FOTOGRAFIA COM LATAS E CAIXAS: RELATO DE ATIVIDADES PARA TIRAR E REVELAR FOTOGRAFIAS EM PRETO E BRANCO
Alan César Ikuo Yamamoto, Alexander Monteiro Cunha, Dirceu Da Silva, Fernanda Oliveira Simon, Estéfano Vizconde Veraszto, Jomar Barros Filho, Thiago Biagioni Velloso De Almeida
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 24/01/2005
- Linha de pesquisa
- Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
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## FOTOGRAFIA COM LATAS E CAIXAS: RELATO DE ATIVIDADES PARA TIRAR E REVELAR FOTOGRAFIAS EM PRETO E BRANCO
Alan César Ikuo Yamamoto[alan@cotuca.unicamp.br] Alexander Monteiro Cunha [amcunha77@hotmail.com] Dirceu da Silva [dirceu@unicamp.br] Estéfano Vizconde Veraszto [estefanovv@terra.com.br] Fernanda Oliveira Simon [fersimon@uol.com.br] Jomar Barros Filho [jomarbf@uol.com.br] Thiago Biagioni Velloso de Almeida [thialmeida@hotmail.com]
Faculdade de Educação - Unicamp
## RESUMO
O objetivo deste relato é disponibilizar elementos suficientes para que professores de Física e seus alunos possam tirar e revelar fotografias em preto e branco em suas escolas. Serão abordados os procedimentos básicos e os materiais necessários para obter e revelar fotografias, em preto e branco, obtidas com caixas e latas e também de negativos sensibilizados em máquinas fotográficas. As atividades foram realizadas para introdução e contextualização do ensino de óptica em uma turma do ensino médio de uma escola técnica estadual localizada no interior do Estado de São Paulo.
Palavras-chave: fotografia, revelação em preto e branco, contextualização
## INTRODUÇÃO
Muitos têm falado sobre a perda de motivação e interesse dos alunos pelos conteúdos trabalhados em disciplinas de caráter científico e há uma quantidade grande de publicações evidenciando a preocupação de educadores com esse fato. Citam-se motivos e conseqüências. A falta de interesse contribui significativamente, entre outras coisas, para o aparecimento de préconceitos e aversões em relação às ciências naturais, bloqueando a possibilidade de evolução dos estudos e diminuindo o tempo de permanência na vida escolar. As causas do desinteresse são conseqüência do tipo de trabalho que vem sendo desenvolvido em sala de aula, onde as disciplinas de uma forma geral são tratadas como um conjunto sem contextualização, fragmentado como peças soltas de um quebra-cabeça e alheio a elementos da vida cotidiana do aluno. Dessa maneira, é natural que ocorra a perda de motivação e utilidade das disciplinas.
A preocupação excessiva dos professores em cumprir todo o conteúdo que o currículo demanda, aliada a uso excessivo de definições e fórmulas acaba enfraquecendo a curiosidade intrínseca e ingênua que os alunos possuem ao chegar à escola. (Morin, 1996; Solbes e Vilches, 1997). Ao entrarem em contato com teorias apresentadas de forma sistemática e extremamente formal, onde os conhecimentos que se quer transmitir não passam de uma abordagem analítica e quantitativa, aparentemente com total desconexão da realidade (Gil-Pérez, 1998), as disciplinas de ciências passam a não lhes ter nenhum significado e nenhuma ligação com a sociedade na qual estão inseridos. Não queremos dizer que o formalismo matemático não é importante dentro do contexto das ciências naturais, muito pelo contrário, mas o que queremos enfatizar é que uma
formalidade excessiva pode ser desestimulante, assim como todo excesso o é. Queremos salientar, ainda, que a postura comum adotada em sala de aula pela maioria dos professores, que é uma postura tradicional onde se deixa transparecer uma falsa identidade neutra da ciência fazendo assim com que esta pareça desprovida de significado, precisa ser imediatamente revista e modificada. (Solbes & Vilches, 1997).
