ANÁLISE DAS DIFICULDADES PARA A IMPLEMENTAÇÃO DAS HABILIDADES E COMPETÊNCIAS NA PRÁTICA
Fernanda Oliveira Simon, Thiago Biagioni Velloso De Almeida, Dirceu Da Silva, Alan César Ikuo Yamamoto, Jomar Barros Filho, Estéfano Vizconde Veraszto
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 24/01/2005
- Linha de pesquisa
- Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
- Tipo
- Pôster
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## ANÁLISE DAS DIFICULDADES PARA A IMPLEMENTAÇÃO DAS HABILIDADES E COMPETÊNCIAS NA PRÁTICA
Fernanda Oliveira Simon [fersimon@uol.com.br]
Thiago Biagioni Velloso de Almeida [thialmeida@hotmail.com] Dirceu da Silva [dirceu@unicamp.br] Alan César Ikuo Yamamoto[alan@cotuca.unicamp.br] Jomar Barros Filho - [jomarbf@uol.com.br] Estéfano Vizconde Veraszto [estefanovv@terra.com.br]
Faculdade de Educação - Unicamp
## RESUMO
O objetivo deste trabalho é investigar quais são as Habilidades e Competências que licenciandos e professores da 5º a 8º séries do ensino fundamental consideram mais difíceis de serem implementadas na prática. Para isso, compomos um instrumento de pesquisa, baseado numa escala Likert. Os dados foram analisados quantitativamente pelo método estatístico de análise fatorial de componentes principais com rotação Varimax e normalização de Kaiser. Assim, obtivemos seis fatores buscando a interpretação das possíveis correlações entre as habilidades e competências apresentadas no instrumento de medida. Em seguida, identificamos quais destas habilidades e competências são mais difíceis de serem implementadas. Ao final, frente aos resultados, apresentamos algumas considerações acerca destas dificuldades.
Palavras - chave: ensino fundamental, habilidade e competências, dificuldades.
## INTRODUÇÃO
Nesta sociedade de rápidas transformações, os antigos paradigmas estabelecidos têm sido colocados em xeque. O professor que dominava todo o conteúdo e cuja dinâmica em sala de aula consistia na aplicação de algumas técnicas tem dado lugar a um novo tipo de profissional, capaz de mobilizar os conhecimentos, transformando-os em ação (Hargreaves, 2000; MEC 2002). Hoje, há a necessidade de um professor profissional capaz de organizar situações de aprendizagem, que tenha responsabilidade e autonomia para tomar decisões e que seja capaz de refletir sobre sua própria ação. Desta forma, o ofício artesanal em que se aplicavam técnicas e regras, tem se transformado numa profissão, em que cada um constrói suas estratégias de ensino, com a mobilização de conhecimentos.
Essa mobilização de conhecimentos é o que Perrenoud (1999) chama de competência. Desta forma, para atender ao novo paradigma que se coloca são listadas nas Diretrizes Curriculares (MEC, 2002) diversas habilidades e competências tidas como necessárias para a formação de um professor profissional.
No entanto, quais destas habilidades e competências os professores conseguem efetivamente colocar em prática? Assim, iremos apresentar aqui os resultados de um pré-teste realizado com licenciandos e professores de ciências da 5º a 8º séries do ensino fundamental, como uma primeira tentativa de estruturação de uma pesquisa mais ampla para identificar as dificuldades que os professores possuem para a implementação destas novas habilidades e competências na prática.
Desta forma, nosso objetivo nesta pesquisa foi levantar quais são as Habilidades e Competências que os professores e licenciandos consideram mais difíceis de serem implementadas.
## AMOSTRA
Nossa amostra foi composta por 2 12 professores e licenciados de Ciências da 5º a 8º séries ensino fundamental, que se formaram (ou estão se formando) em sua maioria (71%) em universidades públicas do Estado de São Paulo. Cerca de 44% dos sujeitos têm idade até 24 anos, 31% têm idade entre 25 e 35 anos e 25% têm idade acima de 35 anos. A maioria (57%) ainda não dá aulas e 73% não possuem qualquer tipo de pós-graduação.
## INSTRUMENTO UTILIZADO E ANÁLISE DOS DADOS
O instrumento contou com 42 assertivas que deveriam ser respondidas através de uma escala tipo Likert. Esta escala, construída por Rensis Likert em 1932, é um instrumento que busca levantar atitudes frente a um conjunto de assertivas. Para isso, os respondentes foram atribuir um grau de dificuldade desde impossível de realizar até muito possível de realizar para cada assertiva. Especificamente em nosso caso, as assertivas são algumas habilidades e competências. Para cada escolha é atribuída uma pontuação que varia de 1 a 10, para que se possa trata-las de forma quantitativa segundo o método estatístico conhecido com análise fatorial.
