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Aula Magna, Aula magistral, ``Aulão": Uma experiência

Armando Dias Tavares Jr., Lilian Pantoja Sosman, Raul José M. Da Fonseca, Antonio Carlos Pereira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
25/01/2005
Linha de pesquisa
O Ensino De Física Para A Graduação (Física, Engenharias, Química, Biologia, Arquitetura, Arte, Etc.)
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ,Aula Magna, Aula magistral, 'Aulão': Uma experiência

A Dias Tavares, Jr. a (tavares@uerj.br) a

L. P. Sosman (sosman@uerj.br) a

R. J. M. da Fonseca (rauljose@uerj.br)

A. C. Pereira a

a DEQ - IF/UERJ, R. S. Francisco Xavier 524; Rio de Janeiro/RJ, 20559 900 Brasil

## Resumo

Em um momento histórico no qual mais e mais estudantes pressionam as portas das universidades, principalmente daquelas públicas, consideramos fundamental a abertura de discussão que nos leve a uma mudança de paradigmas no ensino de Física. Analisamos o método que foi implantado no DEQ/Instituto de Física da UERJ, para o ensino de Física para o curso de Engenharia. A primeira disciplina para a qual o método foi implementado foi a denominada Física Teórica e Experimental III, que aborda os tópicos básicos de eletricidade e magnetismo. As razões para a implantação desse método e seus desdobramentos são apresentadas. Neste trabalho, procuramos responder às questões que são levantadas por professores impressionados com a massa de estudantes presentes no que convencionamos chamar de 'aula magna'. São comparados resultados quanto ao índice de aprovações usando este método e aquele que convencionamos chamar de tradicional. As implicações resultantes bem como as possibilidades decorrentes da aplicação do método são também discutidas

## Introdução

É desnecessário lembrar as dificuldades que os alunos enfrentam ao cursar Física pela primeira vez. Os motivos são diversos e levam o aluno a sentir um embaraço quase intransponível quando cursando esta disciplina. Podemos dizer que o ensino da Física, ainda que para estudantes de Engenharia, tem uma orientação para o significado [ 1], envolvendo uma abordagem profunda do estudo, estabelecida através do relacionamento entre idéias, da capacidade de abstração e do recurso a conhecimentos pré-adquiridos, principalmente de matemática. Parece bastante claro que, para muitos alunos, esse seria o primeiro momento de suas vidas estudantis em que este tipo de orientação é aplicado, o que redunda nas já referidas dificuldades. Buscando resolver estes e outros problemas, inerentes ao sistema tradicional de ministrar aulas, é que resolvemos implantar um sistema muito usado em países do Primeiro Mundo, a chamada 'aula magna'. Implementamos um sistema que atende a um número grande de alunos simultaneamente, mas que também se ampara em métodos mais modernos de modo a facilitar o aprendizado da disciplina.

No primeiro semestre de 1996, o Dep. de Eletrônica Quântica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, responsável por ministrar a disciplina Física Teórica e Experimental III para o curso de Engenharia, acolheu reivindicações dos estudantes e resolveu implementar uma reformulação nos métodos do curso. Inicialmente, foi implantada uma sistemática para as avaliações, sendo esta uma das reivindicações mais antigas dos estudantes, uma vez que a não uniformidade das avaliações turma a turma transmitia-se aos coeficientes de rendimento (CR). Como as carreiras na Engenharia eram escolhidas pelos alunos quando concluíam o básico, com prioridade para aqueles com maior CR, as flutuações nas avaliações das diferentes turmas da mesma disciplina tornava injusto esse critério, mormente quando a disciplina tinha um grande número de créditos (no caso, 06 créditos). Com a implantação das avaliações unificadas, todas as turmas passaram a ter o mesmo horário de aulas, facilitando a sua reunião para as provas. Finalmente, passou-se a reunir todas as turmas para as aulas de teoria e exercícios. Uma peculiaridade de nosso curso é a de que as aulas de laboratório são parte integrante da cadeira, introduzindo e acompanhando pari passu o desenvolvimento da parte teórica da disciplina. No caso, as turmas para aulas práticas experimentais têm no máximo 25 estudantes.

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## Metodologia

## · Aulas teóricas -

As aulas são ministradas em auditório, sendo três tempos de aula para exposição da teoria. Devido às limitações físicas, por turno (manhã, tarde e noite), os grupos podem ser de até 240 alunos, embora raramente passem de 150 estudantes. A cada semana é dado um módulo completo da disciplina. Estimulam-se os alunos a ter contato com o módulo antes da sua apresentação e discussão. A cada semana um dos professores alocado para a disciplina faz a exposição do módulo previsto. Acontece então um rodízio entre os professores.

A idéia por trás desta proposta é facilitar o controle da disciplina e a coordenação dos professores que a ministram, assegurando o cumprimento do programa e a alocação na mesma dos professores interessados no projeto. Esse procedimento também contribui para otimizar os horários dos cursos de Engenharia. Uma outra vantagem é a de permitir uma eficiente reposição de aulas em casos que tenham fugido ao planejamento inicial, como em greves etc. O professor conta com sistema de som e de projeção (retroprojetor, projetor de diapositivos, projetor de multimídia). As notas de aula, abrangendo tanto as aulas teóricas como as experimentais, são disponibilizadas com antecedência, além de uma lista de exercícios propostos.

Os outros três tempos previstos para a parte teórica, denominados prática , envolvem a solução de exercícios típicos do módulo da semana e a aferição de alguns dos exercícios propostos do módulo da semana anterior. Tal prática tem por objetivo incentivar o aluno a estudar a matéria à proporção que a mesma lhe é apresentada, o que pedagogicamente é muito mais frutífero ao passo que tradicionalmente o estudante tem grande dificuldade de estudar em sincronia com as aulas.

