CONCEPÇÕES DE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO SOBRE A TECNOLOGIA E SUA RELAÇÕES SOCIAIS: ANÁLISE DE UM PRÉ-TESTE
Nonato De Assis Miranda, Estéfano Vizconde Veraszto, Dirceu Da Silva, Fernanda Oliveira Simon, Jomar Barros Filho, Alan César Ikuo Yamamoto, Alexander Monteiro Cunha
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 24/01/2005
- Linha de pesquisa
- Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
- Tipo
- Pôster
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## CONCEPÇÕES DE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO SOBRE A TECNOLOGIA E SUA RELAÇÕES SOCIAIS: ANÁLISE DE UM PRÉ-TESTE
Nonato de Assis Miranda [nonatomiranda@uol.com.br]
Estéfano Vizconde Veraszto [estefanovv@terra.com.br] Fernanda Oliveira Simon [fersimon@uol.com.br] Dirceu da Silva [dirceu@unicamp.br] Jomar Barros Filho - [jomarbf@uol.com.br] Alan Cesar Ikuo Yamamoto [alan@cotuca.unicamp.br] Alexander Monteiro Cunha [amcunha77@hotmail.com]
Faculdade de Educação - Unicamp
## RESUMO
O objetivo deste trabalho é mostrar um pré-teste utilizado para aferir um instrumento de obtenção de dados sobre as concepções, que professores de física e matemática do ensino médio, apresentam sobre a tecnologia e suas conseqüências sociais e ambientais. Os dados, frutos de uma escala do tipo Liket, foram analisados quantitativamente pelo método estatístico de análise fatorial de componentes principais, com rotação Varimax e normalização de Kaiser. Assim, obtivemos fatores para buscar a interpretação das possíveis correlações entre as concepções apresentadas no instrumento de medida. Ao final, frente aos resultados, tecemos algumas considerações sobre as concepções destes professores sobre tecnologia.
Palavras - chave: concepções de tecnologia, professores do ensino médio
## INTRODUÇÃO
Hoje vivemos um verdadeiro bombardeio de informações pelas mídias televisiva e impressa. A palavra tecnologia está presente em diversos discursos, chegando a configurar-se em fetiche do exercício de poder ou do status quo social. Não é sem propósito que encontramos articulistas e formadores de opinião, mais exagerados e maniqueístas, afirmando que vivemos na Era da tecnologia e que, sem ela, a sociedade não terá um futuro pacífico ou, pelo contrário, afirmando que a tecnologia é o motivo da desagregação social e política e a fonte geradora de problemas ambientais. É comum também em nossa sociedade encontrarmos associações do termo tecnologia com artefatos ou instrumentos sofisticados desenvolvidos com o objetivo de promover melhores condições de vida ao homem, como, entre outros, os computadores e as diversas engenhocas eletroeletrônicas que invadem o mercado continuamente. Para muitos, a tecnologia ainda não é vista desvinculada de seu lado puramente instrumental.
Outra associação bastante comum é relacionar a tecnologia como uma simples aplicação prática de conceitos das Ciências Naturais e da Matemática (Acevedo Díaz, 2002). Em um modelo hierárquico, muitos costumam colocá-la como uma mera subordinada das ciências, sendo diversas vezes concebida como uma simples aplicação do conhecimento cientifico através da atividade prática, com particular referencia aos diversos procedimentos para a transformação das matériasprimas em produtos de uso ou de consumo, chegando até mesmo a defini-la como a ciência da aplicação do conhecimento para fins práticos, da ciência aplicada.Porém, muito mais do que tudo isso, devemos considerar a tecnologia como um corpo sólido de conhecimentos que vai muito além de servir como uma simples aplicação de conceitos e teorias científicas, ou do manejo e reconhecimento de modernos artefatos. Precisamos deixar bem claro que o conhecimento
tecnológico tem uma estrutura bastante ampla e, apesar de formal, a tecnologia não é uma disciplina como qualquer outra que conhecemos, nem tampouco pode ser estruturada da mesma forma.
Desta forma, com a finalidade de buscar entender e levantar as idéias e concepções que professores possuem a respeito da tecnologia e das suas conseqüências, fizemos uma revisão na literatura internacional especializada e construímos um questionário, sistematizado em uma escala de Likert. Assim, iremos apresentar aqui os resultados de um pré-teste realizado com professores, como uma primeira tentativa de estruturação de uma pesquisa mais ampla para gerar atividades pedagógicas que possam trazer contribuições para o ensino de física e matemática no ensino médio.
## METODOLOGIA DE PESQUISA E INSTRUMENTO UTILIZADO
Nosso instrumento de pesquisa caracterizou-se por uma escala tipo Likert, composta de 28 assertivas, de forma a levantar atitudes frente a um conjunto de assertivas. Para isso, os respondentes são solicitados a concordarem ou discordarem das afirmações, segundo uma hierarquia que possibilita explicitar uma opinião desde uma concordância forte até a discordância forte da afirmação. Para cada escolha é atribuída uma pontuação que varia de 1 a 10, para que se possa trata-las de forma quantitativa segundo o método estatístico conhecido com análise fatorial.
