A CONCEPÇAO DE UNIVERSO ENTRE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DE SAO PAULO E SUAS FONTES DE AQUISIÇAO
Marcos Aurélio Alexandre De Araújo, Daniele Cristina Nardo Elias, Luiz Henrique Amaral, Mauro Sérgio Teixeira De Araújo, Marcos Rincon Voelzke
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- X
- Ano
- 2006
- Data
- 16/08/2006
- Linha de pesquisa
- Pôster - Resultados Consolidados
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A Concepção de Universo entre Alunos do Ensino Médio de São Paulo e suas Fontes de Aquisição
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Marcos Aurélio Alexandre de Araújo , Daniele Cristina Nardo Elias , Luiz iz Henrique Amaral , Mauro Sérgio Teixeira de Araújo 1 , Marcos Rincon Voelzke 1 Universidade Cruzeiro do Sul -UNICSUL 1
## Resumo
Nesse trabalho procurou-se identificar por meio de um questionário as concepções de Universo, de espaço e tempo que sustentam a visão de mundo de um grupo de 270 estudantes de Ensino Médio, pertencentes a três escolas de São Paulo . As questões relacionadas aos conhecimentos prévios dos estudantes permitiram constatar que há pouco conhecimento acerca dos temas investigados , destacando -se que apenas 20% dos alunos foram capazes de relacionar as semanas com as fases da lua, enquanto 28% associaram as estações do ano à inclinação do eixo de rotação da Terra e 23% tinham noções das distâncias entre objetos celestes próximos da Terra. Enquanto 56% conseguiram relacionar o Big Bang g com a origem do Universo, verificou-se que 37% reconheciam ano-luz como unidade de distância e 60% concebiam o Sol como uma estrela. No que se refere às fontes de aquisição que proporcionaram esses conhecimentos, apesar de 60% dos alunos indicarem a escola como principal fonte dos conhecimentos de Astronomia , verificou -se claramente que para a maioria dos alunos seus conceitos ainda são inadequados, havendo necessidade de aprimoramento da abordagem desses conteúdos, pois apesar de popular, a Astronomia ainda é veiculada de maneira pouco esclarecedora e e com imprecisões. Nesse contexto, são discutidas algumas possíveis contribuições que podem ser dadas para o ensino de Astronomia pelo uso das ferramentas computacionais nas escolas .
Palavras - chave: Concepção de Universo, A Astronomia, Ensino Médio.
## 1 . Introdução
A Astronomia é uma das mais acessíveis das ciências, apresentando um grande volume de novas descobertas de interesse público. Em nível mais elementar, assuntos relacionados ao espaço, tempo e memória são alguns dos tópicos de ciências mais populares e podem ser vinculados com outras ciências, tais como, Física, Biologia, Química, Matemática a e Tecnologia . Contudo, a Astronomia ainda vem sendo apresentada como uma coleção de fatos desvinculados de qualquer discussão de como foram descobertos, sem a devida contextualização histórica, social e cultural, de modo que a maior parte dos alunos a percebem assim como as outras ciências como algo pronto e acabado (Pierson e Hosoume, 1997, Gregório, 2000), sendo muitas vezes ensinada com o uso de imagens de boletins de imprensa que nem sempre são destinados ao ensino e, não raro, contendo imprecisões .
Percebe -se que há determinadas idéias relacionadas à Astronomia que de tão proferidas acabam se tornando consenso, conforme destacam Medeiros e Monteiro (2001). Assim, assuntos relacionados às estações do ano e dia e noite, por exemplo, estão entre os temas que os alunos apresentam maior dificuldades em compreender (Falcão et. al., 1997).
Além disso, os livros didáticos apresentam limitações e até mesmo distorções q quanto à explicações de assuntos relacionados à Astronomia (Medeiros e Monteiro, 2001), o que dificulta ainda mais o ensino adequado dessa ciência. Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM) propõem que assuntos relacionados à Astronomia e Cosmologia devam ser ensinados na disciplina de Física, oportunizando formação mais completa que prepare os alunos para refletir sobre "...sua presença e seu lugar na história do Universo, tanto no tempo como no espaço, do ponto de vista da ciência" (Kawamura,
2003) e, assim, compreender os modelos e formas de investigação sobre a origem e a evolução do universo. Embora a Astronomia esteja presente nos PCNEM e faça parte do dia a dia dos alunos, foi verificado que as escolas participantes deste estudo não incluem sistematicamente em seu plano de ensino conteúdos relacionados à à Astronomia .
