QUAL O PAPEL DA INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO MÉDIO? - UMA EXPERIÊNCIA NO CEFETBA
Luzia Matos Mota, Jéferson Dantas Souza, Telma Cortêz Andrade
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVI
- Ano
- 2005
- Data
- 25/01/2005
- Linha de pesquisa
- Educação Científica E Formação Profissional, Políticas Para O Ensino De Ciência E Tecnologia, Ensino De Física E Estratégias Para Portadores De Necessidades Especiais
- Tipo
- Comunicação
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## QUAL O PAPEL DA INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO MÉDIO? - UMA EXPERIÊNCIA NO CEFETBA
Luzia Matos Mota [luzia@cefetba.br] a
Jéferson Dantas Souza [jefersonv8@hotmail.com] b Telma Cortês Andrade [telmaandrade@terra.com.br] c
a Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (CEFETBA) / Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC) b Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (CEFETBA) c Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC)
## RESUMO
O presente trabalho pretende apresentar os resultados relativos à experiência pioneira no estado da Bahia do programa de Iniciação Científica com alunos do Ensino médio de Escolas Públicas. Especificamente, vamos aqui relatar o desenvolvimento do projeto 'Diagnóstico de conforto ambiental na Biblioteca Raul Seixas do CEFETBA' que está sendo desenvolvido há nove meses dentro da Instituição CEFETBA. A experiência destaca-se pelo envolvimento de professores de física na orientação de pesquisa com alunos de ensino médio, que historicamente não participam desta esfera de produção de conhecimento. O exercício da produção científica, em qualquer nível, pode ser experimentado como uma forma privilegiada de aprendizagem tanto dos saberes formais na caso aqui relatado: Termodinâmica, Óptica e Acústica, bem como dos aspectos metodológicos que envolvem o trabalho da pesquisa (pesquisa bibliográfica, coleta de dados, construção de instrumentos de pesquisa, confecção de relatórios). Além desses aspectos, o trabalho aponta para o importante papel que a Iniciação Científica tem a desempenhar na formação de professores de qualquer área de conhecimento.
Palavras-chaves: Formação de professor, Políticas Públicas em Ciência e Tecnologia e Interdisciplinaridade.
## INTRODUÇÃO
## O projeto
O programa de Iniciação Científica Junior é uma experiência voltada para alunos do ensino médio e visa o aprendizado, domínio e aplicação de técnicas e métodos científicos, bem como o desenvolvimento da formação científica e da criatividade, no confronto direto com os problemas oriundos da pesquisa. O programa resulta de um convênio entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), com a finalidade de estimular talentos do ensino médio na área científica.
O Programa tem, de acordo com as agencias fomentadoras, os seguintes objetivos:
- · Iniciar os alunos do ensino médio na prática da pesquisa científica;
- · Descrever a mentalidade científica, crítica e criatividade dos alunos;
- · Estimular o professor orientador a formar equipes de pesquisa;
- · Estimular os alunos à participação de eventos científicos e à publicação dos trabalhos.
- · Contribuir para difusão dos conhecimentos científicos, desmistificando a ciência e articulando pesquisa e ensino.
Dentro dessa perspectiva, um grupo de profissionais formado por Professores de Física do Ensino médio do CEFETBA, da Engenharia (FTC), além de Professores da Escola de Arquitetura (UFBA) propôs um estudo dentro da Biblioteca do CEFETBA para avaliar as condições de Conforto Ambiental dentro do ambiente escolar, já que é primordial uma adequação dos elementos que implicam em um ambiente confortável para alunos e professores conduzirem o processo de ensino e aprendizagem.
O projeto é desenvolvido através da análise de variáveis térmicas, acústicas e luminosas no ambiente construído. O bolsista de Iniciação Científica Junior foi solicitado para realizar uma investigação desses vetores dentro da Biblioteca do CEFETBA. Assim essa experiência começou.
## Os sujeitos
O bolsista de Iniciação Científica Junior ficou sob a orientação da Professora de Física do Ensino Médio do CEFETBA Luzia Mota que é a primeira autora desse trabalho. O Bolsista foi escolhido através de uma seleção pública, onde foram utilizados critérios que envolviam o rendimento escolar e competências que contribuíssem para o desenvolvimento do projeto. O Aluno selecionado foi o estudante do segundo ano do ensino médio do CEFETBA Jéferson Dantas.
