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Contextualização do Ensino de Física: Utilização da Questão Ambiental

Fabrício Mendes Damasceno

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
24/01/2005
Linha de pesquisa
Interdisciplinaridade E Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

1

## CONTEXTUALIZAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA: UTILIZAÇÃO DA QUESTÃO AMBIENTAL

Fabrício Mendes Damasceno [fab@uenf.br] a

Carlos Eduardo Novo Gatts (orientador) [gatts@uenf.br] b

a Universidade Estadual do Norte Fluminense

- b Universidade Estadual do Norte Fluminense

## RESUMO

A discussão quanto às causas da má formação em Ciências no Ensino Fundamental e no Ensino Médio no Brasil se mantém acesa há décadas. Diversas iniciativas no sentido de reverter este quadro foram realizadas ou sugeridas ao logo dos anos e, atualmente, o uso das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC's) como fator de motivação do aprendizado e acesso à informação e ao aprendizado vem encontrando forte ressonância junto à comunidade. Por outro lado, a questão ambiental vem se mostrando cada vez mais presente no cotidiano da população em geral. A proposta deste trabalho é utilizar exemplos e problemas de cunho ambiental como objetos para promover, de forma direta ou subliminar, a assimilação de conceitos de Física. Assim, além de trazer a Ciência para um espaço mais diretamente relacionado à vida do estudante, aponta-se para a apropriação das Tecnologias de Informação com o incentivo à produção de conteúdos na web e em sala de aula e para a formação do cidadão, antenado com as grandes questões de interesse social da atualidade.

## PALAVRAS-CHAVE

Meio Ambiente, tecnologias de informação, interdisciplinaridade.

## INTRODUÇÃO

Observa-se, através dos indicativos dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's), que desde os primeiros anos de sua formação o estudante recebe uma orientação para a educação ambiental.

Os PCN's para a educação ambiental do primeiro e segundo ciclos do Ensino Fundamental indicam uma abordagem inicial de cunho social para esclarecer as diferenças entre um ambiente saudável e um ambiente poluído e despertar o interesse dos estudantes para a mobilização na escola e na comunidade de projetos para a providência de soluções a curto, médio e longo prazos em sua cidade ou região. Alguns tópicos como o tratamento, a distribuição e a utilização da água; formas de coleta e destino de detritos humanos, formas de poluição, e tratamento do lixo são indicados como roteiros para a abordagem de temas sobre Manejo e Conservação, podendo ser utilizados como caminho para a introdução de conceitos físicos, como a idéia de desorganização de um meio ou de um sistema, mesmo que de forma subliminar.

Desde o início da formação do estudante há uma preocupação em apresentar e esclarecer as relações entre o uso e o desperdício dos recursos naturais, e em conscientizar esse estudante de que ele também faz parte desse processo. Os conteúdos dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's) de educação ambiental do terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental incluem desde formas de manutenção e limpeza do ambiente escolar até formas de evitar o desperdício. Mais uma vez a idéia

de uso e desperdício dos recursos naturais e da conservação da energia é utilizada para inserir o estudante num contexto local e, até mesmo global, de responsabilidade com o Meio Ambiente.

No terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental há a indicação dos PCN's de que o aprendizado deve ser assimilado pelo estudante de forma constante, ou seja, de forma contínua e graduada para a formação de uma consciência de que as transformações naturais também se dão de forma continuada. E de que relacionando os conteúdos ao dia-a-dia, o estudante percebe mais facilmente como os problemas ambientais afetam a qualidade de vida local e global.

Este trabalho busca identificar deficiências no aprendizado no Ensino Fundamental e no Ensino Médio relacionados ao meio Ambiente e à Física e, proporcionar aos estudantes acesso e compreensão dos conteúdos não apresentados em suas respectivas etapas de aprendizado, com a participação dos estudantes também na formação destes conteúdos e nos planos de aula.

## METODOLOGIA E DESCRIÇÃO DO TRABALHO

Houve, no início, um processo de investigação com o objetivo de tornar o estudante um ser ativo em seu processo de aprendizagem. O trabalho foi realizado com turmas do Ensino Médio do noturno em uma escola pública da cidade de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro. Foram aplicados questionários, cujos resultados são apresentados na tabela no fim deste trabalho, onde se buscava saber até onde ia o conhecimento dos estudantes sobre Meio Ambiente e, infelizmente, como já era esperado, constatou-se que os estudantes somente tinham conhecimento sobre as agressões sofridas pela Natureza, o que lhes era proporcionado através de programas e comerciais difundidos em canais da tv aberta, ou seja, grande parte dos estudantes declarou ter pouco conhecimento sobre o assunto. Através desta participação inicial dos estudantes foi possível apontar um ponto de partida e delinear um plano de estudos e uma estratégia de ensino para o processo de aprendizagem.

Comecei fazendo pesquisas com os estudantes sobre formas de poluição, dando destaque ao lixo, já que os alunos também haviam recebido um ensino de Física deficitário, busquei relacionar os males que a poluição causava ao Meio Ambiente e seus fatores à assimilação de conceitos físicos, como Conservação de Energia e Entropia. Sem fórmulas ou conceitos decorados, tentei fazer com que os alunos compreendessem como se dava o processo de conservação e desperdício de recursos naturais e de organização e desorganização em ambientes saudáveis e poluídos.

