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MAPAS CONCEITUAIS NA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

Márcio Lobo Barbosa, Álvaro Santos Alves, José Carlos Oliveira De Jesus, Teresinha Fróes Burnham

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
24/01/2005
Linha de pesquisa
O Ensino De Física Para A Graduação (Física, Engenharias, Química, Biologia, Arquitetura, Arte, Etc.)
Tipo
Pôster

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Texto completo

## MAPAS CONCEITUAIS NA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

Márcio Lobo Barbosa [marciuslobo@yahoo.com.br] a

Álvaro Santos Alves b [asa@uefs.br] José Carlos Oliveira de Jesus [oliveira@uefs.br] b Teresinha Fróes Burnham [tfroes@ufba.br] c

a Cooperescola e Colégio Visão, Feira de Santana - BA - Brasil b Universidade Estadual de Feira de Santana, Departamento de Física, Projeto Física no Campus, BR-116, Km 03, Campus Universitário, 44.031-460, Feira de Santana -BA - Brasil c Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Educação, Av. Reitor Miguel Calmon, s/n, Campus Canela, 40.110-100,

Salvador - BA - Brasil

## RESUMO

Aprender significativamente tem-se apresentando como um grande desafio no processo e ensino-aprendizagem. A aprendizagem significativa é inerente à estrutura cognitiva que cada aprendiz possui e a correlação produzida entre o que é aprendido e ensinado. Neste trabalho, propõem-se avaliar a aprendizagem a partir da aquisição de significados por meio de mapas conceituais, que estabelecem o intercâmbio de significados. Neste trabalho, apresentamos os resultados parciais de avaliação dos conceitos estudados nas aulas por meio de mapas, numa turma de 8 . série do ensino fundamental com 55 a alunos. Por meio de entrevistas individuais e coletivas, os alunos extenalizaram os conceitos e com a investigação das relações conceituais realizadas, nos mapas conceituais, foi possível elencar os elementos que enquadram a aprendizagem como significativa ou mecânica e suas implicações no processo de alfabetização científica dos alunos através da física.

## INTRODUÇÃO

Este trabalho consiste em apontar instrumentos que possibilitem a prática de estratégias alternativas no Ensino de Física, bem como a compreensão do processo de produção do conhecimento de forma interativa, tendo os alunos como artífices do ato de aprender. Os temas Movimento Retilíneo, Leis de Newton e Energia foram abordados segundo a teoria de David Ausbel, alicerçada por Joseph Novak com a introdução de mapas de conceitos. Nesse trabalho, os mapas conceituais ou de idéias usados, assumiram um caráter de avaliação dos conceitos desenvolvidos nas aulas. O trabalho foi desenvolvido com uma turma de 8ª série do Ensino Fundamental, com 55 alunos, na cidade de Feira de Santana, Bahia. A avaliação dos resultados colhidos revela que o emprego dos mapas conceituais como instrumento de avaliação é relevante no processo de diferenciação cognitiva dos alunos no entendimento dos conceitos estudados em Física.

## FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Existem muitas teorias sobre o processo de cognição dos alunos na contemplação dos caminhos mais seguidos para a estruturação do pensamento, relacionando o que é ensinado com o que é aprendido. Com o desenvolvimento da teoria criada por David Ausbel, tornou-se possível elencar elementos que definem a aprendizagem como significativa.

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A essência do trabalho de Ausbel é a aprendizagem significativa na qual os conceitos são ordenados progressivamente, de forma que os conceitos mais gerais de um conteúdo estão ligados a conceitos subordinados e este a conceitos específicos. Aprender significativamente em ensino de Física tem se configurado nas escolas como um grande desafio, pois na boa parte dos casos os conceitos são fixados mecanicamente pelos alunos e sem a devida relação e aplicação com a vivência dos alunos.

Segundo Ausbel (1978), a aprendizagem é dita significativa quando as informações recebidas pelos alunos são acompanhadas de significados, por meio de ancoragem que o próprio mecanismo cognitivo processa, e essa significância passa pelo campo das idéias, conceitos e proposições já existentes nos alunos. O entendimento dos conceitos mediante a interação do que é aprendido com os conhecimentos já existentes na estrutura cognitiva, ocorre segundo o processo da diferenciação progressiva.

Na diferenciação progressiva o aluno é capaz de atribuir novos significados aos conceitos mais inclusivos, e em seguida relacionar as novas idéias com outros conceitos cada vez mais diferenciados. O processo de reorganizar os conceitos já aprendidos a partir de novas relações conceituais é denominado de reconciliação interativa. Apesar de ser a base fundamental para o mapeamento de conceitos Ausbel nunca citou no seu trabalho o termo mapa conceitual.

