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UMA PROPOSTA DE ESTÁGIO PARA LICENCIANDOS EM FÍSICA

Estevam Rouxinol Dos Santos Neto, Maria Lúcia Vinha, Cesar Nunes, Mauríicio Pietrocola, Estevam Rouxinol Dos Santos Neto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
27/01/2005
Linha de pesquisa
Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## UMA PROPOSTA DE ESTÁGIO PARA LICENCIANDOS EM FÍSICA 1

Estevam Rouxinol dos Santos Neto [estevam@if.usp.br] a Maria Lúcia Vinha [mlvinha@uol.com.br] b César Nunes c [cnunes@futuro.usp.br] Maurício Pietrocola d [mpietro@usp.br]

a

Instituto de Física e Faculdade de Educação da USP b Faculdade de Educação da USP c Escola do Futuro da USP d Faculdade de Educação da USP

## RESUMO

Apresentamos neste trabalho uma possibilidade de estágio no qual aliam-se oportunidade de horas de estágio obrigatório para alunos de licenciatura em Física com a utilização de novas ferramentas e tecnologias de ensino a distância (tão carentes ainda em nossas escolas e na formação de professores), além de uma nova metodologia de trabalho para os estagiários junto às escolas estaduais de São Paulo participantes do projeto. O projeto consiste da participação dos estagiários na análise de roteiros de simulação desenvolvidos por alunos do ensino médio e posteriormente produzidos por alunos universitários. Acreditamos que através dessa modalidade de estágio alguns do vários problemas enfrentados com relação aos estágios supervisionados possam ser superados ou amenizados sem entretanto ter a pretensão de substituir as modalidades de estágio existentes e tão importantes para a formação dos futuros professores.

Palavras chaves: Formação de professores de ciências, Educação, ensino de Física, Proposta Diferenciada de Estágio.

## 1- INTRODUÇÃO:

O estágio supervisionado na formação do professor é talvez uma das atividades mais significativas para a futura profissão dos licenciandos. É através dele que os alunos têm a oportunidade de estabelecer um primeiro contato com algumas das dificuldades e situações que enfrentarão como futuros docentes, ou seja, é uma forma de aproximá-los da complexa realidade escolar na qual irão atuar. Neste contexto e com estas expectativas, o estágio passa a constituir então em uma forma de ampliar a percepção que os alunos têm da realidade escolar, permitindo que ultrapassem a visão de senso comum para uma visão um pouco mais crítica possibilitando, assim, identificar possibilidades limites e para tentar transformá-los.

Um dos pontos ainda precários na formação de professores de ciência, particularmente professores de Física, diz respeito ao uso de novas tecnologias no ensino de F ísica. Os licenciandos, em sua maioria, não tem oportunidade de trabalhar nessa perspectiva, o que pode contribuir para a permanência de uma metodologia de ensino tradicional, na qual o aluno é tacitamente um sujeito passivo no processo educacional. Muito raramente aparecem novas propostas de ensino que busquem explorar potencialidades para além do ensino tradicional, tão duramente criticado pelos professores, principalmente os que se encontram em formação. Apesar de todas as repulsas verbais com relação ao ensino tradicional, ainda hoje continua-se fazendo nas aulas de ciências o mesmo

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que se fazia há 60 anos (YAGER & PENICK, 1983), ou seja, utilizando-se como recursos principais giz e fala do professor.

Felizmente existem alguns poucos projetos que possibilitam aos alunos trabalharem com uma metodologia de ensino diferenciada, como por exemplo, com problemas abertos capazes de explorar seu potencial cognitivo e criativo. As modalidades clássicas de estágio, muitas vezes, não contemplam e não preparam esses estagiários para atuarem como docentes nessa direção. Assim, na ausência de alternativas, os professores acabam fazendo uso do que adquiriram no método tradicional de ensino, mesmo se, quando alunos do ensino médio, rejeitaram esse tipo de docência. Isso obriga a que as propostas de renovação sejam também vividas, vistas em ação. Somente dessa forma torna-se possível que tais propostas tenham efetividade e que os futuros professores (ou aqueles que já lecionam) rompam com a visão unilateral da docência recebida até o momento. (CARVALHO E GIL-PEREZ, 1990; PIMENTA E ANASTASIOU, 2002)

## Nessa direção CARVALHO, 1985 coloca:

'É igualmente importante que as inovações pedagógicas sejam testadas pelos estagiários, ainda quando alunos das Universidades, pois assim, com a assistência do professor-supervisor, eles terão condições de implementá-las e observar seus efeitos na aprendizagem. Se esse período for perdido, ele, já formado, professor em classe, sem assistência alguma e sem nunca ter participado de uma experiência educacional, porá muita resistência em modificar a estrutura de sua aula.' (P.03)

Nesse sentido, o Laboratório Didático Virtual (LABVIRT) da Escola do Futuro da USP, traz como proposta um trabalho de intervenção em escolas públicas, no ensino médio, através da disciplina curricular de Física, no qual os alunos projetam simulações virtuais, partindo de problemas apresentados em situações do cotidiano, em fenômenos físicos, aparatos tecnológicos ou ainda situações fictícias, que comportem conteúdos de Física. Os alunos das escolas escrevem os roteiros das simulações e alunos universitários os produzem.

