ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS RESULTADOS DOS EXAMES DE FÍSICA (SUPLÊNCIA ENSINO MÉDIO) E COMPARAÇÃO QUALITATIVA DAS PROVAS, DOS ANOS DE 1999 A 2003 EM BRASÍLIA.
Marco Aurélio Duque Estrada Vieira, Enrique Iglesias Verdegay
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 26/01/2005
- Linha de pesquisa
- Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
- Tipo
- Pôster
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## ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS RESULTADOS DOS EXAMES DE FÍSICA (SUPLÊNCIA ENSINO MÉDIO) E COMPARAÇÃO QUALITATIVA DAS PROVAS, DOS ANOS DE 1999 A 2003 EM BRASÍLIA
Marco Aurélio Duque Estrada Vieira a ; madevieira@bol.com.br Enrique Iglesias Verdegay b ; verdegay@unex.es
a- Doutorando do ICE - Universidad de Extremadura - UNEX - Espanha; Prof. da SEEDF- Brasil. b - Prof. Dr. Titular do ICE - Instituto de Ciências da Educação - Universidad de Extremadura - UNEX Espanha
## RESUMO
Em 2002 foi realizado no Distrito Federal conforme rege a lei, as provas de suplência do Ensino Médio (antigo 'provão do supletivo'). A comissão organizadora foi surpreendida com os resultados da prova de Física, tradicionalmente reprovadora, cuja responsabilidade na elaboração foi do autor deste trabalho, convidado que foi para compor a banca examinadora daquelas provas. Fez-se então um estudo estatístico, comparando este resultado com o de outros anos (componente curricular Física), e também com os outros componentes curriculares do ano de 2002. O resultado após análise estatística (resultados de aprovação) e qualitativa (tipo de questões utilizadas nas provas) não se mostrou mais surpreendente, e sim a frágil organização deste tipo de provas, e como a introdução de questões que façam parte do cotidiano do aluno é muito mais coerente que as questões tradicionais, de pouca utilidade e sem nenhum sentido prático para esta clientela que realiza estas provas (isto não é um concurso público!), já excluída do ensino regular anteriormente.
PALAVRAS-CHAVE : AVALIAÇÃO; ENSINO DE FÍSICA; EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS(EJA)
JUSTIFICATIVA : Ao ser convidado para fazer parte de uma banca examinadora de exames de suplência para o ensino médio no Distrito Federal em 2002, o autor deste trabalho deparou-se com um desafio: o que 'cobrar' do componente curricular FÍSICA, a pessoas adultas, na maioria trabalhadores que querem continuar os estudos, defasados na idade, que mal estudaram ciências no ensino fundamental, trazendo consigo inúmeras concepções científicas errôneas adquiridas ao longo da vida. Fundamentado na Pedagogia da Esperança de Paulo Freire, foram criadas e adaptadas cinqüenta questões que englobavam toda a Física, porém com a perspectiva voltada para o cotidiano e a realidade daquele tipo de aluno(EJA - Educação de Jovens e Adultos). Após um resultado surpreendente nas provas, este trabalho começou a ser gerado, e comparado com os resultados anteriores (de 1999 a 2001) e posterior(2003). Compararam-se também os tipos de questões dos 7 exames (2 em 1999, 2 em 2000, 1 em 2001, 1 em 2002 e 1 em 2003) e uma relação com os resultados obtidos. Com estes resultados ficou bastante claro, para as próximas Bancas examinadoras deste tipo de exame, qual o rumo a seguir ou ainda o que NÃO deve ser feito, o que era desde o início o objetivo deste trabalho.
