O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE FÍSICA ATRAVÉS DE SITUAÇÕES PROBLEMAS
Giseli Vincensi, Maristela Luisa Stolz Brizzi
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 26/01/2005
- Linha de pesquisa
- Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
- Tipo
- Pôster
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## O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE FÍSICA ATRAVÉS DE SITUAÇÕES PROBLEMAS
## Trocando exercícios por problemas
A prática de resolução de exercícios, que é uma mera reprodução mecanizada não constitui conhecimento. Já a resolução de problemas que propomos, promove o conhecimento, pois permite aplicar os aspectos teóricos a situações práticas específicas, ajudando o estudante à 'aprender a aprender', permitindo aplicar seus conhecimentos na resolução de problemas em sua vida diária e a desenvolver um pensamento criativo.
A possibilidade de organizar o ensino de modo à melhoria da aprendizagem é uma premissa da Didática desde Coménio (1592-1604). O professor tem como uma das suas atividades a organização do ensino, tendo presente os elementos constituintes da atividade de ensinar, é preciso que os professores reflitam sobre as finalidades do que se aprende como afirma Freire (1996: 39) mesmo diz: '... na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática'.
De forma bastante genérica, pode-se afirmar que uma dada situação caracteriza-se como um problema para um indivíduo quando, ao procurar resolvê-la, não chegar a uma solução de forma imediata ou automática. Neste caso, necessariamente, o estudante envolvese num processo de reflexão e de tomada de decisões culminando usualmente no estabelecimento de uma determinada seqüência de passos ou etapas.
Portanto, o problema, para receber essa denominação, precisa ser desafiador para o aluno, não podendo ser resolvido por meio de procedimentos padronizados.
Já numa atividade envolvendo apenas exercício, o que se observa é o uso de rotinas/passos automatizado. Neste caso, as situações com as quais o indivíduo se depara já são por ele conhecidas, podendo ser resolvida por meios ou caminhos habituais.
A partir dessas considerações, defendemos que nos planejamentos escolares haja prioridade cada vez maior para as atividades didáticas de Resolução de Problemas, baseadas no tratamento de situações-problema mais próximas da realidade, ao invés delas se restringirem aos exercícios que exigem apenas a aplicação algorítmica de passos de resolução já decoradas pelos alunos. Essas atividades didáticas, além de desenvolverem a capacidade e autonomia dos alunos para enfrentarem situações-problema do dia-a-dia, aprimoram o desempenho necessário frente às exigências impostas pela sociedade atual.
As atividades didáticas de resolução de problemas podem ainda ser elaboradas numa perspectiva de abordar fenômenos cotidianos e/ou situações históricas, o que quer dizer, que elas propiciam uma forma de contextualização dos conteúdos escolares, minimizando seu caráter tradicional 'abstracionista'.
## Experiência de Resolução de Problemas com alunos
Para certificar uma ação pedagógica diferente elaboramos um projeto junto a alunos do Ensino Médio. A pesquisa foi realizada no segundo semestre de 2003, com alunos da segunda série do Ensino Médio, de uma escola pública com cerca de 1500 alunos. A escola apresenta boa estrutura e, laboratório próprio para aulas de Física. Recursos de audiovisual, laboratório de informática... .
Desenvolvemos nossa pesquisa junto ao trabalho pedagógico do professor.
O professor desenvolve suas aulas utilizando o livro 'Hidrostática e Calor' do autor Helio Bonadiman.Esse material contempla uma proposta de trabalho onde o trabalho prático e experiências no laboratório são consideradas provocadoras da discussão em sala de aula. O professor desenvolveu atividades e as discutiu, sugerindo exercícios complementares e respectivas correções.
Nosso trabalho foi trazer novas situações problemas, onde o aluno utilizasse material disponível no laboratório para resolvê-los. Também havia alguns problemas teóricos que exigia não apenas a aplicação de fórmulas, mas o entendimento da situação e operações lógica-matemática para o desenvolvimento das mesmas.
Na realização dos problemas teóricos, percebemos que os alunos se preocupavam muito em usar uma fórmula para resolvê-lo e não pensavam na situação posta pelo problema (que é do cotidiano deles) para tentar formular uma estratégia de resolução.· Como eles não se preocupavam em entender o contexto da situação problema, calculavam por calcular, não sabiam o que estavam calculando, só sabiam que buscavam um número que seria a tão esperada resposta.
Durante a realização dos problemas práticos, também pude perceber que os alunos não liam com atenção, pois o título da atividade informava sobre o que se tratava o fenômeno, e eles não se davam conta. Conversando com os alunos durante as atividades realizadas, eles me colocaram que gostaram dessa maneira de ensinar e prefeririam aprender desta maneira, por mais que de primeira vista parece exigir mais, como dizem, 'ser mais complicada'.
Assim, podemos concluir que a realização de situações problemas exige mais dos alunos. De primeiro momento aparentando um grau mais complicado, mas faz com que os alunos entendam e aprendam a Física realmente, sendo essa sua principal função.
## Referências Bibliográficas
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CLEMENT, L.e TERRAZZAN, E., Estratégias de resolução de problemas no ensino de física: alguns exemplos. In: Resumos do XV Simpósio Nacional de Ensino de Física. Curitiba, PR, 2003.
LURIA, A. R.; Desenvolvimento Cognitivo: Seus Fundamentos Culturais e Sociais. São Paulo, SP: Ícone,1990.
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PÉREZ, G., TORREGROSA, J., SENENT, F., El Fracaso en la Resolucióm de Problemas de Física: Una Investigación Orientada por novos Supuestos. In: Enseñanza de las ciencias. Vol. 6 nº 2. Barcelona, ESP, 1988.
POZO, J., A Solução de problemas: Aprender a resolver, Resolver para Aprender. Porto Alegre, RS: ARTMED, 1998.
VYGOTSKY, L., A Formação Social da Mente: O Desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores . São Paulo, SP: Martins Fontes, 1994.
VYGOTSKY, L., Pensamento e Linguagem . São Paulo, SP: Martins Fontes, 1993.
http://www.feiradeciencias.com.br, último acesso em junho 2003.
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