AVALIANDO MÓDULOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE FÍSICA
Laudiosir Roque Dos Santos, Eduardo Adolfo Terrazzan
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 27/01/2005
- Linha de pesquisa
- Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## AVALIANDO MÓDULOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE FÍSICA
Claudiosir Roque dos Santos [claudiosir@mail.ufsm.br] a Eduardo A. Terrazzan [eduterrabr@yahoo.com.br] b
a Acadêmico do Curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Santa Maria
Prof. Adjunto do Centro de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Maria
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## RESUMO
Este trabalho tem por objetivo analisar os planos de aula elaborados para implementação durante a realização, no âmbito do Curso de Licenciatura em Física da UFSM, do Estágio Curricular Pré-Profissional de um dos autores (CRS). Estes planos foram organizados em Módulos Didáticos, estruturados com base numa abordagem em Três Momentos Pedagógicos, a saber: Problematização inicial; Organização do conhecimento e Aplicação do conhecimento. Estes Módulos Didáticos foram implementados junto a uma turma de 2ª série do Ensino Médio de uma escola da rede estadual do Rio Grande do Sul, na cidade de Santa Maria. Da análise do processo de elaboração destes M ódulos, bem como da sua implementação em sala de aula, levantamos alguns pontos julgados importantes, tais como: a escolha das atividades planejadas, o modo de desenvolver as atividades com os alunos e as informações indicadas nos planos para orientar o trabalho do professor em sala de aula. Inicialmente, foi feita uma breve descrição da proposta, a partir da qual se desenvolveram os planejamentos analisados. A seguir, passou-se à análise da forma particular de elaboração dos Módulos Didáticos. Por fim, foram apresentadas algumas conclusões, que pretendem contribuir para que elaboremos 'bons' planejamentos e, conseqüentemente, realizemos 'boas' práticas pedagógicas.
## DESCRIÇÃO DA PROPOSTA DE TRABALHO PEDAGÓGICO
Enquanto área do conhecimento, a Física é necessária para a formação do estudante de ensino médio pois juntamente com a química, a biologia e a matemática, deverá garantir uma base de formação científica. Por isso nos preocupamos em elaborar um trabalho didático pedagógico que permita a compreensão dos conceitos, leis, relações da física e sua utilização, bem como sua aproximação com fenômenos ligados a situações vividas pelos alunos, envolvendo aspectos de origem natural ou tecnológica. Baseamos este trabalho na proposta apresentada por Demétrio Delizoicov e José André Angotti no livro Física da Editora Cortez, considerando o Ensino Médio como um nível de escolarização com algum grau de terminalidade e não como um simples espaço de preparação para o Ensino Superior. Portanto, segundo Delizoicov e Angotti, "pode parecer difícil a utilização desta proposta pelos professores que atuam com uma preocupação exclusiva de preparar os alunos para os exames vestibulares. Entretanto, fica garantida tanto a possibilidade do ingresso como o desempenho no ensino superior".
Nesta proposta de ensino, os planos de aula são organizados na forma de Módulos Didáticos, destinados a se trabalhar um determinado assunto ou tópico. As atividades que compõe esse Módulo são divididas em três blocos: Problematização inicial - é o momento em que são apresentados questões e/ou situações para a discussão com os alunos. Mais do que simples motivação para se introduzir um conteúdo específico, a problematização inicial visa a ligação deste conteúdo com situações reais que os alunos conhecem e presenciam, mas que não conseguem interpretar completa ou corretamente por falta de conhecimento científico. Tanto atividades baseadas em questões previas quanto atividades baseadas em textos de divulgação científicas ou atividades experimentais podem ser desenvolvidas nesse momento. Organização do conhecimento onde são estudados sistematicamente as definições, conceitos, leis e relações
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necessárias para a compreensão do assunto. O conteúdo deve ser apresentado em função dos objetivos definidos e desenvolvido durante o número de aulas necessárias para tanto. Em geral esse momento contém o maior número de atividades e deve ocupar um número de aulas relativamente maior que os outros dois. Esse momento pode incluir atividades baseadas em discussão de textos, exposição do professor, realização de experimentos, uso de analogias, resolução de problemas bem como outras atividades quaisquer que venham a contribuir para a aprendizagem do conteúdo. O importante é que as atividades sejam previamente preparadas e organizadas de modo que todos os objetivos de aprendizagem possam ser alcançados. Aplicação do conhecimento Neste momento, desenvolvem-se atividades que visam retomar o conhecimento que vem sendo incorporado pelo aluno para interpretar as situações da problematização inicial bem como outras que sejam explicadas pelo mesmo conhecimento. Quanto a metodologia, procedemos de maneira análoga ao momento anterior, no entanto, com um número menor de atividades, geralmente não mais que duas ou três.