Com base nessa teoria de Ausbel, uma técnica foi desenvolvida em meados da década de setenta por Joseph Novak e alguns pesquisadores da Universidade de Carnell, nos Estados Unidos. Novak propõem uma nova estratégia educativa por meio de mapas conceituais, no mapeamento de conceitos as idéias são relacionadas de forma lógica numa organização de conhecimentos.

Podemos tomar o modelo abaixo para o mapeamento de idéias segundo a teoria de Ausbel.

Fig. 1 - Mapa conceitual, segundo a teoria de David Ausbel.

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A capacidade em desenvolver novas relações para se entender u m conceito, confrontando o mesmo com os conhecimentos prévios aumenta gradativamente, quando novos subsunçores vão se formando e interagindo entre si, pois a estrutura cognitiva sofre constantemente reestruturações com a finalidade de se aprender com significados.

## MAPAS CONCEITUAIS OU MAPAS DE IDÉIAS

Os mapas de conceitos podem ser entendidos como diagramas que relacionam conceitos de um assunto abordado na sala de aula, em específico, e por conseguinte as relações funcionais entre determinadas palavras-chaves, que estão inerentes à própria seqüência dos conceitos na cognição dos alunos.

## Veja um exemplo de mapa conceitual

Fig. 2 - Mapa de conceitos desenvolvido por um aluno da turma de 8ª série do ensino fundamental.

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A organização dos conceitos por meio de um mapeamento pode assumir diversas nomenclaturas em muitas áreas de ensino, quer seja pelos alunos ou por professores. Existem aqueles que denominam: diagrama de idéias, esquema-resumo, e etc. Mesmo tendo algumas denominações distintas, os mapas de conceitos não devem ser confundidos com organogramas ou diagramas de fluxo, não obstante, os mapas conceituais revelam uma direção representativa de significados, de relações significativas na qual podemos perceber a multiplicidade de implicações que e m determinado tema de estudo a ser abordado traz com conceitos mais idéias no processo de aprendizagem significativa.

Sendo assim, o mais relevante não é a forma gráfica na confecção dos mapas, mas a disposição das idéias e conceitos. Não existe uma forma correta de se fazer mapas conceituais e nem o mapa conceitual correto, o que temos são modelos de mapas de palavras-chaves na explanação conceitual. O uso de figuras geométricas como elipses, retângulos e círculos nos mapas conceituais são de aspectos secundários, tornando-se sempre necessário que o professor oriente os alunos na identificação dos conceitos mais inclusivos e menos inclusivos.

## METODOLOGIA

A metodologia deste trabalho consiste em avaliar a aprendizagem de conceitos trabalhados nas aulas, com base nos elementos que definem a aprendizagem como significativa. Os elementos abordados são: a diferenciação progressiva, reconciliação integrativa, organização seqüencial e consolidação.

Após a construção dos mapas de conceitos realizada pelos alunos, foram formulados questões e problemas de forma não convencional - para evitar a reprodução mecanicista dos conceitos - que exijam dos alunos a externalização, por meio de entrevistas nas próprias aulas, dos conceitos empregados nos mapas, e das relações entre os mesmos.

A solução de situações problemas serve como base para procurar indícios da aprendizagem dos conceitos.

A etapa final do processo metodológico, consiste em requerer dos alunos a resolução seqüenciada de problemas que necessitem dos conhecimentos aprendidos em etapas anteriores.

## CONCLUSÃO

Por se tratar de uma turma de 8ª série, do ensino fundamental, o trabalho de se levantar uma aprendizagem em termos de significância, se torna muito importante no âmbito da apresentação da física para estes alunos. Com a análise e desenvolvimento do trabalho foi possível destacar os pontos mais determinantes no entendimento dos conceitos e das dificuldades enfrentados pelos alunos na estruturação de modelos mentais, que propiciem a organização e interiorização dos conceitos. Como geralmente nas salas de aulas os alunos desenvolvem o processo cognitivo, quase que espontaneamente. Faz-se importante para o professor conhecer teorias sobre a estruturação do conhecimento, em primeiro momento para saber valorizar o que o aluno já traz consigo e posteriormente para ensinar Física não de forma simplória, desvinculada de qualquer teoria de ensino -que mesmo presente -se não for devidamente empregada acarretará um atraso no desenvolvimento da estrutura cognitiva, essencial para o entendimento de um conceito.

## REFERÊNCIAS

MOREIRA, M. A e Masini, E.A.F.S.. Aprendizagem significativa: A teoria de David Ausbel. São Paulo, Editora Moraes, 1982.

Moreira, M. A. Aprendizagem significativa: fórum permanente de professoes, Brasília, Editora Unb, 1999.

Moreira, M. A.. Uma abordagem cognitivista no ensino da Física. Porto Alegre, Editora de Universidade, 1983.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.