Diante desse quadro negativo, fica evidente e urgente a necessidade a introdução de mudanças para minimizá-lo ou invertê-lo. Alterações na forma de trabalho precisam ser introduzidas para que representações complexas sejam construídas e contribuam para a melhoria qualidade do aprendizado.
- O relato que ora publicamos descreve uma atividade prática que contempla a contextualização de conteúdos conceituais e procedimentais a elementos da realidade e do interesse dos alunos.
## DESCRIÇÃO GERAL
As atividades foram realizadas para introduzir o ensino de óptica em uma turma do ensino médio com 35 alunos, com o objetivo de contextualizar o assunto e despertar o interesse e a motivação dos alunos. Tratou-se de tirar fotografias com latas ou caixas. Em uma sala escura e iluminada apenas com uma fonte de luz vermelha, colocou-se papel fotográfico dentro de caixas ou latas com um pequeno orifício no lado oposto. As caixas foram cuidadosamente vedadas, inclusive o orifício que, posteriormente, seria desobstruído para a entrada da luz para sensibilizar o papel fotográfico. Cada aluno tirou uma fotografia e, dentro da sala iluminada apenas com luz vermelha, procedeu-se à revelação dos papéis através de tratamentos químicos.
## PLANEJAMENTO
A primeira aula foi destina a descrição e planejamentos das atividades a serem realizadas. Descreveram-se características dos materiais básicos necessários que cada aluno deveria providenciar e outros materiais que deveriam ser comprados em conjunto. Elegeu-se um aluno que ficou responsável pela aquisição de itens que seriam de uso comum a todos, tais como spray contendo tinta preta fosca, fita adesiva transparente, fita adesiva preta do tipo isolante e papel fotográfico para fotografias em preto e branco.
## PREPARAÇÃO DAS CAIXAS OU LATAS
Cada aluno preparou a sua própria 'máquina fotográfica' para que ela pudesse receber o papel fotográfico a ser sensibilizado pela luz oriunda de um pequeno orifício feito no lado oposto da caixa. O primeiro procedimento foi pintar o lado interno com tinta preta fosca para minimizar a reflexão de luz que pode diminuir a qualidade da fotografia. Para fazer o orifício para a entrada de luz fez -se um furo de aproximadamente 1 cm que foi coberto com papel alumínio, sendo que o 2 orifício foi feito no papel alumínio com uma agulha, pois furos menores geram imagens mais nítidas. Deixou-se apenas uma tampa aberta para que posteriormente fosse possível colocar o papel fotográfico e vedaram-se, com fita isolante, as outras possíveis entradas de luz na caixa. O orifício foi coberto por um pedaço de fita isolante que seria temporariamente removido no momento de expor o papel fotográfico à luz.
## PREPARAÇÃO DA SALA ESCURA
A sala utilizada foi o próprio laboratório de Física da escola. Todas as portas e janelas tiveram vidros e frestas cobertas com cortinas e diversas folhas de jornal fixadas com fitas adesivas. A sala ficou totalmente escura e instalou-se um holofote com filtro vermelho e lâmpada vermelha de baixa potência. Somente luz vermelha pode iluminar a sala, pois o papel fotográfico para fotografias em preto e branco não é sensível a luz desta cor.
## COLOCAÇÃO DO PAPEL FOTOGRÁFICO DENTRO DAS CAIXAS
Dentro da sala iluminada apenas com luz vermelha e com as caixas preparadas, fixou-se o papel fotográfico no lado interno e oposto ao do orifício para entrada de luz. Vedando-se as frestas com fita isolante, as caixas estavam prontas para a exposição à luz.