Em face do exposto, buscou-se neste trabalho identificar o que os alunos compreendem sobre alguns conceitos de Astronomia , ainda que na maioria das v vezes suas concepções sejam diferentes dos modelos científíficos (Gobara, 2002). Além dos conceitos relacionados à Astronomia, foram avaliados os mecanismos e fontes de aquisição desses conhecimentos e aspectos do uso dos computadores, com o objetivo de analisar sua relação com as novas Tecnologias de Informação e Comunicação tão presentes na sociedade, bem como sua possível utilização nas escolas para divulgação de conceitos de Astronomia . O trabalho se propõe ainda a verificar se a escola tem conseguido desenvolver uma modalidade de ensino voltado para a Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), de modo a contextualizar o conhecimento científico , promovendo a aprendizagem (Auler e Delizoicov, 1999).
## 2 . Metodologia de pesquisa
Esta pesquisa foi realizada em três escolas da região da grande São Paulo , abrangendo um total de 270 alunos do ensino médio que compuseram a amostra aqui analisada , distribuídos em nove turmas, sendo uma de cada série do ensino médio em cada escola. Em função do modelo de atuação e de sua dependência administrativa foram selecionadas para esse estudo três escolas com as seguintes características:
- 1) Uma escola voltada ao ensino médio de jovens e adultos (EJA), de natureza pública e que atende uma comunidade de baixa renda na cidade de Guarulhos, cidade pertencente à Região Metropolitana da Grande São Paulo .
- 2) Uma escola da rede pública da Zona Sul da cidade de São Paulo, que também possui alunos carentes e que sempre estudaram na rede pública de ensino .
- 3) Uma escola do ensino médio da rede privada, a qual atende alunos de renda média que na maior parte do tempo estudaram na rede privada.
Deve -se ressaltar que todas as três escolas selecionadas para a realização desse trabalho possuem laboratório de informática. Para desenvolver a pesquisa, elaborou-se um questionário com 12 questões de múltipla escolha, das quais duas eram de caráter pessoal, duas referentes à utilização das tecnologias como recursos para o ensino de Física, uma referente à forma de aquisição de conhecimentos de Astronomia e as demais relativas a conceitos de A Astronomia. Abaixo, as questões s são apresentadas s separadas por segmento:
## Questões pessoais
- 1. Sexo
- 2. Idade
- ( ) Masculino
( ) Feminino
- ( ) anos
## Questões de conhecimento em A Astronomia
- 3. Os dias da semana estão relacionados com que fenômeno celeste:
- a. a rotação da Terra
- b. a translação da Terra
- c. a rotação do Sol
- d. as fases da Lua
- e. o posicionamento das estrelas
- 4. As estações do ano (Verão, Outono, Inverno, Primavera) ocorrem em função:
- a. De a Terra estar mais próxima ou afastada do Sol (órbita elíptica).
- b. Da inclinação do eixo de rotação da Terra .
- c. Da maior ou menor emissão de luz pelo Sol .
- d. Do afastamento da Lua de acordo com as estações .
- e. Da Translação da Terra
- 5. O que pode ser dito a respeito da localização do centro do Universo:
- a. A Terra é o centro .
- b. O Sol está no centro
.
- c. A Via Láctea está no Centro .
- d. Uma Galáxia distante e desconhecida está no Centro .
- e. Não existe centro do universo .
- 6. Qual das seguintes seqüências está corretamente agrupada em ordem de maior proximidade da Terra.
- a. Estrelas, Lua, Sol, Plutão .
- b. Sol, Lua, Plutão, Estrelas .
- c. Lua, Sol, Plutão, Estrelas .
- d. Lua, Sol, Estrelas, Plutão .
- e. Lua, Plutão, Sol, Estrelas .