Esse projeto oferece uma oportunidade de estágio à distância (via Internet) que contempla os alunos de licenciatura em Física tanto pelas horas de estágio obrigatório que são creditados junto as disciplinas da licenciatura que exigem estágio obrigatório quanto pela oportunidade de se trabalhar numa proposta de ensino inovadora utilizando novas ferramentas e metodologia de ensino.

## 2- PROBLEMAS E DIFICULDADES DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO:

O estágio supervisionado tem-se constituído tradicionalmente, como prática e respaldado pela legislação envolvendo basicamente atividades de observação, participação e regência da sala de aula. No entanto ele tem sido uma área bastante problemática nos cursos de licenciatura em geral (PIMENTA E GONÇALVES, 1990) por serem muitas vezes, limitados a um conjunto de técnicas e instrumentos desarticulados de uma proposta pedagógica ou da realidade dos alunos que freqüentam as escolas em geral, por restringem-se, na maioria das vezes, à mera observação de aulas, transformando os estágios em atividades burocráticas em geral.

Dentre as principais dificuldades destacaríamos a dificuldade de inclusão do aluno trabalhador e falta de acompanhamento adequado dos professores universitários, chamados muitas vezes, de supervisores. A observação, a participação e a regência têm se constituído num conjunto de técnicas e instrumentos desarticulados de uma proposta pedagógica ou da realidade dos alunos que freqüentam as escolas em geral.

Outro ponto que destacamos consiste no fato de, principalmente, nas grandes capitais como São Paulo ocorrer, muitas vezes, dificuldades de locomoção dos alunos estagiários da escola até a Faculdade em função dos horários de aulas e da distância.

Através dessa nova oportunidade de estágio que o projeto LABVIRT oferece, muitos dos problemas levantados acima poderão ser solucionados ou amenizados como: a dificuldade de locomoção, uma vez que se tem a opção de trabalhar via Internet; a falta de controle e supervisão das atividades realizadas já que todo o controle será acompanhado por uma plataforma no qual se faz todo o controle do fluxo de encomendas de simulação; falta de horários disponíveis para as atividades de estágio, principalmente para os alunos do noturno; dificuldades de acesso dos estagiários junto as escolas, uma vez que os professores foram devidamente orientados e conscientizados da importância da participação deles nesse projeto tão inovador, dentre outras possibilidades.

## 3- UMA NOVA MODALIDADE DE ESTÁGIO:

Esse projeto, que a partir de 2004 entrou numa fase de ampliação englobando aproximadamente trinta escolas estaduais da grande São Paulo, consiste dos alunos do Ensino Médio elaborarem roteiros de simulação no qual chamamos de encomendas de simulação. Estes roteiros após serem analisados pela equipe de educação (fase que envolve a atuação principal dos alunos estagiários), são posteriormente enviados para outras duas equipes: uma de designers, composta por alunos de arquitetura da USP, responsáveis pela confecção dos desenhos e telas que compõe os roteiros de simulação e outra de programação, composta por alunos de Engenharia da Computação da Escola Politécnica da USP, responsáveis pela elaboração das animações e demais cálculos que englobam a simulação. Após a confecção das simulações, ela retorna para a equipe da Educação (incluindo os alunos estagiários) para sua validação e posterior publicação no site do LABVIRT (www.labvirt.futuro.usp.br).

Para a seleção dos alunos estagiários, demos preferência para aqueles que cursam licenciatura em Física e que estão cursando disciplinas que requerem horas de estágio obrigatório como Metodologia do Ensino de Física, didática dentre outras, uma vez que a participação desses alunos no projeto conta como horas de estágio para tais disciplinas. Nessa nova modalidade de estágio, o aluno estagiário poderá optar por trabalhar a distância (via Internet) apenas na análise dos roteiros enviados e confeccionados pelos alunos do ensino médio ou ainda participar junto com os alunos da escola e dos professores na elaboração desses roteiros. Para os alunos que participarem apenas na análise dos roteiros serão computadas quarenta horas de estágio nas disciplinas de metodologia do ensino de Física e para aqueles que irão atuar também junto às classes serão computadas sessenta horas.

