Uma experiência de desenvolvimento de vídeos didáticos para a apresentação de conceitos básicos de Física em escolas secundárias da região Norte-Fluminense.
Sabrina Gomes Cozendey, Cristiano Paulo Araújo, Marcelo De Oliveira Souza, Alzimar Fernandes Gomes
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 24/01/2005
- Linha de pesquisa
- Tecnologias (Laboratório, Vídeo E Informática) No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2005
Texto completo
1
## Uma experiência de desenvolvimento de vídeos didáticos para a apresentação de conceitos básicos de Física em escolas secundárias da região Norte-Fluminense.
Sabrina Gomes Cozendey [bibicozendey@hotmail.com] a Cristiano Paulo Araújo [cpaulo@uenf.br] a Alzimar Fernandes Gomes [alzfernandes@ig.com.br] b Marcelo de Oliveira Souza [mm@uenf.br] a
a Universidade Estadual do Norte Fluminense - UENF b Escola Técnica Estadual João Barcelos Martins
## RESUMO
NESTE TRABALHO APRESENTAREMOS OS RESULTADOS OBTIDOS COM O DESENVOLVIMENTO DE UM PROJETO DE PRODUÇÃO DE VÍDEOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE FÍSICA. OS VÍDEOS PRODUZIDOS ESTÃO RELACIONADOS COM A APRESENTAÇÃO DE CONCEITOS BÁSICOS DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO A PARTIR DA ANÁLISE DE SITUAÇÕES PRESENTES NO COTIDIANO DOS ESTUDANTES DE ESCOLAS PÚBLICAS DA REGIÃO NORTE-FLUMINENSE. CONTAMOS COM A PARTICIPAÇÃO NA ELABORAÇÃO DOS VÍDEOS DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO DA ESCOLA ESTADUAL FRANCISCO SALES. ESSES ESTUDANTES ATUARAM TAMBÉM COMO ATORES. OS VÍDEOS JÁ DESENVOLVIDOS TÊM COMO TEMA: UMA ANÁLISE DO MOVIMENTO, A FÍSICA NA COZINHA E A FÍSICA NO FUTEBOL. ESTES TEMAS FORAM OS ESCOLHIDOS PARA INICIAR O PROJETO. FORAM REALIZADAS ENTREVISTAS COM OS ESTUDANTES ENVOLVIDOS NO PROJETO TENDO O OBJETIVO DE IDENTIFICAR OS TEMAS PARA OS QUAIS OS ESTUDANTES DEMONSTRAVAM MAIOR INTERESSE. PARA A ELABORAÇÃO DOS VÍDEOS FORAM INICIALMENTE REALIZADAS CONSULTAS AOS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO, DE MODO A PERMITIR A CONSTRUÇÃO DE ROTEIROS BASEADOS NA EXPERIÊNCIA COTIDIANA DELES.
## INTRODUÇÃO
No ensino médio, vários estudantes encontram dificuldades no estudo de disciplinas da área de ciências exatas, principalmente no estudo da Física, sendo que para muitos desses estudantes na primeira série do ensino é o momento no qual ocorre o primeiro contato com essa disciplina. Esse fato ocorre com maior freqüência em escolas públicas.
De acordo com os PCN's os primeiros contatos já deveriam ter ocorrido no ensino fundamental, porém um conjunto de fatores, ausência de professores ou professores não qualificados para a a presentação da Física no ensino médio, fazem com que os estudantes i niciem o ensino médio, com pouco ou quase nenhum conhecimento da Física e da sua presença no seu cotidiano.
Além de não terem desenvolvido as competências mínimas que serão utilizadas no aprendizado de Física, os estudantes apresentam grande dificuldade durante o processo de aprendizagem. Este fato os desmotiva , transformando essa disciplina em um verdadeiro pesadelo para eles.
Cada vez mais preocupados com essa questão, professores e educadores, entre outros
profissionais ligados à educação, pesquisam formas de aprimorar o modo de apresentar os conteúdos em sala de aula. Com esse objetivo são considerados o uso de computadores e vídeos ou de várias mídias acopladas como parte da estratégia para melhorar e tornar mais agradável o ensino de Física, superando as dificuldades existentes. A partir do desenvolvimento tecnológico do vídeo, da televisão, da TV a cabo, dos computadores e da internet, abriu-se uma porta para o estudo de novas tecnologias e sua aplicação no ensino 1 . Hoje em dia temos uma nova dinâmica para se obter informação e conhecimento com uma velocidade nunca vista antes.