Desta forma, os dados puderam ser analisados em uma perspectiva quantitativa, segundo o método de Análise Fatorial de Componentes Principais, com rotação Varimax e Normalização de Kaiser (SPSS, 1999) usando o software SPSS (Statistical Package for the Social Scienses). Esta análise tem por objetivo identificar as estruturas d as relações entre as variáveis, buscando um menor conjunto possível de fatores, isto é, a reunião de proposições segundo a mesma tendência de correlação estatística, para se fazer julgamentos de aspectos que têm a mesma relevância frente ao conjunto de assertivas (Malhotra, 2001). Assim, pode-se separar e agregar elementos muitas vezes indistintos, obtendo uma visão integral das concepções prévias dos respondentes. Também foram realizados dois tipos de testes: teste KMO e o de esfericidade de Bartlett, para se determinar se o método de análise fatorial pode ser utilizado. Em seguida, passamos à interpretação dos fatores.
Nossa amostra foi composta por 109 professores de 8 escolas estaduais, 1 municipal e 1 particular da zona norte de São Paulo. A maioria (55 sujeitos) dá aulas a mais de 6 anos e 70 professores lecionam somente em escolas públicas. Além disso, 71 sujeitos possuem idade acima de 30 anos.
## RESULTADOS
O teste KMO resultou no valor 0,644, mostrando boa adequação dos dados para a análise fatorial. Já o teste de esfericidade mostrou significância menor que 0,0001, de forma que podemos prosseguir com a análise fatorial. Foram obtidos oito (08) fatores pelo critério de normalização de Kaiser, que, no seu conjunto, respondem por 59% (variância) da variação total dos dados. Podemos constar também que o primeiro fator explica sozinho cerca de 15,7% da variância dos dados e o segundo fator explica cerca de 10,6%. Para a composição dos fatores consideramos as variáveis com carga fatorial maior que 0,450, que representa o corte usado para o mínimo aceitável em termos de correlação. Um resumo dos resultados desta análise relacionando os oito fatores é apresentado a seguir, na tabela 1.
Tabela 1 - Matriz dos fatores rotacionada
Desta forma, após a análise quantitativa dos dados, passamos a caracterização de cada fator.
Fator 1: Visão negativa da tecnologia - A tecnologia é nociva ao meio ambiente e provoca uma crise moral e ética no mundo. Esta concepção é reconhecida por vários autores (Iglesia, 1997) como sendo uma visão 'satânica' da tecnologia, isto é, associada a intenção mal intencionada e destrutiva da humanidade.
Fator 2: Esperança de melhorias com a tecnológica: Aspectos de crença de que os produtos mais recentes, tecnologicamente falando, são melhores e a tecnologia está a serviço de coisas melhores, além de democratizar as relações sociais.
Fator 3: Confusão entre a tecnologia e o a rtefato tecnológico: Acredita-se que a tecnologia é algo material ou materializado em equipamentos e artefatos.
Fator 4: Dificuldade de compreensão da tecnologia: Os professores consideram difícil entender a tecnologia. Isto pode ser verificado pelo fato de confundir a tecnologia com o artefato.
Fator 5 Importância da tecnologia: Os professores consideram a tecnologia importante, mas torna os seres humanos mais isolados.
Fator 6: Neutralidade da tecnologia: A tecnologia é neutra à medida que é aplicação da ciência e é produzida por inventores desvinculados de um contexto de demandas de desenvolvimento.
Fator 7: Ensino: Os professores acreditam que o acesso às novas tecnologias se dá pela compra de equipamentos e estes podem ser usados para se ensinar tecnologia.
Fator 8: Domínio da tecnologia: Tem-se a crença de que por dominar a tecnologia pode-se ter mais lazer, além de tornar os produtos mais baratos.
## CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa apresentada acima, ainda está na fase de análise de um grupo de respondentes para se verificar e normalizar as interpretações dos dados, motivo pelo qual é difícil apresentarmos conclusões definitivas. Podemos constar que, ao mesmo tempo em que os professores possuem uma visão negativa dos efeitos da tecnologia sobre o meio ambiente e a sociedade, eles acreditam que a tecnologia melhora a qualidade de vida dos seres humanos. Além disso, pudemos observar uma confusão entre a tecnologia e o artefato tecnológico. Finalizando, podemos inferir, respeitando os limites impostos pela nossa amostra, que as concepções dos professores sobre tecnologia são bastante primitivas e nos dá uma noção que algo precisa ser feito para que estas concepções possam ser de alguma forma modificadas.
## REFERENCIAS
ACEVEDO DÍAZ, J. A. ¿QUÉ PUEDE APORTAR LA HISTORIA DE LA TECNOLOGÍA A LA EDUCACIÓN CTS? BIBLIOTECA DIGITAL DA OEI. DISPONÍVEL EM WWW.CAMPUSOEI.ORG. ACESSO EM 08/12/2002.
IGLESIA, P. M. (1997) Una Revisión del Movimiento Educativo Ciencia-Tecnología-Sociedad. Enseñanza de las Ciencias. Vol. 15, N. 1: 51-57.
MALHOTRA, N. K. Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 3° ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
SPSS - Statistical Package for the Social Sciences. Base 10.0 User's Guide. Chicago: SPSS, 1999.
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