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IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM FÍSICA VIA REDE SÓCIO-TÉCNICA

Ingrid Aline De Carvalho, Rejane Aurora Mion

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
25/01/2005
Linha de pesquisa
Formação Do Professor De Física (Todos Os Níveis De Escolaridade)
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM FÍSICA VIA REDE SÓCIO-TÉCNICA

1 MION, Rejane Aurora CARVALHO, Ingrid;

1- Universidade Tuiutí do Paraná - Programa de Pós -Graduação em Educação - Mestrado em Educação

1 rejane.mion@utp.br

## 2 idyni@hotmail.com.br

Objetivando uma mudança do ensino de ciências, o presente trabalho apresenta elementos p ara a discussão da questão da implementação das redes sócio-técnicas com viés em Bruno Latour para a formação de professores em Física. Adotada a linha de pesquisa - educação cientifica e tecnológica na formação de professores, propomos uma revisão de literatura sobre: (1) alfabetização científica e tecnológica, (2) a concepção de Educação como Prática da Liberdade e (3) as implicações da ralação Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), como subsídios para esta rede. A tendência é adotar metodologias baseadas na colaboração dos professores que visem a disseminação da idéia professor e pesquisador (investigador -ativo), contribuindo para um educador crítico tendo como base questões que permeiam a educação cientifica e tecnológica.

Neste ensaio estaremos buscando diferentes estratégias didático-metodológicas que possibilitem um ensino-aprendizagem mais significativo. Neste contexto, o diálogo (FREIRE, 1983) é imprescindível para se conseguir bons avanços neste aspecto, na busca de uma relação mais humana, entre estudantes e professor, participantes deste processo.

Por este motivo, buscamos estudar as redes sócio-técnicas do sociólogo Bruno Latour, como uma proposta didática-metodológica que possibilite uma formação acadêmica e conseqüentemente um ensino-aprendizagem mais significativo. Esta rede, composta de fluxos, circulações, alianças, movimentos sem remeter a uma entidade fixa, munida com seus atores, não é redutível a um ator sozinho, pois ela é composta de séries heterogêneas de elementos, os humanos -animais racionais (fatos) e os não-humanos -animais irracionais (objetos) tecnocientíficos. Suas formas, seus sentidos, atributos e possíveis usos são sempre definidos no interior das redes sócio-técnicas que sustentam a produção científica.

## 1.- Professor e Pesquisador (investigatigador-ativo)

A pesquisa sempre pressupõe uma indagação, por isso a investigação constante e o questionamento tornam -se necessários à formação do professor e pesquisador (investigadorativo) adotando uma postura reflexiva em relação à sua prática educativa. Buscando teorizar suas

ações e refletindo sobre sua prática, o professor vai adquirindo maior competência e tornando-se um orientador do processo de reconstrução do conhecimento.

Para FREIRE (2004):

'não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.... 'Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade'. FREIRE (2004, p: 24):

Para isto, propomos neste ensaio munir nosso aprendiz de professor a investigação-ação, (MION, 2001), vivenciando os momentos que formam a espiral de ciclos auto-reflexiva lewiniana (LEWIN, 1949) composta de planejamento, ação, observação e reflexão, pois ao vivermos este processo, estaremos refletindo sobre nossas próprias práticas educacionais, direcionando nossa ação para a conscientização dos envolvidos mediante sua realidade para transformá-la.

Ou seja, um professor na rede, além de fazer bem feita a sua faceta de ensinar, terá o seu momento de pesquisar, intrigar, perguntar e, partindo de idéias iniciais, lapidando-as procurar soluções e apontar estratégias para mudar a realidade afligente. Ou seja, como professores e pesquisadores (investigador-ativo) possibilitarem as pessoas a conhecerem a ciência, se familiarizarem, incorporarem suas leis, fenômenos, conceitos...

## 1.2- As Dimensões da Rede Sócio-Técnica na Formação Docente

Uma rede sócio-técnica é caracterizada por sua heterogeneidade, provida de conexões, pontos de convergência e bifurcação, com múltiplas entradas. Esta rede, capaz de crescer por todos os lados e direções, é definida pelas negociações internas sem limites externos, sendo seu único elemento constitutivo o nó.

Queremos nesse momento deixar bem claro que, para este ensaio, a noção de rede sóciotécnica bem como a permanência nela está na produção científica, e segundo Latour (1997), os que não produzem ciência ou não se apropriam dela, caem por entre suas malhas.