O projeto está sendo realizado em parceria com o Laboratório de Conforto Ambiental da Universidade Federal da Bahia (LACAM - UFBA), Coordenado pela Profa. Dra. Telma Cortês Andrade, que tem cedido os equipamentos utilizados para a medição das variáveis ambientais na biblioteca e participado também dos trabalhos de campo.
A Plano de trabalho tem duração de um ano e sua conclusão está prevista para novembro de 2004. É importante registrar que, do orientador exige-se o mestrado como grau mínimo de escolaridade.
## O TRABALHO DE PESQUISA COM ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO
A experiência de desenvolver um trabalho de pesquisa institucional em um nível de ensino que historicamente não tem acesso a programas de financiamento se constitui, na realidade do estado da Bahia, em um desafio em muitos aspectos, nos deteremos aqui em dois: O professor e o aluno que participam dessa experiência.
Inicialmente existe, a grande distância entre o trabalho ordinário de sala de aula do professor desse nível de ensino, que apesar de ter passado por curso de pós-graduação (mestrado), tem a sua prática docente afastada do treinamento necessário para a condução de uma pesquisa e conseqüente orientação de um estudante.
O elemento que propicia a entrada neste cenário do professor de ensino médio é o fato deste programa de Iniciação Científica, financiar bolsas para estudantes que não estão em centros universitários e sim em escolas médias, o contato direto destes estudantes é com seus professores, que na maioria das vezes não tem a titulação necessária para obter financiamentos e quando tem a titulação não desenvolve pesquisas por impossibilidades bastante conhecidas: carga horária alta, falta de apoio, distanciamento com grupos de pesquisa, etc.
A formação do aluno de ensino médio é também um aspecto que deve ser levado em consideração, já que, a prática da pesquisa, apesar de ser considerada como uma habilidade a ser desenvolvida na formação de cidadãos, não é levada em conta nas atividades curriculares desenvolvidas. Treinar esses estudantes é uma tarefa que deve ser muito bem executada, sob pena de prejudicar o
desenvolvimento do estudante na carreira profissional e também comprometer um programa, do ponto de vista aqui defendido, com características positivas.
Para desenhar um quadro onde esses dois aspectos são explicitados é interessante notar que de todos os projetos aprovados neste citado edital, apenas um bolsista é orientado por um professor que atua em escola de ensino médio, que é o projeto aqui analisado e que está dentro de uma categoria especial pois a Instituição relacionada faz parte da rede federal de Educação Profissional.
## RESULTADOS ALCANÇADOS
Apesar das dificuldades apontadas, os resultados alcançados são animadores, já que o plano de trabalho do bolsista tem sido cumprido com rigor e é imperioso observar a qualidade do trabalho realizado pelo bolsista que mesmo não tendo as características dos alunos de graduação, que desde a sua entrada na Universidade são direcionados e incentivados para o trabalho de pesquisa, tem conduzido a realização das etapas do projeto com seriedade e autonomia.
A prática profissional do docente envolvido em um projeto de orientação é, de fato aperfeiçoada. E pode render estudos importantes sobre formação de professores. Isto permite uma primeira avaliação positiva deste programa pioneiro na Bahia e apresenta a todos os envolvidos a importância de divulgar os resultados alcançados até agora.
## REFERÊNCIAS
ANDRADE, T. C. Q.; NERY, J. M. F. G.; FREIRE, T. M. M.; SOUZA, Maria das Graças O. C. de; Conforto ambiental e conservação de energia no ambiente construído. Revista baiana de tecnologia (TECBAHIA), Salvador,v.17, n.3, p.29-33, set/dez. 2002.
CHALMERS, A. S. O que é ciência afinal? São Paulo: Ed. Brasiliense, 1993.
COSTA E.C.da. Física aplicada à construção , Conforto Térmico, segunda edição, Porto Alegre: Edgard Blucher, 1974.
DELIZOICOV, Demétrio et al Ensino de Ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Ed. Cortez, 2003.
FOUREZ, Gerard. A construção das Ciências: Introdução á filosofia e a ética das ciências. São Paulo: UNESP, 1988.
LAMBERT, Roberto. et al. Eficiência energética na arquitetura , Santa Catarina: PW editores, 1997.
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