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NA CORTE DOS PALÁCIOS DA MEMÓRIA

Luciana Tavares Dos Santos, Margareth Yuri Takeuchi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
24/01/2005
Linha de pesquisa
Ensino De Física E Estratégias Para Portadores De Necessidades Especiais
Tipo
Pôster

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Texto completo

## NA CORTE DOS PALÁCIOS DA MEMÓRIA

Margareth Yuri Takeuchi (margarethtakeuchi@ig.com.br) a Profa. Luciana Tavares dos Santos (luamale@if.usp.br) b

a Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo

Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo e Universidade de São Paulo

b

## RESUMO

Na reflexão e estudo da relação entre os educandos e a educação escolar, duas vias de análise podem ser utilizadas: a visão estática ou por dicotomia e a visão dinâmica ou por unidade. Pela primeira, os educandos são percebidos como comuns ou "especiais" (diferentes ou deficientes ou anormais, etc) e a educação escolar caracterizada como comum ou especial, visualizando-se uma correspondência necessária entre alunos comuns e escolas comuns de um lado, e, de outro, alunos "especiais" e escolas ou classes especiais. Pela segunda, entende-se que cada educando na relação concreta com a Educação escolar pode demandar uma situação de ensino aprendizagem comum, especial ou uma situação combinada (comum e especial), ou, ainda e preferencialmente, uma situação compreensiva (inclusiva). Daí a importância de considerar no desenvolvimento das práticas pedagógicas no ensino de ciências o relevante papel da sensibilização e da conscientização dos educandos sobre o papel dos sentidos e m nossas vidas e sobre a subjetividade da percepção, ligada à experiência pessoal e à memória de cada um.

PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO ESPECIAL, ENSINO DE CIÊNCIAS, INCLUSÃO, MEMÓRIA, PERCEPÇÃO, PRÁTICA PEDAGÓGICA.

## JUSTIFICATIVA

No contexto da sociedade democrática que pretendemos construir, temos que propugnar por uma educação de qualidade para todos, seja através da "escola democrática", da "escola para todos", da "escola compreensiva", da "escola integradora", da "escola inclusiva" ou da "escola candanga" . O fundamental é compreendemos que sua concretização depende de cada um e de todos nós, já que a inclusão ou não segregação implica essencialmente um sentimento ou atitude de respeito ao outro como cidadão. E, tal proposta não comporta qualquer exclusão, sob qualquer pretexto.

## PÚBLICO ALVO

A atividade é destinada, principalmente, a alunos do Ensino Médio que comporte alunos cegos e/ou com baixa visão além dos dotados visão normal, ou seja, uma sala onde estes educandos dotados de necessidades especiais estejam realmente incluídos e integrados à instituição educacional e à comunidade.

## MATERIAL

A escolha do material utilizado privilegiou o uso de objetos e substâncias comuns no cotidiano das pessoas, permitindo que a atividade seja desenvolvida improvisando-se com o que estiver disponível no momento, o que acaba por estimular o emprego da criatividade. A atividade desenvolvida incluiu os seguintes itens:

1

- GLYPH<252> Açúcar branco
- GLYPH<252> Água mineral
- GLYPH<252> Balas
- GLYPH<252> Bolinha de tênis de mesa
- GLYPH<252> Celular
- GLYPH<252> Desodorizador de ambiente
- GLYPH<252> Envelopes contendo explicações sobre os cinco sentidos (Audição, olfato, tato, paladar e visão)
- GLYPH<252> Esmalte para unhas
- GLYPH<252> Folheto publicitário
- GLYPH<252> Galo português
- GLYPH<252> Lupa
- GLYPH<252> Mini dicionário de inglês
- GLYPH<252> Pedra
- GLYPH<252> Perfume
- GLYPH<252> Porta
- GLYPH<252> Sal de cozinha
- GLYPH<252> Vendas para os olhos

## METODOLOGIA

A apresentação consistiu de uma atividade de 20 a 25 minutos associando ciência e linguagem. Antes da explicação sobre o desenvolvimento da atividade foi feita a l eitura da epígrafe da atividade anotada no quadro de autoria de Santo Agostinho sobre a memória (vide em citações). Os alunos da turma foram separados em cinco grupos. O primeiro a participar foi o da audição. Antes do início da atividade f oi entregue o envelope com a explicação sobre a audição, orientandose ao aluno que este deveria ser lido somente após o encerramento das atividades com todos os grupos.

