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Física: O conhecimento na Pré-escola.

Vagner Camarini Alves, Ana Leila Marques, Polonia Altoé Fusinato

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
24/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A FÍSICA: O CONHECIMENTO NA PRÉ-ESCOLA.

Vagner Camarini Alves [vcalves@unoeste.br] a Polônia Altoé Fusinato b [altopoly@dfi.uem.br] Ana Leila Marques [vcalves@apecnt.unoeste.br] a

a Universidade do Oeste Paulista - UNOESTE - Presidente Prudente / SP b Universidade Estadual de Maringá - UEM - Maringá / Pr

## RESUMO:

Este trabalho apresenta uma análise dos conhecimentos teóricos através de revisão de literatura, a construção do conhecimento da criança como se estrutura o ensino de ciências desde a pré-escola e o papel do professor neste processo, tendo como objetivo atualizar e avaliar os conhecimentos. As ações de conhecimento em ciências servem para capacitar e estimular as crianças a construir uma base lógica de relações humanas na formação do cidadão, levando o aluno a refletir sobre os problemas experimentais que são capazes de resolver. Ensinar não apenas conceitos pontuais, mas, ensinar a pensar cientificamente a natureza e construir uma visão de mundo mais realista e natural. Entendendo o universo em que vive, a criança irá entender com mais facilidade a ciência escondida em cada situação.

## INTRODUÇÃO

A relação da metodologia de ensino de ciências com as concepções que os alunos têm a respeito dos conhecimentos científicos e suas repercussões na formulação curricular, adquiriram extrema importâncias nos últimos anos. Da mesma forma, a história da Ciência vem adquirindo relevâncias para a metodologia de ensino.

As atividades de conhecimento em ciências servem para capacitar as crianças a construir uma base e também estimula-las a construir uma estrutura lógica e espaço-temporal, que auxiliará a estruturar outros conteúdos essenciais na formação do cidadão como um elemento da sociedade.

Sem o estabelecimento de vínculos entre a criança e a relação humana com qualidade não ocorrerá a ação formativa.

Dar oportunidade de descobrir o mundo maravilhoso que a criança nele vive, pode mostrar que a natureza é algo curioso e fascinante, e isso só pode ser oferecido ao ensinar ciência.

A variabilidade e contradições de métodos propostos no meio científico, nos levaram a realizar este trabalho, com objetivo de discutir as relações e as implicações entre a criança e a construção do conhecimento no ensino de física, analisadas neste trabalho.

## Fundamentação teórica

A filosofia educacional mais adotada no mundo moderno postula que a educação é um processo de construção e reorganização de experiências e que o propósito fundamental dos

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educadores deve ser o de proporcionar a criança um ambiente escolar e estímulos capazes de favorecer seu desenvolvimento físico e intelectual.

Através de discussões e indagações, as crianças são estimuladas a pensar e agir por si e só chegar a seus próprios pontos de vista, suas próprias conclusões, favorecendo o seu crescimento criativo e crítico.

Para viabilizar a escola, é preciso resgatar a idéia de educação que se perdeu nos corredores escolares, acreditando que um exercício profícuo e necessário, e a escola precisa urgentemente encontrar sua identidade e seu papel na formação humana.

Se não puder fazer filosofia para crianças, destruímos da sua formação o verdadeiro componente que se pode fazer com que essa educação seja significativa. E se negarmos as crianças uma educação significativa, fazemos com que continuem dominados pela ignorância, pela irresponsabilidade e a mediocridade que freqüentemente domina os adultos.

Embora a cognição e a emoção possam ser discutidas separadamente, na realidade uma não existe sem a outra. De acordo com Piaget, o bloqueio emocional que a maioria dos adultos possuem com relação a aprendizagem, é resultado de terem sido submetidos a um conhecimento forçado, preestabelecido, sem sua aceitação, quando eram crianças e, principalmente quando o estudante tem um bloqueio emocional sobre alguma coisa específica. Pode-se dizer que não há aprendizagem efetiva.

Partindo de vários recursos, o trabalho em grupo incentiva o diálogo desde o nível inicial, sendo um meio idôneo para que as crianças expressem suas idéias, aprendam a escutar as respostas dos outros, superam a sensação de o que tem a dizer é algo absurdo ou inadequado, comprovando com o grupo, de tal forma que as experiências dos demais também constitua uma aprendizagem.

Piaget considera que desenvolvimento encontra-se em permanente construção e ocorre por meio de interações que o indivíduo faz com o meio em que vive. Cada conhecimento sedimenta-se sobre os conhecimentos já adquiridos por processos de assimilação e de acomodação.

## PROPOSTA

A proposta foi aplicada em uma sala de Pré-escola durante um ano letivo, do qual pode-se observar que o objetivo de criar métodos eficientes para a instrução das crianças em idade escolar no conhecimento, sistemático, faz-se necessário entender o desenvolvimento dos conceitos científicos na mente da criança. Deve-se analisar a assimilação da informação e o desenvolvimento de um conceito científico na criança

Para responder a pergunta 'É possível ensinar física na Pré-escola?', utilizou-se de experimentos, no qual uma proposta construtivista fundamentada e fenômenos que levassem a criança a agir sobre os objetos a fim de testar hipóteses e resolver problemas propostos.

