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AVALIAÇÃO E ENSINO DE FÍSICA: UMA PESQUISA EXPLORATÓRIA SOBRE A CONCEPÇÃO DE AVALIAÇÃO NUMA ESCOLA DE NÍVEL BÁSICO.

Alexandre De Souza Oliveira, Antônio Ricardo Lima Torres, Israel Maxson Ribeiro, Joatã De Oliveira Batista, Sérgio Orlando De Souza Batista, José Ricardo Da Silva Alencar

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
24/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AVALIAÇÃO E ENSINO DE FÍSICA: UMA PESQUISA EXPLORATÓRIA SOBRE A CONCEPÇÃO DE AVALIAÇÃO NUMA ESCOLA DE NÍVEL BÁSICO

Alexandre de Souza Oliveira a [aleso@ufpa.br]

Antônio Ricardo Lima Torres a [antonioricardolt@yahoo.com.br] Israel Maxson Ribeiro a [israelphysics@yahoo.com.br] Joatã de Oliveira Batista a [alesoli@hotmail.com.br] Sérgio Orlando de Souza Batista a [jrsalencar@bol.com.br] José Ricardo da Silva Alencar b [jrsalencar@ig.com.br]

a Licenciando em Física - Universidade Federal do Pará

b Professor da Universidade Federal do Pará - Centro de Educação e Mestrando em Educação em Ciências e Matemática do NPADC

## RESUMO

Descrevemos uma experiência de pesquisa exploratória que procurou inferir quais concepções de alguns atores de uma instituição escolar de Ní vel Fundamental possuem sobre a avaliação da aprendizagem dos alunos. A mesma foi realizada e registrada por um grupo de alunos do curso de licenciatura em Física da Universidade Federal do Pará sobre a orientação do professor de Prática de Ensino de Física que fizeram uso de questionários para analisar o discurso dos atores envolvidos (diretor, orientado e supervisor educacional, professor, aluno). A pesquisa depreendeu algumas conclusões referentes à concepção de avaliação que esta escola vivencia. Também, iluminou certos aspectos da prática docente aos alunos pesquisadores e o professor da disciplina Prática de Ensino de Física tais como: Os métodos de avaliação não satisfatórios, problemas em implementação de uma avaliação diferenciada da tradicional (classificatória e somativa), questões salariais como fator depreciativo do trabalho escolar, infra-estrutura escolar com graves problemas operacionais. Enfim, a concretização do pacto de mediocridade: 'Nas escolas públicas, a diretora finge que dirige, o professor faz de conta que ensina e os alunos fazem de conta que aprendem' . Também se inferiu que a investigação da práxis escolar é, portanto, de suma importância no desenvolvimento do ensino de física para a busca da formação de um ser humano que seja emancipado - crítico e agente de transformação social pois pode apontar rumos mais libertadores a serem seguidos pelos envolvidos no processo educacional do País.

## O CONTEXTO

A experiência de pesquisa que relataremos ocorreu no desenvolvimento da disciplina Prática de Ensino de Física , no curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal do Pará. A disciplina faz parte das atividades obrigatórias para formação dos licenciados com o objetivo de favorecer uma formação docente compatível com a realidade educacional que promova a formação da professor pesquisador como qualidade constitutiva da práxis docente. Esta pesquisa foi realizada num contexto de escola pública de Ensino Fundamental (8ª série) da rede de escolas oferecidas pelo governo do estado do Pará durante o primeiro semestre do ano de 2004.

## REFERENCIAL TEÓRICO

1

Por muito tempo, vem-se propondo teorias sobre avaliação escolar, teorias que passaram a ter grande influência no Brasil nos anos de 1960. Tais contribuições vêm cada vez mais facilitando a compreensão da avaliação e de sua prática real no dia a dia da escola (GAMA, 1993). Dentre as várias concepões de avaliação, escolheu-se destacar a conceituação levantada por Michael Scriven que usa a expressão avaliação formativa e que, basicamente, consiste numa avaliação de caráter contínuo, priorizando a qualidade no processo de aprendizagem, onde o desempenho do aluno é aolongo-de-todo-o-ano e, não apenas, numa prova ou num trabalho escrito com caráter mais estático. Só com observação sistemática, o educador consegue aprimorar as suas atividades de classe e potencializar uma aprendizagem significativa para os alunos. Assim, é importante termos em mente que a avaliação escolar não deve ser vista como um determinante se o aluno será aprovado ou reprovado, ou melhor, se o aluno conseguiu atingir certo 'nível' de aprendizagem, mas sim, ter em conta os diferentes aspectos dos partícipes do processo de ensino e aprendizagem e seu desenvolvimento cognitivo neste.

