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POLUIÇÃO SONORA NA FÍSICA DO ENSINO MÉDIO NUMA ABORDAGEM CTS

Paulo Rafael Perira Alves, Demutiey Rodrigues De Sousa, Henrique César Da Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
25/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

1

## POLUIÇÃO SONORA NA FÍSICA DO ENSINO MÉDIO NUMA ABORDAGEM CTS

Paulo Rafael Pereira Alves [ paulo\_fis@yahoo.com.br] a

Demutiey Rodrigues de Sousa a Henrique César da Silva [ hcs@ucb.br] b

a Licenciandos em Física - Universidade Católica de Brasília b Curso de Física - Universidade Católica de Brasília

## RESUMO

Apresentamos uma proposta de atividades sobre 'poluição sonora' para inclusão na Física do Ensino Médio. O trabalho foi desenvolvido dentro das disciplinas 'Estratégias de Ensino de Física e Produção de Materiais Didáticos I' e 'Prática de Ensino II', do curso de licenciatura em Física da Universidade Católica de Brasília. Na primeira parte, desenvolvida na primeira disciplina, foi realizado um estudo teórico em torno da questão 'ciência & cotidiano' e da temática 'Ciência, Tecnologia e Sociedade'. Paralelamente foram analisados materiais e projetos como GREF e PEC, e realizada uma reflexão sobre que conhecimentos sobre o assunto poderiam se transformar em conhecimentos escolares e como, didático-metodologicamente, isso poderia ser feito. Para isso, foi importante a participação dos dois primeiros autores num projeto de Iniciação Científica sobre Poluição Sonora desenvolvido no Curso de Física da UCB. Em seguida foram produzidas atividades introdutórias sobre o tema, selecionado, produzindo e adaptando recursos pedagógicos. Na segunda etapa, um dos autores, junto a outros alunos da disciplina Prática de Ensino II, reelaborou as atividades introdutórias, estudou o assunto com mais profundidade, apresentou e discutiu a proposta junto a professores de uma escola pública do DF e aplicou, junto com o professor-tutor na escola campo de Estágio, essas atividades em classes de 2 série do Ensino Médio, a durante um período de um aproximadamente um mês. Numa terceira etapa, informações coletadas com registros escritos, trabalhos dos alunos e registros em vídeo, foram analisadas resultando numa avaliação do desenvolvimento da proposta e na reformulação de algumas de suas características.

## INTRODUÇÃO

Neste trabalho apresentamos uma proposta de atividades sobre 'poluição sonora' para inclusão na Física do Ensino Médio. O que motivou a introdução desse assunto foi justamente o fato de trabalharmos (os dois primeiros autores) num projeto de Iniciação Científica sobre Poluição Sonora. Esse trabalho tem nos colocado frente a frente com a problemática, em suas dimensões científica, social, tecnológica, ambiental, legal e política, associando conhecimentos novos e mais específicos e aprofundados aos conhecimentos físicos gerais sobre ondas e acústica que aprendemos nas disciplinas de Física da Licenciatura. Percebemos que a poluição sonora é menos 'visível', 'sensível' de um modo geral, do que outros tipos de poluições e que aspectos a ela relacionados circulam bem menos pelos meios de comunicação e, contraditoriamente, por meio das pesquisas na área, sabemos que se trata de um grave problema social com sérios riscos à saúde humana, tanto física quanto psíquica.

Como dar significado a esse trabalho de transformar conhecimentos que aprendemos em pesquisa, para levarmos para a sala de aula, ou seja, em conhecimentos escolares? A análise de materiais didáticos diferenciados, que buscam relacionar o conhecimento científico com outros

conhecimentos e saberes, como o GREF (Grupo de Reelaboração do Ensino de Física) e o PECFísica (Projeto Educação e Cidadania), foi muito importante, para compreender aspectos dos processos de didatização dos conhecimentos. Mas o aprofundamento da significação desse trabalho se deu com o estudo de artigos que tratam da temática Ciência, Tecnologia & Sociedade (CTS) . 1

