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TEXTOS E IMAGENS NA PRODUÇÃO DE SENTIDOS SOBRE A SÍNTESE NEWTONIANA

Juliana Raimualdo Baena, Camila Raimualdo Baena, Rui Joaquim M. De Meneses, Henrique César Da Silva, Paulo Eduardo De Brito

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVI
Ano
2005
Data
25/01/2005
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Comunicação

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Texto completo

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## TEXTOS E IMAGENS NA PRODUÇÃO DE SENTIDOS SOBRE A SÍNTESE NEWTONIANA

Juliana Raimualdo Baena a [ juliana\_baena@ig.com.br] Camila Raimualdo Baena b [camila-baena@ig.com.br] Rui Joaquim M. de Meneses c Henrique César da Silva d [hcs@ucb.br] Paulo Eduardo de Brito [ debrito@ucb.br]

a Curso de Física - Universidade Católica de Brasília - Iniciação Científica - apoio PIBIC-CNPq/UCB b Curso de Física - Universidade Católica de Brasília - Iniciação Científica (voluntário) c Curso de Física - Universidade Católica de Brasília - Iniciação Científica - apoio PIBIC-CNPq/UCB d Curso de Física - Universidade Católica de Brasília - apoio PRPP/UCB

## RESUMO

Trata-se da produção investigativa de recursos didáticos para o ensino médio, em torno do tema da 'Síntese Newtoniana', tendo como objetivo relacionar a leitura de textos e a leitura de imagens. Como referenciais teóricos nos baseamos nos trabalhos de Koyré sobre a síntese newtoniana, em trabalhos na área de ensino de física sobre a leitura de textos e numa concepção de linguagem e leitura associada à linha francesa da Análise de Discurso, segunda a qual, os sentidos são produzidos em terminadas condições de produção que abarcam o sujeito, o texto (imagem), o contexto imediato e o contexto histórico-social. Em relação aos procedimentos, eles envolveram idas e vindas entre três aspectos: 1) leituras e discussões teóricas; 2) busca, seleção e análise de textos e imagens (incluindo applets e outras simulações) que possuíssem alguma relação com a significação da síntese newtoniana, tanto em separado quanto buscando relações significativas; 3) produção de atividades de ensino e planos de aula sobre o tema com a inserção de imagens e textos selecionados; 4) aplicação e análise das atividades elaboradas em aulas de Física numa escola da rede pública do DF. A produção dessas atividades de ensino se deu na perspectiva da produção pelo aluno de sentidos em torno da síntese newtoniana, considerando seu papel enquanto sujeito na produção de leituras/significações. Durante o processo de leitura/análise do material, dos referenciais teóricos, da elaboração, desenvolvimento e análise das aulas, a questão das relações entre imagens e textos na produção de sentidos foi problematizada. Apresentamos os aspectos centrais dessa reflexão produto desse trabalho de produção didáticometodológica de alunos da licenciatura da Universidade Católica de Brasília, envolvidos simultaneamente num projeto de iniciação científica e em atividades de duas disciplinas do curso: Estratégias de Ensino e Produção de Materiais Didáticos I e Prática de Ensino II (Estágio Supervisionado).

## INTRODUÇÃO

Neste trabalho buscamos refletir sobre as relações entre textos e imagens (linguagens verbal e icônica) na produção de sentidos sobre a síntese newtoniana. O trabalho se desenvolveu tendo por base um processo de produção investigativa de atividades de ensino para o nível médio em torno desse tema.

A escolha desse tema, a síntese newtoniana, é justificada pela sua importância históricocultural, por representar uma possibilidade de abordagem introdutória da mecânica newtoniana

pautada pela sua abrangência, pela facilidade de conexões com o contexto científico-tecnológicocultural em que vivemos, e por superar a fragmentação existente nas tradicionais abordagens desse assunto, que separam cinemática e dinâmica, movimentos 'terrestres' de movimentos 'celestes', fí sica e astronomia (Silva, 2002).

Como referenciais teóricos fundamentais nos baseamos nos trabalhos de Koyré (2002) sobre a síntese newtoniana, em trabalhos na área de ensino de física sobre a leitura de textos (Silva e Almeida, 1998; Almeida, 1998) e numa concepção de linguagem e leitura associada à linha francesa da Análise de Discurso (Orlandi, 1999), segunda a qual, os sentidos são produzidos em terminadas condições de produção que abarcam o sujeito, o texto (imagem), o contexto imediato e o contexto histórico-social mais amplo. Textos e imagens são dois elementos materiais fundamentais da nossa cultura. Daí nossa opção por incluí-los na unidade de ensino. Além disso, a síntese newtoniana é um tema, de um lado, que não é abordado em livros didáticos, e, por outro, foram encontrados textos de divulgação científica e animações na internet sobre o tema. A opção por pensá-los em conjunto advém do fato de ambos parecerem quase sempre juntos, seja em outdoors, seja em livros didáticos, seja na internet, seja em jornais e revistas, e nos pareceu importante problematizar as maneiras como se vem pensando essa relação. As maneiras como se pensa essa relação, sejam explícitas ou implícitas, são bastante variadas, ora se associando equivocadamente a imagem à polissemia e o texto à paráfrase, numa concepção em que o segundo é que conferiria o sentido da primeira e sem o qual esta não faria nem sentido, ou fizesse o sentido 'errado'. Nessa concepção há uma diferenciação pouco apropriada entre linguagem verbal e linguagem visual e uma subordinação da segunda em relação à primeira. Buscamos, entre outros objetivos, verificar como essas relações se estabelecem no contexto de seus funcionamentos em situações de ensino numa escola da rede pública do DF, onde as duas primeiras autoras regeram as aulas como estagiárias analisando, posteriormente, seu próprio trabalho.

## PROCEDIMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS

Em relação aos procedimentos, eles envolveram idas e vindas entre três aspectos/momentos: 1) leituras e discussões teóricas; 2) busca e seleção de textos e imagens (incluindo applets e outras simulações) que possuíssem alguma relação com a significação da síntese newtoniana; 2) leituras das imagens e dos textos buscando relações significativas; 3) produção de atividades de ensino e planos de aula sobre o tema com a seleção e inserção de imagens e textos selecionados; 4) aplicação das atividades elaboradas aulas de Física numa escola da rede pública do DF. Durante o processo de leitura/análise do material, dos referenciais teóricos, da elaboração, desenvolvimento e análise das aulas, a questão das relações entre imagens e textos na produção de sentidos foi problematizada. Apresentamos os aspectos centrais dessa reflexão produto do trabalho de produção didática de alunos da licenciatura da Universidade Católica de Brasília, envolvidos simultaneamente num projeto de iniciação científica e em atividades de duas disciplinas do curso: Estratégias de Ensino e Produção de Materiais Didáticos I e Prática de Ensino II (Estágios Supervisionados).

A produção dessas atividades de ensino se deu na perspectiva da produção pelo aluno de sentidos em torno da síntese newtoniana, considerando seu papel enquanto sujeito na produção de leituras/significações. As imagens e textos selecionados, bem como a f orma de análise e as relações estabelecidas entre eles, se pautaram, principalmente nessa concepção discursiva de linguagem e leitura, considerando diversos aspectos de suas condições de produção, entre eles o papel do sujeito (histórica, institucional e socialmente determinado) na produção de sentidos.

## ALGUNS RESULTADOS

Foram encontrados e analisados seis textos, cujo conjunto é caracterizado por uma grande heterogeneidade: (1) 'O significado da síntese newtoniana', uma tradução do texto de A. Koyré, cujo original é de 1965 e (2) 'De O sistema do mundo', trecho do volume III dos Principia de Newton. Ambos aparecem no livro organizado por Bernard Cohen e Richard Westfall (2002) intitulado 'Newton: textos, antecedentes e comentários'; (3) 'A síntese newtoniana', cap. 5 do livro didático de Márcio Barreto (2002); (4) 'A teoria da gravitação' de R. Feynman, um dos capítulos do seu Lectures on Physics, cuja tradução encontra-se da coletânea 'Física em seis lições' (Feynman, 1999); (5) 'A maçã e a Lua', de G. G amow, cap. 2 do seu livro Gravitação (Gamow, 1966), traduzido pela UnB/IBECC; e (6) um capítulo do livro 'Física divertida' de Carlos Fiolhais (2000).

O conjunto de imagens selecionadas é caracterizado também por uma grande heterogeneidade e diversidade, sendo composto por fotografias, pinturas, simulações e animações, imagens fílmicas, incluindo documentários e ficção cinematográfica. Tomamos as imagens pelo seu papel referencial. Neste sentido, as imagens que tomamos são sempre imagens de alguma coisa, objeto ou situação que está ali representado. A relação entre a imagem e o seu objeto propriamente dito possui variações de acordo com seu grau de iconicidade (Moles, 1976), ou seja, o quanto a imagem 'guarda'/reproduz dos objetos/situações que representam. As imagens selecionadas possuem diferentes graus de iconicidade. Consideramos também o conhecimento físico um discurso que possui como referente o mundo real. No entanto, não se trata do mundo real 'propriamente dito', pois o 'referente do discurso não é a realidade, mas aquilo que o discurso institui como realidade' Cardoso (2003), o que coincide com uma visão realista crítica (Bunge, 1974) associada à consideração do papel constitutivo do conhecimento pela linguagem.