## EXPOSIÇÃO DO PAPEL À LUZ
Cada aluno levou a sua caixa para expor o papel fotográfico à luz e, assim, tirar uma fotografia. A exposição foi feita retirando-se a fita isolante que foi colocada para cobrir o orifício. Recomendou-se que a caixa ficasse absolutamente sem vibrações durante o tempo de exposição que, em geral, ficou entre 30 e 40 segundos, dependendo do nível de iluminação do assunto a ser fotografado e da distância entre o orifício e o papel fotográfico.
## REVELAÇÃO
Dentro da sala escura e com o auxílio da fonte de luz vermelha, procedeu-se à revelação dos papéis fotográficos. Em primeiro lugar, o papel fotográfico foi retirado da caixa ou lata e foi colocado no líquido Revelador durante poucos segundos, até que aparecesse a imagem. Tendo aparecido a imagem, com o uso de uma pinça o papel foi retirado do químico Revelador e colocado no líquido Interruptor durante 30 segundos. Depois disso, com outra pinça, o papel foi transferido do químico Interruptor para o químico Fixador, onde permaneceu por um minuto e meio. Por último, o papel foi transferido, com outra pinça, do fixador para uma bandeja contendo água, onde ficou durante 30 minutos, antes de ser pendurado em um varal para a secagem.
## RESULTADOS
A fotografia obtida é negativa, ou seja, a parte do papel que recebe mais luz fica preta e a parte que recebe menos ou nenhuma luz fica com tons de cinza ou branca.
Boa parte das fotografias teve sucesso e outra parte das fotografias não teve o mesmo êxito, por motivos tais como: tempo de exposição excessivo ou insuficiente, vibração excessiva da caixa durante a exposição, caixa com vedação inadequada, excessivo tempo de imersão no líquido revelador.
Ressalta-se que não é possível comparar a qualidade de fotografias obtidas com caixas e latas com fotografias tiradas em máquinas fotográficas. Há grande diferença, mas o resultados são satisfatórios e surpreendentes.
## MATERIAIS
- 3 Químicos (revelador, interruptor e fixador), 4 bandejas, 3 pinças, luvas, fonte de luz vermelha, papel fotográfico (observe que não é papel fotográfico para ser utilizado em impressoras de computador), fitas adesivas, spray com tinta preta fosca, tesoura, agulha, papel alumínio.
Os materiais mais específicos foram comprados em uma loja especializada em fotografias. Esse tipo de loja não é facilmente encontrado, mas os produtos podem ser facilmente comprados por telefone ou pela internet em lojas de cidades grandes ou nas capitais de Estado.
## CONSIDERAÇÕES FINAIS
De maneira geral, foi surpreendente o envolvimento e o entusiasmo dos alunos com a atividade proposta. Foram solicitadas mais aulas sobre técnicas e máquinas fotográficas, bem como novas possibilidades de repetir a atividade com caixas e latas. Também foi solicitado para que se trabalhasse na escola com revelação de fotografias a partir de negativos obtidos com máquinas fotográficas.
Consideramos que a atividade relatada atingiu o objetivo de fazer uma contextualização do estudo da luz ao atribuir significados e utilidades a conceitos de óptica, bem como contribuiu para aproximar a ciência à realidade do aluno.
## REFERÊNCIAS
GIL-PÉREZ, D. El papel de la Educación ante las transformaciones científico-tecnológicas. Revista Iberoamericana de Educación , N. 18, p. 69-90. Biblioteca Digital da OEI (Organização de Estados Iberoamericanos para a Educação, a Ciência e A Cultura, 1998, Disponível em < http://www.campus-oei.org/ >. Acesso em 17/08/2002.
MORIN, E. Ciência com Consciência . Publicações Europa-América. Portugal. p.: 7-120, 1996.
SCHISLER, M. Revelação em preto e branco . São Paulo: Martins Fontes Editora. 1995.
SOLBES, J; VILCHES, A. STS Interactions and the Teaching of Physics and Chemistry. John Wiley & Sons, Inc. Science Education . Vol 81: 377-386, 1997.
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