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Uma Experiência na Super Estação de Energia

Kalinka W. Almeida Meira, Marcelo Gomes Germano

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
24/01/2005
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Uma Experiência na Super Estação de Energia

Kalinka Walderea A. Meira (Kwalderea@bol.com.br) a

Marcelo Gomes Germano b (mggermano@ig.com.br)

a Universidade Estadual da Paraíba-UEPB

b Universidade Estadual da Paraíba-UEPB

## Resumo

O imponente e assustadoramente acelerado crescimento das pesquisas científicas, aliado ao incrível avanço das construções tecnológicas produziu uma reviravolta sem precedentes na história da humanidade e inaugurou um período de complexidades, em que o conhecimento, mais do que nunca, tornou-se um fator determinante para qualquer projeto sério de inclusão social. A necessidade de difusão do conhecimento científico e tecnológico para à comunidade, buscando uma maior popularização do acesso ao entendimento de alguns dos mais importantes fenômenos científicos que habitam o cotidiano das pessoas, tornou-se uma tarefa imprescindível no novo contexto da sociedade do conhecimento. Esse trabalho é um relato da experiência de divulgação científica desenvolvida por estudantes do Curso de Licenciatura em Física da UEPB no Museu de Ciências: Super Estação de Energia CELB em Campina Grande. Apresenta um relato histórico da implementação do projeto e descreve um pouco da metodologia de trabalho desenvolvida antes e durante as amostras. Além de apresentar alguns resultados, objetivando contribuir com outras instituições interessadas e, ao mesmo tempo, receber críticas e sugestões oriundas de experiências semelhantes.

## Palavras chave: divulgação, relato e ciência

## 1. Introdução

A escola, a partir de seu currículos sistemático, não consegue acompanhar satisfatoriamente o acelerado desenvolvimento das idéias e construções científico-tecnológicas de nossa época. Não havendo tempo, nem espaço em seus limitados currículos e programas para acompanhar o vertiginoso progresso científico e tecnológico de nossos dias. E 'um país que persegue o desenvolvimento, não pode atribuir a formação e/ou a informação de seu povo apenas a obrigações escolares. O conhecimento científico precisa ser tratado como um nectar cultural, ingrediente fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade' . Nesse sentido a temática da divulgação 1 científica tem voltado a tona e cada vez mais vem se ampliando o debate em busca de soluções para esse grave problema que, conforme a professora Ana Maria Sánchez (2003), se agravou ainda mais a partir do século XX com a utilização de uma linguagem superespecializada pela ciência.

Nos últimos anos tem se registrado uma grande proliferação de Museus e Centro de Ciências no mundo, o que indica os primeiros passos no sentido da consolidação de um importante recurso social para a divulgação, popularização e aprendizagem não formal de ciências e tecnologia. No Brasil muitos esforços e iniciativas foram desenvolvidos principalmente nas décadas de oitenta e noventa. Novos Centros e Museus de Ciências foram criados, livros e revistas foram publicados em números crescentes e vários eventos de divulgação se espalharam pelo país. Mesmo assim, ainda estamos longe de uma divulgação científica de qualidade e que atinja amplos setores da população brasileira; um caminho longo e tortuoso ainda está por ser percorrido. E novas iniciativas são urgentes e necessárias.

A Companhia Energética da Borborema (CELB), sentindo-se partícipe do problema e tendo em vista a possibilidade de uma maior aproximação com a comunidade e com as escolas da cidade de Campina Grande, decidiu participar de algumas ações no campo da divulgação da ciência e em parceria com o PROCEL (Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica), inaugurou um novo espaço científico e cultural destinado ao apoio de escolas públicas da cidade de Campina Grande e municípios circunvizinhos. Este espaço, denominado Super Estação de Energia - CELB, pode ser classificado como um pequeno Museu de Ciências e Tecnologia preferencialmente v oltado ao conhecimento dos mecanismos de geração de energia.

## 2. Museus e Centros de Ciências: conceituação

Museus ou centros de ciências são denominações utilizadas por instituições de todo mundo e que, de acordo com Gaspar (1993, p.34), excetuando-se a preocupação com as ciências de um modo geral, não as caracterizam de forma clara ou definida. Os objetivos, atividades, público alvo, instalações, etc., variam de instituição para instituição, sobretudo no Brasil. De modo que museus e centros de ciências são em linhas gerais, instituições de educação informal. O termo Museu vem do latim 'museum' que é derivado do grego 'mouseion', denominação do templo ou santuário das musas na antiga Grécia. Ainda segundo Gaspar,(1993, p.4) a primeira instituição com essa denominação de que se tem notícias é o Museu de Alexandria.