Alguns educadores vêem a avaliação formativa como uma oposição à avaliação tradicional, também conhecida como classificatória ou somativa, que se caracteriza por ser a avaliação aplicada ao final de um conteúdo, com um único objetivo, o de definir uma nota ou de estabelecer um conceito: aprovado ou reprovado . Na verdade, entendemos que as duas não são opostas, apenas servem para fins diferentes. A avaliação somativa possui um caráter classificatório, relaciona os alunos e a 'quantidade' de conteúdo que eles conseguem expressar em determinado momento (aplicação de uma prova escrita ou oral, seminário, redação de um texto), sendo esta a utilizada no caso de um processo seletivo para entrada em Universidades - o famoso e famigerado vestibularou de outros concursos, enquanto que a formativa é muito mais adequada ao dia a dia de uma sala de aula, pois procura ao longo da inter-relação com colegas e professor diagnosticar o desenvolvimento cognitivo do aprendiz. Esta última, por nós conceituada, deveria se fazer mais presente na práxis escolar com mais intensidade que a somatória.

## A PESQUISA

Que tipos de avaliação estão presentes numa sala de aula durante a disciplina de física? A partir deste questionamento buscou-se averiguar que concepção de avaliação possuem/possuíam alguns atores do meio escolar (Diretor, Coordenador pedagógico, professor de física, alunos) por meio de questionários estruturados. A escola é localizada num bairro do município de Ananindeua, do Estado do Pará. Os alunos, em geral, moram em bairros periféricos e boa parte têm que trabalhar durante o período que não estão na escola para ajudar a complementar a renda familiar além de conviverem com a violência em seus bairros. A pesquisa foi planejada para ser executada em um curto período de tempo (menos de um bimestre) com turmas de 8ª série do Nível Fundamental por ser um 'primeiro contato formal' com a disciplina física. Utilizou-se de pesquisa qualitativa exploratória, sendo que foram feitas questões abertas com a diretora, supervisora e orientadora da escola, tais como: Qual a importância da avaliação para a educação? Como é que o corpo técnico procede quando se é identificado problemas no desempenho dos alunos a partir dos resultados das avaliações? Como os alunos são avaliados? Como se sabe que esse tipo de avaliação é eficiente para a formação dos alunos? Foram, também, elaboradas algumas perguntas direcionadas aos professores para conhecer quais os métodos avaliativos e os resultados obtidos com seus aluno, desta forma foram feitas questões tais como: Qual o método avaliativo empregado em seu trabalho? Quando a maioria dos alunos 'fracassam' numa prova como é feito o procedimento para ajudar-los a se recuperarem? Há alunos desinteressados pela sua disciplina, como você orienta esses alunos? A utilização de novas atividades contribuiu para se melhorar a qualidade de aprendizagem dos alunos? .

## ANÁLISE DOS DEPOIMENTOS

Ao realizar a análise dos depoimentos usamos as seguintes categorias de avaliação: Instrumentos utilizados para realizar a avaliação, resultados esperados à realização da avaliação, desempenho dos alunos e dificuldade de avaliar.

- 1) Instrumentos de avaliação: Percebemos que o método de avaliação da aprendizagem utilizado pela escola se restringe apenas a provas, trabalhos escritos ou expositivos respeitando um calendário pré-estabelecido para a aplicação da avaliação. Outro detalhe importante do depoimento do corpo técnico é que para eles, avaliar é medir o grau de dificuldade dos alunos na compreensão dos conteúdos ministrados, pois como declara a diretora: 'a avaliação é uma das maneiras que nós, do corpo técnico da escola, possuímos para identificar quais as matérias os alunos apresentam grandes dificuldades'. Assim, pode-se depreender que a escola (corpo técnico) apresenta um conceito limitado de avaliação.
- 2) Resultados da avaliação: Todos sem exceção se preocuparam apenas em quantificar os desempenhos através de notas. Percebemos também que o corpo docente não utiliza pareceres para representar os resultados, análise percebida no depoimento abaixo: 'em nossa escola a avaliação é de certa forma livre, no sentido de que o professor tem a liberdade de distribuir a pontuação em trabalhos, escritos ou expositivos e claro que numa prova escrita, sendo que sobre o conteúdo trabalhado naquela avaliação.'
- 3) Desempenho do aluno: Apesar da escola aplicar um processo de recuperação por semestre, com o objetivo de recuperar apenas a nota necessária para que o aluno seja aprovado ao final do ano, elas são ineficientes quanto a seu objetivo, pois é improvável que numa única prova escrita se consiga 'recuperar' o conteúdo de um semestre. Percebemos nos comentários que o objetivo principal da escola para o aluno, é prepará-lo para o vestibular, como podemos perceber nos depoimentos: 'temos duas avaliações e uma recuperação paralela no primeiro semestre e no segundo semestre também duas avaliações e a recuperação final para os alunos que não alcançarem a pontuação para passar de ano' e, também, 'o meu método avaliativo é (...)visando uma preparação para a prova do vestibular(...) ', de outras afirmações do tipo.
- 4) Dificuldades da avaliação: Tanto o corpo técnico da escola quanto os professores apontam que por falta de recursos e, no caso dos professores que possuem muitas turmas com grande quantidade de alunos são impossibilitados de aplicar o método de avaliação formativa, tal fato pode ser percebido num fragmento do depoimento: 'apesar de não termos tantos recursos, mas fazemos o melhor possível nesse sentido(...) '

