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FISICEP: UMA PROPOSTA DE TRABALHO

Tony Marcio Groch, Marcio José Cabrera, Albano S. M. Sampaio, Julio César Muchenski, Alisson Antonio Martins, Rafael Sfair De Oliveira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
25/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FISICEP: UMA PROPOSTA DE TRABALHO

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Tony Marcio Groch [tonygroch@seed.pr.gov.br] Marcio José Cabrera [mjcfisica@yahoo.com.br] a Albano S. M. Sampaio [albanosampaio@bol.com.br] a Julio César Muchenski [muchenski2000@yahoo.com.br] a Alisson Antonio Martins [realisson@yahoo.com.br] b Rafael Sfair de Oliveira [rso01@física.ufpr.br] b

a Colégio Estadual do Paraná b aluno de Física da UFPR

## RESUMO

A proposta de ensino desenvolvida pelo Colégio Estadual do Paraná(CEP) baseia-se em estimular a iniciativa dos estudantes, destacando o aspecto lúdico da criação, da descoberta e da redescoberta. O professor torna-se um facilitador do conhecimento, atribuindo ao aluno a responsabilidade e o prazer de ser o agente ativo do processo. O FISICEP (Física Instrumental Social Intra-CEP) tem como objetivo principal a construção de instrumentos com materiais de baixo custo e a produção de textos que promoverá a socialização do conhecimento científico, através da Internet e de exposições interativas dentro e fora do CEP . O ensino de Física, segundo as diretrizes dos parâmetros curriculares, deve ser contextualizado com realidade vivenciada pelos alunos, buscando a formação cidadã, dando as condições necessárias para entender o mundo a sua volta. O FISICEP, não se caracteriza por um 'clube de ciência' (que objetiva Feira de Ciências ou reunião de pessoas com aptidão para a Física), trata-se de uma proposta inicial de transformação de como nós professores ensinamos a física. Tendo como meta, a transformação metodológica de ser capaz de lançar desafios para o qual ainda não conhecemos a s respostas, contrariando o estereótipo de 'sabe-tudo', despejando 'coisas prontas', deixando de ser burocratas do ensino, para o de criadores de desafios para a interpretação de fenômenos dentro e fora de sala de aula.

## A proposta e o desafio

## A necessidade de mudança

O Colégio Estadual do Paraná(CEP), considerado como uma referência de Ensino Médio para o Estado Paraná, quer pelos seus 156 anos de história e pelo seu tamanho(conta com 4700 alunos e 170 professores, sendo 23 professores de física); vinha sofrendo de falta de interesse por parte dos alunos do conhecimento científico, principalmente pela Física, ocasionando reprovações e dependências em demasia, levando os professores de física a analisar as causas e propor mudanças.

Normalmente, quando surgem dificuldades no ensino, as razões que afloram são: falta de formação do corpo docente, falta de materiais de laboratório, poucas aulas em cada série, baixa remuneração do professor (causando falta de motivação), falta de vontade de aprender dos alunos, etc. Porém, pouco ou nada se faz. A mudança de paradigma educacional é lenta, principalmente porque nós professores fomos treinados com uma aprendizagem passiva, não somente na Universidade, mas em toda a nossa vida escolar. Para vencer a esta inércia se faz necessário uma motivação interna e externa, ou seja, da escola e do próprio professor; ambos devem tomar consciência da necessidade de mudança. Nossa experiência mostra que esta transformação deve ser

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gradual e constante: cada professor deve aderir ao projeto assim que se sentir motivado, para a mudança de paradigma e ação.

## Cultura científica para todos

A cultura científica é um direito de qualquer cidadão, pois somente será um cidadão no sentido lato da palavra, se além de possuir alfabetização primária, tenha condições de compreender os aspectos científicos que permeiam a sua vida cotidiana: como ler e compreender o manual de um eletrodoméstico, formar uma opinião de uma informação de um telejornal ou de uma revista sobre a escassez de água e energia, etc. Esta linguagem contribui para a formação cidadã e não somente para a compreensão de processos, sabendo o que estamos fazendo e ouvindo, amplia nossa capacidade de ser cidadão.

Poucos alunos se tornarão pesquisadores, por isso devemos possibilitar uma formação científica abrangente para que todos estejam aptos à compreensão da importância da ciência para o homem. Portanto, devemos desmistificar a idéia de que a ciência é uma coisa complicada e difícil. A criança e o adolescente trazem dentro de si o potencial criador que permite que eles mesmos sejam protagonistas de sua aprendizagem, que é tolhido pelo ensino burocrático, tornando um ser passivo no processo, fixando-se mais na matematização dos fenômenos que na sua compreensão.

- O Ensino de Física deve proporcionar o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; através da compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática. Portanto esta proposta de ensino desenvolvida pelo CEP baseia-se em estimular a iniciativa dos estudantes, destacando o aspecto lúdico da criação, da descoberta e da redescoberta; sendo que o professor torna-se um facilitador do conhecimento, atribuindo ao aluno a responsabilidade de ser o agente ativo do processo.

