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OS EFEITOS SOBRE A APRENDIZAGEM RESULTANTE DA IMPLEMENTAÇÃO DE PLANOS DE AULA DIFERENCIADOS

Luciano Anderson Frois, Walter Romero Jr., Ciclamio Leite Barreto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Pôster

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Texto completo

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## OS EFEITOS SOBRE A APRENDIZAGEM RESULTANTE DA IMPLEMENTAÇÃO DE PLANOS DE AULA DIFERENCIADOS

Luciano Anderson Frois (dzeta@zipmail.com.br)

Walter Romero Jr. (walterjr@ufrnet.br) Ciclamio Leite Barreto (ciclamio@dfte.ufrn.br)

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

## RESUMO

Conhecendo algumas dificuldades (carência de laboratório, recursos tecnológicos, materiais didáticos, dentre outros) que os professores enfrentam na prática docente com as ciências naturais no Ensino Médio, principalmente na disciplina de Física, no âmbito das escolas públicas da rede estadual de ensino, observamos uma contribuição deficiente para um ensino-aprendizagem satisfatório, ou seja, contradizendo as propostas dos Parâmetros Curriculares Nacionais e Lei de Diretrizes Bases Nacionais.

Neste trabalho, iremos mostrar os resultados da elaboração, implementação e avaliação de planos de aula, desenvolvidos em escolas públicas da Parnamirim / RN, e que se aproximam mais das propostas dos PCN's e LDB, tendo como meta principal, desenvolver uma prática de ensino mais atrativa, empolgante e próxima da realidade dos alunos.

Os planos de aula, baseados em textos de apoio, tentam aproximar os saberes da física com ao cotidiano dos alunos, trabalhando com temas atuais, experimentos, vídeos, jornais, revistas, promovendo sempre a participação dos estudantes, seja na sala de aula ou fora dela.

As experiências vividas pelos professores serão relatadas neste trabalho, bem como algumas avaliações feitas pelos alunos sobre o método utilizado, onde o instrumento de coleta de dados se deu através de um questionário fechado, no qual obtivemos um panorama a respeito da metodologia utilizada.

## APOIOS: CNPq - CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO

## INTRODUÇÃO

A dinamização das atividades do cotidiano ocasionada pelo rápido e contínuo desenvolvimento científico e tecnológico, e também a conseqüente troca de informações entre as diversas culturas a nível mundial exigem cada vez mais que tenhamos condições de identificar e interpretar as diversas formas do conhecimento, de maneira que possamos indicar, coletar e absorver assuntos dos mais genéricos aos mais específicos dentro dessa grande malha de informações, tecida no universo individual e no mais abrangente, que é a sociedade.

- O aprendizado como forma de construção do ser social, capaz de interpretar as mais diversificadas áreas do conhecimento, compreendendo que todas são uma só, sugerindo a inerente interligação entre elas (interdisciplinaridade), é uma proposta contemporânea e deve estar dentro do que e como as escolas devem envolver os seus estudantes, pois é lá que eles têm o maior (mas não único) contato com a formalização e aplicação desse conhecimento. Para isto, incorporando esclarecimentos e objetivos, como os citados na proposta GREF [1], procuramos apresentar a ciência de uma maneira tal que, desde o início, sejam claras sua relevância prática e sua

universalidade. De maneira geral, apresentamos a Física como um instrumento para a compreensão do mundo e da vida neste mundo e propomos que o estudante é agente do processo de ensinoaprendizagem.

A metodologia utilizada foi a elaboração sistemática e cuidadosa seguida da implementação e avaliação de planos de aula em uma escola pública da rede estadual de ensino, localizada em Parnamirim/RN, que é uma cidade ao sul da região metropolitana de Natal, no estado do Rio Grande do Norte. Fez-se também parceria neste trabalho com um professor, desta mesma escola, que participou ativamente tanto na elaboração quanto na aplicação e avaliação destes planos de aula. Esta atividade integra oficialmente tanto o cumprimento do plano original de trabalho relacionado ao programa de iniciação científica 1 , quanto as responsabilidades da referida escola perante seus alunos, nas séries e turmas que foram contempladas com nosso trabalho.

## DESENVOLVIMENTO DOS PLANOS DE AULA

Para estar de acordo com o contexto da proposta que visa estimular os alunos a participarem da construção da aprendizagem na apresentação de novos conceitos em Física usamos uma estrutura completa e certificada para a elaboração de planos de aula. Para a prática dessas aulas com temas diferentes, seguimos as orientações dos conteúdos programáticos da 2 série do ensino médio, em a que desenvolvemos este trabalho, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, dos Parâmetros Curriculares Nacionais e do Referencial Curricular Estadual.

A seguir apresentamos a estrutura que foi utilizada para a produção dos planos de aula, dando como exemplo alguns itens.

## ESTRUTURA TÍPICA DOS PLANOS DE AULA

## Seleção de um Tema / Texto de Apoio

Baseado nos critérios de {atualidade/ contemporaneidade/ espacialidade/ importância} do {fenômeno/ tecnologia/ conceito etc.}, selecionar um tema capaz de conter em seu âmago os referencias aos conteúdos pretendidos de serem ministrados. Observar conformidade com programa. Atribuir um título apelativo ao plano de aula, onde se procure despertar a curiosidade do aluno sobre a temática abordada.

