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CONSTRUINDO COMPETÊNCIAS NO ENSINO MÉDIO:UMA ABORDAGEM UTILIZANDO A 3ª LEI DE NEWTON COM ALUNOS DA 1ªSÉRIE

Abdias José Da Silva Filho, Ana Paula Teixeira Bruno Silva, Heloisa Flora Brasil Nóbrega Bastos, J. Albino Aguiar

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
26/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CONSTRUINDO COMPET˚NCIAS NO ENSINO MÉDIO: UMA ABORDAGEM UTILIZANDO A 3 a LEI DE NEWTON COM ALUNOS DA 1 a SÉRIE

Abdias JosØ da Silva Filho ; Ana Paula Teixeira Bruno Silva ; Heloisa Flora Brasil Nóbrega 1 2 Bastos ; J. Albino Aguiar . 3 4 1 UFRPE, UFRPE, UFRPE, UFPE 2 3 4

## INTRODU˙ˆO/JUSTIFICATIVA

O grande dilema da educaçªo escolar hoje Ø superar a concepçªo tradicional, baseada na transmissªo de saberes, fazendo com que o aluno desenvolva competŒncias cognitivas que lhe permitam uma participaçªo ativa na sociedade em que estÆ inserido.

Baseados nesse pressuposto, desenvolvemos um trabalho com alunos da 1 sØrie do a Ensino MØdio de uma escola localizada em Olinda-PE, que visava investigar o desenvolvimento de algumas competŒncias propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino MØdio para a disciplina Física, atravØs da utilizaçªo de duas situaçıes-problema envolvendo a 3 a Lei de Newton ou Princípio da Açªo e Reaçªo: nataçªo e cabo-de-guerra.

## O QUE SˆO COMPET˚NCIAS?

A idØia de competŒncia surge quando nos preocupamos com a aplicaçªo dos conhecimentos nas diversas situaçıes vivenciadas pelos indivíduos. Assim, alØm de saber algo, Ø necessÆrio saber fazer, o que implica em conseguir mobilizar os conhecimentos que permitirªo a resoluçªo de um problema concreto, que ocorre em um determinado contexto (Perrenoud, 1999).

A escola tem um papel fundamental na construçªo das competŒncias, uma vez que seu objetivo, de acordo com a nova LDB, Ø preparar o aluno para ser cidadªo, fazendo uso dos conhecimentos trabalhados na mesma. Isto requer dos professores uma mudança de suas visıes sobre o processo de ensino-aprendizagem, alØm do desenvolvimento de novas competŒncias profissionais, uma vez que Ø diferente ensinar para transmitir conhecimento e ensinar para desenvolver competŒncias.

Desta maneira, a tarefa do professor serÆ a de lidar com a construçªo do conhecimento e sua aplicaçªo em situaçıes-problema que mobilizem os alunos e que requeiram açıes específicas, associadas às competŒncias que se quer desenvolver.

As competŒncias de Física que se procurou desenvolver foram: Expressar-se corretamente utilizando a linguagem física adequada e elementos de sua representaçªo simbólica. Apresentar de forma clara e objetiva o conhecimento apreendido, atravØs de tal linguagem; Conhecer e utilizar conceitos físicos. Relacionar grandezas, quantificar, identificar parâmetros relevantes. Compreender e utilizar leis e teorias físicas; Estabelecer relaçıes entre o conhecimento físico e outras formas de expressªo da cultura humana.

## MÉTODOS/INSTRUMENTOS

## 3 a LEI DE NEWTON OU PRINC"PIO DA A˙ˆO E REA˙ˆO

A interaçªo mœtua entre dois corpos Ø analisada pela 3 Lei de Newton, que foi assim a enunciada:

'A toda açªo corresponde uma reaçªo igual e contrÆria, ou seja, as açıes mœtuas de dois corpos um sobre o outro sªo sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos'.

Esta lei Ø tambØm conhecida como o 'Princípio da Açªo e Reaçªo'. Nela observamos que as forças de 'açªo' e 'reaçªo' sªo aplicadas em corpos diferentes e que qualquer uma delas poderÆ, indiferentemente, ser considerada como açªo e a outra como reaçªo (Nussenzveig, 1981).

