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UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE ELETRODINÂMICA NO NÍVEL MÉDIO

Maria Beatriz Dos Santos Almeida Moraes, Rejane Maria Ribeiro Teixeira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
24/01/2005
Linha de pesquisa
Tecnologias (Laboratório, Vídeo E Informática) No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE ELETRODINÂMICA NO NÍVEL MÉDIO

Maria Beatriz dos Santos Almeida Moraes [beatriz@netp.com.br] a

Rejane Maria Ribeiro Teixeira b [rejane@if.ufrgs.br]

Mestrado Profissionalizante em Ensino de Física, Instituto de Física, UFRGS e Instituto Estadual de Educação Ernesto

Alves (Rio Pardo, RS).

b Instituto de Física, UFRGS.

## RESUMO

Neste trabalho é apresentada uma proposta para o ensino de eletrodinâmica, em uma escola pública estadual de nível médio, que visa tornar o ensino de Física m ais eficiente, usando metodologia e recursos apropriados para os novos tempos, de forma a despertar o interesse dos alunos pelo conhecimento. A metodologia e recursos utilizados durante o projeto são embasados na teoria construtivista de Piaget e visam proporcionar aos alunos os conhecimentos significativos, defendidos por Ausubel. Tais metodologias e recursos compreendem: trabalhos individuais e em grupos; realização de experiências reais; realização de experimentos virtuais, usando o aplicativo Edison , adequado para a 1 montagem e o estudo de circuitos elétricos; interação entre os alunos e entre alunos e professora, através de um ambiente virtual de aprendizagem, TelEduc 2 , possibilitando um melhor aproveitamento do tempo, disponibilizando mais recursos para pesquisa e motivando os alunos para a aprendizagem, através da utilização das novas tecnologias.

## INTRODUÇÃO: OBJETIVOS E DESENVOLVIMENTO

A Física é uma ciência que está presente em todos os momentos de nossa vida. Pela natureza dos conhecimentos que podem ser adquiridos através desta disciplina, deveria despertar o interesse dos estudantes e trazer a satisfação da aprendizagem. Mas nem sempre é isso que constatamos quando alunos do ensino fundamental e médio, ou ex-alunos destes cursos, manifestam suas opiniões sobre o seu relacionamento com a Física.

Considerando as dificuldades na aprendizagem de conteúdos de Física no ensino médio e a falta de significado atribuída a estes conteúdos por muitos alunos, apresenta-se uma proposta de ensino para o terceiro ano deste curso. Esta proposta é embasada nas teorias educacionais de Jean Piaget e David Ausubel e visa despertar o interesse dos alunos pela Física, fazendo com que os conhecimentos tornem-se significativos para os mesmos, através do uso de recursos variados, principalmente com a aplicação de novas tecnologias ao ensino.

## Objetivos

- Desenvolver uma metodologia que torne as aulas de Física mais eficientes, mais produtivas e mais atraentes, procurando despertar o interesse dos alunos para facilitar a aprendizagem, tendo em vista a faixa etária à qual se destina. Tal metodologia deverá contribuir para que o aluno seja o sujeito da construção do seu conhecimento. 'Os novos rumos da educação brasileira apontam para a busca da formação de um novo profissional e de um novo cidadão. Essa orientação necessita transformar-se em ação no ambiente privilegiado de interação que é a sala de aula.' (MORETTO, 2000, p. 13)

a

1

- -Organizar as aulas de Física referentes aos conteúdos de Eletrodinâmica, conforme programação para o ensino médio, aplicando os recursos de informática, complementando e inovando as metodologias usualmente utilizadas, visando trazer melhorias para o ensino e a aprendizagem. 'O espaço cibernético é o terreno onde está funcionando a humanidade hoje. É um novo espaço de interação humana que já tem uma importância profunda principalmente no plano econômico e científico, e, certamente, esta importância vai ampliar-se e vai estender-se a vários outros campos, como por exemplo, na Pedagogia,...' (LÉVY apud PELLANDA et.al., 2000, p. 13).
- -Desenvolver os conteúdos dando maior ênfase aos conceitos e aos fenômenos físicos envolvidos, minimizando o desenvolvimento matemático. 'A valorização do conhecimento e da criatividade demanda cidadãos capazes de aprender continuamente, o que exige uma formação geral, e não um treinamento específico.' (BRASIL, 1999, p. 206)

