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A INCORPORAÇÃO DE ATIVIDADES DIDÁTICAS NAS AULAS DE FÍSICA COMO FERRAMENTA DE MUDANÇAS NA AVALIAÇÃO

Sônia Suzana Farias Weber, Eduardo Adolfo Terrazzan

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
25/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A INCORPORAÇÃO DE ATIVIDADES DIDÁTICAS NAS AULAS DE FÍSICA COMO FERRAMENTA DE MUDANÇAS NA AVALIAÇÃO

AUTORES: Sônia Suzana Farias Weber¹ e Eduardo Adolfo Terrazzan²

## RESUMO

Este relato, refere-se às mudanças ocorridas nas aulas de Física, em especifico no processo de avaliação da aprendizagem dos alunos, possibilitadas através de Atividades implementadas por um dos autores (SSFW).

Mudanças estas propiciadas pela participação junto ao GTPF - Grupo de Trabalho de Professores de Física, vinculado ao Núcleo de Educação em Ciências, do Centro de Educação, da Universidade Federal de Santa Maria, que se caracteriza como um Projeto de Extensão com foco na Formação Continuada de professores em serviço.

Este Grupo sempre teve como uma de suas preocupações o desenvolvimento de um Ensino cujo objetivo seja levar o aluno a participar de forma ativa no seu processo de construção do conhecimento. Além disso, mais recentemente, o Grupo aceitou o desafio de trabalhar de forma mais explícita conteúdos nos campos Procedimental e Atitudinal, além dos conteúdos Conceituais usualmente ensinados.

Porém, para que isto ocorra, se percebeu necessária uma mudança na visão dos próprios participantes em relação aos conteúdos a serem desenvolvidos com os alunos e à dinâmica de trabalho em sala de aula.

Assim, é preciso reconhecer a importância de articular os conteúdos Conceituais com a realidade dos alunos, para que estes possam ampliar sua visão de mundo.

Portanto, neste trabalho vamos nos deter a olhar como Conteúdos Conceituais, trabalhados em Física devem ser avaliados, partindo da utilização de Atividades Didáticas, estruturadas e inseridas nos Módulos Didáticos (MD), planejados pelos GTPF. A fim de que, desta forma, utilizando novos instrumentos de ensino e avaliação da aprendizagem dos alunos, possamos nos encaminhar para uma avaliação 'contínua', que faça parte do processo de ensino/aprendizagem.

Diante disto, então, apresentaremos alguns pressupostos para a avaliação bem como alguns resultados obtidos, decorrentes das implementações das Atividades Didáticas. A fim de que, a avaliação esteja incorporada nas atividades desenvolvidas, refletindo-se no processo de ensino/aprendizagem dos alunos.

Palavras-chaves: Avaliação, Ensino/aprendizagem, Formação Continuada, Atividades Didáticas, Módulos Didáticos (MD).

## INTRODUÇÃO

Sabe-se que a formação inicial dos Professores, principalmente na área de Ciências, é baseada no ensino Tradicional, que se caracteriza por apresentar os conteúdos de uma forma totalmente igual, seguindo livros didáticos sem vínculo com o cotidiano do aluno, onde o professor é o detector do conhecimento e a única fonte do mesmo. Como é de esperar, o reflexo deste ensino está diretamente dentro da sala de aula onde atuamos.

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Como todos os professores, também estamos incluídos nesta formação. Quando começamos a lecionar na disciplina de Física, éramos extremamente tradicional, totalmente voltados para o livro didático, sem condições de propor aos alunos atividades didáticas diferenciadas.

A avaliação se caracterizava, principalmente, por classificar os alunos através de um exame, que possuía o papel de controlá-los, com caráter de juízo e de resultados finais irrevogáveis. A essa avaliação, era atribuído o êxito do aluno na escola, sendo que sua competência estava em memorizar e repetir as informações passadas pelo professor, único 'meio e instrumento de conhecimento'.

Em caso de reprovação, somente ao aluno era atribuída a culpa, onde as avaliações sugeriam que o aluno não estava apto a adquirir novos conhecimentos, ou seja, ser promovido para a série seguinte.

Sem mencionar, a forma conteudista e tradicional de trabalhar os assuntos a serem estudados, fortemente voltados a um bom desempenho em testes de múltipla escolha, ou à resolução de problemas com pouco ou nenhum significado para os alunos, com mais ênfase nos aspectos matemáticos do que os aspectos físicos propriamente ditos.