## A ORGANIZAÇÃO DOS MÓDULOS
Cada módulo é estruturado de maneira a servir de instrumento para o trabalho pedagógico do professor. Para tanto, utilizamos uma maneira particular para a organização desses planos de aula, organização esta que já vêm sendo amplamente estudada pelo Grupo de Trabalho de Professores de Física GTPF, com a preocupação de explicitar de maneira clara e estruturada tanto os conteúdos que serão trabalhados quanto os objetivos que pretendemos alcançar e as atividades necessárias para isso. Assim, qualquer outro colega professor, diante desse planejamento, deverá ter condições de avaliar sua consistência e, se desejar, tomá-lo como orientação para seu trabalho.
Durante este ano, através da disciplina de Prática de Ensino do curso de Licenciatura Plena em Física da Universidade Federal de Santa Maria, estou atuando como estagiário, sob orientação do Professor Doutor Eduardo Adolfo Trrazzan, em uma turma de segundo ano noturno da Escola Estadual Edna May Cardoso, localizada no conjunto habitacional Fernando Ferrari, Bairro Camobi em Santa Maria. A turma iniciou-se com um total de vinte alunos, com média de idade de aproximadamente dezoito anos. No decorrer do ano, muitos abandonaram a sala de aula, de maneira tal que estamos encerrando o segundo trimestre com apenas dez aluno. As razões para essa evasão podem ser muitas, no entanto, a mais importante deve-se ao fato de que todos eles trabalham durante o dia e, portanto, por problemas de horário, acabam por abandonar a sala de aula.
Para desenvolver o conteúdo de física, conto com três períodos de quarenta minutos semanais, sendo dois deles na Terça-feira e um na Sexta-feira. Como orientação para meu trabalho em sala de aula elaborei, até o momento, um conjunto de 5 Módulos Didáticos que correspondem a cada um dos seguintes tópicos: hidrostática; hidrodinâmica; calor e temperatura; mudanças de estado e diagramas de fase e termodinâmica.
A partir desse conjunto de Módulos Didáticos, passarei a analisar alguns pontos como a escolha das atividades a serem desenvolvidas, a dinâmica pela qual se dará esse desenvolvimento e as orientações necessárias para que o professor possa desenvolvê-las conforme o planejado.
Inicialmente devemos ter em claro quais os conteúdos que serão trabalhados e os objetivos que pretendemos alcançar com o desenvolvimento de um determinado Módulo. A partir disso será feita a escolha das atividades a serem desenvolvidas para alcançá-los. Analisando os Módulos
desenvolvidos até o momento percebi que um mesmo objetivo pode ser alcançado a partir de diferentes atividades e, tendo em vista o rendimento apresentado pelos alunos, pude perceber uma grande importância na diversificação, ou seja, deve-se procurar desenvolver atividades das mais variadas naturezas, tais como experimentos, discussão de textos, uso de analogias, resolução de problemas, entre outros. Embora as aulas expositivas ainda somem a maior parte das atividades, me ficou bastante claro que elas devem dar lugar a outras que têm se mostrado mais eficientes, como as atividades experimentais, por exemplo, que chamam mais a atenção dos alunos e despertam seus interesses em busca de adquirir novos conhecimentos.
Quanto a dinâmica das atividades, percebi que um mesmo tipo de atividade, atividade baseada em texto, por exemplo, pode ser desenvolvida de diferentes maneiras. Ou seja, o texto pode ser lido em casa e, tanto as idéias principais quanto as duvidas que surgirem a partir dessa leitura podem ser discutidas em sala de aula ou, a leitura pode ser realizada em sala de aula e, a seguir são passadas questões para que os alunos respondam em grupos e, após, as respostas podem ser sistematizadas no quadro e partilhada com toda a turma. Enfim, existem muitas maneiras de se desenvolver uma determinada atividade, no entanto, os objetivos que são alcançados a partir desse desenvolvimento dependem fundamentalmente de como ele é feito.
Definir os objetivos a serem alcançados é nossa primeira preocupação, ao planejar uma determinada atividade. A seguir nos preocupamos em encontrar a melhor maneira para seu desenvolvimento que se revela em uma seqüência de procedimentos que o professor deverá realizar em sala de aula. Nos primeiros módulos que elaborei, essas informações foram de maneira resumida e pouco claras, o que me causou muitas incertezas no momento de pô-los em prática de modo que a atividade acabava por não sair conforme o planejado, fazendo com que alguns objetivos não pudessem ser alcançados. Portanto, todas as informações sobre esses procedimentos devem estar explícitos no planejado, e foi isso que passei a fazer. Por outro lado, ao escrever rodas essas informações, o Módulo passou a se tornar bastante extenso, o que dificultava uma visualização rápida do planejamento. Para resolver esse problema passou-se a colocar-se essas informações em anexo, juntamente com os extratos de textos e outros materiais referentes à atividade, deixando no corpo do Módulo apenas uma descrição geral das atividades.