## O FISICEP

A proposta do FISICEP (Física Instrumental Social Intra-CEP), iniciou-se da vontade e da necessidade que os professores sentiram de promover uma mudança de paradigma de ensino. O objetivo principal é a construção de instrumentos com materiais de baixo custo e a produção de textos que promoverá a socialização do conhecimento científico. O projeto não se caracteriza por um 'clube de ciência' (que objetiva Feira de Ciências ou reunião de pessoas com aptidão para a Física), trata-se de uma proposta inicial de transformação de como nós professores ensinamos a física. Tendo como meta, a transformação metodológica de ser capaz de lançar desafios para o qual ainda não conhecemos as respostas, contrariando o estereótipo de 'sabe-tudo', despejando 'coisas prontas', deixando de ser burocratas do ensino, para o de criadores de desafios para a interpretação de fenômenos dentro e fora de sala de aula. Busca, em seu desenvolvimento, fazer com que os estudantes descubram o aspecto lúdico de fazer ciência, seguindo as concepções construtivistas, uma vez que reforça a organização e o planejamento a cargo do aluno.

Para selecionar os alunos, foi realizada uma entrevista que verificava o interesse pelo desenvolvimento do projeto; iniciando com um grupo piloto de 35 alunos da segunda série do período vespertino, que se envolveram de forma voluntária, sem qualquer garantia de nota, por participação e nenhum outro tipo de privilégios pensável. O grande grupo foi divido em três grupos de trabalho, a qual não sofreu nenhuma imposição externa, ou seja, foram os próprios alunos que se reuniram entre si e se estabeleceram enquanto grupo. Outro detalhe que merece destaque é o fato dos alunos serem de turmas diferenciadas, o que l hes possibilitou o contato com outros alunos e outros professores de Física. Vemos estes fatores como positivos, pois propiciam a análise também

sob o ponto de vista comportamental dos alunos envolvidos no projeto: o que isto pode influenciar no desenvolvimento de determinada prática? Qual a contribuição que cada membro da equipe pode dar? Veremos situações parecidas com o que acontece em sala de aula, como a criação de 'panelinhas'? Eles próprios desenvolveriam projetos de seus interesses, seriam protagonistas da sua aprendizagem; o próprio nome do projeto foi sugerido pelos componentes. O grupo teria a responsabilidade de apresentar para seus colegas e para a comunidade interna e externa ao CEP, os conhecimentos adquiridos.

Muito do que se ouve falar a respeito dos problemas do ensino de ciências decorre da premissa de que a falha central que ele apresenta está na sua desvinculação das atividades práticas. Aqui entra a questão do laboratório didático e sua utilização. Ninguém discorda que o laboratório proporciona um novo enfoque aos conceitos tratados e que desperta uma expectativa diferente da vivenciada em sala de aula. No entanto, não é a simples utilização do laboratório que está em questão, mas o fato de como este laboratório vem sendo utilizado. Muitas escolas não possuem laboratórios e algumas que possuem, muitas vezes, nem fazem uso. Como ficaria então o problema da falta de atividades práticas dado que não se possui tal espaço privilegiado para a sua execução? Quando falamos que precisamos atentar para o uso que se faz do laboratório queremos dizer que a atual prática está falida há tempos. Dizemos isso por pensarmos que o laboratório didático tradicional reflete uma concepção equivocada do fazer ciência, considerando a mesma como sendo estática, onde, um observador, independentemente daquilo que pensa, consegue chegar aos resultados verdadeiros apenas pela aplicação de um método científico unificado. Isto se mostra no que se cobra de uma atividade prática que tem tal tipo de abordagem, por exemplo, quando se busca descobrir ou formular uma lei acerca de um fenômeno específico. A utilização alienada do método científico faz com que seja jogada no lixo todas as expectativas e idéias prévias que o aluno pudesse ter, fazendo com o mesmo encare a ciência como algo parado no tempo e no espaço sem a participação efetiva do envolvido no experimento, a ele só basta coletar os dados corretos que fatalmente chegará à lei esperada. A ciência deve ser vista como uma construção humana e que se desenvolve por acumulação, continuidade ou ruptura de paradigmas, sempre acompanhando as transformações da sociedade.

O que não se pode confundir é a necessidade de atividades práticas no ensino de ciências com a necessidade de um ambiente com equipamentos especiais para a realização de trabalhos experimentais (Borges, 2002). O FISICEP fundamenta-se nessa premissa, de utilização de materiais de baixo custo e a socialização do conhecimento científico para a comunidade.

Outra discussão tem a ver com o fato de que ''no processo de transposição didática o método experimental se transformou em objeto do 'saber a ensinar', introduzido através do laboratório didático, sem função precisa no processo de ensino-aprendizagem''(Pinho, 2000). Isto tem a ver com o fato de que a utilização do laboratório didático se dá obedecendo a certos critérios que não estão relacionados com o modo de fazer ciência.