## · Aulas práticas -

Aulas práticas demonstrativas passam a ser dadas como motivação para a aula teórica e são em torno de uma por módulo. Quando não há a prática demonstrativa aplica-se um outro tipo d e estímulo (filme, 'software' de demonstração) para embasar o conteúdo da aula teórica.

As aulas de laboratório têm os seus roteiros fornecidos ao estudante no início do período para que este possa tomar conhecimento de seu conteúdo. As aulas de laboratório são em número igual ao de módulos teóricos. No laboratório o estudante tem um contato maior com o professor que pode auxiliá-lo mesmo nas dificuldades da parte teórica da disciplina.

## · Avaliação -

Há três formas de avaliação: a avaliação por provas (duas provas e mais uma prova de reposição), com peso dois; a avaliação de laboratório, com peso um e as notas dos testes quinzenais, também com peso um.

O ponto importante nessa modificação é que se passou a valorizar, através das notas dos testes, o tempo do aluno dedicado ao estudo continuado da matéria. Consegue-se com isso diminuir o impacto das notas das provas de teoria, que envolvem uma quantidade muito grande de matéria, e ao mesmo tempo estimular o estudo seqüencial da disciplina. Desse modo acreditamos beneficiar duplamente os alunos que estudando de modo continuado terão mais facilidade na prova de teoria, além de já contar com uma nota a mais para elaboração de seu grau final.

## Discussão e resultados

A principal crítica que ouvimos à nossa proposta, agora implantada, é a de que fica mais difícil a comunicação com os estudantes; '... perde-se a intimidade...'; '... fica difícil se aproximar do estudante...'; '... o estudante fica inibido...'; '... é muita gente...' (?); '... isso não dá certo...' etc. Entretanto vemos que muitos estudantes preferem ter aulas desse modo e até reclamam que

outras disciplinas não implementam o mesmo sistema. Da nossa experiência, em que as turmas normalmente têm minimamente mais de 60 estudantes, nos interrogamos 'Qual a dificuldade muito maior que uma turma de 120 estudantes apresenta frente a uma outra com 60 estudantes no tocante a exposição da matéria para a mesma?'. Na verdade a diferença é muito pequena e percebemos que o desconforto que o professor sente é devido às suas próprias inibições e não a uma dificuldade inerente apresentada por um grupo maior de estudantes.

Podemos listar as vantagens comuns a esse sistema em dois grupos principais:

- · Vantagens de ordem administrativa -
- · Facilidade de estabelecimento de um horário semestre a semestre
- · Diminuição da pulverização de turmas
- · Diminuição dos custos de operação em termos de professores
- · Melhor controle da matéria dada e das reposições de aulas
- · Homogeneização dos critérios para um mesmo curso
- · Possibilidade de abertura de novos campi regionai s sem a contratação de professores específicos para os mesmos (os professores da equipe se revezariam, indo cada um deles por um dia em cada semana).
- · Aumento do número de vagas
- · Diminuição do custo do curso
- · Primeiro passo para implantação de um curso a distância
- · Formação de equipes para trabalho com grande número de alunos
- · Vantagens de ordem acadêmica -
- · Motivação maior devido à demonstração experimental dos fenômenos físicos em aula teórica.
- · Motivação maior devido a aulas com diferentes professores.
- · Motivação maior pelo estudo da teoria em sintonia com a parte experimental.
- · Motivação maior pela delimitação dos problemas realmente importantes em cada módulo.
- · Índice de aproveitamento maior devido a novos estímulos.
- · Aumento da quantidade de conhecimento apreendido no mesmo intervalo de tempo
- · Diminuição da repetência
- · Diminuição da evasão
- · Inexistência do 'paternalismo' que ocorre comumente em pequenas turmas, preparando o aluno para o mercado de trabalho.

## Conclusões

Acreditamos que, usando metodologias modernas aliadas à boa preparação dos materiais e equipamentos didáticos, seja possível dar aulas com bom rendimento para grupos bastante grandes. Na verdade consideramos que a limitação maior é aquela devida aos espaços físicos que permitam reunir grandes grupos com conforto.

Num país com as enormes deficiências que o Brasil apresenta, ocupando atualmente a 15ª posição na economia mundial e retrocedendo rapidamente, devemos fazer um esforço concentrado para permitir o acesso da população à Universidade, portanto uma prática como a que propomos permitiria aumentar rapidamente o número de vagas e assim absorver muitos doutores que estão disponíveis no mercado de trabalho.

Em um momento em que se discute a implementação de cursos não presenciais como solução para tantos problemas acreditamos fortemente na capacidade do trabalho presencial do professor, ainda que para uma grande platéia.

Com referência a índices de aprovação obtivemos bons resultados uma vez que os mesmos mais do que dobraram ao longo desses anos, alcançando 80%, de aprovação, o que é raro nesta disciplina quando a analisamos como um todo e não em uma amostragem contendo apenas uma turma. Atualmente, ao fazer a disciplina pela primeira vez, os estudantes apresentam-se bem mais motivados, devido tanto à desmistificação da Física Teórica e Experimental III como disciplina de extremo grau de dificuldade, como também pela sua consciência da organização e sistematização do curso como facilitadoras de seu aprendizado.

Finalmente, queremos dizer que é apenas através da educação e da educação libertadora que poderemos reverter grande parte dos problemas que nos afligem. Queremos abrir a discussão para que este método seja parte integrante do esforço concentrado para solução de nossa dívida social.

## Bibliografia

[1] - da Cunha, M. I.; B. C. Leite, D. Decisões Pedagógicas e Estruturas de Poder na Universidade , Papirus Ed., Campinas/SP, 1996

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