A televisão e a escola fazem parte hoje do universo sócio-histórico e cultural do homem contemporâneo. Os estudantes geralmente se colocam expostos a muitas horas diárias de exposição à TV o que fazem com satisfação e prazer. Aprendem a partir, e com esse canal de comunicação, reproduzindo hábitos e costumes culturais 2,3,4 .
É uma necessidade de nosso tempo a busca pela utilização dessas novas tecnologias disponíveis no ensino, e de modo mais particular em nosso caso, no ensino de Física, como ferramenta de auxílio a apresentação de conteúdos para os estudantes.
Optamos pela produção de vídeos de curta duração, que chamamos de micro-vídeos (duração máxima de três a cinco minutos), para serem utilizados pelo professor em sala de aula como um elemento de motivação ao estudo dos conceitos básicos de Física e de sua relação com o cotidiano dos estudantes.
## DESENVOLVIMENTO DO PROJETO
Utilizamos como base para desenvolver este projeto a experiência acumulada da nossa equipe na produção de vídeos didáticos 6,7 .
A linguagem visual é uma das que apresenta um melhor resultado em relação aos efeitos sobre a retenção de conteúdo por parte dos estudantes 1,4 .
As gravações externas foram realizadas buscando enfatizar situações do cotidiano dos alunos da região Norte-Fluminense. Buscamos produzir vídeos didáticos com ênfase na apresentação de conceitos básicos de Física apresentados no ensino médio.
Os vídeos produzidos contaram com a participação de estudantes do ensino médio na sua elaboração. Os temas utilizados foram:
- · A Física na cozinha
- · A Física em uma partida de futebol
- · Micro aulas mostrando a análise do movimento na vida dos alunos.
A produção dos vídeos foi realizada, com uma linguagem audiovisual experimental, resultante da discussão, de um grupo de participantes, que constituem a equipe de produção. Essa equipe é formada por estudantes, professores e técnicos da área audiovisual.
A produção foi dividida nas seguintes etapas : 5
- · Definição do tema a ser abordado.
- · Confecção do roteiro, preparação do texto narrado, escolha de imagem e serão utilizados, com uma pré-definição de planos, lentes e objetivos a serem filmados.
- · Processo de captura de imagens.
- · Processo de filmagem, com locações pré-definidas em locais do Norte Fluminense.
- · Processo de escolha de sons e efeitos sonoros, pesquisa para solicitação dos seus direitos de uso.
- · Processo de escolha de efeitos.
Este conjunto de fatores define a linguagem áudio visual a ser empregada e o seu grau de aplicabilidade pelos professores.
Através de seu enorme potencial, o vídeo deve ser utilizado não só para reforçar o que foi ensinado pelo professor, em sala de aula, mas, para e xemplificá-lo e ativar os sentidos dos alunos. Ativando os seus sentidos, sua crítica, além do poder do vídeo de exemplificar de forma mais abrangente, facilitando todo processo de ensino aprendizagem . 9
Os micro-vídeos produzidos estão sendo utilizados inicialmente para testes em escolas públicas de ensino médio da região Norte-Fluminense.
Abaixo apresentamos um trecho do roteiro desenvolvido para os micro-vídeos com o tema: A Física na cozinha.
'Os alunos entram na sala, e logo depois chega o professor.
Aluno1- Cadê a professora? Será que ela não vem?
Professora- Já cheguei! Boa Tarde!
Alunos- Boa Tarde!
Aluno2- Professora a aula de hoje será sobre o quê?
Professora- A aula de hoje será sobre a vida.
Aluno3- Vida?
Professora- Vida, sim. Hoje conversaremos sobre como a Física está presente em nossas
Aluno4- Ahhhhh...
Aluno3- Mas a Física não está presente na minha vida!
Professora- É claro que está. Quer ver? Vou lhe dar um exemplo bem gostoso da presença da Física na sua vida. Vocês já fizeram brigadeiro?
Aluno3- Sim, mas o que o brigadeiro tem a ver com a aula de Física?
