Perfil dos professores de física do Ensino Médio na cidade de São Paulo
Modesto Pantaleo Junior, Bruno Henrique Golfetti, Ricardo Roberto Plaza Teixeira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 24/01/2005
- Linha de pesquisa
- Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PERFIL SÓCIO-CULTURAL DOS PROFESSORES DE FÍSICA DO ENSINO MÉDIO
a
Modesto Pantaleo Júnior [pantaleo@gmail.com] Bruno Henrique Golfette [bhg@uol.com.br] b Ricardo Roberto Plaza Teixeira [rpteixeira@if.usp.br] c
a Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo
b Universidade Estadual Paulista de São José do Rio Preto (UNESP) c Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo
## RESUMO
Este artigo apresenta dados estatísticos sobre os professores, suas atividades, interesses e opiniões, sua formação acadêmica, sua atividade profissional e seu perfil sócio-econômico. São apresentadas também respostas a perguntas abertas nas quais os próprios professores argumentavam sobre os referidos tópicos.
Por meio desta pesquisa, foi possível levantar dados estatísticos que retratam como está o ensino da Física nas instituições de ensino de São Paulo, sejam elas públicas ou privadas. Após obtermos os dados por meio da pesquisa de campo, que foi realizada com os professores que foram os pilares desta pesquisa, foi feito o tratamento destes. Esta tabulação mostrou algumas características do ensino da Física na cidade de São Paulo de acordo com tendências como por exemplo na questão do ensino por competências, aproximação da ciência junto ao aluno, de forma a, despertar no aluno a habilidade de desenvolver a Física tendo como referência seu mundo vivencial dispensando modelos muito abstratos, ou se ainda é utilizado o ensino pragmático que utiliza como base modelos muito abstratos que levam a desmotivação não só dos alunos, como também dos próprios.
Com estes dados em mãos e com a possibilidade de divulgá-los por diferentes meios, tivemos a oportunidade de fortalecer o curso de Licenciatura em Física do CEFET-SP.
Esta pesquisa coloca em destaque a relação intrínseca entre o ensino da Física e a Pedagogia, relação que deveria estar em evidência para todos os graduados e graduandos em licenciatura. Além disso, este é um trabalho de Estatística aplicada à Ciência, ferramenta matemática sem a qual seria impossível lidar com amostragens, quantificações e o devido tratamento dos dados levantados.
## 1. INTRODUÇÃO
O ensino de Física foi sempre visto como um dos mais 'dogmáticos' dentre todas as disciplinas, predominando uma concepção tradicional de educação que muitas vezes é incapaz de motivar os alunos em seu aprendizado. Este trabalho tem como objetivos identificar a verdade de tais afirmações e suas prováveis causas. Para isso, procurou-se estudar as bases do processo de ensino-apendizagem, o professor e a sua formação, já que sobretudo, este tem um papel fundamental junto ao desenvolvimento das potencialidades dos alunos.
Por meio de um questionário de auto-preenchimento, identificou-se o perfil sócio econômico dos professores de Física que atuam nas redes pública e privada de Ensino Médio, suas opiniões, atividades pessoais e profissionais, percepções, necessidades, expectativas, hábitos e atitudes. Estas informações foram coletadas para subsidiar um estudo quantitativo e qualitativo representativo da população de professores estudada.