Então, como poderemos adquirir habilidades em se propagar nas redes? Nos apropriando de preceitos científicos, nos quais permeiam as redes sócio-técnicas. Fatos (ciência pronta conhecimento tácito) e máquinas, humanos e não-humanos, provocar movimentos (inércia), é possível chegarmos a tecnociência (ciência e tecnologia) formando uma simetria sócio-cultural, são alguns aspectos envolvidos. A base para a produção de conhecimento em rede é a cultura. Só

se desenvolve o aspecto de determinada rede se fizerem parte da cultura popular de todos os envolvidos nela, junto com a bagagem histórica, para provocar rupturas nos mitos préestabelecidos.

## 1.3- As Implicações da Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) em Rede Sócio-Técnica

Neste ensaio, ao nos referirmos a Ciência, Tecnologia e Sociedade, não cogitamos ao progresso tecnológico, mas no indevido esmero que governantes têm para com a tecnologia, sendo esta direcionada para a promoção e interesses de poucos. Ter acesso às tecnologias, mas não compreende-las, e ou, não ter acesso algum acentua a exclusão e desigualdade social. Por este motivo acreditamos que através de uma educação baseada em Paulo Freire (educação como pratica da liberdade) e tendo subsídios em Bruno Latour (redes sócio-técnicas) favoreçam para mudar esta situação.

BAZZO (1998) defende a perspectiva caminhar para uma mudança cultural, onde o desenvolvimento científico-tecnológico esteja co-ligado ao desenvolvimento de toda a sociedade. Para isto é necessário que nossos professores adotem uma nova abordagem no ensino de ciências, não apenas com conhecimentos e habilidades para o exercício de sua profissão, mas com elementos que leve seus alunos a serem crítico-ativos na participação das inovações científicotecnológicas.

## 1.4- Algumas palavras sobre a Alfabetização Cientifica e Tecnológica

Para isto utilizaremos, a proposta de uma alfabetização técnica, na qual segundo (DE BASTOS, 1990), a 'alfabetização técnica' é uma concepção de ensino dialógico de ciências naturais, envolve uma situação gnosiológica, isto é, os problemas concretos que a realidade levanta. Segundo o autor, o que se pretende com esta 'alfabetização técnica' é que os educandos dominem alguns aspectos técnicos, ou seja, alguns princípios de funcionamento de algumas máquinas e sistemas, para assim facilitar a compreensão de fenômenos e leis físicas envolvidas na descrição dos fatos e fenômenos observados, estando diretamente ligados com o tema abordado e, principalmente, ser familiar ao educando.

Nisto levantamos o seguinte problema: De que maneiras podemos utilizar as redes sóciotécnicas de Bruno Latour para a formação do aprendiz de professor em Física?

Para este fim, utilizamos uma metodologia de investigação como pesquisa à livros e periódicos pertinentes ao tema. Optando por u ma pesquisa qualitativa, apontados resultados préliminares, para num futuro próximo vincularmos a aplicação da proposta para a formação de professores em Física via rede sócio-técnica, no ensino superior.

Realizada a pesquisa a livros e periódicos pertinentes ao tema, apontamos que formar um professor subsidiado pelas redes sócio-técnicas de Bruno Latour, contribuí para a formação do discernimento do profissional da educação no que rege as implicações da CTS (ciência, tecnologia e sociedade) no trato da ciência e da tecnologia não apenas como instrumento de poder, mas sim de vivência ativa e desenvolvimento humano na sociedade.

Assim sendo, seja na educação tecnológica, na formal e/ou na popular, o que propomos neste ensaio é formar o professor subsidiado pela rede sócio-técnica, ou seja, um educador provido de educação orientada para a reflexão da realidade que leva à conscientização, seguida da participação efetiva na sociedade, contribuindo para a construção cientifica, processo que tem como resultado uma mudança cultural.

## 2Bibliografia.

BAZIN, M. O cientista como alfabetizador técnico. In: ANDERSON, S.; BAZIN, M. Ciência e (in)dependência , Lisboa: Livros Horizonte p. 94-98. v.2, 1977.

Ciência na Cultura? Uma práxis de educação em Ciências e Matemática: Oficina Participativa . 1999.

FREIRE, P Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa . São Paulo: Paz e Terra, 2004.

Pedagogia do oprimido . 13. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. MION, Rejane. A. & DE BASTOS, Fábio. P. Investigação e a concepção de cidadania ativa. In: MION. R. A; SAITO, C. H. Investigação-ação: mudando o trabalho de formar professores. Ponta Grossa: Planeta, 2001.

LATOUR, Bruno La science en action . Paris, Pandore. 1990

BAZZO, Walter Antonio. Ciência tecnologia e sociedade e o contexto da educação tecnológica . Florianópolis, SC: Editora da UFSC, 1998.

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