## Desenvolvimento

- O projeto está sendo aplicado a duas turmas do terceiro ano do ensino médio, do Instituto Estadual de Educação Ernesto Alves, em Rio Pardo, RS, no período de 12 de julho a 29 de setembro do corrente ano (2004).
- As aulas são ministradas pela própria professora da turma, dando continuidade ao trabalho normal do ano letivo. Foram preparados textos, que apresentam, em uma linguagem simples, os conteúdos a serem desenvolvidos, com a inclusão de exemplos, procurando, na medida do possível, contextualizar o assunto abordado com o cotidiano do aluno.
- A maioria das aulas ocorre na sala de aula normal da turma, algumas são expositivas e dialogadas, há discussão dos temas apresentados, trabalhos em grupos e individuais dos alunos, a partir de pesquisas feitas por eles em livros e na internet, apresentação dos trabalhos dos vários grupos para a turma, resolução e discussão de problemas, de exercícios e testes sobre o assunto. As atividades práticas reais e virtuais realizam-se no laboratório e na sala de informática, respectivamente.
- É utilizado o aplicativo 'Edison AC/DC' para realizar a simulação de experimentos em circuitos elétricos com corrente contínua e corrente alternada. A aplicação de um software de simulação de experimentos pode facilitar a compreensão de conceitos e suprir, parcialmente, a carência de recursos dos laboratórios de Física, principalmente nas escolas da rede pública. O uso deste software permite ao aluno interagir diretamente com o conteúdo em estudo, através de experiências virtuais. Para realizar, em um laboratório real de Física, a variedade de práticas permitidas pelo aplicativo, seria necessário um investimento tanto na compra do material, como na sua eventual reposição. Uma outra vantagem prevista é a racionalização do tempo, tanto na preparação das aulas, como no seu desenvolvimento. Para realizar experimentos com o software, os alunos trabalham em grupos, o que proporciona a interação aluno-aluno e a interação do aprendiz com o objeto do conhecimento, visando proporcionar uma aprendizagem significativa (MOREIRA, 1999).
- A Internet é usada como fonte de consulta e para promover a interação entre os alunos e entre os alunos e a professora em atividades extra-classe e até mesmo durante as aulas, através do ambiente de aprendizagem TelEduc. '...o aprendizado deve contribuir não só para o conhecimento técnico, mas também para uma cultura mais ampla...Deve propiciar a construção de compreensão dinâmica de nossa vivência material, de convívio harmônico com o mundo da informação, de entendimento histórico da vida social e produtiva ...' (BRASIL, 1999, p. 208)

No TelEduc são disponibilizados os textos de apoio contendo os conceitos principais, os exercícios de fixação e as atividades que são desenvolvidas pelos alunos durante o curso, os trabalhos por eles realizados, individualmente ou em grupos, visando possibilitar a interação, de forma compartilhada, de todos com o material elaborado pelos colegas e pela professora, ampliando as condições de aprendizagem, em tempo compatível com a carga horária disponível.

Nesse ambiente de aprendizagem, através dos 'fóruns de discussão' são propostas questões para serem discutidas à distância, despertando no aluno o interesse pelos temas propostos e motivando-os para a pesquisa, quando necessário. São adicionadas algumas fotografias dos alunos, que registram alguns momentos da aula, como a apresentação de trabalhos, as aulas práticas reais e virtuais e outros. A inclusão de fotografias tem a finalidade pedagógica de despertar o interesse dos alunos pelo ambiente de aprendizagem. Ao acessar o ambiente, o aluno passa, naturalmente, a contribuir com todas as atividades ali propostas.

A utilização desse recurso vem ao encontro do interacionismo de Piaget, ao mesmo tempo em que contempla a possibilidade de averiguar sobre os conhecimentos prévios dos alunos, possibilitando suprir suas necessidades de conhecimentos de forma individualizada, o que se espera contribua para a aprendizagem significativa, conceito central da teoria de Ausubel. (MOREIRA; OSTERMANN, 1999, p. 46)

