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AVALIAÇÃO COMO FACILITADORA DA APRENDIZAGEM

Célia Fudaba Curcio, Cesar Augusto Amaral Nunes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
27/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## AVALIAÇÃO COMO FACILITADORA DA APRENDIZAGEM

Célia Fudaba Curcio [ccurcio@futuro.usp.br] a Cesar Augusto Amaral Nunes [cnunes@anhembi.br] b

a Escola do Futuro da USP e Centro Universitário Nove de Julho - UNINOVE b Universidade Anhembi Morumbi e Escola do Futuro da USP

## RESUMO

Mostramos como a avaliação pode ser parte integrante do processo de aprendizagem. O uso de rubricas instrucionais e de atas de participações em trabalhos em grupo servem como ferramentas metacognitivas para alunos perceberem como estão a prendendo. Esses instrumentos foram utilizados ao mesmo tempo que alunos desenvolvem situações-problema que envolvem física e que são transformadas em simulações para a Internet com a ajuda de estudantes universitários. Os alunos criam as situações-problema e as transformam em roteiros de simulações. Nesse processo várias dimensões são avaliadas: conhecimento dos conteúdos, habilidades de trabalho em grupo, capacidade de expressão utilizando as mídias disponíveis, adequação ao -alvo, e cumprimento de prazos. A geração de um produto concreto combinada ao uso das atas e rubricas, usadas tanto em auto-avaliações como em avaliação por pares e pelo professor, garante um processo de aprendizagem diferenciado e bem sucedido.

## DESCRIÇÃO DO TRABALHO DESENVOLVIDO

Durante os meses de setembro e outubro de 2003 desenvolveu-se uma seqüência didática para nove aulas, sobre o tema Queda-Livre, numa primeira série do Ensino Médio de uma Escola Pública. Neste conjunto de nove aulas foram utilizados como recursos de ava instrucionais (Andrade, 2000) e elaboração de atas, na busca de se evidenciar o processo de construção do conhecimento desenvolvido pelos alunos em um ensino voltado para a compreensão (Wiske, 1998).

Na primeira aula, nove grupos de cinco alunos receberam cópias da proposta de avaliação por rubrica, apresentada na tabela 1, tendo sido orientados sobre a utilização adequada deste recurso e quanto à necessidade de que elaborassem atas/registros para cada atividade, onde descrevessem a de cada aluno.

Como atividade facilitadora da construção do conhecimento (Tishman, 1999) sobre QuedaLivre, cada grupo deveria produzir uma encomenda de simulação dentro do tema, a ser executada por alunos estagiários da Universidade de São Paulo e posteriormente publicada no site aberto www.labvirt.futuro.usp.br (Nunes, 2002), podendo ser visitada por qualquer pessoa interessada em compreender o tema.

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Tabela 1. Rubrica instrucional usada pelo professor e por alunos para auto-avaliação.

Durante esta primeira aula, cada grupo apresentou uma idéia inicial para simulação, mesmo sem conhecer as leis físicas que regem o movimento de Queda-Livre. A segunda aula se passou na Sala de Informática, quando os grupos trabalharam online. Exploraram uma das simulações do site, intitulada "O trapezista", a qual mostra transformações de energia mecânica. Os alunos podiam escolher a massa do trapezista e observar em câmara lenta com que velocidade este chegava na cama elástica, após se soltar do trapézio. Foi solicitado que respondessem se a massa do trapezista influenciava na sua velocidade de queda e que esboçassem um esquema de uma idéia de simulação sobre Queda-Livre, apresentando para a classe,

Utilizaram o livro de teoria adotado naquele ano para, durante a terceira aula, fazerem leitura silenciosa de texto e responderem a questões propostas, as quais induziam a se concluir que a Queda-Livre é um Movimento Retilíneo Uniformemente Variado. Solicitou-se que respondessem: "O que aprendi nesta aula será útil para a simulação?" Como lição de casa, deveriam estudar os exercícios resolvidos do livro. Na quarta aula, a professora resolveu um problema convencional e pediu que cada grupo montasse o enunciado do exercício que correspondesse à sua idéia de simulação. Deveriam fixar valores, de acordo com o projeto de cada grupo e depois apresentar a solução algébrica. Em casa, deveriam esboçar o mesmo problema, sem fixar valores.

A quinta aula foi utilizada para discutir o esboço de problema de cada grupo e apresentar um exemplo de encomenda de simulação. Como lição d e casa, deveriam fazer a sua própria encomenda de simulação. Durante a sexta aula, houve a troca simples das encomendas entre os grupos, para avaliação mútua e propostas de alterações e aperfeiçoamentos de um grupo para outro. A professora fez o fechamento na sétima aula, com as recomendações finais para cada grupo e orientou quanto aos meios para que as encomendas fossem enviadas para a Universidade de São Paulo. A oitava aula ocorreu no Laboratório de Física, onde os grupos realizaram experimento didático para determinar o módulo da aceleração gravitacional.

Após os trabalhos de design e programação executados pelos alunos estagiários da Universidade, as simulações foram publicadas no site e utilizou-se a nona aula para apresentar os resultados das encomendas na Sala de Informática. O que se pôde apreender do uso das atas e rubricas no processo de construção do conhecimento bem como algumas observações da professora

A

participação

e

possíveis causas para o fracasso,

Tabela 2. Uso das atas e rubricas e efeito na construção do conhecimento.

## CONCLUSÃO

O uso dos instrumentos de avaliação permite que o professor acompanhe de perto a aprendizagem dos alunos, mudando seu papel de responsável único pela transmissão do conteúdo para um auxiliador no desenvolvimento das idéias e da participação de todos na constr projeto do grupo. O uso das rubricas nos momentos de auto-avaliação ressalta aos próprios alunos o quanto estão evoluindo e o que é esperado deles, tendo um efeito metacognitivo pois passam a prestar atenção em como estão aprendendo (Davis, 2004). As atas escritas durante os momentos de trabalho em grupo ajudam na resolução de conflitos e mostram outra dimensão na aprendizagem, a de gerar um produto envolvendo uma equipe, contando com prazos e critérios de qualidade bem definidos.

## REFERÊNCIAS

ANDRADE, H.G. (2000) Using Rubrics to Promote Thinking and Learning. Educational Leadership, vol. 57, n.5, p. 13-18.

DAVIS, C., NUNES, M.R., NUNES, C.A.A. (2004) Metacognição e Sucesso Escolar: articulando teoria e

Caxambu, MG.

NUNES, C. A. A. (2002). Collaborative Content Creation by Cross-Level Students. Apresentado no 2th International Conference on Open Collaborative Design for Sustainable Innovation: creativity, control and culture for sustainable change. Bangalore, India, 1-2 December 2002. Disponível: http://thinkingcycle.media.mit.edu/thinkcycle/main/development\_by\_design\_2002 /publication\_collaborative\_content\_creation\_by\_cross\_level\_students/

TISHMAN, S., PERKINS, D.N., JAY, E. (1999) A Cultura do Pensamento na Sala de Aula. 1ª edição. Porto Alegre, Ed. Artes Médicas.

WISKE, M.S. (1998) What is Teaching for Understanding? Em 'Teaching for Understanding: Linking Research with Practice', ed. Wiske, M.S., Jossey-Bass Publishers, San Francisco.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.