ESPAÇO CIÊNCIA DO COLÉGIO SANTA TEREZINHA - ABRINDO CAMINHOS PARA O ENSINO MÉDIO EM MANAUS
Luciana Da Cunha Ferreira, Cirley Zacharias De Oliveira, Debora Coimbra
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 24/01/2005
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ESPAÇO CIÊNCIA DO COLÉGIO SANTA TEREZINHA - ABRINDO CAMINHOS PARA O ENSINO MÉDIO EM MANAUS
Luciana da Cunha Ferreira , Cirley Zacharias de Oliveira 1 1,2 e Débora Coimbra 1 1 Departamento de Física - Universidade Federal do Amazonas Manaus - AM - 69077000 debora@ufam.edu.br 2
Centro Educacional Santa Terezinha - Manaus - AM
## Resumo
Por meio de uma parceria entre a Universidade Federal do Amazonas e o Colégio Santa Terezinha (escola alocada na cidade de Manaus, com mais de cem anos de funcionamento), implementamos a criação de um ESPAÇO CIÊNCIA. Essa parceria firmou-se em termos colaborativos, sendo a participação da escola deu-se através da concessão do espaço físico e do apoio financeiro necessário para sua execução e a universidade com a disponibilização de pessoal técnico e apoio institucional . O objetivo desse espaço é desenvolver experimentos de física de baixo custo que, após triagem, ficam disponíveis permanentemente aos usuários desse Espaço Ciência. Os temas geradores adotados no primeiro ano de implementação foram: meios de transporte, telecomunicações, funcionamento de máquinas simples (geladeira, máquina de lavar roupas, ventilador, liquidificador, fornos de microondas, etc). Nessa etapa, uma feira de Ciências está prevista para o final de novembro de 2004. Futuramente, estão sendo previstas visitas orientadas para estudantes de outras escolas do município, públicas e privadas.
## Introdução
O registro de atividades de extensão baseadas em acervos museológicos, espaços bastante diversificados de coleções de natureza científica, cultural e artística (ABREU, 2000), têm aumentado expressivamente nas últimas décadas (MARANDINO, 2003). Essa expansão foi simultânea à alteração conceitual que os museus sofreram a partir da década de 1970. Porém, já na década de 1960, quando se firmou a crítica que dever-se-ia transformar os espaços museológicos, retirando-lhes os aspectos de espaços sacros e tornando-os espaços sociais com forte papel educativo, após o fortalecimento da indústria cultural. A esse novo espaço, foi sugerida a produção de conhecimento e valores padronizados. Atualmente, a universidade busca valorizar o papel educativo desse espaço, pois, segundo Marandino (2003), os museus de ciências devem ser locais importantes para as investigações no campo de Ensino de Ciências Exatas e Naturais. Vários outros trabalhos também procuraram discutir os aspectos educativos desenvolvidos nesse espaço.
A desinformação dos alunos que ingressam no curso de licenciatura da UFAM reforça a importância de promover a experiência desse espaço educativo, pois somente a vivência, por meio de estágios, não garante uma completa formação.
Como a cidade de Manaus é carente de espaços não-formais para a educação em Ciências Exatas e devido aos espaços existentes se identificarem mais ao formato de museus antropológicos ou de ciências biológicas, em função de seus acervos ecológicos, por meio de uma parceria entre a Universidade Federal do Amazonas e o Colégio Santa Terezinha, a criação
de um ESPAÇO CIÊNCIA está sendo implementado. Nessa parceria, a escola concedeu o espaço físico e apoio financeiro e a da universidade o pessoal técnico especializado e apoio institucional.
