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007 - PERMISSÃO PARA EDUCAR UMA APLICAÇÃO DE RECURSOS DE MÍDIA NO ENSINO DA FÍSICA

Wagner De Souza, Lígia De Farias Moreira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
27/01/2005
Linha de pesquisa
Tecnologias (Laboratório, Vídeo E Informática) No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## 007 - PERMISSÃO PARA EDUCAR UMA APLICAÇÃO DE RECURSOS DE MÍDIA NO ENSINO DA FÍSICA

Wagner de Souza [profwagner@hotmail.com] a Lígia Farias Moreira [ligia@if.ufrj.br] b

a Centro de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, Colégio Pedro II, Núcleo de Iniciação Científica Júnior do CAp / UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

b Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Física, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

## RESUMO

Uma revolução do audiovisual na escola vem sendo anunciada há muitos anos, porém ainda está longe no horizonte o dia no qual a educação utilizará estes recursos plenamente. Para minimizar este problema, propomos neste projeto, a construção de um material didático, baseado no vídeo e na animação de computador, dentro de uma metodologia adequada à realidade das escolas brasileiras. Com base no avanço da tecnologia de digitalização de vídeo e na popularização de softwares de animação esperamos ajudar o educador do Ensino Médio na elaboração destas ferramentas de auxílio aos seus alunos. Descrevemos a digitalização e a edição de trechos de filmes do 007 e sua transformação em material didático. A metodologia consiste na problematização em sala de aula dos temas envolvidos no filme (problemas abertos) e na análise dos conceitos físicos envolvidos com base numa pedagogia crítica. A partir das idéias contidas nos vídeos geramos animações em Flash que esperamos sejam usadas pelos educadores quando da exposição formal dos conceitos.

## INTRODUÇÃO

Consiste na implementação de uma metodologia para o Ensino da Física pautada na utilização de problemas abertos (AZEVEDO, 2004) a serem introduzidos nas aulas por novas tecnologias (recursos audiovisuais) adaptados à realidade das escolas brasileiras. Apresentamos este projeto diante da necessidade crescente por novas abordagens e metodologias para o Ensino da Física que atendam as necessidades da sociedade contemporânea, de encontro ao que aponta a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), na figura das sugestões propostas nos PCNEM (1999).

As novas tecnologias, a que nos referimos, servem como novos vetores para as antigas práticas pedagógicas da sala de aula. Diversas pesquisas na área educacional (BARBETA e YAMAMOTO, 2001 e 2002; CAMILETTI e FERRACIOLI, 2001; GUERRINI, 2002; MEDEIROS e MEDEIROS, 2002; ROSA, 1995 e 2000; et al) têm mostrado a eficácia da aplicação de métodos audiovisuais no Ensino de Ciências, propomos aqui que estes novos métodos venham acompanhar o ensino tradicional para enriquecer a prática pedagógica e proporcionar um ganho significativo para a educação em ciências. O objetivo deste trabalho é agregar ao Ensino de Física o uso do vídeo e da animação em computador dentro de uma proposta pedagógica contextualizada que envolve a pedagogia crítica (GIROUX, 1997) e a multidisciplinaridade. Para isso foram utilizadas técnicas de edição de vídeo não-linear (com o auxílio do software Adobe Premiere 6.0 ) e construção de animações (no programa Macromedia Flash MX ). O projeto se baseia na seleção e edição de trechos de filmes de cinema em que os temas científicos são tratados de forma grosseira e muitas vezes equivocada. Para a realização de um projeto deste tipo encontramos a disposição um rico e abundante material, visto que qualquer filme contemporâneo apresenta algum trecho no qual conceitos físicos aparecem corretamente aplicados ou não. Esperamos com isso despertar nos estudantes uma motivação a mais para o estudo das ciências, posto que o cinema é uma prática cotidiana dos habitantes das cidades e a televisão leva esse tipo de diversão diretamente às famílias

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todos os dias. Propomos a adequação do vídeo ao ensino dos tópicos tradicionais da Física conduzindo as discussões dos temas em sala de aula de forma crítica , ajudando os jovens a desenvolverem uma postura de apreciação questionadora em relação ao que a cultura televisiva propaga como verdades absolutas. Como as cenas de cinema apresentam - na sua grande maioria problemas abertos, a discussão pode não limitar-se ao ensino na Física e acabar englobando outras áreas do conhecimento, o que proporciona um bom gancho para confecção de trabalhos multidisciplinares com os educadores de outras áreas. Depois de separadas e editadas, as cenas serviram de pano de fundo para construção de uma animação em computador que tem por objetivo auxiliar o aprendiz no entendimento do modelo físico. Desta forma o problema é apresentado após a simplificação de alguns parâmetros a fim de ressaltar a visualização dos conceitos mais simples e gerais. O objetivo da animação é ajudar a entender e aplicar as equações e modelos, conduzindo o entendimento para além da abstração do aprendiz.

