A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL: ALGUMAS QUESTÕES SOBRE A RELAÇÃO SOL-TERRA-LUA
Simone Pinheiro Pinto, Deise Miranda Vianna
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 27/01/2005
- Linha de pesquisa
- Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
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## A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL: ALGUMAS QUESTÕES SOBRE A RELAÇÃO SOL-TERRA-LUA
Simone Pinheiro Pinto [simonepinto@yahoo.com.br] a, Deise Miranda Vianna [deisemv@if.ufrj.br] b
a Programa de Pós Graduação em Ensino de Biociências e Saúde - Instituto Oswaldo Cruz
b Instituto de Física - Universidade Federal do Rio de Janeiro e Programa de Pós Graduação em Ensino de Biociências e Saúde, Instituto Oswaldo Cruz.
## RESUMO
O presente trabalho busca evidenciar as respostas apresentadas por professores do ensino fundamental (primeiro segmento) quando são questionados a respeito de alguns conceitos básicos de Astronomia, ensinados no primeiro e segundo ciclos do ensino fundamental. Para tanto foi elaborado um questionário que os fizessem refletir sobre seus conhecimentos, seus métodos de ensino e também sobre os livros didáticos utilizados. As respostas apresentadas nos levam a considerar que os professores destes ciclos apresentam suas concepções inspiradas em suas experiências quotidianas e principalmente nos livros didáticos. Estes resultados indicam que não basta modificar o livro didático, outras ações devem ser implementadas na formação continuada dos professores, possibilitando uma reestruturação destes conceitos.
## INTRODUÇÃO
A formação de professores é hoje tema presente nos grandes fóruns em que se questiona a qualidade da educação, a competência dos professores e de suas instituições formadoras, principalmente no que diz respeito ao ensino de ciências. A formação do professor de ciências tem sido apontada como principal eixo de discussão quando se pensa nesta reforma.
Os problemas relacionados à educação em ciências têm exigido uma série de medidas para enfrentá-los, que segundo Menezes (1996), já foram incorporadas nas intenções das reformas globais, iniciadas ou anunciadas, do sistema de educação. Uma dessas medidas foi a criação dos Centros de Ciências com o objetivo de atuar na formação permanente de professores através de diferentes metodologias. Outra medida relevante foi à avaliação dos livros didáticos feita pelo MEC em meados da década de 90, identificando graves erros nos conteúdos abordados nos livros adotados. Dentro desta perspectiva é crescente o número de instituições, grupos, universidades, Centros de Ciências, etc, que têm se dedicado a pesquisas e extensão, através de diferentes projetos para a melhoria do ensino de Ciências e da formação continuada de professores. As propostas são geralmente oferecidas por meio de cursos, conferências, seminários e outras situações pontuais, oferecidas de acordo com a especificidade de cada órgão administrador. Neste contexto inserem-se os cursos de formação continuada de professores com objetivo de contribuir no processo educativo procurando romper com a idéia de que professor é aquele que dá aula, resgatando sua função de orientador que vê no aluno um parceiro de trabalho. Porém precisa-se fazer com que os professores discutam e reflitam sobre suas próprias ações em sala de aula (Schön,1992; Nóvoa,1992) levandoos a questionar suas concepções sobre diferentes aspectos do ensino e aprendizagem. Este trabalho apresenta algumas concepções de professores do primeiro segmento do ensino fundamental quando são questionados a respeito de conteúdos básicos de Astronomia que são abordados por eles em suas salas de aula.
## DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
## 1.1) Objeto do trabalho e metodologia
Este trabalho tem como objetivo verificar se a ções conjuntas e pontuais podem contribuir na transformação da prática pedagógica de professores do ensino fundamental do primeiro segmento, em relação a alguns conteúdos de Astronomia. Escolhemos a oficina intitulada Observando o Céu/Compreendendo a Terra, desenvolvida pelo MAST (Museu de Astronomia e Ciências Afins) e o Espaço UFF de Ciências , a qual se caracteriza como uma ação de formação continuada de 1 professores de curta duração. Discutimos os movimentos da Terra e seus fenômenos, como Dia e Noite e Estações do Ano, abordando conceitos básicos de Astronomia. Este tema foi destacado, tendo em vista que os conceitos abordados não fazem parte dos currículos dos professores na sua formação inicial, porém são conteúdos escolares a serem ensinados nas séries em que atuam. A oficina já acontece desde 1999, como atividade do Projeto Praça da Ciência Itinerante, em diferentes municípios do Estado do Rio de Janeiro, tendo seu público alvo professores do primeiro segmento do ensino fundamental. Outro fator relevante para a abordagem destes temas é quanto à questão dos livros didáticos de Ciências do ensino fundamental, pois, de acordo com a avaliação feita pelo MEC em 1995, pode-se constatar uma enorme quantidade de erros relativos à Astronomia, como também em outras disciplinas. Segundo Boczko (1996) esta situação se torna grave a partir do momento em que os livros didáticos muitas vezes são as únicas referências disponíveis tanto para o aluno quanto para o professor.
Neste trabalho especificamente apresentamos o que os professores pensam a respeito desses conteúdos e como os ensinam. Nesta etapa elaboramos um questionário para que o professor expresse seus conceitos através de respostas e desenhos. Utilizamos o método qualitativo para obtenção de dados, pretendendo criar subsídios para que possamos analisar as diferentes respostas e desenhos apresentados pelos professores durante a atividade.
