Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

Outras percepções no ensino de Física

Fábio Pazêto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
24/01/2005
Linha de pesquisa
Ensino De Física E Estratégias Para Portadores De Necessidades Especiais
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2005

Texto completo

## OUTRAS PERCEPÇÕES NO ENSINO DE FÍSICA

Fábio Pazêto [univinted\_fabio@yahoo.com.br] a

## a CEFET-SP

## RESUMO

A preocupação com as pessoas ditas com necessidades especiais no que diz respeito ao seu acesso à educação é muito recente. Assim, a comunidade internacional se reuniu em diversos momentos para decidirem os rumos que a educação pública iria tomar. O curso de Licenciatura em Física do CEFET - SP, visando se adequar a esta realidade, criou um componente curricular, 'Oficina de projetos III: educação, ciência e percepção numa perspectiva inclusiva', para capacitar futuros educadores, não apenas no ensino de ciências, a trabalhem com um público o mais diferenciado possível. A atividade proposta neste trabalho surgiu de uma das avaliações deste componente curricular e é destinada ao ensino médio e a alunos cegos, com baixa visão e dotados de plena visão, mostrando um outro caminho para se ensinar Física, o caminho da inclusão.

PALAVRAS-CHAVE : Ensino de ciências, educação especial, inclusão, deficiência visual, percepção, prática pedagógica.

## INTRODUÇÃO

No contexto das novas políticas de inclusão, como a 'Declaração de Salamanca', que possuem como meta permitir que todas as pessoas, principalmente as com necessidades especiais, tenham acesso à educação em todos os seus níveis (fundamental, ensino médio, superior), proporcionadas pelos órgãos públicos e corroboradas por diversos países, surge a preocupação das diversas instituições educacionais em se adequarem à estas políticas. O fato de que a instituição educacional ser responsável por se adequar aos alunos e não o contrário gerou um dos grandes problemas e desafios a ser enfrentado.

Deste modo, o componente curricular 'Oficina de projetos III: educação, ciência e percepção numa perspectiva inclusiva', do curso de Licenciatura em Física do CEFET - SP, ofereceu um olhar inovador sobre como estes futuros professores poderiam trabalhar com seus alunos, não somente com relação ao ensino de ciências mas também como forma de inovar a prática pedagógica, com um público o mais diverso possível, além de mostrar que cada aluno é por si só especial e por isso único.

A atividade apresentada a seguir foi criada e desenvolvida como parte de uma avaliação deste componente curricular durante o sexto semestre do curso de Licenciatura em Física e aplicada aos alunos deste mesmo semestre.

## PÚBLICO ALVO E OBJETIVOS

1

Esta atividade é destinada, principalmente, a alunos do ensino médio que pertençam a uma sala onde hajam cegos, alunos com baixa visão e dotados de plena visão, ou seja, uma sala onde estes educandos dotados de necessidades especiais estejam realmente incluídos e integrados à instituição educacional e à comunidade.

Os objetivos deste trabalho são o de proporcionar aos alunos, inclusive os ditos com necessidades especiais, uma forma com que desenvolvam alguns conceitos da física, tais como: 'peso', 'massa', 'pressão', 'energia potencial gravitacional' e 'energia cinética', através de outras percepções que não somente a visão; e também visa a inclusão.

## DESCRIÇÃO DO TRABALHO DESENVOLVIDO

## Atividade: 'Peso, textura, som e toque'

Para o desenvolvimento de tal atividade os sentidos do tato e da audição serão as principais percepções privilegiadas, não apenas visando o aluno cego ou com baixa visão, mas também, deste modo, proporcionando ao aluno dotado de visão uma outra maneira de aprender os conceitos da física abordados aqui.

## Materiais Utilizados

Para este trabalho houve a preocupação de que os materiais utilizados fossem de baixo custo e, assim, acessível ao maior número possível de educadores que desejem inovar sua prática pedagógica, atingindo tantos alunos quanto o possível e incluindo aqueles que por algum motivo com as práticas pedagógicas tradicionais não conseguem ou têm dificuldades em aprender.

- v Argila ou massa de modelar;
- v Saco plástico;
- v Objetos de diferentes tamanhos, massas e texturas (por exemplo: bolinha, pilha, pente, caneta, moeda, seixos, etc);
- v Formas de papelão (tampa de caixas de sapato):
- v Trena ou escalímetro;
- v Um objeto de forma cilíndrica (como uma caçarola);

Vendas de pano.