## OFICINA DE F"SICA

Antes de trabalhar as situaçıes-problema com os alunos (51 alunos da 1 sØrie), foi aplicado a um questionÆrio com 10 perguntas abertas e fechadas, envolvendo situaçıes do cotidiano desses alunos, com o objetivo de identificar os conhecimentos prØvios dos mesmos sobre a 3 Lei de a Newton. Esses questionÆrios foram analisados e as principais dœvidas dos alunos foram registradas, para serem exploradas durante a realizaçªo de uma oficina.

A Oficina de Física foi realizada em uma ChÆcara Pedagógica, pertencente à escola, com os alunos divididos em duas turmas, num final de semana. No sÆbado, a turma A desenvolveu as atividades em dois momentos: pela manhª, dividida em pequenos grupos, foi vivenciada a situaçªo-problema nataçªo e, à tarde, com toda a turma, a situaçªo-problema cabo-de-guerra. No domingo a oficina foi repetida com a turma B. As atividades foram filmadas e fotografadas, sendo o vídeo posteriormente exibido em sala de aula, para que os alunos identificassem e relacionassem nas duas situaçıes-problema a presença da 3 Lei de Newton ou Princípio da Açªo a e Reaçªo. Ao tØrmino desta Oficina foi aplicado um questionÆrio com duas perguntas abertas com oito proposiçıes, referentes às situaçıes vivenciadas.

## NATA˙ˆO

A situaçªo-problema nataçªo teve uma duraçªo de 60 minutos, para cada pequeno grupo, tendo sido realizada numa piscina com uma Ærea de aproximadamente 150 metros quadrados, atravØs de uma seqüŒncia de exercícios, após um breve período de adaptaçªo ao meio líquido. Os exercícios utilizados foram os seguintes: batida de pernas, passeio aquÆtico, briga de galo, escorregador, nado livre, cabo de guerra e caminho sinuoso. Houve repetiçªo dos exercícios, sendo solicitado aos alunos que tentassem relacionÆ-los à 3 Lei de Newton. Após essa fase, a houve uma discussªo de cerca de 10 minutos, quando cada exercício foi analisado separadamente pelo grupo, a partir das indagaçıes colocadas pelo professor.

## CABO-DE-GUERRA

A situaçªo-problema cabo-de-guerra foi iniciada com algumas indagaçıes feitas pelo professor, para orientar a reflexªo dos alunos. Dentre elas, podemos citar: No cabo-de-guerra, para que a corda fique na mesma posiçªo, Ø necessÆrio que os dois lados exerçam a mesma força? O nœmero de pessoas em cada extremidade da corda ajuda ou nªo a ganhar o cabo-deguerra? O tipo de piso (piso da quadra, piscina, terreno natural) ajuda ou atrapalha, para ganhar o cabo-de-guerra?

Em seguida, realizou-se a atividade em trŒs momentos distintos: No primeiro um aluno em cada extremidade da corda; no segundo dois alunos em cada extremidade e no terceiro com todos os alunos, ficando a metade em cada extremidade.

Após esta etapa, os alunos expressaram suas opiniıes quanto à situaçªo vivenciada e responderam oralmente às indagaçıes inicialmente feitas pelo professor. Nesse momento, apenas uma minoria dos alunos conseguiu identificar a 3 Lei de Newton. a

Finalizou-se a Oficina de Física com a aplicaçªo de um questionÆrio, com perguntas referentes às duas situaçıes-problema: nataçªo e cabo-de-guerra.

## INTERVEN˙ˆO DID'TICA

Um mŒs após a oficina, foi realizada uma intervençªo didÆtica com duraçªo de 04 horasaula, para cada turma. A primeira aula foi iniciada com a projeçªo do vídeo realizado durante a oficina. Ao tØrmino do vídeo, pediu-se aos alunos que relacionassem as duas situaçıes-problema à 3 Lei de Newton. Nas trŒs aulas seguintes, foram trabalhados os conceitos científicos a relacionados à 3 Lei em aulas expositivas e dialogadas. a

Após 30 dias do tØrmino da intervençªo didÆtica, foi aplicado o mesmo questionÆrio utilizado no início deste trabalho, para verificar as mudanças ocorridas nas concepçıes dos alunos.