- 7. Das seguintes alternativas , qual melhor representa o Sol:
- a. Asteróide .
- b. Planetóide .
- c. Planeta .
- d. Galáxia .
- e. Estrela .
- 8. Das alternativas abaixo , qual melhor expressa o Big Bang:
- a. A origem do sistema solar .
- b. A criação da Terra .
- c. A origem do Universo .
- d. Criação da Galáxia .
- e. Criação do Sol .
- 9. Das alternativas abaixo , qual melhor expressa Anos-luz:
- a. Uma medida de distância
- b. Uma medida de tempo
- c. Uma medida de velocidade
- d. Uma medida de intensidade luminosa
- e. Uma medida de Idade
## Questão relacionada à maneira como foram adquiridos os conhecimentos de A Astronomia
- 10. Os conceitos de Astronomia que você possui foram adquiridos: (pode-se assinalar mais de uma alternativa)
- a. Na Escola
- b. TVs
- c. Filmes
- d. Revistas
- e. Internet
## Questões relacionadas c com a infra -estrutura tecnológica das escolas
- 11. Você utiliza computadores? (pode-se assinalar mais de uma alternativa)
- a. Sim, na escola
- b. Sim, em casa
- c. Sim, no trabalho
- d. Não
- 12. Na sua escola você já assistiu alguma apresentação ou utilizou algum programa de computador a respeito de A Astronomia:
- a. Sim, somente apresentações feitas pelo professor .
- b. Sim, já realizei atividades com o computador a respeito do assunto .
- c. Não, a escola não possui computador .
- d. Não, o professor nunca utilizou .
## 3. Resultados e Discussão
Os resultados obtidos na na pesquisa foram tabulados e analisados com o auxílio do software MS -Excel, permitindo observavar que de uma forma geral a maioria dos alunos pouco compreendem a respeito dos tópicos de Astronomia abordados, embora muitos desses tópicos apresentem relação direta com fenômenos que f fazem parte do seu dia a dia.
Inicialmente, é interessante destacar que quando os alunos foram questionados antes da aplicação do formulário , a maioria afirmou serem capazes de responder acertadamente as questões. Entretanto, ao verem as alternativas disseram e estar confusos e perceberam que, em alguns casos, não tinham a menor idéia de qual seria a resposta correta, sendo constatado ao final da pesquisa que uma parte significativa dos alunos mostrou -se muito interessada na discussão das questões e sobre qual seriam as respostas, ficando surpresos com algumas d das respostas apresentadas. Outro aspecto importante foi o questionamento feito pelos alunos do motivo da não abordagem desses tópicos na escola e a afirmação de não saber que esses conceitos faziam parte da Física, pois vêem na Física apenas cálculos que, em suas palavras, "não servem para nada", uma vez que a abordagem dos temas costuma a ser feita sem c contextualização, dificultando a identificação dos aspectos práticos e cotidianos que cercam muitas das situações de sua vida .
As respostas às questões 1 e 2 mostram que o perfil dos alunos participantes da pesquisa é constituído por 59% de alunos e 41% de alunas, apresentando idades que se situam predominantemente entre 15 e 18 nas escolas da rede pública e privada, sendo que na escola pública voltada para a EJA as idades são maiores , conforme esperado, encontrando -se alunos com idades que variam de 20 anos e chegando até 51 anos.
A figura 1 apresenta o índice de acerto entre as questões 3 e 9, 9, servindo de indicatativo para o nível de conhecimento dos alunos sobre alguns tópicos de Astronomia . Observa -se que o percentual de acerto na maioria das questões é bastante baixo, verificando -se primeiramente na figura 2 que apenas 21% dos alunos relacionaram a sucessão das semanas com as fases da lua, apesar de ser esse um fenômeno frequentemente observado pelos estudantes, mesmo na cidade de São Paulo, cujas condições atmosféricas tende a dificultar a observação dos objetos celestes . Constatou -se que 44 % dos alunos responderam que os dias da semana estariam relacionados com o movimento de rotação da Terra, indicando que os alunos fazem erroneamente asassociação com os dias da semana como sendo sete rotações da Terra.
