A INTERDISCIPLINARIDADE E O ENSINO DA FÍSICA: DESAFIOS E MUDANÇAS
Erika Zimmermann, Angela Hartmann,
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- X
- Ano
- 2006
- Data
- 18/08/2006
- Linha de pesquisa
- Formaçao E Prática Profissional De Professores De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A interdisciplinaridade e o ensino da Física: desafios e mudanças.
Ângela M. Hartmann (angelahart@unb.br ) 1
Erika Zimmermann (erika@unb.br ) 2
1,2 Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Brasília
## Resumo
Desde que os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM) foram introduzidos, a realização de atividades pedagógicas interdisciplinares tem-se constituído num desafio para os professores deste nível de ensino. Tendo em vista as exigências colocadas pela interdisciplinaridade como eixo norteador do currículo, este trabalho teve por objetivo investigar as mudanças percebidas por professores de Física em sua ação pedagógica, os obstáculos que eles identificam no planejamento e aplicação de atividades interdisciplinares e como eles os superam, considerando sua formação específica. A investigação aqui relatada é um estado de caso realizado em uma escola pública do Distrito Federal com professores de Física do EM que responderam um questionário aberto.
Este trabalho de pesquisa confirma a importância do planejamento conjunto com professores de outras disciplinas para que atividades interdisciplinares possam ser concretizadas. Segundo os professores, a escassez de material de apoio pedagógico é um dos fatores que dificulta esse trabalho. Apesar dos desafios, os professores de Física, na escola pesquisada, têm conseguido produzir atividades interdisciplinares. Eles observam, ainda, que sua ação pedagógica muda a partir de um trabalho integrado com outras disciplinas. Entre as novas ações desenvolvidas pelos docentes, está a permanente busca de informações, que são discutidas com os alunos, ao mesmo tempo em que procuram estabelecer, junto com eles, conexões entre elas. Construir atividades interdisciplinares constitui, portanto, um grande desafio para estes professores, pois, além de dominar o conteúdo da sua disciplina, eles precisam conhecer o de outras para conseguir estabelecer elos de ligação com elas. Eles precisam ainda, através de uma boa contextualização, saber como incentivar os alunos a construir os saberes de forma integrada.
## Introdução
- A introdução das diretrizes curriculares, apresentadas nos PCNEM, em 2000, transformou a interdisciplinaridade em um dos eixos norteadores do EM nas escolas públicas do Brasil, tornando-se, atualmente, uma palavra de ordem de muitas propostas pedagógicas neste nível de ensino.
- O EM constitui a etapa final da Educação Básica e tem por finalidade possibilitar ao estudante o prosseguimento de estudos em níveis mais elevados e complexos, ao mesmo tempo em que tenta assegurar-lhe uma formação que garanta a ele o exercício da cidadania. Cabe ao professor saber como atender a esta dupla demanda, desenvolvendo um ensino que torne o aluno capaz de relacionar informações e integrar conhecimentos, como "forma de compreender a complexidade do mundo" (BRASIL, 2002a, p.29).
- O mundo em que vivemos, como descreve Santomé (1998), é um mundo globalizado, no qual tudo está relacionado, tanto nacional como internacionalmente. As dimensões econômicas, sociais, ambientais, científicas, religiosas e outras, são interdependentes não podendo mais ser compreendidas sem que se estabeleçam as pontes existentes entre elas. Um currículo que contemple uma visão interdisciplinar do conhecimento e das relações humanas justifica-se pela "incapacidade das disciplinas de compreender o conhecimento das parcelas da realidade objeto de seu estudo" (idem, p. 27). Segundo Santomé (1998), obter uma integração dos vários campos de conhecimento e uma experiência crítica e reflexiva da realidade interligada tem-se tornado obrigatório nos sistemas escolares da maioria dos países, constituindo-se em uma maneira de contribuir para melhorar os processos de ensino e aprendizagem.
A metacognição ou o aprender a aprender r é um objetivo educacional que reflete, de acordo com Santomé (1998), "a compreensão de como se elabora, produz e transforma o conhecimento" (p.27) no mundo atual. Já os PCNEM incorporam, entre suas diretrizes gerais e orientadoras, a premissa apontada pela UNESCO do aprender a conhecer, r, porque ela "garante o aprender a aprender e constitui o passaporte para a educação permanente" (BRASIL, 2002a, p. 29). O aprender a aprender, r, no entanto, não tem sido tarefa exclusiva do aluno. O professor, para acompanhar a mudança, de um ensino fragmentado para um ensino integrado, vê-se pressionado a aprender como o conhecimento pode ser construído integrando pontos de vista diversos sobre um mesmo fato histórico/social ou fenômeno científico/ambiental.