Professora- Calma... Vocês já perceberam que quando fazemos o brigadeiro com uma
colher de alumínio aos poucos a colher vai ficando quente, até ser impossível segurá-la.
Alunos- Sim.
Professora- Vocês já devem ter percebido que quando faço o meu brigadeiro com uma colher de madeira esta não fica quente.
Aluno3- Sim, e daí...
Professora- Você sabe explicar por quê isso ocorre? (silêncio total)
Bem, isso ocorre porque as colheres são feitas de materiais distintos. Uma é feita de um material que é um bom condutor térmico. A outra de um material que não é um bom condutor térmico.
Nesse caso quem é o bom condutor térmico?
.....'
Nas figuras 1 e 2 são apresentadas imagens dos micro-vídeos produzidos com o tema: Micro aulas mostrando a análise do movimento na vida dos alunos.
<!-- image -->
Figura 1 - Cenas gravadas em um Shopping Center Figura 2 - Cenas gravadas nas ruas da cidade
<!-- image -->
Contamos com a participação de seis estudantes da Escola Estadual Francisco Salles (Campos dos Goytacazes - RJ), figura 3, como membros da equipe de produção, composta também por três profissionais da área de ensino de Física e uma estudante do Curso de Licenciatura em Física (Figura 4).
vidas.
<!-- image -->
Figura 3 - Alunos da equipe de produção e atores Figura 4 - Professora e os alunos (cena do vídeo)
<!-- image -->
## CONCLUSÃO
A participação direta de estudantes de uma escola pública de Campos dos Goytacazes na equipe de produção dos micro-vídeos nos permitiu inserir cenas, no material produzido, relativas a realidade vivida pelos estudantes de nossa cidade no seu cotidiano. Os estudantes envolvidos no projeto têm demonstrado um grande interesse pela Física, passando a apresentar uma significativa melhora do rendimento escolar. Professores de Física das escolas públicas da região NorteFluminense estarão utilizando os vídeos produzidos como ferramentas auxiliares em suas aulas. A maior parte das escolas públicas da região Norte-Fluminense possui uma sala com um vídeo e uma televisão.
Com o acompanhamento do rendimento dos estudantes envolvidos diretamente no projeto, temos um bom indicativo para os resultados que esperamos obter com a continuidade do projeto.
## REFERÊNCIAS
- 1. MORAN, J.M. (1996): Interferência dos meios de comunicação dos nossos conhecimentos. XXVIII Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional. Rio de Janeiro.
- 2. MANDARINO, F.C.M. Organizando o trabalho com vídeo em sala de aula. Revista Eletrônica em Ciências Humanas, Rio de Janeiro, ano 1, n.1, 2002.
Disponível em: http://www.unirio.br/cead/morpheus/numero01-2000/monicamandarino.htm"
- 3. LINHARES, R.N. Vídeos na Educação Escolar; A Experiência do Vídeo Escola em Aracaju. Revista Pixel-bit, Sevilla, n.12.
Disponível em: http://www.sav.us.es/pixelbit/articulos/n12/n12art/art121.htm
- 4. MUJICA, M. V.;MEDEROS J. A. M. Uso Del Video En La Enseñanza de La Fisica. Revista de Investigação em Ensino de Ciências, V1, n.3.
Disponível em: http://www.if.ufrgs.br/public/ensino
- 5. SANTOS, R. (1993): Manual de Vídeo. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.
- 6. SOUZA, M. O., O ensino de Física com a utilização de inovações tecnológicas, III Taller Internacional Sobre Didáctica De La Física Universitaria, 2002, Matanzas-Cuba, Anais do III Taller Internacional sobre Didáctica de la Física Universitaria, (2002)
- 7. ARAÚJO, C. P., Desenvolvimento e Uso de Vídeos Didáticos para o Ensino de Física na Região Norte-Fluminense, Monografia de Final de Curso, Curso de Licenciatura em Física da UENF, UENF (2004).
## AGRADECIMENTOS
Agradecemos a FENORTE, TECNORTE, a UENF e aos alunos da Escola Estadual Francisco Sales e Liceu de Campos dos Goytacazes:
Fabíola Barbosa Coelho, Luís Felipe da Silva Pinto Azeredo, Luciana de Souza da Silva, Milena Moreira de Oliveira, Monique Campos Barreto, Raquel França dos Santos .
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.