## 2. METODOLOGIA
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A realização deste trabalho foi feita, tomando como bases, três frentes de pesquisa, que visavam detalhar a vida do professor, dentro e fora de sala de aula. A primeira frente de trabalho tinha como objetivo, levantar informações de cunho sócio-cultural, tais como: sexo; idade; estado civil; número de filhos; escolaridade atual; classe social; etnia; religião; escolaridade dos pais; profissão dos pais; artigos e recursos que possui e utiliza (computador, dvd, celular, internet; canais de tv por assinatura, etc); meios de transporte que os pesquisados utilizam para se locomover. Na segunda frente de trabalho, foram elaboradas questões, capazes de levantar informações sobre atividades, interesses e opiniões, comum aos professores de física, tais como: interesse por línguas estrangeiras (leitura, escrita e/ou fala); informática (programas que mais utiliza e freqüência de uso da interne); jornais que assinam e/ou lêem periodicamente; revistas acadêmicas que assinam e/ou lêem periodicamente; revistas convencionais que assinam e/ou lêem periodicamente; meios que utilizam para se manter atualizados em física e em educação; viagens internacionais realizadas, assim como seus respectivos motivos (lazer, familiar e/ou passeio); freqüência com que costumam ir ao teatro e ao cinema; freqüência com a qual costumam ler livros acadêmicos e livros comuns; interesses por filiações à instituições acadêmicas e/ou sindicais. Na terceira frente foi analisada apenas a formação escolar e acadêmica da amostra pesquisada, colhendo-se informações tais como: o tipo de instituição onde concluiu os ensinos fundamentais, médio e superior; o curso e a instituição onde concluíram ou concluirão o ensino superior; a natureza da formação, referente a formação (licenciatura, bacharelado ou ambos); o interesse pela continuidade nos estudos, por meio de mestrado, doutorado e pós-doutorado e também de cursos de especialização e aperfeiçoamento. A quarta frente de pesquisa, analisou aspectos muito importantes, do ponto de vista da atuação como professor, isto é, da atividade profissional realizada em sala de aula. Os professores foram questionados sobre os seguintes temas que abordam durante as aulas; os tipos de instituições em que lecionam; períodos do dia nos quais leciona quantidade de aulas que lecionam; tempo médio de duração das aulas; recursos didáticos que utilizam e que gostariam de utilizar; o grau de satisfação (e suas respectivas razões) com a profissão de educador; a atuação em outros cargos também relacionados a profissão de educador (diretor, coordenador, orientador, etc.). Nesta etapa os professores foram questionados também, sobre a realização de atividades profissionais remuneradas, não vinculadas a educação. Inicialmente o trabalho foi realizado apenas com estas quatro áreas de abordagens descritas, mas foi elaborada uma quinta frente, de caráter qualitativo, e sua análise, foi feita por meio de tabulações de questões abertas aos professores, sobre temas de grande relevância para o ensino de Física.
Desta forma, foi elaborado um questionário, dotado de cinqüenta questões. Foram pesquisados modelos de outros questionários, também aplicados na área da educação. Algumas questões seguiam critérios mais técnicos de pesquisas que foram conseguidos por meio de consultas a instituições como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e a ABIPEME (Associação Brasileira de Pesquisa de Mercado).
Tendo posse dos questionários, deu-se inicio a aplicação dos mesmos. Foram tomados certos cuidados, na tentativa de estratificar ao máximo a amostra de professores, tais como, distribuir de forma equivalente o número de questionários pelas zonas da cidade (Central, Norte, Sul, Leste e Oeste) e também em municípios próximos à cidade de São Paulo. Os questionários foram divididos também quanto a natureza das instituições em que os professores lecionam: (públicas e privadas).
Mesmo visitando um numero representativo de escolas, em busca dos professores de física, a quantidade de questionários preenchidos, foi muito baixa, devido a dificuldade de acesso a esses profissionais. Para contornar este problema e estratificar ainda mais a amostra, este questionário foi aplicado, simultaneamente na porta de quatro colégios, onde estavam sendo realizadas provas para o Concurso Público para Professores do Estado (PEB II), no dia nove de outubro de 2003. Totalizando desta forma um total de sessenta questionários preenchidos.
Com esta amostra de questionários em mãos, deu-se início à tabulação e à análise dos dados. Para isso foi utilizado como software para inserção e análise de dados estáticos, chamado SPSS (Standart Package for Social Sciences), este software foi utilizado na análise das questões fechadas,
referentes as quatro primeiras frentes. Na tabulação das questões abertas, foram totalizados o número de menções e temas específicos feitas pelos professores, no desenvolvimento de suas respostas, e o tratamento estatístico destes dados foi realizado no software Excel.
## Análise das Questões Abertas
Os professores foram questionados com quatro perguntas descritivas, através delas houve a possibilidade de abrir na pesquisa aspirações e opiniões sobre o Ensino de Física.
Para a primeira pergunta ' Como você acha que será o ensino de Física no futuro?' , 33% da amostra discutiu sobre o conteúdo e a forma que o ensino de Física terá, desses, 15% escreve 'Mais aulas práticas que teóricas', 10% 'Será englobado o cotidiano com a tecnologia/ Mais voltado pra realidade/ Teoria aplicado à cotidiano', 2% 'Aprofundamento do aluno em áreas que mais o atraem mas auto suficiente em um conteúdo mínimo de física', 2% 'Mais aplicação da Física Moderna', 2% 'Menos relacionado ao currículo formal da escola', 2% 'Voltado para a compreensão de fenômenos'. Portanto um futuro com mais práticas, o conteúdo envolvido na realidade e inserção de conceitos mais modernos, exatamente o que se discute atualmente como necessário para uma 'Educação Cidadã'.