Almejamos com este trabalho confeccionar uma referência de boa qualidade, principalmente para a geração de material de mídia eletrônica, que venham a auxiliar os educadores do Ensino Médio. Esperamos que esta proposta seja vista como um complemento, posto que ela não agride em nada a liberdade de criação do educador e que também pode ser adequada a qualquer conteúdo didático, até mesmo de outras disciplinas que não a Física.

## EXEMPLO DE APLICAÇÃO

Para a construção deste projeto, analisamos trechos dos filmes de uma personagem de ficção e aventura muito popular: James Bond, o 007. A escolha desta personagem e de sua filmografia se justifica por diversos fatores, dentre eles podemos destacar o f ato de se tratar de uma figura comum na cultura cinematográfica a mais de 40 anos, contando com mais de 20 filmes os quais vem há anos gerando discussões e controvérsias a respeito das cenas de ação. Encontramos em tais filmes um bom material a ser trabalhado em aulas de Física.

A cena analisada consta do filme '007 - Contra Goldeneye'. James Bond tem que escapar e a única saída é através de um precipício. Um avião monomotor é o único vetor de fuga. No decorrer da cena, o avião cai do precipício arremessado horizontalmente sem ninguém no controle. 007, pilotando uma moto, salta em seguida atrás do avião. Durante a queda a personagem alcança o avião, entra nele, manipula o manche fazendo a aeronave dar uma 'guinada' e alçar vôo.

Esta cena é muito interessante porque proporciona a possibilidade de várias discussões físicas. Ressaltamos que podem ser tratados diversos conceitos como a queda dos corpos, a variação do momento, a resistência do ar e sua influência na queda e até mesmo uma idéia superficial do torque. Um fato interessante que deve ser considerado é a concepção prévia do aluno com respeito a esta cena. As pessoas de um modo geral se referem a ela como absurda alegando que 'o avião é mais pesado que o homem e por isso deve cair antes'. Propomos o seguinte questionamento aos alunos: É possível o homem alcançar o avião, caindo depois dele como no filme?

Como se trata de um problema aberto, o caminho escolhido é conduzir as discussões a fim de simplificá-lo. Como elemento auxiliador recorremos ao uso da animação (Figura 1).

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## FIGURA 1

Nela mostramos o movimento de uma bolinha em três momentos: no lançamento vertical, no lançamento horizontal e na composição destes movimentos. Através do rastro deixado pela bolinha o professor pode mostrar os três movimentos. Salientamos que neste modelo as forças de atrito foram desconsideradas.

Como o objetivo da cena é ocorrer um encontro entre os dois corpos envolvidos pode-se propor aos alunos que reúnam os elementos conceituais necessários para que isto ocorra. Neste caso pretendemos discutir o encontro fundamentado em dois aspectos: a velocidade horizontal e a velocidade vertical de queda.

Analisamos a velocidade horizontal editando a cena. A Figura 2 ilustra o fato:

FIGURA 2

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Haveria um meio possível do homem superar o problema do tempo e, além disso, ganhar velocidade horizontal? Para que isto acontecesse poderíamos conduzir a análise agregando a ela a resistência do ar. As dimensões da análise quantitativa a respeito desta força para o Ensino Médio são pequenas, devido principalmente a dificuldades matemáticas. Porém utilizando uma análise mais qualitativa são possíveis grandes avanços nesta questão. Afinal, não basta para o Ensino Médio que o educador negligencie um fato tão presente na vida cotidiana como a força de atrito em corpos que se movimentam dentro de fluídos. Procuramos mostrar a resistência do ar ao desenhar no vídeo os vetores que representam as forças atuantes nos dois corpos do nosso problema.

FIGURA 3

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É possível discutir a possibilidade, embora pouco provável, que o avião atinja a velocidade terminal antes do homem. Desta forma o homem ganharia o tempo perdido no salto.

Uma outra questão é como James Bond poderia alcançar o avião na horizontal se ele não partiu com velocidade suficiente para tal. Neste momento, esperamos ajudar o aluno a visualizar que isto é possível variando o momento linear . Uma variação de momento linear num determinado intervalo de tempo é a responsável por uma força, e conseqüentemente por uma aceleração. Esperamos ressaltar o movimento corpóreo que os pára-quedistas realizam durante o salto. A figura 4 mostra o quadro da cena e com os vetores aparecem desenhados.