Segundo Lenoir (1998), as opções epistemológicas para a interdisciplinaridade escolar têm -se caracterizado pelo estabelecimento de conexões entre duas ou mais disciplinas (abordagem relacional), ou pelo estudo de conceitos ou temas de aspecto amplo, valorizando a substituição do conhecimento dividido em disciplinas por uma unidade do saber, por um tema (abordagem radical). A concepção mais comum, encontrada na literatura, e entre professores, é de que a interdisciplinaridade se constitui de uma integração de conteúdos. De acordo com Bochniak (2003), concebê-la apenas como uma integração de conteúdos promove conexões forçadas e superficiais, que se mostram fictícias e que, inequivocamente, não satisfazem os professores. Assim, com toda razão, eles acabam resistindo à realização de um trabalho integrado argumentando que conteúdos importantes da sua disciplina deixam de ser apresentados e/ou aprofundados.
Devido à falta de um entendimento claro de como a interdisciplinaridade pode ser colocada em prática e a formação fortemente disciplinar, os educadores, de um modo geral, têm dificuldades na construção de um ensino que busque a integração de conteúdos de diferentes disciplinas, pois isto exige também um trabalho pedagógico de cooperação integrada entre eles. A cooperação integrada entre professores é um ponto chave para a interdisciplinaridade escolar ser possível. Devido à formação em uma disciplina específica, professores do EM não conseguem fazer um trabalho interdisciplinar autêntico sem uma cooperação efetiva entre eles. Este ponto é defendido por Fazenda (2003), para quem
a interdisciplinaridade caracteriza-a-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa (p.25).
Os PCN+ (BRASIL, 2002b), com o objetivo de encaminhar um ensino compatível com os novos anseios educativos, apresentam elementos para facilitar ao professor das diferentes disciplinas a comunicação com seus pares. De acordo com o documento, cada disciplina ou área do saber constitui-se em uma síntese entre conhecimentos e competências gerais ou habilidades que o aluno pode desenvolver. Os temas estruturadores sugeridos no documento, como possibilidade de integrar disciplinas e áreas de conhecimento, não são responsabilidade de uma única disciplina, mas constituem-se metas educacionais comuns. Desse modo, "a organização do aprendizado não seria conduzida de forma solitária pelo professor de cada disciplina", mas "é uma ação de cunho interdisciplinar que articula o trabalho das disciplinas" (BRASIL, 2002b, p. 13).
Atualmente, o professor de Física depara-se com uma realidade educacional bastante diferente daquela para a qual a sua graduação o preparou (ZIMMERMANN, 1997). A forma de conceber o conhecimento mudou junto com os processos de globalização e com a diversidade de informações a que temos acesso através dos meios de comunicação. O ensino não consiste mais em fazer com que o aluno construa conhecimentos isolados em disciplinas, mas a integrar informações que tornem possível a solução dos problemas científicos, tecnológicos, sociais, ambientais, econômicos, religiosos, éticos, saberes esses que mantêm uma forte e constante relação entre si.
Para Fourez (1995), a interdisciplinaridade se tornou popular justamente porque "nasceu da tomada de consciência de que a abordagem do mundo por meio de uma disciplina particular é parcial e em geral muito estreita" (p. 134). Para a compreensão das questões complexas do cotidiano, é preciso uma multiplicidade de enfoques. A Física possui
uma participação importante na solução de várias situações complexas, mas, tanto como disciplina científica ou como disciplina escolar, não pode esperar que sozinha abarque todas a complexidade que caracterizam os problemas do mundo atual.
De acordo com os PCN+ (BRASIL, 2002b) existe "um amplo conjunto de atividades [...] que podem contribuir para que o ensino da Física promova competências de caráter cultural e social, conferindo ao conhecimento científico suas dimensões mais humanas" (p.85). Assim sendo, ensinar Física, hoje, no EM representa muito mais do que apenas apresentar conceitos e/ou resolver equações. É preciso que o professor de Física, por meio de uma atitude interdisciplinar, oriente o aluno a estabelecer conexões deste conhecimento específico com questões históricas, sociais, ambientais, filosóficas e culturais para que ele construa uma visão mais integrada e humana de como a Física se insere na vida diária.