Em vista desses pontos analisados, dentre outros, os Módulos passaram a ser elaborados da seguinte maneira. A primeira página do Módulo Didático procura trazer informações gerais tais como assunto geral do qual o módulo faz parte, tópico ou tema principal e número de aulas previstas. Logo a seguir são listadas as aprendizagens esperadas com o desenvolvimento do módulo. Estas aprendizagens são divididas em três blocos, sendo que, no primeiro bloco são listadas as aprendizagens esperadas no campo conceitual (por exemplo, AC03Conceituar equilíbrio térmico ), no segundo bloco são listadas as aprendizagens esperadas no campo procedimental (por exemplo, AP02- Diferenciar bons e maus condutores de calor ) e no terceiro são listadas as aprendizagens esperadas no campo atitudinal (por exemplo, AA01- Compreender as conseqüências do efeito estufa no meio ambiente de m odo a conscientizar-se sobre as causas e conseqüências da elevação da temperatura na terra ). Essa identificação facilita bastante a seqüência da organização, pois, para citar as aprendizagens esperadas com o desenvolvimento de uma determinada atividade basta que citemos suas identificações. São listadas também, nesse momento, as competências e as habilidades a serem desenvolvidas ao longo do módulo.
Na seqüência são descritas as atividades necessárias para alcançar tais objetivos. A descrição de cada uma das atividades é feita resumidamente no corpo do planejamento onde apresenta-se apenas as orientações gerais para seu desenvolvimento tais como o tempo necessário
para a implementação, a identificação da atividade, o anexo na qual encontra-se sua descrição completa. Esse anexo inclui as orientações para o professor, as orientações para o aluno e os textos, questões ou roteiros que serão utilizados no desenvolvimento da atividade. Deste modo, ao olhar o corpo do planejamento, o professor tem uma visão do número de atividades que compõe o módulo e a natureza de cada uma delas e recorre a seus respectivos anexos para sua implementação.
## RESULTADOS E CONCLUSÃO
Partimos da idéia que não existe uma boa aula sem um bom planejamento. Em vista disso é que nos preocupamos em desenvolver essa organização que acabamos de descrever, num primeiro momento pode parecer difícil elaborar planos de aula como esse pois sua elaboração despende tempo e dedicação, no entanto, se analisarmos a facilidade que teremos em desenvolver nossa prática pedagógica e a possibilidade de melhorá-la perceberemos que realmente vale a pena dedicarmos uma parte de nosso tempo a fim de desenvolver esses planejamentos.
Ao longo deste ano desenvolvi vários módulos para trabalhar o conteúdo do segundo ano do ensino médio. Desde o início busquei aperfeiçoar os planejamentos a partir de sua implementação e percebi evoluções significativas em vários pontos.
Entre estes estão as informações ao professor. A clareza destas informações é fundamental para que não haja dúvida no momento de sua implementação. Nos primeiros módulos elaborados, essas orientações eram escritas no corpo do planejamento, no entanto, isso o tornava muito extenso. Passamos então a coloca-los nos anexos, desta forma o corpo principal d o Modulo torna-se menor, facilitando uma visualização rápida das atividades propostas.
Outro ponto importante diz respeito a dinâmica pela qual pretendemos desenvolver determinada atividade. Uma atividade pode admitir diversas maneiras de ser desenvolvida, no entanto, é importante que tenhamos em mente os objetivos que pretendemos alcançar com seu desenvolvimento e a partir disso busquemos a melhor maneira de para seu desenvolvimento. Cada aspecto deve ser planejado: o material necessário (materiais para experimento, textos utilizados, etc.); como a turma será dividida (se a atividade será desenvolvida em grupos ou não); o tempo necessário para sua implementação; entre outros. Todas as informações necessárias deverão estar explícitas no planejamento, evitando assim que surjam imprevistos que possam atrapalhar o sucesso no desenvolvimento da atividade.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DELIZOICOV, Demétrio; ANGOTTI, José André P.: (1990). Física . São Paulo/BRA: Cortez.
BRASIL, Ministério da Educação, Instituto Naci onal de Estudos Pedagógicos. ENEM-Exame Nacional do Ensino Médio. Documento básico 2000. Brasília,DF/BRA: MEC/INEP.
CARVALHO, Anna Maria Pessoa de; et al...: (1999). Termodinâmica: um ensino por investigação . São Paulo/BRA: FEUSP.
GREF - Grupo de Reelaboração do Ensino de Física: (1991). Física 2: Física térmica/Óptica . São Paulo/BRA: EDUSP.
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