Fig . 1: Percentagem m relativa de acertos em questões de conhecimento de A AsAstronomia
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Figura 2: Percentagem relativa de acertos sobre os dias da semana
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Por sua vez , a figura 3 mostra que apenas 28% dos alunos a associaram as estações do ano à inclinação do eixo de rotação da Terra , sendo que uma parcela significativa de 29% dos mesmos respondeu estar esse fenômeno relacionado com a Terra estar mais próxima ou mais afafastada do Sol , correspondendo claramente a uma idéia equivocada , provavelmente decorrente de não terem sido ensinados corretamente acerca da verdadeira excentricidade da órbita da Terra, que pode ser considerada pequena, embora muitos livros didáticos representem essa excentricidade de maneira bastante exagerada e irreal .
Figura 3: Percentagem relativa de acertos sobre a ocorrência das estações do ano
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Somente 23% dos alunos demonstraram possuir noções adequadas das distâncias existentes entre os objetos celestes próximos da Terra, respondendo corretamente a questão 6, indicada na figura 4, 4, que mostra certo equilíbrio de respostas em todas as alternativas propostas . Por outro lado, coconstata-se na figura 5, 5, referente à questão 8, que 56% dos estudantes conseguiram relacionar o Big Bang com a origem do Universo, sendo esse o segundo maior índice de acerto entre todas as questões , embora 26 % tenham afirmado que o Big Bang é um fenômeno relacionado com criação da Terra e 10 % associaram com a origem do sistema a solar, apesar dos diversos meios de comunicação e de divulgação científica frequentemente abordarem a questão da origem do Universo.
Figura 4: Percentagem relativa de acertos sobre a proximidade dos objetos celestes em relação à Terra
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Figura 5: Percentagem relativa de acertos sobre a expressão Big-Bang
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Verificou -se ainda na questão 9, correspondente a figura 6 , que apenas 37% dos alunos reconheciam o ano -luz como sendo uma unidade de distância, sendo que 21 % acreditavam tratar -se de uma medida de tempo ou de uma medida de intensidade luminosa para 18 % dos alunos. Nesse caso, o desconhecimento do ano-luz como uma unidade de distância pode estar relacionado ao fato de que essa unidade é bastante restrita a situações que envolvem grandes distâncias, como no caso das medidas astronômicas, sendo pouco empregada nas situações t típicas abordadas em outras áreas da Física .
Figura 6: Percentagem relativa de acertos sobre a expressão de ano-luz
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A questão 7, cujos percentuais de resposta são mostrados na figura 7 , apresentou o maior índice de acerto, ou seja, de 58%, permitindo constatar que a parcela majoritária dos estudantes foi capaz de reconhecer o Sol como sendo uma estrela. ApApesar disso, foram verificadas 14 % de respostas relacionando o Sol como sendo um Planetóide, havendo até mesmo associação com a Galáxia , correspondendo a 11 %, indicando grave desconhecimento acerca de uma questão aparentemente trivial da área de A Astronomia .
Figura 7: Percentagem relativa de acertos sobre a a representação do Sol
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## 3.1 As As concepções cosmológicas dos alunos e os diferentes modelos científicos
A questão 5 5 foi proposta com o intuito de se detectar mais especificamente quais são as concepções dos alunos acerca do Universo, evidenciando possíveis modelos cosmológicos que estariam presentes em suas visões de mundo. As respostas obtidas permitiram a elaboração da figura 8, onde se constata que 40% dos alunos acreditam não haver r um objeto celeste específico que possa ser considerado como o centro do Universo . Entretanto, é importante ressaltar que 14% dos alunos responderam ser a Terra o seu centro, apresentando, portanto, uma visão geocêntrica de mundo semelhante à que predominou durante muitos séculos a partir da proposta do astrônomo grego Cláudio Ptolomeu no século II d.c. , que defendia que todos os corpos celestes giravam em torno da Terra. Cabe destacar ainda que uma parcela significativa de 31%, ou seja, quase um terço do total dos alunos respondeu ser o Sol o centro do Universo , indicando possuírem uma visão heliocêntrica de mundo, semelhante ao modelo proposto pelo polonês Nicolau Copérnico no século XVI em sua obra De Revolutionibus Orbium Coelestium (A Revolução dos Orbes Celestes) . Por sua vez, 9% dos estudantes indicaram a Via Láctea ou outra galáxia distante como sendo o centro do Universo.