Os dados foram analisados em uma perspectiva quantitativa, segundo o método de Análise Fatorial de Componentes Principais, com rotação VARIMAX e Normalização de Kaiser (SPSS, 1999) usando o software SPSS (Statistical Package for the Social Scienses). A análise dos dados segundo este método, visou a busca de um conjunto menor possível de fatores, isto é, a reunião de proposições segundo a mesma tendência de correlação estatística (Pasquali, 2003). Às vezes, os fatores não são facilmente interpretáveis, mesmo após a sua rotação. Neste sentido, a interpretação dos fatores acaba tendo um componente de subjetividade, podendo variar de pesquisador para pesquisador numa mesma análise. Também foram realizados três tipos de testes: teste KMO e o de esfericidade de Bartlett, para se determinar se o método de análise fatorial pode ser utilizado, e o teste de confiabilidade interna dos dados (alfa de Cronbach), para verificar se os dados não têm vieses significativos. Em seguida, passamos à interpretação dos fatores e identificamos quais habilidades e competências os professores e licenciandos consideram mais difíceis de serem implementadas na prática.
## RESULTADOS
O teste KMO resultou no valor 0,916, o qual é elevado, mostrando também boa adequação dos dados para a análise fatorial. Já o teste de esfericidade mostrou significância menor que 0,0001, valor inferior a 0,05, o que se conclui que a matriz de correlações não é a matriz identidade, e podemos prosseguir com a análise fatorial.
Foram obtidos seis (06) fatores pelo critério de se considerar os mesmos com "eigenvalue" maior que 1,0. Estes fatores, no seu conjunto, respondem por 61,8% (variância) da variação total dos dados. No entanto, observamos que o primeiro deles explica sozinho cerca de 39,7% da variância dos dados. Já análise de consistência interna resultou no valor α =0,9504, que é adequado, pois é maior que 0,7, que é o valor mínimo aceitável para garantir a consistência interna dos dados.
Um resumo dos resultados da análise fatorial relacionando os seis fatores será apresentado a seguir, na tabela 1. Na composição dos fatores consideramos as variáveis com carga fatorial maior que 0,500, que representa o corte usado para o mínimo aceitável em termos de correlação.
Tabela 1 - Matriz dos fatores rotacionada
Assim, após a análise quantitativa dos dados, passamos a caracterização de cada fator. O fator 6 possui valor de alpha de 0,5569, sendo muito baixo para considera-lo em nossa interpretação. Desta forma, as características que nós atribuímos aos fatores são:
Fator 1: Formulação de atividades de ensino -O professor deve saber propor problemas adequados ao nível dos alunos, levando em consideração suas concepções espontâneas. Deve também reconhecer dificuldades e limitações do currículo habitual para desenvolver projetos novos, que mostrem a ciência como atividade humana, social, política e econômica, de fomar a criar nos alunos a consciência a respeito da utilização dos recursos naturais, mostrando os riscos e benefícios na aplicação dos conhecimentos científicos.
Fator 2: Atividades opcionais -Trabalhando em equipe com os colegas o professor deve desenvolver nos alunos hábitos de auto cuidado, auto estima e respeito ao outro, realizando atividades opcionais que possam estimular as divergências, prevenindo assim a violência e suscitando nos alunos o desejo de aprender.
Fator 3: Motivação - O professor deve ter domínio do conhecimento pedagógico, sabendo motivar os alunos a participarem das aulas, de forma a controlar a disciplina da classe.
Fator 4: Formação continuada - O professor deve administrar a progressão das atividades, atualizar-se e ter uma formação contínua.
Fator 5: Avaliação - O professor precisa, dentro da heterogeneidade de uma turma, saber utilizar a avaliação como mecanismo de aprendizagem, desenvolvendo a cooperação mútua entre os alunos e trabalhando também com alunos portadores de grandes dificuldades.
## CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos observar que nossos sujeitos consideraram fácil de serem implementadas as habilidades referentes à formulação das atividades de ensino (fator 1). Uma hipótese para justificar esta facilidade pode residir no fato deste tipo de trabalho depender somente da ação do professor, ou seja, é ele quem formula as atividades de ensino de forma a levar em conta as concepções espontâneas dos alunos e considerar as limitações do currículo habitual. Além disso, é o professor quem prepara e corrige as provas. As habilidades mais difíceis de serem realizadas, no entanto, referem-se à formação continuada e a formulação das avaliações (fatores 4 e 5). Isso pode ser explicado talvez pelo número excessivo de aulas dos professores, que acabam tendo pouco tempo para investir em sua formação e manter-se atualizado. No que se refere às avaliações a dificuldade dos professores pode residir no fato de que é muito difícil formular uma avaliação que leve em conta a heterogeneidade da turma. Além disso, torna-se complicado quando se tem um grande número de turmas, utiliza-la realmente como um mecanismo de aprendizagem e feedback e não como um aspecto burocrático do trabalho.
## REFERÊNCIAS
BRASIL -MEC. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Parecer CNE/CP 9/2001. Diário Oficial da União, Conselho Nacional de Educação, Brasília, DF, 18 jan. 2002. Seção 1, p. 31. Disponível em: www.mec.gov.br.
PASQUALI, L. Psicometria: Teoria dos testes na Psicologia e na Educação. Petrópolis: Editora Vozes, 2003.
HARGREAVES, A. Os professores em tempos de mudança . Lisboa: Mc Graw-Hill, 2000.
PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola Porto Alegre, Artmed, 1999. .
SPSS - Statistical Package for the Social Sciences. Base 10.0 User's Guide. Chicago: SPSS, 1999.
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