Após a observação de algumas aulas de Física, constatei que os estudantes somente copiavam o que estava escrito no quadro negro e tentavam responder às questões propostas, muitas vezes sem conseguir relacionar o que era assimilado com aquilo que existia em seu ambiente de estudo, trabalho ou em suas casas. Com isso, procurei conciliar conceitos de cunho ambiental em atividades simples como a observação da própria sala de aula e de suas casas até as ruas em torno da escola. Já que este é um ano eleitoral, busquei a conscientização dos estudantes quanto aos papéis jogados no chão, os carros de som incomodando quase todo o tempo e as faixas espalhadas pela cidade, relacionando diretamente a agressão ao Meio Ambiente com o grau de desorganização do meio, ou sistema.

Através de discussões em sala de aula e leituras de alguns textos sobre Meio Ambiente, os estudantes puderam expor suas dúvidas e propor idéias que deram origem a conteúdos que são trabalhados pelos próprios estudantes e por seus professores de Física.

A etapa seguinte foi transportar esse clima de aprendizado que foi criado em sala de aula para um Ambiente Virtual de Ensino onde os estudantes transmitiam suas dúvidas, propostas e conhecimentos através de fóruns de discussão entre os próprios estudantes e seus professores, retirando esses cidadãos da sala de aula e lhes dando acesso ao mundo digital como ferramenta de busca de informações e produção de conteúdos.

## RESULTADOS OBTIDOS

É evidente que não seria ou será possível, num acompanhamento a curto prazo, durante apenas um semestre, que os estudantes recuperassem todo o conteúdo que não lhes foi transmitido durante suas etapas de aprendizado. Porém um dos objetivos é tornar o estudante apto a perceber as deficiências em seu aprendizado e aprender a utilizar as ferramentas que possam auxiliar a suprir determinadas carências e facilitar o acesso às novas ferramentas de ensino e busca de informações. Partindo dessa idéia, apresentei formas interessantes de aprendizado para aqueles estudantes que não participavam ativamente das aulas por não conseguirem se adequar aos instrumentos tradicionais de sala de aula utilizados pelo professor. Aulas em ambientes abertos como ruas, praças, manguezais e praias, e a utilização do computador como ferramenta de aprendizagem e interação com os colegas e os professores foi uma boa forma de atrair o interesse dos estudantes.

Tendo recebido o conhecimento necessário para discernir um ambiente saudável de um ambiente poluído, ou um ambiente organizado de um ambiente desorganizado, os estudantes passaram a ter um pensamento mais crítico quanto ao comportamento em sala de aula, e passaram a aplicar seus conhecimentos em suas casas e seus ambientes de trabalho.

O clima de discussão e troca de idéias entre professores e alunos sobre Meio Ambiente e Física saiu da sala de aula convencional e foi para um Ambiente Virtual de Ensino em uma rede de computadores de uma sala da própria escola para que os debates, as idéias e os conteúdos utilizados e apresentados tomassem uma forma mais contemporânea, fazendo com que os estudantes, e até mesmo os professores, pudessem se habituar com o que a Informática pode proporcionar à Educação e às Estratégias de Ensino.

## CONSIDERAÇÕES E CONCLUSÕES

Através de uma Estratégia de Ensino consideravelmente simples, levando-se em consideração a grande deficiência no aprendizado dos estudantes e as carências da escola, foi possível transmitir conhecimentos básicos sobre Meio Ambiente e, contextualizar esses conceitos com a Física, conscientizando os estudantes quanto às suas responsabilidades com o Meio Ambiente e desmistificando a Física como algo a se temer ou algo impossível de se compreender.

A partir do momento que os estudantes participam das aulas com suas críticas e sugestões, suas dúvidas ficam esclarecidas e o professor tem uma maior liberdade no que concerne aos conteúdos, não apenas transmitindo o conhecimento de fórmulas e questões de vestibulares, mas proporcionando a assimilação de conteúdos que estarão presentes no cotidiano dos estudantes.

As deficiências identificadas no Ensino Fundamental devido à inadequação de professores que lecionam disciplinas que não são condizentes com suas formações ou à má formação dos professores são identificadas no Ensino Médio e, por sua vez, acabam trazendo problemas às próximas etapas do aprendizado, sem contar com as freqüentes falhas nos quadros de professores das escolas públicas, o que não apenas retira o conhecimento dos estudantes, mas também o torna

um ser não crítico e apenas preocupado em conseguir passar nas provas que muitas vezes são carregadas de conteúdos que extrapolam a carga horária, para que os conteúdos de séries anteriores possam ser apresentados. Os resultados apresentados na tabela em destaque foram retirados do questionário que continha as seguintes perguntas: 1. O que você conhece sobre Meio Ambiente ? 2. Você lê revistas e livros ou assiste a programas de TV sobre Meio Ambiente ? O que atrai mais sua atenção nesta área ?

Tabelas

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Borges, Regina M. Rabello. Em debate: cientificidade e educação em Ciências. Porto Alegre: SE/CECIRS, 1996.

BRASIL. Ministério de Educação e do Desporto. PCN+ - Ensino Médio, Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais, FÍSICA. Brasília, 1998.

BRASIL. Ministério de Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais de 1 a 4 a a séries: Meio Ambiente. Brasília, 1998.

BRASIL. Ministério de Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais de 5 a 8 a a séries: Meio Ambiente. Brasília, 1998.

- de Carvalho, Anna Maria Pessoa. Ensino de Ciências: unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.
- de Carvalho, Anna Maria Pessoa (coordenadora) et al. Termodinâmica: um ensino por investigação. USP - Faculdade de Educação, São Paulo: FEUSP, 1999.

Delizoicov, Demétrio; Angotti, José André; Pernambuco, Marta Maria. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.

Lei de Diretrizes e Bases do Ensino Nacional. Lei n 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. o

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