## Texto de Apoio ou de Base

É conveniente sempre utilizar um texto de base, que traga uma contextualização atual e objetiva dos conceitos e aplicações, a partir do qual seja possível efetuar um trabalho de pesquisa e de gancho para aprofundamento do tema.

## Matérias cujos conteúdos são cobertos pelo plano de aula (exemplo de possibilidade):

História universal e brasileira, Estudos sociais, Tecnologia, Eletrônica, Ciência e Conexões Interdisciplinares.

## Objetivos

Definir claramente os objetivos da aula: Os estudantes deverão executar diversas tarefas (onde se pode incluir redação, pesquisa, leitura de texto de motivação ou de apoio, executar um procedimento específico relacionado ao tema etc.). Quatro objetivos é uma quantidade razoável.

## Atividades / Procedimentos:

Consiste de três ou quatro etapas:

(1o.) AQUECIMENTO/ FAZER JÁ; Trata- se de uma atividade leve que seja capaz de mostrar aos estudantes que eles já conhecem algo sobre o assunto, nem que seja do ponto de vista de sua própria experiência, traduzida em um conhecimento formalmente incompleto ou mesmo divergente do conhecimento cientifico.

(2o.) Descrever as atividades e os respectivos procedimentos (com memória de estimativa de tempo para cada uma), recomendavelmente iniciando com um procedimento de manifestação individual de concepções espontâneas e discussão a respeito de questões básicas e aplicadas relacionadas ao tema. Sempre incluir a leitura coletiva do texto de apoio e uma subseqüente discussão.

(3o.) Sempre que possível, executar procedimentos práticos (demonstrações experimentais) relacionados ao tema, e pedir que seja descrita em forma de relatório, a experiência, seus objetivos, metodologia, resultados e como estes acham- se relacionados à vida prática e ao cotidiano das pessoas. Uma fundamentação teórica (síntese de estudo) pode ser requisitada pelo professor, visando contato direto com conteúdos específicos.

(4o.) EMBRULHAR/ FAZER DEPOIS: A tarefa para fazer depois deve ser explicada claramente (o que, como, quando, etc) e deve ser cobrada sua entrega pronta, bem como agendada uma discussão complementar.

## Atividades de Extensão e Vocabulário

Sugerir atividades de extensão do tema da aula e premiar (avaliativamente) os estudantes que empreenderem tais atividades. A idéia aqui é propiciar oportunidade de aprofundamento no tema. Exemplos: (i) fundamentação teórica do tema; (ii) elaboração de um mural sobre o tema, precedido ou não de ações para coleta de dados específicos. (iii) pesquisa sobre aspectos legais sobre o tema, valorizando a cidadania. (iv) análises de situações reais relacionadas ao tema, e muitas outras possibilidades. Os alunos devem também compor um vocabulário principalmente com verbetes extraídos do texto de apoio. Construí-lo com verbetes que sejam ao mesmo tempo genéricos, que enriqueçam o vocabulário dos educandos, mas também específicos, ou seja, afins com o tema, consultando um bom dicionário e/ou textos mais específicos para certos vocábulos.

## Enlaces na Internet e referências e Conexões interdisciplinares

Prover diversas referências sobre o tema, inclusive endereços na web. Informar referências sobre livros e revistas periódicas que possam efetivamente contribuir para o conhecimento do tema. Realçar conteúdos relacionados a uma variedade de matérias e solicitar tarefas específicas.

## Avaliação do Docente pelos Alunos

Solicitar aos alunos que respondam questionário elaborado de modo que sirva à avaliação do docente, bem como da aula. Retornar o processamento destes dados aos alunos e discutir eventuais aspectos com baixa avaliação, como ponto de partida para um aprimoramento.

## Parâmetros Curriculares Nacionais:

Os planos de aula incluem uma revisão dos parâmetros curriculares nacionais relacionados a cada aula.Os conteúdos dos PCN's e outros referenciais que possam ser cobertos por estes, são explicitados sistematicamente, detalhando de modo que cada item seja atendido pela aula. No processo de produção (elaboração, implementação e avaliação) dos planos de aula, a nossa principal referência foi a dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de Física na escola secundária, de onde apresentamos, a seguir, as competências e habilidades a serem desenvolvidas em Física que foram buscadas em nosso trabalho:

- · desenvolver a capacidade de investigação física. Classificar, organizar sistematizar: Identificar regularidades. Observar, estimar ordens de grandeza, compreender o conceito de medir, fazer hipóteses, testar;
- · compreender a Física presente no mundo vivencial e nos equipamentos e procedimentos tecnológicos. Descobrir o 'como funciona' de aparelhos;
- · construir e investigar situações-problema, identificar a situação física, utilizar modelos físicos, generalizar de uma outra situação, prever, avaliar, analisar previsões;
- · reconhecer a Física enquanto construção humana, aspectos de sua história e relações com o contexto cultural, social, político e econômico;
- · reconhecer o papel da Física no sistema produtivo, compreendendo a evolução dos meios tecnológicos e sua relação dinâmica com a evolução do conhecimento científico;
- · dimensionar a capacidade crescente do homem propiciada pela tecnologia;
- · estabelecer relações entre o conhecimento físico e outras formas de expressão da cultura humana;
- · ser capaz de emitir juízos de valor em relação a situações sociais que envolvam aspectos físicos e/ou tecnológicos relevantes.