## ALGUMAS CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES

A pesquisa nos apontou algumas idéias referentes à concepção de avaliação nesta escola, quanto aos seus objetivos. Embora se leve em conta o curto período de aplicação, é importante salientar que mesmo com formação na área de educação (Pedagogia), corpo técnico e docente não apresentaram de forma clara e consistente uma conceituação de avaliação. Percebeu-se uma busca de justificar as 'falhas de seus trabalhos' através das incoerências do processo seletivo empregado pelas universidades, pelas condições de trabalho que lhes eram oferecidas e, principalmente, pelos

baixos salários. Verificamos, ainda, um distanciamento (isolamento) entre o corpo técnico e os acontecimentos que ocorrem em sala de aula, raramente ocorre comunicação entre os alunos e corpo técnico.

Quantos aos professores, existem aqueles não preocupados com a qualidade do ensino, lencionam com duvidosa qualidade, ou seja, quase sempre não preparam as suas aulas e se restringem somente a executarem provas escritas, usam o que são por eles denomidados de atividade extra classe, como trabalhos para substituírem as notas baixas dos seus alunos com a mais completa aceitação por parte do corpo técnico, fazendo valer o seguinte comentário de um professore: '(...) Nas escolas públicas, a diretora finge que dirige, o professor faz de conta que ensina e os alunos fazem de conta que aprendem '.Daí, constatamos a falta de clareza na identidade institucional, pois uma escola realmente só é dita de qualidade se consegue aprovar muitos alunos no vestibular e, o que nos deixa mais intrigados, é o fato de ocorrerem cobranças 'formais' no sentido de tornar maior o número de aprovados no vestibular como forma de mostrar a boa qualidade.

Um outro problema apontado é o fato de que os professores dizem não poder utilizar uma avaliação contínua durante o ano porque possuem muitas turmas. Atribuindo, também, a seus salários baixos, a falta de engajamento na melhoria deste processo que se mostra excludente em seus resultados, pois nem ocorre grande aprovação no vestibular por parte dos alunos desta escola, nem ocorrem perspectivas de mudança nessa prática de avaliação classificatória ou somatória. Mesmo com todo este discurso que valida os métodos de avaliação praticados, estes não se mostram satisfatórios para todas as partes envolvidas. É necessário repensarmos não somente a avaliação da aprendizagem como, também, na questão da Educação, da Alfabetização Científica em nosso País, em nosso Estado, em nossa cidade que cada vez mais é conivente com o colapso e exclusão de nossa juventude, seja no âmbito financeiro, social ou cultural.

Podemos citar algumas sugestões já há muito cobradas nos discursos sobre a Educação: uma melhor preparação dos educadores na sua formação inicial de forma a romperem com a racionalidade técnica ainda tão presentes nas Universidades; implementação de formação continuada a todos os docentes da rede pública, bem como do corpo técnico; nas Escolas de Nível Básico e Superior, melhorar as condições materiais, salários, contratação de mais professores, instrumentalização do ambiente escolar a possibilitar abordagens mais emancipadoras do ensino; ter como paradigma de formação um cidadão crítico-transformador pois, assim, não se precisaria. Acreditamos que ainda se pode dar um melhor rumo à sociedade que aí está, mesmo com o nível de exclusão social elevado, uma mudança de atitude interna (professores e alunos) e externa (corpo técnico, autoridades políticas, etc) deve se fazer presente neste início de milênio para podermos dar maiores saltos no desenvolvimento da sociedade humana.

## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saber necessário a pratica educativa . Paz e Terra, 1997.

GAMA, Zacarias Joegger. Avaliação na Escola de 2º Grau .Campinas, SP: Papirus, 1993.

LUCKESI, C. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1995.

SOUZA, Tadeu Clair Fagundes de. Avaliação do Ensino de Física um compromisso com a aprendizagem . Passo Fundo, RS: Universidade de Passo Fundo, 2002.

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