As respostas apresentadas por parcela significativa dos alunos, ainda que incorretas do ponto de vista da atual Ciência, abrem espaço para que sejejam discutidos com os mesmos os aspectos históricos relacionados com a produção do conhecimento científico e a validade e aceitação das diferentes teorias ao longo do tempo, sendo importante salientar que houve momentos da História onde as idéias e concepçõeões apresentadas por muitos dos estudantes nessa investigação eram aceitas cientificamente, de modo que é necessário entender o conhecimento científico a partir de uma visão que considera o contexto histórico e cultural que envolve a sua produção e os diferentes aspectos que caracterizam o seu desenvolvimento ao longo do tempo, contribuindo assim para desfazer os mitos acerca da existência de verdades científicas absolutas. Desse modo, acredita-se que se estará valorizando por um lado o conhecimento prévio dodos estudantes e, por outro, indicando a necessidade de se avançar em direção a concepções científicas aceitas atualmente .
Figura 8: Percentagem relativa de acertos sobre a localização do universo
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## 3.2 As fontes de aquisição dos conhecimentos de A Astronomia
A figura 9 apresenta as respostas que indicam as fontes de como foram adquiridos os conhecimentos de Astronomia por parte dos estudantes. Pode-se observar que os alunos em sua maioria adquiriram os conhecimentos de Astronomia por meio da escola , sendo a mesma apontada por 60% dos estudantes , em decorrência de alguns professores abordarem em suas aulas esse tipo de conteúdo, e das TVs , que obteve o maior índice, ou seja, 63%, possivelmente devido a sua programação incluir noticiários, documentários e alguns programas que abordam temas relacionados a essa área de conhecimento .
Constata -se que 40% dos alunos encontram nos filmes uma fonte de conhecimentos sobre Astronomia , acreditando -se que alguns filmes de ficção científica possam estar colaborando para a divulgação de algum tipo de conhecimento relacionado com tópicos de Astronomia. Verificou -se ainda que 29% dos alunos indicaram as revistas como fontes, encontrando -se entre elas provavelmente publicações do tipo Super Interessante e Ciência Hoje, veículos de divulgação científica que são muito populares atualmente. Contrastando com as demais fontes citadas, constatou-se também que apenas 15% dos alunos utilizam a Internet como meio de aquisição de informação sobre tópicos de Astronomia, apesar de ser este um recurso cada vez mais frequentemente utilizado na sociedade atual , destacadamente pelos jovens e estudantes da faixa etária envolvida nessa investigação .
Figura 9: Percentual relativo de como foram adquiridos os conteúdos de A Astronomia
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## 3.3 A Acesso ao computador nas escolas e em outros ambientes
No que se refere ao uso dos equipamentos que compõem a infra-estrutura tecnológica presente nas escolas e em outros ambientes , observa -se analisando a figura 10 que os os computadores são mais utilizados nas residências dos estudantes, correspondendo a 41% das respostas , sendo ainda relativamente pequena a sua utilização na escola , uma vez que apenas aproximadamente 30% dos alunos indicaram fazer uso dessa ferramenta no ambiente escolar . AlAlém disso, pode-se notar que uma parcela significativa de 43% dos alunos não tem acesso a computadores em nenhum dos ambientes pesquisados .