## RESULTADOS

Analisando as respostas dadas pelos alunos ao questionÆrio utilizado como prØ e pós-teste, verificou-se, na pergunta feita sobre a definiçªo da 3 Lei de Newton, que, no prØ-teste, 75,76% da a turma A e 77,77% da turma B identificaram duas forças, sendo uma de açªo e a outra reaçªo, enquanto apenas 9,09% da turma A e 5,56% da turma B, conseguiram identificar duas forças e que essas forças tinham o mesmo módulo, mesma direçªo e sentidos contrÆrios. Com relaçªo às respostas dadas ao questionÆrio aplicado após a oficina, verificamos que, apesar de 33,33% dos alunos da turma A e 100% dos alunos da turma B terem afirmado que as forças de açªo e reaçªo nªo podem ser somadas, apenas 15% dos alunos da turma A e 38,89% dos alunos da turma B conseguiram justificar adequadamente suas afirmativas. Ainda com relaçªo ao questionÆrio aplicado após a oficina, verificamos que 78,79% da turma A e 100% da turma B conseguiram

identificar qual o corpo que exercia a força de açªo, enquanto 51,52% da turma A e 66,66% da turma B conseguiram identificar que a força de reaçªo era exercida em um corpo diferente. Podese perceber que a turma B apresentou melhores resultados na oficina, que podem ser atribuídos ao menor nœmero de alunos, a melhor concentraçªo e envolvimento no desenvolvimento das atividades. JÆ no pós-teste , verificou-se que 78,79% da turma A e 72,22% da turma B se limitaram a identificar as duas forças, enquanto 15,15% da turma A e 22,22% da turma B apresentaram conhecimento sobre módulo, direçªo e sentido das mesmas. Dessa forma, em relaçªo à definiçªo, ocorreu uma melhora na concepçªo dos alunos, tanto na identificaçªo quanto nas características das forças de açªo e reaçªo.

## CONCLUSÕES

Os resultados desta pesquisa demonstraram que os alunos possuem dificuldades em identificar onde estªo sendo aplicadas as forças de açªo e reaçªo, bem como de entender que essas forças nªo se anulam, por serem aplicadas em corpos diferentes; uma outra dificuldade apresentada diz respeito aos conceitos de direçªo e sentido. O uso de situaçıes-problema do diaa-dia dos alunos, alØm de ter despertado a atençªo dos mesmos, impulsionando-os a levantarem hipóteses, refletirem e estabelecerem relaçıes entre as situaçıes vivenciadas e a 3 Lei de a Newton, constituiu-se numa metodologia adequada para o desenvolvimento de competŒncias e dos conceitos dos alunos na direçªo do conhecimento científico.

## REFER˚NCIAS BIBLIOGR'FICAS

BRASIL, MinistØrio da Educaçªo, Secretaria de Educaçªo MØdia e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino MØdio. Brasília: MinistØrio da Educaçªo, 1999.

NUSSENZVEIG, Herch MoysØs. Curso de Física BÆsica: Mecânica. 3.ed. Sªo Paulo: Edgard Blücher, 1981, v.1.

PERRENOUD, Philippe. Construir as CompetŒncias Desde a Escola. Porto Alegre: Artes MØdicas Sul, 1999.

Abdias JosØ da Silva Filho e Ana Paula Teixeira Bruno Silva sªo professores de Física da rede de ensino Pœblica e Particular, formados pela UNICAP-PE com especializaçªo em Educaçªo para CiŒncias-Física pela UFPE. Este trabalho recebeu o PrŒmio SØrgio Mascarenhas, Revelando Talentos na Feira Estadual de CiŒncias/PE-2001 (VII CI˚NCIA JOVEM) (e-mail: abdiasjfh@bol.com.br e aptbss@bol.com.br).

Heloisa Flora Brasil Nóbrega Bastos Ø Doutora e professora de Metodologia do Ensino de Física pela UFRPE e Coordenadora do Programa de Pós-Graduaçªo em Ensino das CiŒncias da UFRPE (e-mail: hfbnb@igcom.br)

J. Albino Aguiar Ø Doutor em Física pela UFPE e professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco (e-mail: albino@df.ufpe.br).

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