A principal função das experiências é, auxiliar o professor e a partir das hipóteses e conhecimentos anteriores, ampliar o conhecimento do aluno sobre fenômenos naturais e fazer com que ele as relacione com sua maneira de ver o mundo.

Organizou-se experimentos de forma a possibilitar ao aluno agir sobre o objeto e observar a reação deles. A criança inicia a estruturação de sua observação sobre as propriedades dos objetos agindo sobre eles e observando a regularidade de suas reações. O aluno deve ser capaz de variar sua ação, se não há uma correspondência direta entre as variações nas ações e reações.

Deve-se tomar cuidado de escolher fenômenos em que a reação do objeto possa ser perfeitamente visível para os alunos, para que eles tenham condições de observar as regularidades das ações, a reação do objeto deve ser imediata. Esse é um dos motivos pelos quais as atividades envolvendo os movimentos são as mais interessantes para os alunos das séries iniciais.

As atividades foram divididas em:

Ar: Ação e reação utilizando carrinho e balão de aniversário e o ar ocupa espaço utilizando um copo transparente e rígido e um recipiente com água;

Água: dar noção de densidade e empuxo utilizando folha de papel alumínio para construir barcos e recipiente com água;

Equilíbrio: com placas quadradas (vinil, plástico, papelão e etc) para equilibrar e perceber o equilíbrio de um corpo não coincide com o centro;

Movimento: com choques e colisões da a idéia de quantidade de movimento e impulso, utilizando bolinhas e carrinhos, atividades com pêndulos;

Magnetismo: atividades que mostram a atração magnética, o poder de atração dos imãs, utilizando imãs naturais, alfinetes, pregos, parafusos e demonstra o campo de força magnética com uso de caixa de fósforos e dois imãs.

Todas as atividades propostas foram trabalhadas em grupos compostos de 4 ou 5 alunos, buscando além da construção do conhecimento, a socialização do indivíduo.

## ANÁLISE DOS RESULTADOS

Todas as experiências deverão levar os alunos ao sentido do conhecimento científico, Assim, por mais seguros que estejamos na proposição de um novo problema, é necessário ao introduzi-lo pela primeira vez em uma aula, verificar cuidadosamente se os alunos não apenas se envolvem com entusiasmo na procura de sua solução, mas também, por meio de suas falas, de suas reflexões e conseguem chegar a uma explicação coerente.

Ao tentar resolver as atividades, os alunos se envolvem intelectualmente com a situação física apresentada, constroem suas próprias hipóteses, tomam consciência da possibilidade de testalas, procurando as relações causais, elaborando os primeiro conceitos, construindo o conhecimento socialmente adquirido.

Observando cada grupo de criança, nota-se que a socialização do conhecimento se faz presente durante todo o processo, desde a montagem das atividades até a teorização do fenômeno físico e os conceitos espontâneos de cada criança. Entretanto, como todo conhecimento é a resposta

a uma indagação, modifica-se a atividade demonstrativa num problema que têm de resolver, permitindo que as próprias crianças tirem suas conclusões.

## CONCLUSÃO

Pode-se concluir com este trabalho que sempre que os alunos, mesmo nas séries iniciais, contextuem os fenômenos abordados em sala de aula, o importante é que o professor coordene as discussões. Através destas atividades percebe-se que mesmo alunos mais novos são capazes de resolver problemas de conhecimento físico. Mais do que isso, são capazes de construir suas explicações causais.

Saber propor novos problemas é uma habilidade importante a ser desenvolvida pelos professores e, apesar de não ser trivial, é possível coloca-la em prática, principalmente se houver condições de trabalho interdisciplinar.

Quando levamos os alunos a refletir sobre os problemas experimentais que são capazes de resolver, ensinamo-lhes, mais do que os conceitos pontuais, ensinamos a pensar cientificamente a natureza e a construir uma visão de mundo mais realista e natural. Entendendo que o universo e m que vive, a criança irá entender com mais facilidade a Ciência 'escolhida' em cada situação vivenciada em seu cotidiano.

## BIBLIOGRAFIA

BARBOSA, M. C. Física para crianças através de experiências de raciocínio. In: XIV SNEF, 2001, Anais… Natal, 2001.

CARVALHO, A. M. P. de, et al. Ciências no ensino fundamental. São Paulo: Scipione, 1998.

CAVALCANTE, M. A. Magnetismo para criança. Física na Escola , v.1, n.1, São Paulo: SBF, 2000.

CONSTANCI, K. Piaget para a educação pré-escolar. 2ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

FROTA, P. R. de O.; ALVES, V. C. Conversando com quem ensina, mas pretende ensinar diferente ... . Florianópolis: Metrópole/UNOESTE, 2000.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 3ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

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