Figura 10: Percentual relativo ao uso de computadores
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Especificamente sobre o uso dos recursos d da informática nos ambientes e escolares, o perfil de respostas apresentado na figura 11 indica que , embora as três escolas possuam laboratórios de informática , os mesmos são muito pouco utilizados tanto pelos professores quanto pelos alunos. Nesse sentido, constata-se que apenas 6% dos alunos indicaram que seu professor realizou apresentações utilizando informática e 4% dos alunos realizaram algum tipo de atividade com o computador envolvendo conceitos de Astronomia . É interessante notar que apesar de todas as escolas pesquisadas possuírem laboratório de informática, 34% dos alunos d desconhecem esse fato, informando em suas respostas que as escolas onde estudam não possuem esse tipo de ambiente. Outro aspecto negativo detectado é que apesar da presença dos ambientes de informática nas escolas, 56% dos alunos não possuem contato algum com esses recursos tecnológicos, sendo menos utilizados pelos professores que o desejado, fato que pode estar relacionado com o despreparo dos mesmos para a sua utilização ou mesmo com a dificuldade de lidar com os estudantes em espaços diferentes da sala onde normalmente ministram suas aulas .
Figura 11: Percentual relativo ao uso da informática pela escola
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## 4. Conclusões
Embora o ensino de Astronomia esteja previsto nos PCNEM, os resultados obtidos nessa pesquisa indicaram que há grande deficiência na abordagem desses conhecimentos nos ambientes escolares , em grande parte decorrente da não inclusão da da Astronomia no currícículo escolar, contrariando orientações presentes na atual LDB. A abordagem t tradicional do ensino , que tende a manter os alunos como meros receptores de informações , frequentemente desconectadas da da sua realidade, torna ainda mais difícil a compreensão e apropriação desses conhecimentos, ainda que muitos dos fenômenos de que trata a Astronomia façam parte das situações vivenciadas pelos estudantes em seu dia a dia. Esse contexto escolar constitui um dos principais motivos pelo qual a maioria dos alunos apresentou nesta pesquisa diversos conceitos de Astronomia inadequados do ponto de vista científicos, sejam eles relacionados com fenômenos cotidianos como os dias da semana e as estações do ano, ou mesmo com questões que dizem respeito às distâncias entre os corsos celestes próximos da Terra, o ano-luz como unidade de distância e até mesmo quanto à natureza do Sol, cujo fato de ser uma estrela é desconhecido por 40% dos alunos pesquisados.
No que se refere diretamente com as concepções de natureza cosmológica que sustentam a visão de mundo dos estudantes, verifica-a-se que uma parcela significativa dos mesmos, ou seja, quase a metade dos alunos, não concebe o Big Bang como um evento astronômico relacionado com a origem do Universo. Por outro lado, na questão que buscou caracterizar a percepção dos alunos com relação à existência de um objeto celeste que ocuparia o centro do Universo , constatou -se que uma parcela expressiva dos mesmos sustentou visões que podem ser associadas com modelos de estrutura do Universo que predominaram em séculos passados, como o modelo geocêntrico de Ptolomeu e o heliocêntrico de Nicolau Copérnico. Acredita-se , entretanto, que essas concepções espontâneas dos estudantes devam ser valorizadas e utilizadas como um ponto de partida em uma abordagem capaz de estabelecer uma contextualização histórica do desenvolvimento do conhecimento científico relacionado a esse importante tópico de Astronomia, permitindo aos e estudantes perceberem a ciência como uma construção humana que se encontra em permanente processo de transformação e aprimoramento.
Considera -se ainda ser bastante útil nesse tipo de abordagem histórica apresentar aos alunos algumas das características e procedimentos inerentes ao ao Método Científico (Moreira e Ostermann , 1993), bem como salientar o papel desempenhado pelas observações e atividades experimentais como instrumentos pelos quais é possível verificar a adequação dadas teorias científicas à realidade, entendendo-se que " não há uma verdade final a ser alcançada: a teoria ou o paradigma serve e para organizar os fatos e a função do experimento seria adaptar a teoria à realidade " (Arruda, 2002). Atuando dessa maneira acredita -se que os professores estarão contribuindo para desmistificar algumas concepções errôneas acerca da ciência, do papel do cientista e de suas atividades .
Portanto, verifica-se facilmente a necessidade de ampliação e aprimoramento da abordagem de conteúdos de Astronomia nos ambientes escolares a fim de que se possa contribuir efetivamente para que os estudantes passem a construir e interiorizar conhecimentos que estejam em concordância com os modelos científicos vigentes atualmente .