Segundo a Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB), o significado de educação geral no nível médio, nada tem a ver com o ensino 'enciclopedista e academicista' dos cursos de Ensino Médio tradicionais, reféns dos exames de vestibular. A LDB, nesse sentido é clara: em lugar de estabelecer disciplinas ou conteúdos específicos, destaca as competências de caráter geral, dentre as quais a capacidade de aprender do aluno.

Para que, tivéssemos uma mudança da visão Tradicional de ensino para uma visão de ensino que priorizasse o aluno, onde ele tome parte ativamente do processo de ensino/aprendizagem, onde tenha o direito de opinar e dar sugestões, bem como avaliar as atividades propostas e também o procedimento do professor; foi necessário que sentíssemos uma inconformidade com o ensino praticado, ou seja, uma insatisfação com a situação vivenciada em sala de aula.

Também, se fez necessário uma mudança na visão dos alunos sobre o ensino de Física, propiciada pela troca e a inovação das atividades didáticas e avaliativas desenvolvidas. Estas, passaram a assemelhar-se mais com as próprias atividades de aprendizagem, estando de acordo com as atividades realizadas durante o processo de ensino/aprendizagem.

## DESENVOLVIMENTO

Uma vez que mudamos a maneira tradicional de trabalhar as Aprendizagens Conceituais com os alunos, sentimos a necessidade de rever a Avaliação. Ainda não temos uma forma mais estável e consolidada de avaliar, possuímos muitas dificuldades, mas percebemos que estamos caminhando para um ensino e uma avaliação mais Construtivista, a qual possui a preocupação de fazer parte do processo de ensino/aprendizagem do aluno.

Portanto, temos de planejar novas propostas de avaliação, onde esta busque ser mediadora dos processos de ensino/aprendizagem, ou seja, que pressupõe:

- GLYPH<252> Estar de acordo com as atividades realizadas durante o processo de ensino/aprendizagem;
- GLYPH<252> Fazer uso mais freqüente dos sistemas de avaliação (questões prévias, relatos, sínteses, resolução de problemas, etc) integrados as atividades realizadas na sala de aula e que muitas vezes não são percebidos pelos alunos como atividade avaliativa;
- GLYPH<252> Propiciar ao professor que assuma a responsabilidade de refletir sobre a produção de conhecimento do aluno, e que possa impulsionar a iniciativa e a curiosidade de perguntar e responder;
- GLYPH<252> Ajudar na revisão dos conteúdos selecionados, dos métodos utilizados, das atividades realizadas e também das relações em sala de aula;
- GLYPH<252> Verificar se os alunos estão aprendendo e também se estamos conseguindo sanar suas dificuldades, através da avaliação contínua;
- GLYPH<252> Ajudar os alunos a desenvolver as Aprendizagens Conceituais, Procedimentais e Atitudinais desejadas, sugerindo atividades de ensino/aprendizagem que contemple as mesmas, como as utilizadas nos Módulos Didáticos;

Isto se tornou possível, com a utilização de Módulos Didáticos (MD), planejados e organizados por aprendizagens, pelo GTPF, numa perspectiva que procura levar em conta as implicações da Física, com a Tecnologia, com a Sociedade e com o Ambiente, e que procura contribuir para a estrutura curricular das Escolas de Ensino Médio.

Cada MD é desenvolvido conforme um modelo de Três Momentos Pedagógicos (TMP), segundo proposta de Delizoicov e Angotti (1991), a saber: Problematização Inicial (PI), Organização do Conhecimento (OC) e Aplicação do Conhecimento (AP).

Na elaboração destes MD, procura-se incorporar Aprendizagem Conceitual, Aprendizagem Procedimental e Aprendizagem Atitudinal; ao menos duas das Atividades Didáticas produzidas em outros projetos no âmbito do NEC/UFSM, como: Atividade Didática com Questões Prévias (ADQP), Atividade Didática com Resolução de Problema (ADP), Atividade Didática com uso de Experimento (ADE), Atividade Didática com uso de Texto (ADT) e Atividade Didática com uso de Analogia (ADA) e ainda verificar que Competências e Habilidades, segundo sugestão do MEC-INEP para o ENEM-Exame Nacional do Ensino Médio, cada Atividade Didática poderá contemplar e, que se pretende contribuir para que os alunos desenvolvam.

A aplicação destes MD, com as Atividades Didáticas, envolve em torno de 80 alunos, da Escola Estadual Manoel Ribas -Escola de Ensino Médio, de Santa Maria/RS.