## ALGUNS ASPECTOS DOS REFERENCIAIS TEÓRICOS

A tarefa de dominar e explorar a natureza, aliado ao emergente processo de i ndustrialização que se deu com o crescimento cientifico e tecnológico do século XIX, o qual passou a ser visto como sinônimo de progresso. À medida que o uso abusivo de aparatos tecnológicos tornava-se mais evidente, com os problemas ambientais cada vez mais visíveis, a tão aceita concepção de ciência e tecnologia, com a finalidade de facilitar ao homem explorar a natureza para o seu bem-estar começou a ser questionada por muitos. Os problemas se evidenciaram de tal forma que os intelectuais da época retomaram questões como a ética, a qualidade de vida da sociedade industrializada, a necessidade da participação popular nas decisões públicas além do medo e frustração dos excessos tecnológicos. Surge então CTS - Ciência, Tecnologia e Sociedade - com o objetivo de formar cidadão em ciência e tecnologia, destacando o desenvolvimento de valores que estão vinculados aos interesses coletivos sendo eles relacionados às necessidades humanas, no qual os valores econômicos se impõem aos demais. Não obstante a presença d e debates permeados pela visão dos benefícios acompanhados dos prejuízos, presentes até nos meios de comunicação, este recurso estratégico do 'sucesso' ainda é evocado; de acordo com López Cerezo e Luján (1997) as habituais divulgações de autonomia e neutralidade da C&T, principalmente por cientistas, políticos, engenheiros e legisladores, têm levado a concepções que favorecem um modelo tecnocrático político, uma imagem equivocada. Esta distorção não pode ser negligenciada por instituições e equipes responsáveis pela educação escolar e pelo ensino de Ciências. Os questionamentos sobre a intervenção dos seres humanos no ambiente e seus impactos se tornaram bem expressivos a partir da década de 60, liderados por diversos movimentos de contestação, como o da contra-cultura e o ecologista/ambientalista. Na década de 70, um passo decisivo foi a Conferência de Estocolmo, em 1972, com o lançamento das 'bases de uma legislação internacional do meio ambiente', versando desde a questão das armas nucleares até a exploração dos recursos naturais. A proposta curricular de CTS corresponde a uma integração entre educação científica, tecnológica e social, em que os conteúdos científicos e tecnológicos são estudados juntamente com a discussão de seus aspectos históricos, éticos, políticos e sócio-econômicos (González García, López Cerezo e Luján, 1996). Com os currículos, as metodologias e os processos político-pedagógicos priorizados no espaço escolar formal,o entendimento de problemáticas como a ambiental tende ainda a se restringir a uma visão naturalista, quase romântica.

A poluição sonora é um tema fértil para uma abordagem CTS focalizando as relações aluno (sujeito)-sociedade, ciência-sociedade e aluno(sujeito)-ciência.

## PROCEDIMENTOS

- O trabalho foi desenvolvido dentro das disciplinas 'Estratégias de Ensino de Física e Produção de Materiais Didáticos I' e 'Prática de Ensino II', do curso de licenciatura em Física da Universidade Católica de Brasília. E pode ser dividido em três partes.

Na primeira parte, desenvolvida na primeira disciplina, foi realizado um estudo teórico em torno da questão 'ciência & cotidiano' e da temática 'Ciência, Tecnologia e Sociedade'. Paralelamente foram analisados materiais e projetos como GREF e PEC, e realizada uma reflexão sobre que conhecimentos sobre o assunto poderiam se transformar em conhecimentos escolares e

como, didático-metodologicamente, isso poderia ser feito. Para isso, foi importante nossa participação (os dois primeiros autores) num projeto de Iniciação Científica sobre Poluição Sonora desenvolvido no Curso de Física da UCB. 2

Ainda nesta fase foram produzidas atividades introdutórias sobre o tema, com a busca, seleção, produção e adaptação de recursos pedagógicos. Para tal foram consultados diversos sites , 3 apostilas como a de Fernandes (2002), livros como de Alexandry (1982), Nepomuceno, 1994, Chemello e Lussatto (1983), Normas Técnicas como ABNT (1990), leis e recomendações, notícias de jornais e sites de órgãos públicos (vide referências).

Dentre os diversos aspectos que caracterizam essas atividades do ponto de vista didáticometodológico esteve a preocupação de relacionar conhecimento físico com situações cotidianas, de produzir materiais e estratégias que não se restringissem aos conhecimentos físicos propriamente ditos, mas que os contextualizasse junto a saberes e práticas de natureza política, social, ambiental e legal, e, que desse espaço à significação pelos alunos, suas idéias, sua 'voz', suas ações.

Na segunda etapa, um dos autores, apresentou e discutiu a proposta junto a seus colegas da disciplina Prática de Ensino II, e junto a professores de uma escola pública do DF. Inserido num trabalho coletivo e cooperativo, a proposta original foi reelaborada incorporando sugestões e conhecimentos trazidos pelos outros membros do g rupo, assim como derivados de uma reflexão das condições concretas da escola em que seria efetivamente trabalhada. Após a reelaboração e a produção dos respectivos recursos e estratégias, essas atividades, ainda de natureza introdutória, foram aplicadas em aulas de Física numa escola pública do DF, em classes de 2 série, do Ensino a Médio, durante um período de um aproximadamente um mês.

Numa terceira etapa, informações coletadas com registros escritos, trabalhos dos alunos e registros em vídeo, foram analisadas resultando numa avaliação do desenvolvimento da proposta e na reformulação de algumas de suas características.