Fazendo uma junção entre as duas afirmativas citadas temos uma nova afirmativa: é necessário um lançarmos um novo olhar ao modo como se dão à s atividades práticas no ensino médio, rompendo com a lógica do laboratório que cobra uma infinidade de dados abstratos; onde o que fica mesmo é o ''método experimental'', ao invés do aspecto conceitual, rompendo também com a idéia do ambiente especial para tal atividade.

A idéia do FISICEP aplicado no ensino médio nos faz pensar no que este tipo de projeto se diferencia de um laboratório didático tradicional. Pensamos se tratar de um tipo de laboratório, pois envolve práticas e conceitos físicos, trabalha com a verificação de fenômenos e busca dar respostas aos eventos que surgem da utilização dos instrumentos desenvolvidos. De acordo com Pinho (2000) existem cinco tipos de laboratório: de demonstrações, tradicional, divergente, de projetos e o laboratório biblioteca. O que estamos analisando neste trabalho se encaixa no laboratório de demonstrações, mas a diferença encontrada está no sujeito que faz as demonstrações, no caso deste projeto esta atividade é atribuída ao aluno. Segundo Pinho a função básica deste tipo de laboratório é ilustrar tópicos trabalhados em sala de aula. O FISICEP utiliza-se de experimentos de fácil

montagem que possibilitam a demonstração de determinado assunto de Física sem a atuação direta do professor. O que se quer ver é como os estudantes, organizando-se entre eles, conseguem montar seus instrumentos de verificação de dado fenômeno sem o auxílio imediato do professor, e que alternativas eles encontram para explicar o que acontece.

Para nortear os instrumentos a serem montados, houve a sugestão da utilização do livro ''Física mais que divertida'', de Eduardo de Campos Valadares. Este livro traz diversos instrumentos que podem ser montados a partir de materiais recicláveis e de baixo custo, e possibilita ao estudante o contato com um outro aspecto da ciência, o da brincadeira.

Um dos grupos escolheu montar um parafuso de Arquimedes e um formador de figuras de Lissajous, outro grupo montou um periscópio, e outro construiu um foguete de álcool. As idéias foram dos próprios alunos, aos professores coube apenas o incentivo e esclarecimentos de algumas dúvidas, todo o desenvolvimento subseqüente se deu de forma autônoma em cada grupo de trabalho. O grupo ainda resolveu divulgar seus trabalhos de forma diferenciada, através de textos em forma de diálogo, de personagens criados por eles, que serão disponibilizados em um sítio na Internet. Retomando a discussão sobre as atividades práticas possibilitarem um melhor aprendizado da ciência, queremos polemizar, em base ao trabalho de Borges (2002), com a noção de que qualquer que seja o método de ensino-aprendizagem, este deve mobilizar a atividade do aprendiz, em lugar da sua passividade. Concordamos com o autor quando diz que ''o importante não é a manipulação de objetos e artefatos concretos, e sim o envolvimento comprometido com a busca de respostas/soluções bem articuladas para as questões colocadas, em atividades que podem ser puramente de pensamento''. Dentro desta discussão, vemos que os estudantes participantes do FISICEP, por sua participação voluntária, assumem um compromisso com a produção de conhecimento científico muito mais pelo seu envolvimento que pela manipulação dos objetos construídos.

## Expectativas

Nossa expectativa é de, no decorrer do projeto, captar elementos q ue nos possibilitem ter melhor clareza de como o conhecimento científico é desenvolvido dentro do FISICEP e como os alunos encontram saídas para a resolução dos problemas propostos. Não podemos fornecer resultados, visto que nossa investigação limitou-se a observação para um primeiro diagnóstico do projeto. A partir de agora estaremos preparando os instrumentos que nos possibilitarão analisar no decorrer do projeto como o mesmo contribui ao ensino de ciências, enquanto atividade prática com o envolvimento d os alunos do ensino médio. Queremos ver onde o projeto de ensino se encaixa frente utilização de atividades práticas no ensino de ciências, visto que não se trata de um laboratório tradicional e nem de um laboratório de demonstrações, tal como se define. P ara isso buscaremos melhorar a análise fundamentando-a também nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio e em base a uma pesquisa estruturada em relação ao desenvolvimento de cada indivíduo envolvido no projeto.

## Bibliografia

BORGES, A.T. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Catarinense de Ensino de Física, v.19, n.3, p291-313, 2002.

MOREIRA, J.E. Divulgando a física pela Internet: relato de uma experiência . Física na Escola, v.1, n.1, p9-11,2000.

PINHO ALVES, J.F°. Regras da transposição didática aplicadas ao laboratório didático. Caderno Catarinense de Ensino de Física, v.17, n.2, p174-188, 2000.

VALADARES, E. C. Novas estratégias de divulgação científica e de revitalização do ensino de ciências nas escolas . Física na Escola, v.2, n.2, p10-13,2001.

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