## RESULTADOS OBTIDOS

Com a utilização dos MD e da abordagem em Três Momentos Pedagógicos (TMP), foi possível avaliar/observar alguns fatores que reforçaram os itens citados anteriormente, tais como:

- GLYPH<252> A avaliação passou a ser mais freqüente e integrada as atividades realizadas em sala de aula;
- GLYPH<252> Os questionamentos realizados pelo professor passaram a ser mais participativos, antes mesmo de fazer qualquer menção ao conteúdo (aprendizagem) a ser desenvolvido (a);
- GLYPH<252> O professor passou a estimular, propor desafios, explorar as idéias dos alunos e permitir que todos tenham a oportunidade de dizer o que pensam;
- GLYPH<252> A realização de debates passou a ser mais freqüente, aumentando a participação dos alunos, propiciando situações de conflito, estimulando o processo de elaboração de novas idéias e formas de pensar.
- GLYPH<252> A utilização de situações-problema propiciou ao aluno o encaminhamento para desenvolver sua autonomia de pensamento, onde tivemos condições de melhor avaliar sua aprendizagem;
- GLYPH<252> A utilização de Textos de Divulgação Científica (revistas, jornais, publicações, etc),

ajudou a desenvolver Atividades Didáticas relacionadas às Aprendizagens que se pretendia desenvolver nos alunos, sugeridas para cada MD desenvolvido de acordo com o tema a ser trabalhado.

- GLYPH<252> O estímulo a iniciativa dos alunos em Atividades didáticas com uso de Experimentos, com relatos posteriores e conclusões à cerca do experimento realizado;

Os resultados obtidos (através de questões prévias, relatos, participação em debates, atividades didáticas com uso de textos, conclusões e observações em atividades com uso de experimentos, analogias, resolução de problemas), são utilizados pelo professor para analisar o crescimento dos alunos, com posterior retomada destas atividades, a fim de verificar/avaliar a aprendizagem destes, e também o desempenho do professor.

## CONSIDERAÇÕES/CONCLUSÕES

A respeito da validade e continuidade deste trabalho, temos a opinião de que o mesmo é de muita ajuda e significação ao professor, pois somente com uma forma diferenciada de trabalhar as aprendizagens e conseqüentemente avaliar o ensino/aprendizagem, é que conseguiremos alcançar minimamente nosso aluno, através das atividades a serem desenvolvidas na disciplina de Física.

Percebe-se que através das Atividades Didáticas, consegue-se melhor observar/avaliar se os alunos desenvolveram as Aprendizagens sugeridas para cada MD. Principalmente quando são propostas formas de avaliação como: questões prévias, relatos, participação em debates, atividades didáticas com uso de textos, conclusões e observações em atividades com uso de experimentos, analogias e resolução de problemas.

## REFERÊNCIAS

CAPPELLETTI, Isabel Franchi (org.). (1999). Avaliação Educacional: fundamentos e práticas. São Paulo: Ed. Articulação Universidade/Escola.

CLEMENT, Luiz. (2004). Resolução de Problemas e o Ensino de Procedimentos e Atitudes em Aulas de Física. Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Educação, Universidade Federal de Santa Maria. (Dissertação de Mestrado).

CARVALHO, Ana Maria Pessoa de: (2001). La reforma em la enseñanza de ciências em Brasil desde el punto de vista de la formación continua de sus professores . In: VI Congreso Internacional de Investigación en la Didáctica de las ciencias, Barcelona, 12 al 15 de septiembre de 2001.

DELIZOICOV, Demétrio; ANGOTTI, José André Perez: (1991). Física. Coleção magistério. São Paulo/SP/BRA: Cortez.

LDB - Lei De Diretrizes E Bases da Educação Nacional , Lei Federal n° 9.394, 20 de dezembro de 1996.

SÁNCHES, Alonso; PÉREZ, Gil; MARTINEZ - TORREGROSA J. (1996). Evaluar no es calificar. La evaluación y la calificación en una ensenanza construtivista de las ciencias. Universitat de Valência. Investigación en la Escuela, n 30. °

TERRAZZAN, Eduardo: (2002). 'Grupo de Trabalho de Professores de Física: Articulando a Produção de Atividades Didáticas, a Formação de Professores e a Pesquisa em Educação.' In: Atas do VIII EPEF - Encontro de Pesquisa em Ensino de Física , SBF, Águas de Lindóia/SP, 05 a 08 de Junho de 2002, CD-Rom.

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