Conforme Cazelli (1999, p.5), 'o ancestral dos museus de ciências é o Gabinete de Curiosidades que remonta o século XVII'. Caracterizava-se pelo acúmulo de objetos relativos a diferentes áreas(animais empalhados, quadros, moedas, instrumentos científicos, fósseis etc.) apresentados de forma desorganizada. A partir de meados do século XVIII inicia-se um período de estruturação e os museus de história natural começam a tomar forma. Estes são classificados por McManus (1992, p.162) conforme a temática que os geravam, como museus de primeira geração. Depois surgiram os museus que contemplavam a tecnologia industrial (segunda geração ), com finalidades mais explicitas de ensino que os de primeira geração. E finalmente, na terceira geração, a mais próxima dos museus de ciências da atualidade, surgiram os museus preocupados em mostrar fenômenos e conceitos científicos através de uma nova forma de comunicação com os visitantes. É dentro dessa categoria que se coloca A Super Estação de Energia- CELB. Com maior proximidade de um museu interativo

## 3. Relação Museu - Escola

Como os trabalhos desenvolvidos na Super Estação de Energia são destinados particularmente ao público escolar, é importante colocar aqui o nosso entendimento a respeito dessa relação sutil e importante para ambas as partes.

Apesar de a educação informal não ser um espaço diretamente destinado à escola, o público escolar tem tido uma acentuada presença em museus de ciências no Brasil, como em museus de outros países latino-americanos, o q ue não é diferente no caso da Estação Super Energia- CELB em Campina Grande. Surge então uma questão que preocupa os educadores e cientistas envolvidos com atividades em Museus e Centros interativos de ciências: o problema da relação Museu /Escola que, pode ser enfocada pelo menos a partir de dois pontos de vista: o do museu e o da escola.

Alguns autores, como Allard, (1996), tem procurado apontar características que diferenciam estes espaços, enfatizando a especificidade de cada um na perspectiva de evitar a escolarização dos museus, ou a informalidade da escola. Na mesma direção, Marandino, (2001), afirma que museu e escola são universos particulares, onde as relações sociais se processam de forma diferenciada, cada qual com sua lógica própria. E levando em conta as diferenças entre a escola e o museu, a relação

do sujeito com o conhecimento e com os demais sujeitos neste ambiente também se diferenciam, o que aponta para rotinas particulares de produção e aquisição do saber.

## 4. Relato da Experiência

A Super Estação de Energia conta com uma área aproximada de 60m destinada as exposições, 2 além de um auditório de 80 lugares utilizado para palestras e exposições de vídeos. A coordenação de todo o projeto fica a cargo de dois monitores, estudantes do curso de Licenciatura em Física da UEPB, contratados especificamente para esse fim.

As atividades de visitação ao público iniciaram em abril de 2004. Mas, antes mesmo de um conhecimento mais profundo sobre a metodologia do trabalho de divulgação em Museus e Centro de Ciências, já tivemos que enfrentar uma primeira apresentação para os funcionários da própria empresa (CELB). Apesar da insegurança própria dos principiantes, tudo ocorreu bem.

O trabalho segue uma sistematização rigorosa onde as escolas são contatadas pelos monitores com certa antecedência, seguindo um agendamento que prioriza as escolas públicas dos bairros mais carentes da cidade. Feito o contato, e estabelecido os horários, um ônibus contratado pela empresa se dirige a escola, conduzindo os estudantes(no máximo 50) até o local da exposição. Inicialmente todos se dirigem ao auditório para as boas vindas e os primeiros contatos com os monitores. Na oportunidade, são adiantadas algumas instruções básicas sobre os fundamentos do projeto da Super Estação de Energia.

Normalmente, parte da turma fica no auditório assistindo um interessante vídeo educativo relacionado com a produção, distribuição e uso racional de energia ou alguma palestra, enquanto o restante participa da exposição no outro ambiente. Depois de uma parada para o lanche, também oferecido pela empresa, a outra parte da turma dirige-se ao ambiente de exposição enquanto o restante segue para sala de vídeo.