A relação entre textos e imagens é polêmica e vem sendo analisada por diversos autores a partir de concepções diferentes. Consideramos que imagens podem significar independentemente do discurso verbal. Se não fosse assim, não haveria as artes plásticas, a pintura, a fotografia e o antigo cinema mudo teria sido completamente ininteligível e não teríamos o prazer estético que a obra de um Chaplin nos proporciona. Reduzir a imagem ao verbal, seja supondo que é este que lhe 'dará' o sentido ('correto'), seja buscando compreendê-la com o mesmo aparato teóricometodológico com que se tem compreendido o verbal, é ignorar os aspectos gestálticos e semióticos específicos da leitura de imagens; é ignorar que ela possua materialidade própria (que não é lingüística) e também uma historicidade e relações sociais próprias constitutivas das condições de produção de sua leitura. Mas imagens também podem significar com textos (e vice-versa), ou seja, o icônico/imagético e o verbal podem estabelecer diversas configurações que precisam ser consideradas no funcionamento da leitura de determinados objetos simbólicos. Um bom exemplo desse tipo de configuração está no movimento da poesia concreta (ver livro de Haroldo/Augusto de teoria da PC), chegando ao limite de uma fusão icônico/verbal que talvez tenha sua origem nos trabalhos de Malarmé e uma forte influência do estudo dos ideogramas chineses, outro exemplo de fusão verbal/icônico. Num outdoor, outro exemplo, os elementos verbais e os icônicos também são inseparáveis, embora não se fundam completamente, o que não significa que seu texto verbal explique suas imagens (Nunes, s.d.).Essa questão emergiu ao nos perguntarmos como alocar imagens e textos na unidade de ensino sobre a síntese newtoniana. Uma das conclusões das nossas reflexões que pode ser considerada um pressuposto do conjunto de aulas produzido foi o de não considerar que a diferença entre imagens e textos estaria em graus diferentes de 'objetividade', transparência ou polissemia. Não é nem aí que, consideramos, se encontra sua diferença, e nem aí que reside o aspecto essencial da relação texto-imagem: esclarecer, 'objetivar' ou reduzir a opacidade e a polissemia da imagem. Encontramos sentidos produzidos apenas pelas imagens e outros, apenas pelos textos. A imagem, às vezes, pode auxiliar a significação do texto. Por outro lado, ela não tem apenas o papel de 'auxiliadora', ela possui uma certa autonomia e participa de significações que os textos não permitem produzir. As imagens, principalmente as animadas, são

mais aptas a produzirem sentidos sobre movimentos do que o efeito de movimento produzido pela linguagem verbal. Isso fica claro no texto abaixo, quando comparado com o applet da Figura 1.

'Mas, como a Terra é redonda, sua superfície vai-se curvando continuamente, sob a trajetória da bala e, a uma dada velocidade limite, a curvatura da trajetória da bala, acompanharia a curvatura da superfície da Terra.' (Gamow, 1965, p. 32).

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Inseridas no contexto das atividades produzidas as imagens tiveram várias funções e estabeleceram diversos tipos de relações com os textos, ou nenhuma relação explicitamente observável. A apresentação e discussão de exemplos sobre como os alunos estabelecem relações entre textos e imagens durante suas leituras nas aulas desenvolvidas nesta pesquisa, serão apresentados. Destacamos o papel necessário à abertura polissêmica no trabalho tanto com as imagens quanto com os textos, se se deseja considerar a 'voz' dos estudantes, o conhecimento cotidiano, além do científico, como constitutivos do conhecimento escolar.

## REFERÊNCIAS

BARRETO, Márcio. Física: Newton para o ensino médio. Campinas, SP: Papirus, 2002.

BUNGE, Mário. Teoria e Realidade . São Paulo: Perspectiva, 1974.

CARDOSO, S. H. B. A questão da referência : das teorias clássicas à dispersão de discursos. Campinas, SP: Autores Associados, 2003

KOYRÉ, Alexandre. O significado da síntese newtoniana. In: COHEN, B. e WESTFALL, R. (orgs.). Newton: textos, antecedentes e comentários. Rio de Janeiro: Contraponto, 2002, p. 84-100.

MOLES, Abraham A. Em busca de uma teoria ecológica da imagem? In: Anne-Marie ThibaultLaulan (Ed.). Imagem e Comunicação . São Paulo: Edições Melhoramentos, 1976.

NUNES, José H. Janelas da cidade: outdoors e efeitos de sentido. Escritos , n. 2 (Ver e Dizer). Campinas, SP: Nudecri/LabUrb, p. 13-25, s.d.

ORLANDI, Eni P. Análise de discurso : princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes, 1999.

SILVA, Henrique C. Discursos escolares sobre gravitação newtoniana : textos e imagens na física do ensino médio. Tese (doutorado em Educação). Campinas, SP: Faculdade de Educação Unicamp, 2002.

FIOLHAIS, C. Física divertida . Brasília: UnB, 2000.

FEYNMAN, R. A teoria da gravitação. In: \_\_\_\_. Física em seis lições . 2 edição. Rio de Janeiro: a Ediouro, 1999.

GAMOW, G. A maçã e a Lua. In: \_\_\_\_. Gravidade . Brasília, DF: Editora da UnB: IBECC, 1965.

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