## 1.2) A oficina:
Esta a atividade é dividida em três momentos: no primeiro momento, a equipe esclarece aos professores a necessidade da oficina, coloca-se em questão a formação inicial dos professores que ministram aula para o ensino fundamental no primeiro segmento e os conteúdos que os mesmos devem ensinar. No segundo, é entregue aos professores um questionário visando identificar suas concepções em relação aos conceitos básicos de Astronomia. O questionário é composto de cinco questões: 1)Desenhe o nosso planeta; 2)Cite algumas evidências de que a Terra é redonda; 3) Desenhe quatro pessoas na Terra, uma em cada pólo, uma a leste e uma a oeste na direção da linha do Equador. (utilize o desenho feito no item 1); 4) Quantos movimentos da Terra você conhece? Fale um pouco sobre cada um deles; 5) Tente explicar, de preferência através de desenhos, como acontecem as estações do ano. No terceiro momento, é feita uma discussão baseada nas respostas dos questionários. Em continuidade, os professores são convidados a demonstrar através de modelos com bola de isopor e lanterna, como abordam tais conceitos com seus alunos. Neste momento, fazemos o papel do aluno questionador/observador levantando questões que parecem básicas e, no entanto de difícil argumentação, levando desta forma o professor a questionar seu próprio método de ensino.
A questão da reflexão tem sido o conceito bastante adotado por pesquisadores na área de formação de professores, e segundo Freire (1996) o momento mais importante na formação dos professores é o da reflexão crítica sobre a prática. É importante ressaltar também que o conceito de
reflexão proposto por Shön(1992), como ação-reflexão-ação, deve ser o processo pelo qual os professores aprendem, partindo da análise e interpretação de suas próprias práticas pedagógicas.
## 1.3 Coleta de dados
Neste trabalho apresentamos dados de seis municípios do Estado Rio de Janeiro: Araruama, Resende, Piraí, Conceição de Macabú, Nova Iguaçu e Duas Barras, sendo que no município de Nova Iguaçu foram realizadas duas atividades em diferentes datas. O público participante variou, desde profissionais que nunca lecionaram até professores do ensino fundamental segundo segmento, com predominância de professores do segundo ciclo do ensino fundamental primeiro segmento. As análises dos questionários foram feitas a partir da separação das respostas por categorias.
As questões apresentaram diferentes respostas, as quais para efeito de melhor análise procuramos enquadrá-las em categorias que representassem suas origens, e t ambém verificar quais foram as mais representativas. Com estes resultados podemos observar que as respostas apresentadas apontam para uma ordem de pensamento onde fica fortemente evidenciada a grande influência que os livros didáticos exercem sobre o conhecimento que o professor adquire e ensina.
## RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS
As análises das respostas mostram que apesar das reformulações que vêm sendo feitas nos livros didáticos não houve uma mudança conceitual significativa por parte dos professores. Embora nenhum professor duvide de que a Terra seja redonda, eles não sabem como evidenciar este fato aos seus alunos (muitos desenham a Terra bastante achatada nos pólos). Todos os professores dizem conhecer a rotação e a translação, porém sentem dificuldade na hora de reproduzir estes movimentos com um modelo concreto. Quanto às estações do ano, a maior parte deles não sabe explicar o motivo de sua ocorrência. Percebemos também que os professores sabem que há uma relação com o eixo de rotação da Terra, porém não conseguem somar a este dado o movimento de translação. Assim, a explicação dada por eles é uma mistura desta nova informação com a idéia antiga de variação da distância da Terra ao Sol. Outros fatos que foram observados é que existe uma resistência muito grande, principalmente por parte dos professores com maior tempo de magistério, pois se recusam a acreditar que, por muito tempo, ensinaram conceitos errados. Algumas dessas questões já foram temas de pesquisas tanto no Brasil quanto no exterior, porém os questionamentos foram feitos com alunos. Essas pesquisas mostraram que crianças e jovens ainda têm dificuldade de visualizar a Terra como uma esfera e de explicar a ocorrência dos dias e noites através de sua rotação (Franco Junior, 1993). É relevante considerar que com a atualização dos livros didáticos, muitos professores não se sentem capacitados a ensinar Ciências através dos mesmos e acabam buscando orientação nos livros antigos. Logo estes resultados vêm indicar que não basta modificar o livro didático, outras ações devem ser implementadas na formação continuada dos professores, possibilitando uma reestruturação destes conceitos.
## Referências Bibliográficas
FRANCO JUNIOR, F. C. Individual and historical development in science . Reading: University of reading, 1993. (Tese de Doutorado)
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa , 14ª edição, São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MENEZES, L.C. - Características convergentes no ensino de ciências nos países ibero-americanos e na formação de seus professores. In: MENEZES, L.C. (Org.) Formação continuada de professores de ciências - no âmbito ibero-americano - Editora Autores Associados. p.4558, 1996.
SCHON, D. (1992a). Formar professores como profissionais reflexivos. In A. Nóvoa (Ed) Os Professores e a sua formação (pp. 77-91). Lisboa: Dom Quixote.
BOCZKO, R. Erros Comumente Encontrados Nos Livros Didáticos Do Ensino Fundamental. Ciência on line , São Paulo, outubro de 1996. Disponível em: http://www.cienciaonline.org/revistas02\_06/astronomia/index.html. Acesso em 21 de abril de 2004.
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