetos tecnológicos que ele manuseia, o ensino aprendizagem de astronomia básica torna-se mais eficiente, principalmente quando o professor trabalha um tema de cada vez, montando uma cadeia hierárquica de conhecimento, respeitando as limitações momentâneas do aluno.

O individuo como observador passivo é então colocado no centro das observações e é da Terra que ele vê o U niverso circunvizinho e que pretende compreender. Isso podemos observar em alguns casos onde pedimos para as pessoas desenharem o Universo tal qual elas o concebem(veja a figura 2).

Fig.2: Desenho feito pelo professor, onde ele se coloca como um observador passivo do universo.

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Essa concepção relativamente pobre do Universo observável tem a ver com o exercício de pensar o Universo. Quando observamos o céu, nós nos colocamos no centro da abobada celeste e nos ocupamos de nos localizar com relação ao horizonte nos integrando ao sistema de observação nos pondo em aberto para o aprendizado, quando este já foi previamente tratado ou mesmo quando há uma expectativa sobre os objetos do céu. De certa forma podemos dizer que há uma evolução cognitiva quanto à compreensão do funcionamento do Universo (quadro I):

## III.CONCLUSÃO

Conforme vimos, é necessário pensar o ensino de astronomia de forma metodológica, levando em conta a participação do indivíduo no ensino/ aprendizagem. O ser humano como observador da realidade e participante ativos nas transformações do meio, conduz esse processo ao desempenho do

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## IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

método de estudo abordagem, uma vez que o ensino de astronomia não é trivial, mas deve levar em conta as relações do individuo com o meio. Cognitivamente, o individuo passa a caminhar junto com o universo em expansão quando se predispões a aprender os seus mecanismos, pois é necessário ter uma mente aberta e ativa para assimilar os conceitos atuais da astronomia. Esse processo conduz o individuo a posturas que envolve o ensino / aprendizagem de hoje em dia conduzindo-o ao domínio do conhecimento referente à sua posição no Universo.

Quadro I: Evolução cognitiva do individuo quanto à compreensão do funcionamento do Universo.

ANGOTTI, J. A. P.;BASTOS,F.P.; MION,R.A. Educação em Física: Discutindo Ciência Tecnologia e Sociedade. Ciência e Educação , v.7, n.2, p.183 - 197, 2001.

ASTOLFI, J. P.; DEVELAY, M. A Didática das Ciências . São Paulo: Papirus, 2002, 132p.

CANALLE, J. B. G. A Luneta Com Lente de Óculos. Cad. Cat. Ens. Fís. ,v.11,n.3:p.212-220,dez.1994.

CANALLE, J. B. G.; TREVISAN, R. H.; LATTARI, C. J. B. Análise do conteúdo de astronomia de livros de geografia de 1 grau. o Cad. Cat.Ens. Fis. v.14, n.3: p. 254 - 263, dez. 1997.

CANIATO, R. O Céu. São Paulo: Editora Àtica S. A., 1990. 144 p.

GALILEI, GALILEU. A mensagem das estrelas. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências Afins: Salamandra,1987. 72p.

HARRES, J. B.S. et al. O que Pensam os sobre o que pensam os alunos. Uma pesquisa em diferentes estágios de formação no caso das concepções sobre a forma da Terra. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências . V.1, n.2: p.40-50, maio/ ago,2001.

LABURÚ, C. E. CARVALHO,M.; BATISTA, I.L. Controvérsias Construtivistas. Cad.Cat.Ens.Fís. , v.18,n.2:p.152-181,ago.2001.

LATTARI, C. J. B. e TREVISAN, R. H. Metodologia para o ensino de astronomia: uma abordagem construtivista. Atas do II ENPEC . Set., 1999.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: terceiro e quarto ciclo do ensino fundamental. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental, Brasília, 1998.

TREVISAN, R. H. et al. Assessoria na avaliação do conteúdo de astronomia dos livros de ciências do Primeiro Grau. Ca.Cat.Ens.Fís. , v.14, n.1:p.7 -16, abr, 1997.

TREVISAN, R. H. e LATTARI, C. J. B.Clube de astronomia como estímulo para formação de

Professores de Ciências e Física: uma proposta. Cad.Cat.Ens.Fís. v.7, n.1: p. 101 - 106, abr. 2000.

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