Os alunos estagiários que se integrarem ao projeto poderão ter a oportunidades de acompanhar a rotina de sala de aula e vislumbrar possibilidades de colocar em prática, uma relação ensino-aprendizagem diferenciada. Essa diferenciação pode ser percebida através das seguintes articulações que acontecem entre a Física e outras áreas: a) Com a Área de Códigos e Linguagens: os alunos redigem roteiros de simulações, apresentando os conceitos de Física e cálculos envolvidos, as características dos personagens e suas ações, as ações do computador e as dos usuários. b) Com a Arte: a apresentação dos cenários e mensagens estimula a sensibilidade, a imaginação, o senso artístico e estético.

- c) Com a Ética: o ambiente cooperativo de aprendizagem sustenta-se no diálogo, na tomada de decisões coletivas, considerando-se diferentes pontos de vista. Foca a atenção a possíveis

mensagens discriminatórias, presentes nas mídias. Como atividades de estágio, o trabalho dos alunos estagiários consiste basicamente em:

a) Dar apoio pedagógico no planejamento e na execução da unidade didática do currículo do ensino médio da disciplina de Física que será dedicada à elaboração de simulações virtuais, através de cursos, encontros periódicos, atendimento via e -mail e possíveis visitas dos estagiários. A atuação desses estagiários poderá ser feita de duas maneiras: presencial, junto às escolas de ensino médio e à distância. Presencialmente e à distância, os estagiários darão atendimento aos alunos no processo de elaboração das simulações, apoiando-os nas dificuldades de conteúdo, de cálculos e de estruturação do roteiro. Além do atendimento às solicitações de alunos e professores, os estagiários podem sugerir alterações nos roteiros, visando enriquecê-los, dentre outras possibilidades. b) Receber, analisar, corrigir e encaminhar os roteiros de simulação elaborados pelos alunos do ensino médio. A comunicação sobre a elaboração desses roteiros será feita através da WEB, através de uma plataforma de comunicação (Share Point). A versão final dos roteiros é encaminhada às demais equipes do projeto (equipe de design que elabora os story boards, isto é, as histórias em quadrinhos, etc). Dúvidas e pendências durante o processo de produção são recebidas pela equipe da Faculdade de Educação da USP, incluindo os alunos estagiários, e remetidas aos professores responsáveis nas escolas

## 4- CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Acreditamos que essa oportunidade de estágio é muito rica para os alunos que serão futuros professores de física, pois além de possibilitar participar de um projeto de ensino utilizando novas tecnologias e com uma metodologia de ensino diferenciada, no qual os alunos levantam o problema, criam todo o enredo para a simulação incluindo eventuais cálculos e toda articulação de informações que a simulação demandar, permite também que conheçam um pouco do universo escolar e da sala de aula onde irão atuar futuramente, além de permitir amenizar ou sanar alguns dos vários problemas que as modalidades de estágios existentes apresentam. Os alunos estagiários trabalham num ambiente onde, além do contato com a escola, têm contato com alunos de arquitetura e engenharia num trabalho verdadeiramente colaborativo, suportado pela tecnologia.

Em nenhum momento estamos cogitando a idéia de substituir as modalidades clássicas de estágio tão fundamentais para a atividade docente, pois não é satisfatório que os alunos estagiários fiquem sem poder praticar o ensino em condições normais de sala de aula. No entanto, essa proposta busca trazer uma nova opção de estágio no qual acreditamos que a tendência dessa forma de trabalho, junto às escolas, tenda a aumentar cada vez mais e ser ampliada para outras disciplinas como já vem ocorrendo atualmente.

## REFERÊNCIAS:

YAGER, R E. e PENICK, J. E. Analysis of the currente problems with school science in the USA. European Jounal of Science Education, vol. 5, 463-59, 1983.

CARVALHO, Ana Maria Pessoa de & GIL-PÉREZ, Daniel. Formação de Professores de Ciências: tendências e inovações. Vol. 26. 2ª edição.Ed. Cortez. Cap. 05, 38-40, 1990.

CARVALHO, Ana Maria Pessoa de. Prática de Ensino: os estágios na formação do professor. Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais. São Paulo, 1985.

PIMENTA, Selma Garrido & GONÇALVES, Carlos Luiz. Revendo o Ensino de 2 Grau: Propondo a Formação de Professores. Coleção Magistério - 2 Grau. Editora Cortez, 1990.

PIMENTA, Selma Garrido; ANASTASIOU, Lea das Graças Camargos. Docência no ensino superior. Volume I. São Paulo: Cortez, 2002.

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