- O material encontrava-se oculto dentro de uma sacola e ia sendo retirado e mostrado para os membros dos outros grupos. Com os olhos vendados o aluno do grupo da audição ouvia os sons produzidos pelos objetos utilizados (o folheto publicitário sendo amassado, o celular tocando, a porta sendo aberta e depois fechada e a bolinha sendo jogada no chão). No final pediu-se que o aluno relatasse os sons na seqüência em que estes haviam sido ouvidos, anotando-se no quadro os itens. Após retirar a venda conferia-se junto com os alunos se estes haviam acertado a seqüência e os objetos que haviam sido utilizados.
- O mesmo procedimento foi adotado para os sentidos do olfato, tato e paladar. Já para o grupo da visão os alunos do grupo foram orientados a examinar atentamente os objetos selecionados previamente durante algum tempo. Depois os alunos com os olhos vendados tinham que responder algumas perguntas sobre características dos objetos vistos (como por exemplo, qual era a cor dos pés do galo, o formato do desenho que este tinha no peito, a cor e o formato do cabo da lupa, a cor da capa do mini dicionário de inglês).

Após a atividade os alunos voltaram aos seus lugares. Um membro de c ada grupo leu a explicação que se encontrava dentro do envelope entregue no início de sua apresentação. Após a leitura isto foi lida uma epígrafe sobre os sentidos escrita por Aristóteles e no final anotado o título da atividade.

## RESULTADOS

Percebeu-se a curiosidade dos alunos dos outros grupos durante a atividade acerca dos objetos e substâncias que eram utilizadas com os membros do grupo em questão, pois estes não tinham a menor idéia sobre quais eram estes, exceção apenas para os do grupo do sentido da visão.

A atividade apresentada foi criada e desenvolvida como parte de uma avaliação da componente curricular do sexto semestre do curso de Licenciatura em Física Oficina de Projetos II:

Educação, Ciência e Percepção numa Perspectiva Inclusiva e aplicada aos alunos deste mesmo semestre. Foi explicado que o objetivo da mesma era sensibilizar os alunos sobre os sentidos e a consciência dos mesmos sobre as sensações oriundas das mesmas e como fisiologicamente estas ocorriam. Os alunos participantes da atividade manifestaram satisfação após a atividade.

## CITAÇÕES

Chego aos campos e vastos palácios da memória, onde estão tesouros de inumeráveis imagens trazidas por percepções de toda espécie...Ali repousa tudo o que a ela foi entregue, que o esquecimento ainda não absorveu nem sepultou...Aí estão presentes o céu, a terra e o mar, com todos os pormenores que neles pude perceber pelos sentidos, exceto os que já esqueci. É lá que me encontro a mim mesmo, e recordo das lições que fiz, o seu tempo, lugar, e até os pensamentos que me dominavam ao praticá-los. É lá que estão também todos os conhecimentos que recordo, aprendidos pela experiência própria ou pela crença no testemunho de outrem.

Trecho extraído da obra Confissões, de Santo Agostinho

## CONCLUSÃO

A percepção é uma experiência dotada de significação, isto é, o percebido é dotado de sentido e tem sentido em nossa história de vida, fazendo parte de nosso mundo e de nossas vivências, estendendo-se muito além das sensações fornecidas pelos cinco sentidos. Percebeu-se durante a atividade que a percepção apresenta componentes subjetivos relacionados com a sensibilidade de cada ser humano e encontram-se ligados à memória e experiência pessoal de cada ser, fatores que não podem ser desconsiderados em tratando-se de educação, pois todo educando é especial, sendo que as necessidades variam de indivíduo para indivíduo.

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 1995.

MAZZOTTA, Marcos José da Silveira. Educação especial no Brasil: história e políticas públicas. São Paulo: Cortez, 1996.

UNESCO/MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA DA ESPANHA. Declaração de Salamanca e Linha de ação sobre necessidades educativas especiais: acesso e qualidade. Brasília, DF: CORDE, 1994.

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