O ensino de Ciência é bastante discutido, nessas respostas, há idéias já expostas por outros pensadores, como o sociólogo argentino Jorge Werthein, representante da Unesco ( Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) no Brasil, que escreve na revista Ciência Hoje, Vol.34, no.200, em artigo intitulado Saber Fragmentado , escreve: '(...)Como em outros países, há uma cisão entre teoria e prática. O professor pode saber discutir teorias sobre educação e desigualdades sociais, mas possivelmente terá dificuldades em tornar interessante e motivador o estudo das ciências para alunos menos privilegiados(...)', no mesmo artigo, a Argentina Cecília Braslavsky, diretora do Escritório Internacional de Educação da Unesco escreve '(...)A América Latina herdou uma tradição educacional verbalista, enquanto as ciências decolaram com a experimentação.(...)'
A tecnologia e seu avanço também foram citados, e 29% da amostra relacionou o futuro do ensino de Física com a inclusão de novas tecnologias, desses 13% escreve 'Uso de recursos, meios e métodos mais modernos, como vídeos e computadores/Mais interativo', 5% 'Será mais avançado por causa da tecnologia/ Com as tecnologias presentes será mais fácil estudar os fenômenos', 5% 'Será mais aprimorado/Evoluído/Equipado', 2% 'Globalizado com uso da internet', 2% escreve que 'A presença do aluno não será tão exigida como é hoje' e 2% 'Deve ser estimulado o uso adequado dos meios tecnológicos (máquina de calcular, microcomputador)'.
- O sentimento de pessimismo estava presente nas respostas, 25% da amostra apresentou respostas declaradamente negativas em relação ao futuro do ensino da disciplina: 8% 'Não vai mudar/ Não tenho expectativa', 7% escreve 'A tendência é diminuírem cada vez mais o ensino de física no ensino público/ Será decadente/ Irá acabar', 3% 'Se continuar como está não teremos futuro', 3% 'Será complicado pela falta de profissionais', 2% 'Vem caindo o interesse', 2% 'Ficará mais caótico'.
Obtiveram-se 12% de respostas declaradamente otimistas, elas são: 10% 'Acredito no ensino de Física/ Há sinalização de melhora/ Sou otimista/Ã tendência é melhorar', 2% 'A Física será mais acessível ao ensino fundamental'.
Outras respostas obtidas são relacionadas a diferentes visões que cada respondente tem sobre o ensino e os alunos, para essas menções somaram 12 % dos respondentes, divididos nas seguintes menções: 2% 'Será diferente em escolas com mais recursos, com menos recursos e sem recursos', 2% 'O aluno aprende a aprender', 2% 'Tem que ser abordado do ponto de vista social, econômico e cultural', 2% 'O modelo de ensino atual tem que mudar', 2% 'O ensino Médio deve satisfazer as aptidões dos alunos', 2% 'Os alunos não tem noção de Ciência'.
Algumas respostas apontavam problemas do ensino atual ou descrevia como melhorar os atuais problemas, 8% das respostas tiveram esse caráter, as respostas foram: 2% 'Falta renovar
professores', 2% 'Professores reféns do conteúdo programático determinado pelos vestibulares', 2% 'O ensino é 80% matemática e 20% física', 2% 'Depende da boa formação dos professores'.
Moacyr Marranghello, educador na Escola Municipal Emílio Meyer e nos colégios Anchieta e Sévigne, em Porto Alegre, na Universidade Luterana do Brasil, em Canoas, e especialista em métodos e técnicas de ensino, em seu artigo 'A Realidade da Física e a Física da Realidade' escreve '(...) Precisamos de permeabilidade e transparência p or parte de todos, para que possamos crescer juntos, prosperarmos com eficiência, competência e solidariedade. Ao nível das ciências: interdisciplinaridade. Neste sentido, o estudo da Física deve colaborar, unindo-se a outras áreas e analisando, de maneira ampla e irrestrita, os grandes problemas mundiais.(...)'.A interdisciplinaridade foi citada apenas por 6% dos professores: 3% comentam 'Será mais ligada à questão do meio ambiente' e 3% complementam com 'Física mais ligada à outras disciplinas/Mais interligadas com Matemática e Química'.
## Resultados
Por meio do exame e analise de tabelas e gráficos como os mostrados abaixo é possível conhecer algumas das características dos professores de física da cidade de São Paulo
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Referências bibliográficas
BUSSAB, Wilton O. & MORETTIN, Pedro A. Estatística Básica. São Paulo: Atual Editora Ltda, 1987
COSTA, Sérgio Francisco. Introdução Ilustrada à Estatística. São Paulo: Harbra, 1998
HIRANO, Sedi (Organizador). Pesquisa Social: Projeto e Planejamento. São Paulo: T. A. Queiroz, Editor, Ltda, 1979
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