Por outro lado, apesar das três escolas onde a pesquisa foi desenvolvida possuírem laboratórios de informática , que poderiam ser utilizados para auxiliar o ensino da A Astronomia e outras ciências, os resultados apontaram que na prática a infra-estrutura instalada não é utilizada sistematicamente como ferramenta de apoio ao ensino e à inclusão digital.
Nesse contexto , acredita -se que a inserção das ferramentas tecnológicas nas aulas poderia gerar impactos positivos para o ensino de Astronomia, o que poderia ser feito, por exemplo, por meio do uso de softwares de simulações de temas e fenômenos a astronômicos , muitos dos quais normalmente encontram-se presentes afetando o dia a dia dos estudantes .
AcAcredita -se que a utilização de recursos tecnológicos poderia constituir r ferramenta de grande ajuda, especialmente no que diz respeito à visualização de imagens de corpos celestes e na simulação de fenômenos que não são possíveis de demonstração em um laboratório didático, tanto pelo seu alto custo quanto pela própria dificuldade de realização do experimento (Medeiros e Medeiros, 2002), sendo um instrumento que pode auxiliar na mudança de concepções espontâneas dos indivíduos, pois com a utilização de softwares de simulação seria possível colocar estudantes "f"frente a situações em que as capacidades preditivas de suas concepções espontâneas falhem" (Gobara et. al., 2002). AsAssim, seria possível proporcionar condições para que novas concepções sejam criadas, sendo necessário para isso que o professor esteja atento aos conceitos teóricos e em sintonia com o uso das tecnologias, de modo que um conceito não seja trabalhado e assimilado de forma equivocada pelo aluno (Medeiros e Medeiros, 2002).
Por outro lado, a visitação a espaços não formais de aprendizagem, como os planetários e as feiras de ciências, também poderia auxiliar a modificar as concepções inadequadas dos alunos e fazer com que ampliem seus conhecimentos relacionados à à esta ciência, promovendo assim o avanço da sociedade em diversos seguimentos, uma vez que estes espaços tendem a permitir r uma reflexão sobre os assuntos abordados, além de proporcionarem condições para a intensificação das interações entre o grupo de estudantes e os objetos de exposição presentes nesses ambientes (Trevisan, 2003).
## 5. Referências Bibliográficas
Arruda, S. M.; Laburú, C. E. Considerações sobre a função do experimento no ensino de Ciências. In: Nardi, R. (Org). Questões atuais no Ensino de Ciência, São Paulo: Escrituras, 2002, p. 53-60.
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Gobara, S. T et al. Estratégias Para Utilizar o Programa Prometeus na Alteração das Concepções em Mecânica. Rer. Bras. Ensino Física, v. 24, n. 2, p. 134-145 , abril de 2002.
Gregório, M . A. Aprendizagem de Física a básica através de projetos: AFBAP. In: Abib, M.L.S.; Borges, A. S.; Sousa, G. G.; Oliveira, M. P. (Orgs.). Atas do VII Enc . de Pesquisa em Ensino de Física. Santa Catarina: SBF: 2000. (CD-Rom, arquivo: p071-046.pdf)
Kawamura, M.R.D. , Housome, Y. A Contribuição da Física para um Novo Ensino Médio. Física na Escola, v. 4, n. 2, p.22-27; outubro de 2003.
Medeiros, A. A. , Monteiro, M. M. A. Compreensões de estudantes de física de alguns conceitos fundamentais da Astronomia. In: Moreira, M.A.; Greca, I.M.; Costa, S.C. (Orgs.). Atas do III Enc . Nac . de Pesq . em Ens . Ciências. São Paulo: SBF, 2001. (CD-Rom, arquivo: o39.htm)
Moreira, M. A.; Ostermann, F. Sobre o ensino do Método Científico. Caderno Brasileiro de Ensino da Física , v.10 , n. 2, p. 108-117 , agosto de 1993 .
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Trevisan, R . H . et al.; O Aprendizado dos Conceitos de Astronomia no Ensino Fundamental. In: Garcia, Nilson Marcos Dias (Org.). Atas do XV Simpósio Nacional de Ensino de Física. Curitiba: SBF, 2003. (CD-ROM, arquivo: co-3-014.pdf)
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