Considerando a vastidão dos conteúdos e o pouco tempo disponível(1,30h), durante as exposições procura-se seguir um rigoroso cronograma e divisão sistemática do tempo de modo que possibilite discutir sobre todos os experimentos, além de incentivar questionamentos e respostas entre os estudantes. Inicia-se o trabalho discutido sobre algumas fontes de energia, suas origens, e possíveis utilizações. Para tanto, utiliza-se cartazes contendo frases de efeito relacionada ao tema: energia. Em seguida são apresentadas algumas experiências simples de eletrostática utilizando canudinhos de refrigerantes, seguidas de uma conversa sobre a estrutura atômica. Posteriormente, segue-se a exposição na seguinte ordem: Máquina de Wimshurst, Gerador de Van D er Graaf, Pilha Humana, Eolípila de Heron, Gerador de Energia, Anel Saltante, Chispa Ascendente, Bobina de Tesla, Globo de Plasma, Conjunto de Circuitos, Motor Elétrico(Princípio Básico), Teste de Coordenação, Ampolas (Termômetros), Maquete de uma Usina Hidrelétrica, Maquete de uma Casa mostrando o consumo dos eletrodomésticos e um quadro demonstrativo das v árias Sub-Estações de energia elétrica do estado. Além de discutir sobre os vários fenômenos físicos ainda é contada um pouco da história de cada experimento, procurando envolver os participantes em atividades lúdicas e divertidas.

Nas ações desenvolvidas, percebe-se claramente a diferença no tipo de abordagem utilizada quando comparada ao ensino tradicional. Pois, embora o objetivo seja o ensino, não se trata de ensino formal, mas um ensino informal, muito mais dinâmico e flexível que exige uma atuação diferente daquela desenvolvida por um professor; muito mais apropriada aos 'animadores' e 'divulgadores' da ciência.

Após cada exposição é sugerido que a escola oriente os estudantes a construírem um pequeno relatório que mais tarde deve ser encaminhado aos monitores. Com isso, pretende-se obter um claro indicativo do impacto que a visitação causou na escola, avaliando a grosso modo o alcance e a

importância do trabalho. Também é feito um registro fotográfico de cada exposição visando construir um histórico de todo o projeto.

## 5. Conclusão

Apesar de alguns problemas relativos ao tempo de exposição e a dificuldade de interação impostas por alguns aparelhos que envolvem certo risco no processo de manipulação e de nossa pouca experiência no campo da divulgação científica, acreditamos que iniciativas dessa natureza são profundamente importantes tanto para a empresa como para as escolas e ainda mais para cidade de Campina Grande que passa a contar com mais um espaço de lazer e cultura científica. No que se refere as escolas, essa forma de visitação é muito importante para despertar o interesse dos estudantes por assuntos de ciência e motivar estudos mais aprofundados daquilo que foi visto de forma rápida e informal durante a visitação. Conforme relato de alguns professores acompanhantes, após as visitas muitos estudantes passaram a demonstrar um interesse diferente pela matéria na sala de aula. Além de elogiarem a iniciativa e destacarem a importância da quebra de rotina dos currículos tradicionais.

Contudo, ainda precisamos avançar em vários aspectos, principalmente na ampliação do acervo, introduzindo outras experiências nas áreas de mecânica, termologia, acústica e ótica, além kits menores de manipulação para realização de oficinas e a aquisição e organização de um acervo bibliográfico para consulta de professores e visitantes em geral.

## 6. Bibliografia Consultada

CANDOTTI, E. Ciência na Educação Popular. In MASSARANI, L. ; MOREIRA, ILDEU DE C. & BRITO, F. (orgs.) Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no Brasil. Rio de Janeiro, Casa da Ciência. UFRJ, 2002.

CANDOTTI, E., BARROS, H., GERMANO, M. Mesa Redonda : Os desafios da Popularização da Ciência . Reunião Regional da SBPC, UFCG, novembro de 2003.

CAZELLI, S. , QUEIROZ, G., ALVES, F., FALCÃO, D., VALENTE, M., GOUVÊIA, G. E COLINVAUX, D. Tendências pedagógicas das exposições de um Museu de Ciências . Museu de Astronomia e Ciências Afins -MAST, Universidade federal Fluminense, RJ, 1999.

GASPAR, A. Museus e centros de Ciências: conceituação e proposta de um referencial teórico. Tese de Doutorado. São Paulo, FE-USP, 1993.

MARANDINO, M. Interfaces na relação Museu-Escola. Cad. Cat. Ens. de Fís., v.18, p. 85-100, abril, 2001.

McMANUS, P. Topics in Museums and Science Education . Studies in Science Education, n. 20, p.157-182, 1992.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: ENSINO MÉDIO. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica, Brasília. 1999.

SÁNSHEZ MORA, A. M. A divulgação da ciência como literatura. Tradução: Silvia Perez Amato. Rio de Janeiro, Casa da Ciência, UFRJ, 2003.

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