FIGURA 4

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## CONCLUSÃO

É evidente que a situação desta cena é impossível desde o início, isto porque durante a queda o avião permanece com o motor ligado, o que lhe daria maior velocidade vertical. Muito dificilmente alguém conseguiria alcançar o avião, ainda mais porque a variação da velocidade da personagem viola as leis da Mecânica. No instante inicial 007 está mais lento que o avião, a seguir ele está mais veloz e posteriormente suas velocidades se igualam inexplicavelmente. O mais importante, no entanto, não é resolver o problema pura e simplesmente. Calcular todas as possíveis soluções seria uma tarefa difícil mesmo em contexto apropriado. Sugerimos que o professor não tente explicar ou resolver todos as discrepâncias da cena, visto que o ensino de Física em nível médio não espera formar cientistas, mas alfabetizar os alunos em Física e colaborar na sua formação cidadã. Num ambiente de aula para o Ensino Médio, o vídeo e as animações permitem explorar ao máximo a discussão dos conceitos físicos envolvidos, já que a motivação do problema é capaz de mobilizar os estudantes.

Uma das principais vantagens deste tipo de proposta é a sua viabilidade. A construção e aplicação deste tipo de material didático não necessita de grandes recursos financeiros. O professor precisa dispor de um computador equipado com placa de captura de vídeo e os softwares necessários à edição e a construção de animações, um material relativamente barato nos dias de hoje. A maioria das escolas brasileiras não dispõem de muitos computadores, mas quase todas possuem ao menos uma sala de vídeo. É possível gerar as animações em fitas de vídeo cassetes e usando aparelhos reprodutores de vídeo comuns podemos expô-las sem problemas, do mesmo modo como esperamos fazer com as cenas editadas.

De acordo com a metodologia contida neste projeto, ao levar o filme para dentro da escola pretendemos vincular os conceitos ocultos ali contidos ao conhecimento formal científico a que nos propomos ensinar. É necessário termos em mente que a tarefa de educar requer um algo que esperamos também despertar nos alunos: o pensamento crítico. É neste contexto que nos fundamentamos no pensamento de FREIRE (1996) e GIROUX (1997). Ao nos valermos de novos recursos tecnológicos devemos ter sempre em mente a que serviço estes recursos estão. Por si só um filme ou uma animação - ou seja lá o que for - não são capazes de auxiliar um homem a criticar um fenômeno. E é através da crítica, como postura contestadora , que se pode chegar a um entendimento verdadeiro sobre o mecanismo com que a ciência trata um fenômeno físico. Não queremos mais que a educação em Física fique resumida a uma mera aceitação de fórmulas, nas quais letras misturam-se sem levar significado algum ao aluno.

O emprego deste material didático, dentro de uma proposta construtivista, procura utilizá-lo como coadjuvante do processo, esperando que sirva de elemento motivador para o aluno analisar problemas físicos em aberto. Destacamos que esta postura motiva o aluno para a compreensão profunda do conceito físico, visto que ele se envolve pessoalmente com as questões e não apenas preocupa-se em encontrar respostas prontas ou decorar problemas e fórmulas.

## REFERÊNCIA

AZEVEDO, M. C. P. S. Ensino por investigação: problematizando as atividades em sala de aula. In: CARVALHO, A. M. P. (org). Ensino de Ciências . São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. p. 19-33.

BARBETA, Vagner B. e YAMAMOTO, Issao. 'Simulações de Experiências como Ferramentas de Demonstração Virtual em Aulas de Teoria de Física'. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo: FAPESP, vol 23, no. 2, jun. 2001, p. 215-225.

- \_\_\_\_\_\_. 'Desenvolvimento e Utilização de um programa de Análise de Imagens para o Estudo de Tópicos de Mecânica Clássica'. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo: FAPESP, vol 24, no. 2, jun. 2002, p. 158-167.

CAMILETTI, Guiseppi. e FERRACIOLI, Laércio. 'A utilização da Modelagem Computacional Quantitativa no Aprendizado Exploratório da Física'. Caderno Catarinense de Ensino de Física . Santa Catarina: UFSC, vol. 18, no. 2, ago. 2001, p. 214-228.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa . 26 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GIROUX, Henry A. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem . Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

GUERRINI, Iria Muller et al. 'Utilizando Tecnologia Computacional na Análise Quantitativa de Movimentos: Uma Atividade para Alunos do Ensino Médio.' Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo: FAPESP, vol 24, no. 2, jun. 2002, p. 97-102.

MEDEIROS, Alexandre. e MEDEIROS, Cleide F. de. 'Possibilidades e Limitações das Simulações Computacionais no Ensino da Física'. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo: FAPESP, vol 24, no. 2, jun. 2002, p. 77-86.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Parâmetros Curriculares Nacionais - Ensino Médio . Brasília, 1999.

ROSA, Paulo Ricardo da Silva. 'O uso dos Recursos Audiovisuais e o Ensino de Ciências'. Caderno Catarinense de Ensino de Física . Santa Catarina: UFSC, vol. 17, no. 1, abr. 2000, p. 33-49.

- \_\_\_\_\_\_. 'O uso de Computadores no Ensino de Física. Parte I: Potencialidades e uso real'. Revista
- Brasileira de Ensino de Física , São Paulo: FAPESP, vol 17, no. 2, jun. 1995, p. 182-195.

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