Segundo estes itens acima, aprender significa pensar que os limites das escolas precisam ser extrapolados para além da sala de aula, para além do livro didático e do quadro negro. Hoje, questões como problemas ambientais e ecológicos são exemplos, que não podem passar despercebidos pelos educadores (de Física e das Ciências em geral), pois todos precisam se comprometer com as questões vitais da sociedade.

## RESULTADOS SOBRE O QUESTIONÁRIO AVALIATIVO DAS AULAS PELOS DISCENTES

Uma das variáveis contida no questionário foi quanto a opinião sobre o conjunto das unidades didáticas, as aulas do semestre (ótima, boa ou ruim). Obtivemos como resultados que, d e um total de 30 alunos, a maioria 24 (76,6 %), deram como respostas a opção boa. Do ponto de vista do nível de dificuldade das avaliações (difícil, médio e fácil), 15 (50%) estudantes escolheram o item médio dessa variável. Noutra variável, quando perguntados se o professor conseguiu cumprir com todo o programa de aula estabelecido (sim ou não), a predominância 22 (73,3%) foi de sim. Com base nas respostas, percebemos uma boa aceitação da metodologia de ensino por parte dos alunos.

## AVALIAÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DOS PLANOS DE AULA

As Ciências Naturais, e a Física em particular, enquanto áreas de conhecimento construídas, têm uma história e uma estrutura que, uma vez apreendidas, permitem uma compreensão da natureza e dos processos tecnológicos que permeiam a sociedade.

O papel da educação é levar a pessoa a relativizar, criticar, julgar, cooperar, conhecer-se a si mesmo e ao outro, inovar, argumentar, compreender, organizar, respeitar, descobrir, pôr-se no lugar do outro, aprender a viver junto, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.

O desafio de ensinar para que se entenda o mundo vivencial depende irrevogavelmente da convergência de toda a comunidade escolar em torno de um projeto pedagógico que integre não só as disciplinas, mas todas as áreas do conhecimento e por isso percebemos a necessidade das avaliações para indicar o que está colaborando para isto ou não, o que é constantemente sugerido pelos planos de aula, como por exemplo no item de atividades dos planos de aula temos o aquecer/ fazer já , que serve para levantar o aspecto das concepções espontâneas do conhecimento, que depois é complementado com as atividades sobre o texto que são mais objetivas e também servem como avaliação (leitura e interpretação de texto), mas agora mostrando diversos aspectos do entendimento do que está sendo ensinado, sempre considerando que todos os alunos são diferentes e por isso não têm o desenvolvimento dos assuntos apresentados da mesma maneira. Sobre estes aspectos, podemos dizer que a estrutura utilizada, deu excelentes diagnósticos nas estudantes, tendo então o professor uma excelente forma de avaliação tanto da sua atuação como educador como dos seus alunos, colaborando então para indicações e possíveis aperfeiçoamentos

turmas onde foram ministradas as aulas; desde o aspecto coletivo até o aspecto individual dos das aulas para um ensino e aprendizagem mais eficientes.

A proposta seguindo a estrutura utilizada na elaboração dos planos de aula é boa, e os resultados no ensino-aprendizagem foram positivos. Mas precisamos ressaltar, a dificuldade por parte dos professores, da rede pública, em elaborar esses planos, devido a necessidade de tempo para sua composição, além da escassa fonte de recursos (computador com internet, revistas, livros, etc.) que é imposta pelas condições de trabalho.

## BIBLIOGRAFIA

- 1- GREF: Física 1 - Mecânica, 5 edição, 1999; Física 2 - Física Térmica e Óptica, 4 edição, 1998; a a Física 3- Eletromagnetismo, 3 edição, 1998. São Paulo, Edusp. a
- 2MEC - Ministério da educação: Parâmetros Curriculares Nacionais de Ensino Fundamental: http://www.mec.gov.br/sef/pcn.shtm
- 3-MEC -Ministério da Educação: Parâmetros Curriculares do Ensino Médio: http://www.mec.gov.br/semtec/ensmed/publica.shtm
- 4- Moreira, M.A., Delizoicov, D. & Angotti, J.A.P.: Atas do I Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências. Águas de Lindóia, SP, 27-29 de Novembro, 1997.
- 5- Carvalho, Anna Maria Pessoa de. Física: proposta para um ensino construtivista / São Paulo, EPU, 1998.
- 6- Campos, Maria Cristina da Cunha, O ensino aprendizagem como investigação. São Paulo, FTD, 1999.
- 7- Delizoicov, D. & Angotti, J.A. Física (2 grau). São Paulo, Cortez 1991. o

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