A realização de experimentos simples no laboratório real, utilizando os poucos recursos disponíveis na escola, mostra aos alunos a confiabilidade dos experimentos virtuais e oportuniza a interação dos estudantes com o objeto de estudo. As aulas práticas com experiências reais têm, também, a finalidade de abordar a questão da utilização de modelos no estudo de Física. O experimento virtual ao simular o experimento real, incorpora aproximações e simplificações da situação real. .A comparação dos resultados obtidos em experimentos reais e virtuais favorece a construção do conhecimento, a compreensão dos fenômenos envolvidos e serve de alerta para o cuidado que devemos ter ao usar simulações para estudar conteúdos de Física. 'O ato educativo é por demais complexo para que o profissional da educação em Física possa optar por um único recurso pedagógico. O ato educativo deveria, ao contrário, ser focalizado de uma forma holística em múltiplas possibilidades trazidas pela realidade concreta, pela interação humana e, também, pelas simulações.' (MEDEIROS; DE MEDEIROS, 2002, p. 84)

Foi aplicado um pré-teste, visando averiguar os conhecimentos prévios dos alunos e, após a aplicação da presente proposta, será aplicado um pós-teste, que será um dos instrumentos de avaliação do projeto.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora o projeto ainda esteja em andamento, já se pode antecipar algumas conclusões a partir da observação direta durante as aulas, da atuação dos alunos na resolução dos exercícios, na elaboração e apresentação dos trabalhos, da atitude dos alunos quanto às aulas práticas reais e virtuais e dos comentários feitos pelos mesmos, avaliando a proposta.

Constata-se que os objetivos estão sendo alcançados, os alunos mostram-se mais interessados pelas aulas, demonstram entusiasmo e realizam os trabalhos com mais satisfação do que ocorria normalmente, acredita-se que está sendo propiciada uma aquisição mais significativa dos conhecimentos. Embora a aplicação dos recursos tecnológicos represente uma novidade para os alunos destas turmas, e até certo ponto traga algumas dificuldades, devido à falta de recursos em relação ao número de alunos de cada turma e devido ao fato de q ue muitos alunos não dispõem de computador ou de acesso à Internet em suas casas, com o andamento do trabalho as dificuldades estão sendo superadas, conjuntamente professora e alunos estão buscando alternativas, como visita ao laboratório de informática em horário extra-classe e grupos trabalhando com recursos diferentes, em atividades alternadas. Até o final deste ano, após a conclusão do projeto e análise dos resultados, teremos dados mais conclusivos em relação à aplicação desta proposta pedagógica. Provavelmente, ao concluir o trabalho, constatar-se-á que os objetivos previstos terão sido alcançados, trazendo melhoria para a qualidade do ensino e da aprendizagem destes conteúdos, usando recursos modernos, eficientes e viáveis para esta escola pública.

## APOIO: CAPES, CREF/IF-UFRGS, PROPESQ-UFRGS e FAPERGS.

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVARENGA, B.; MÁXIMO,A. Curso de física. São Paulo. Editora Scipione.1997.

AXT, R.; BUCHWEITZ, B. Questões de Física 2. Porto Alegre. Editora Sagra-Luzzatto. 1997.

BEASANT, P. Introdução à Eletrônica. Rio de Janeiro. Editora Lutécia Ltda. 1985.

BRASIL. Ministerio da Educação, Secretaria de Educação Media e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais : Ensino Médio. Brasília. MEC. 1999.

CARRON, W.; GUIMARÃES, O. As Faces da Física. São Paulo. Editora Moderna. 1997.

CARRETERO, M. Construtivismo e a Educação. Porto Alegre. Editora Artes Médicas. 2002.

FERRARO, N. G. Eletricidade História e Aplicações. São Paulo. Editora Moderna. 1991.

GASPAR, A. Física. São Paulo: Editora Ática. 2000. v. 3.

HEWITT, P. G. Física conceitual. 8. ed. Porto Alegre. Editora Bookman. 2002.

MEDEIROS, A.; DE MEDEIROS, C. F. Possibilidades e Limitações das Simulações Computacionais no Ensino de Física. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v.24, n.2, p. 77-86, Jun. 2002.

MOREIRA, M. A. Teorias de Aprendizagem. São Paulo.Editora Pedagógica e Universitária Ltda. 1999.

MOREIRA, M. A., OSTERMANN, F. Teorias construtivistas. Porto Alegre. Editora da UFRGS. 1999.

MORETTO, V. P. Construtivismo: a produção do conhecimento em aula. Rio de Janeiro. DP&A Editora. 2000.

PELLANDA, N. M .et.al. Ciberespaço: um hipertexto com Pierre Lèvi. Porto Alegre. Artes e Ofícios Editora Ltda. 2000.

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