- O espaço museológico do Centro Educacional Santa Terezinha foi concebido em forma de casa. O espaço correspondente ao quarto foi destinado à exposição permanente de trabalhos de pesquisa elaborados pelos estudantes de ensino médio, de forma interdisciplinar, acerca de curiosidades sobre alguns fenômenos presentes em equipamentos que são utilizados dentro de nossas casas no dia-a-dia. O espaço correspondente à cozinha também é destinado à exposição permanente, especificamente no que tange ao funcionamento dos eletrodomésticos. A parte hidráulica do banheiro também foi objeto de pesquisa dos alunos e a área correspondente à sala de estar será destinada às exposições itinerantes, estando prevista, num primeiro momento, a apresentação de parte do acervo do Museu do Índio da cidade, no referido período da feira de ciências.
## Metodologia
- O espaço ciência em estudo, constitui-se a partir dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos do ensino médio do referido colégio. Para tanto, todas as séries do ensino médio foram divididas em cinco equipes de pesquisa. A distribuição dos temas pelas séries segue as seguintes orientações:
- · Transporte é o tema sugerido no primeiro ano. A apresentação das atividades elaboradas ocorre no término do segundo bimestre. Subseqüente, são escolhidos os melhores trabalhos, maquetes, etc.
- · No segundo ano, desenvolvem-se os temas: Termologia e Calorimetria. A apresentação das atividades elaboradas ocorre no término do terceiro bimestre.
- · Já no terceiro ano, desenvolve-se o tema Eletromagnetismo. A apresentação das atividades elaboradas ocorre no término do terceiro bimestre.
Cada equipe, no final de cada bimestre, ao fazer a apresentação para o corpo docente, é avaliada. Após essa etapa, todos os trabalhos selecionados deverão ficar em exposição na casa da ciência. Um período semanal de visitação deverá ser organizado e estará aberto para alunos de outras escolas.
## Alguns Resultados Preliminares
No final do segundo bimestre letivo, as equipes pertencente à primeira série da escola cedente apresentaram os trabalhos relativos ao tema transportes. Os subprojetos desenvolvidos trataram sobre o funcionamento de motores e sistemas de transmissão, motocicletas e bicicletas, aviões e foguetes. Os estudantes construíram maquetes, visitaram o SENAI da cidade e indústrias de fabricação de motos e bicicletas. Todas as apresentações foram gravadas em vídeo e posteriormente transcritas.
Alguns grupos realizaram experiências ilustrando a propulsão de foguetes, através da construção artesanal incendiando álcool no interior de uma garrafa plástica presa a um canudo transpassado por um fio. Outros provocaram uma reação química entre elementos, provocando a expansão do volume, que pode ilustrar a propulsão tanto para foguetes como para os motores à explosão. Outros simularam a mesma experiência, por meio da expulsão do ar de um balão.
- O envolvimento dos estudantes mostrou-se muito profícuos para o andamento das atividades, possibilitando a implementação de várias abordagens apreendidas, nos aspectos históricos envolvidos.
## Conclusão
Com esse trabalho preliminar, constatamos que a utilização de ambientes diferenciados pode contribuir para o processo de ensino-aprendizagem, no qual os estudantes são estimulados a sair da passividade das aulas expositivas. Mais ainda, legitima a afirmação que a cidade de Manaus precisa de espaços não-formais e diferenciados p ara a educação em ciências exatas. Acreditamos que a intenção de socializar aos estudantes experimentos de física tem representado uma alternativa de sucesso. Acreditamos também que a participação da universidade neste tipo de parceria é primordial, visto que a diversidade de situações que permitiram a divulgação do conhecimento em seu seio gerado e a criação de novos foi expressiva.
## Referências Bibliográficas
ABREU, A. A. A tipologia dos acervos da universidade de São Paulo e seus Problemas. In: HAMBURGER, E. W. e MATOS, C. (orgs.) O desafio de ensinar ciências no Século XXI . São Paulo: Edusp, 2000.
MARANDINO, M.. A metodologia de ensino de ciências biológicas e o estágio em espaços não formais. In: SELLES, S. E.; FERREIRA, M. T.. Formação Docente em Ciências - Memórias e Práticas. Niterói: EDUFF, 2003.
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