## Confecção do Material

- 1. Recobrir a tampa da caixa de sapato com o saco plástico;
- 2. Preencher o interior da tampa de caixa com argila (ou massa de modelar) de modo com que fique distribuída uniformemente;
- 3. Pode-se afixar o escalímetro ou a trena a esta tampa com o zero ao nível da argila.

## Procedimento

Observação: este procedimento pode ser tomado como sugestão para o professor que deseje reproduzi-lo, de forma que também poderá ser modificado de acordo com a realidade do educando, de seus alunos e da infraestrutura que o ambiente escolar dispõe.

- 1. Explicar aos alunos o que será feito e trabalhado em aula;
- 2. Dividir a turma em grupos de quatro a cinco integrantes - sendo que cada g rupo não deve conter apenas alunos cegos ou com baixa visão e num grupo em que todos são dotados de visão pelo menos de dois a três deverão ser vendados;
- 3. Distribuir um conjunto de objetos a cada grupo num recipiente onde não possam ser vistos (um saco de lixo preto, por exemplo);
- 4. Dar uma tarefa aos alunos de cada grupo que não serão vendados: eles deverão, de uma determinada altura estipulada e comunicada a todos do grupo, jogar um objeto na tampa com argila - os alunos vendados/cegos deverão prestar muita atenção ao som deste objeto ao cair;
- 5. Esta altura com que o objeto será jogado poderá ser alterada de acordo com o desejo dos alunos que estarão vendados/cegos;
- 6. Em seguida os alunos vendados/cegos deverão tocar as marcas deixadas na argila com as mãos e tentar identificar os objetos e perceber a diferença entre eles;
- 7. Por último, os alunos vendados/cegos deverão manipular os objetos lançados de diferentes alturas com as marcas deixadas e lhes será pedido que façam comentários a cerca de conceitos da Física envolvidos como pressão, peso, energia, velocidade,etc.

## Parte II

Outra forma de trabalhar, dando destaque a percepção auditiva, poderá ser realizada da seguinte forma:

- 1. Após esta 'calibração do experimento', apresentada acima, outros objetos poderão ser lançados, porém os alunos vendados/cegos terão que descobrir o que é tal objeto apenas ouvido seu som produzido ao cair e tocando suas marcas deixadas na argila, caso não descubram, esses objetos poderão ser tocados;
- 2. Repetir esta atividade para o s alunos que não foram vendados, exceto a parte da 'calibração do experimento', pois eles já têm conhecimento de seu funcionamento.

Observações: a) O professor deverá auxiliar os grupos no decorrer da atividade e nos comentários dos alunos quanto aos conceitos em Física;

b) O objeto cilíndrico tem por finalidade ser passado na argila a cada lançamento dos objetos de forma a planifica-la para ser reutilizada.

## CONSIDERAÇÕES

Perceber que cada aluno é um ser único e, por isso, tem necessidades diferentes para aprender não é algo muito difícil. O difícil é se desfazer das práticas pedagógicas tradicionais e ultrapassadas, feitas para um público genérico, e pensar um novo método de trabalho, um método que considere a capacidade e o 'tempo de aprendizado' de cada educando. O professor não precisa dar um 'show' a cada aula para cativar seus alunos, tão pouco deve seguir os modismos em educação. Um bom professor sabe, ao olhar para sua turma, quem está disposto ou não a aprender naquele dia, quem realmente aproveitou a atividade proposta e quem teve dificuldades, e, mediante isto, traçar novas formas de promover o conhecimento.

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: adaptações curriculares - estratégias para a educação de alunos com necessidades especiais/Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1998. 62 p. (Paginação eletrônica, http://www.mec.gov.br/seesp/adap.shtm. Acesso em maio de 2000).

Declaração de Salamanca e linha de ação : sobre necessidades educativas especiais. 2. ed. Tradução Edílson Alkimim da Cunha. Brasília: CORDE, 1997. 54 p.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia : saberes necessários à prática educativa. 12. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 168 p. (Coleção leitura).

SARAMAGO, J. Ensaio sobre a cegueira . São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 312 p.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.