Um dos suportes teórico-metodológicos desta segunda etapa residiu em leituras relacionadas ao tema 'professor-pesquisador', 'professor-reflexivo' (André, 2001).

## RESULTADOS

Entre os resultados apresentamos a proposta de aulas da 2 etapa. Resultados das análises do a desenvolvimento efetivo desse tema em sala de aula, também serão apresentados, principalmente, mostrando como a participação dos a lunos, sua 'voz', suas ações, é fundamental para constituir um currículo que funcione trabalhando a dialética da ruptura entre conhecimento científico e conhecimento comum, que consideramos, pautados em Lopes (1999), como uma das características fundamentais da natureza específica do conhecimento escolar na Física do Ensino Médio.

Apontamos ainda como conhecimentos físicos são apropriados de forma contextualizada com saberes de outra natureza que compõem o tema 'poluição sonora'.

## REFERÊNCIAS

ALEXANDRY, F. G. - "O problema do ruído industrial e seu controle" - Fundacentro Ministério do Trabalho - São Paulo, 1982.

ANDRÉ, M. Pesquisa, formação e prática docente. In: \_\_\_\_ (org.). O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. Campinas, SP: Papirus, 2001.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT - Norma NBR 10152 - Níveis de ruído para conforto acústico (NB 95) - 1990.

CHEMELLO, A. e LUSSATTO, D. - 'Acústica'. Editora e Distribuidora Sagra S.A. São Paulo, 1983.

FERNANDES, J. C. Acústica e Ruídos - Bauru, SP: UNESP, 2002. Arquivo eletrônico disponível em < http://wwwp.feb.unesp.br/jcandido/acustica/index.htm > Acesso em 27/08/04

GONZÁLEZ GARCÍA, M., J.A. LÓPEZ CEREZO y J.L. LUJÁN. Ciencia, Tecnología y Sociedad: una introducción al estudio social de la ciencia y la tecnología , Madrid: Tecnos,1996.

LÓPEZ CEREZO, José A. y LUJÁN, José Luis. 'Ciencia y tecnología en contexto social: Un viaje a través de la controversia'. En Javier Rodríguez Alcaraz y otros (eds.) Ciencia, tecnología y sociedad, Contribuciones para una Cultura de la Paz. Universidad de Granada. Granada. 1997.

NEPOMUCENO, L.A. - 'Elementos de Acústica Física e Psicoacústica'. Ed. Edgard Blucher Ltda, 1994.

SOBRAC. Recomendações da Organização Mundial da Saúde sobre Ruído Industrial. Revista de Acústica e Vibrações, nº 16, dezembro, p. 52-57, 1995.

Jornal da Tarde. Coordenação Jornal da Tarde. Apresenta textos sobre níveis aceitáveis de poluição sonora. Disponível em: < http://www.defenda-se.inf.br/cgijt/diversos/defenda.pl?acao=show&linha=1468&nome=nome&nivel=6-8-3 >. Acesso em: 06 abril 2004.

Ministério do Meio Ambiente. Coordenação José Carlos Carvalho e Fernando César de Moreira Mesquita. Apresenta resolução CONAMA 1990 sobre poluição sonora. Disponível em: <www.mma.gov.br/port/conama/res/res90/res0290.html>. Acesso em: 19 março 2004.

Prefeitura de São Paulo. Coordenação Prefeitura de São Paulo, Programa PSIU, 1995 - 2004. Apresenta textos sobre poluição sonora. Disponível em:

<portal.prefeitura.sp.gov.br/guia/psiu/legislacao/0014>. Acesso em: 06 abril 2004.

Prefeitura de Sobral. Coordenação Prefeitura Municipal de Sobral. Apresenta texto sobre poluição sonora. Disponível em: <www.sobral.ce.gov.br/boletim/b\_out99/051099.htm >. Acesso em: 16 abril 2004.

Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Coordenação Secretaria do Meio Ambiente da cidade do Rio de Janeiro. Apresenta projetos e programas sobre controle de poluição sonora e educação ambiental. Disponível em: <www.rio.rj.gov.br/ smac>. Acesso em: 09 abril 2004.

PUC - SP. Coordenação da PUC - SP, Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão, 1983 - 2004. Apresenta textos de legislação sobre poluição sonora. Disponível em: <cogeae.pucsp.br/cp.php?cursonum=155804 >. Acesso em: 09 abril 2004.

RECHOME. Desenvolvido por RECHOME, 1999 - 2004. Apresenta textos sobre poluição sonora. Disonível em: <http://www.terravista.pt/copacabana/3825/polonorat.htm>. Acesso em: 19 fev. 2004.

USP. Apresenta textos sobre poluição sonora e educação ambiental. Disponível em: <www.ccs.usp.br/espacoaberto/junho99/noticias.html >. Acesso em: 19 março 2004.

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