METODOLOGIA : Após o exame de 2002 e 2003, a equipe do CESAS (Centro de Estudos Supletivos da Asa Sul) - DF, forneceu os dados gerais de todos os componentes curriculares avaliados nos exames, bem como um exemplar de cada prova de Física desde quando o mesmo passou a ser elaborado por aquela gerência de ensino. Utilizando o MS-Excel e o SPSS10.0, foram tabulados os dados obtidos e realizou-se uma análise quantitativa dos resultados quanto a notas, médias por idade, médias por região do DF, médias em relação a outros componentes curriculares, alunos habilitados e discriminação das questões elaboradas em 2002 pelo autor deste t rabalho. Este último foi necessário para corroborar o dito 'surpreendente' resultado do ano de 2002. Em relação às questões foi realizada uma análise qualitativa, com alunos do Centro de Ensino nº 2 de Taguatinga-DF, onde o autor deste trabalho mantém um projeto de Ensino de Física para o cotidiano com experimentos na modalidade da Educação de Jovens e Adultos, comparando as questões 'técnicas' de Física com as relacionadas ao cotidiano do aluno (que nem por isso deixavam de ser menos 'Físicas'). Naturalmente os alunos que foram submetidos aos testes com questões do cotidiano e posteriormente às chamadas questões 'técnicas' ou 'tradicionais', tiveram uma forte rejeição às estas últimas (questionários aplicados a duas turmas diferentes com alunos heterogêneos - idade de 21 a 53 anos, anos de escolaridade diferentes).
RESULTADOS : O resultado em 2002, 'surpreendeu' em virtude da nota média das provas de Física (49% de questões certas), que só perdeu para Espanhol (55%), Biologia (54%), e Filosofia (52%). O índice de aprovação seguiu os mesmos passos: Biologia (67,7%), Espanhol (65,2%), Filosofia (60,5%) e Física (49,8%). Comparando com outros anos, o máximo de aprovação que havia se conseguido em Física foi de 12,7% em 2000/2 e o pior índice ocorreu em 2003: 1,36%! Quanto à média das provas de Física, em 2002 foi obtido a média histórica de 49%, que em comparação com os outros anos variou de 21% a 27% de questões certas. A discriminação das questões em 2002 apontou apenas 5 questões com possibilidades de desvios de comando e um nível de 46% de questões fáceis (fáceis mais médias fáceis), e 23% de questões difíceis (difíceis mais médias difíceis), contra, por exemplo, 73% de questões difíceis e 3% de fáceis em 2001! As questões técnicas são mais de 80% do total das questões de Física em todos os anos, a menos de 2002 em que elas são menos de 15%. As questões do cotidiano são as que apresentam maior índice de acerto, a despeito do senso comum. Um futuro trabalho fará uma reflexão maior sobre os tipos de questões a serem utilizadas nestas provas, que NÃO são um concurso público.
CONCLUSÕES : É notório que as avaliações devam ser conduzidas procurando verificar o conhecimento da clientela dentro de certos padrões. Qual a intenção do avaliador de um exame de suplência em Física, utilizar-se de questões notoriamente complicadas, fora do cotidiano daquele que será avaliado? Um exame de suplência não é um concurso público que deva selecionar os melhores concorrentes. Quem presta este tipo de exame são pessoas que na época certa de aprendizado foram 'expulsos' da escola devido às condições sócio-econômicas, adversas na maioria dos casos. Muitas vezes abandonaram o ensino médio por causa de 'professores' de Física 'curiosos' (sem formação na área), que ainda perduram por todo o Brasil.
Pelos resultados obtidos vê-se que exames de suplência onde o cotidiano é abordado numa linguagem clara, têm um índice de sucesso muito maior que aqueles ainda apegados a questionamentos 'técnicos'. É preciso mostrar a verdadeira 'cara' da Física, e não será com aprovações ridículas de 1,36% (2003) que será mudada a idéia de 'monstro', que alguns professores de Física passam. Espera-se também que a SEEDF tome providências para que o dinheiro público não seja desperdiçado. No último exame de suplência em 2003, de 16080 inscritos, somente 107 dos 7883 que compareceram, foram habilitados em Física. No ano de 2004, com a prova realizada no mês de agosto, e com uma análise parcial do tipo de questões, o recorde de reprovações tem tudo para ser quebrado.
## GRÁFICOS E TABELAS
Tabela comparativa por componentes curriculares, dos exames realizados em 2001 e 2002
## Tabela comparativa dos exames de 2000/1 a 2003 - Física
Obs.: Somente em 2000/2 e 2002 não houveram questões anuladas. Em todos os outros uma questão anulada, o que aumentou a média em 0,3. Em 2004 a SEEDF não autorizou a divulgação do resultado.
ALUNOS/ANO
2002
Inscritos
14525
Compareceram
6573
Aptos
1522
% Aptos
23,2
Média Exame
TIPOS DE QUESTÕES
PROVA de 2001
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## PROVA de 2003
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## PROVA de 2002
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## (adaptada do ENEM)
## Bibliografia
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