Tendo em vista o exposto, este trabalho tem por objetivo investigar os obstáculos que os professores de Física enfrentam para realizar um trabalho interdisciplinar e de que forma eles os superam. Além disso, a investigação buscou examinar as mudanças que estes docentes identificam em sua ação pedagógica, considerando que a interdisciplinaridade prevê uma nova postura frente ao conhecimento.
Deste modo, os resultados deste trabalho podem se constituir em subsídios que contribuirão para o entendimento de como o ensino da Física pode tornar-se cada vez mais interdisciplinar no EM. A investigação poderá servir, também, de subsídio para políticas públicas que busquem orientar a organização do trabalho pedagógico e a formação de professores em geral.
## A pesquisa
Pelas Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (DCNEM), "a interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição de disciplinas e, ao mesmo tempo, evitar a diluição delas em generalidades" (BRASIL, 2002a, p.88). O documento enfatiza "que a interdisciplinaridade supõe um eixo integrador, que pode ser o objeto de conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção", lembrando "que todo conhecimento mantém um diálogo permanente com outros conhecimentos" (idem, p. 88).
De posse destes pressupostos e orientações, o professor de Física é colocado diante da situação prática de incorporar a interdisciplinaridade à sua ação pedagógica.
Tendo como foco o trabalho do professor, um dos objetivos desta pesquisa foi investigar os desafios que surgem na ação pedagógica interdisciplinar e as estratégias que têm sido empregadas para diminuir a distância entre o que é proposto pelas DCNEM e o que é possível concretizar no cotidiano escolar. Outro objetivo foi investigar as mudanças que os professores de Física conseguem identificar em suas p práticas.
A coleta de dados foi realizada durante os meses de fevereiro e março de 2006, através de questionário aberto, respondido por três professores de Física, identificados nos resultados da pesquisa como Mafis, Sefis e Nafis. Os três são professores há mais de 15 anos. Esses docentes tiveram uma formação voltada para o ensino teórico da Física e foram instrumentados para efetuar atividades de laboratório como aplicação do conteúdo estudado em sala.
Além desses, o mesmo instrumento de pesquisa foi aplicado a 14 docentes de outras disciplinas para que se pudesse examinar até que pontos as dificuldades, as superações e as mudanças são semelhantes. Responderam ao questionário professores de Química (2), Biologia (2), Matemática (1), Educação Física (1), FiFilosofia (1), História (1), Geografia (1), Sociologia (1), Inglês (1), Artes (1), Português (2) de uma escola pública de EM do Distrito Federal.
A escola, escolhida como estudo de caso, caracteriza-se por realizar atividades interdisciplinares antes mesmo o das orientações curriculares, contidas nas DCNEM, chegarem às escolas. Do total de 17 docentes que responderam ao questionário, quatorze já eram professores no ano de 2000. Os outros três tornaram-se professores depois dessa data, ou seja, depois da implantação das DCNEM. Todos os professores pesquisados
possuem curso superior completo que os habilita a atuar como docentes em uma disciplina específica.
O questionário solicitava aos professores que listassem os obstáculos que enfrentam para a realização das atividades interdisciplinares, considerando os seguintes aspectos: 1) o trabalho integrado com outros professores; 2) o conteúdo da disciplina que lecionam; 3) a organização do trabalho pedagógico na escola; 4) a aceitação e a participação dos alunos nas atividades interdisciplinares desenvolvidas na escola. Solicitava-se, ainda, que descrevessem como superam os desafios apontados por eles e as mudanças identificadas em sua ação pedagógica desde que começaram a realizar atividades interdisciplinares com professores de outras disciplinas. Esses dados foram confrontados com as respostas dadas pelos docentes das outras disciplinas com o objetivo de estabelecer semelhanças ou contrastes de idéias.
## Resultados
A interpretação dos dados revelou que os professores de Física, em sua ação pedagógica interdisciplinar, deparam-se com vários obstáculos que, em alguns casos, assemelham -se aos descritos por outros professores:
## 1) Em relação ao trabalho integrado com outros professores:
A dificuldade apontada por Sefis, em relação aos outros professores, consiste basicamente na "f"falta de diálogo para conversar sobre as questões elaboradas", enquanto que para Mafis ela se concentra "na defesa de pontos de vista próprios". Esses depoimentos mostram que os docentes consideram difícil trabalhar interdisciplinarmente por acharem que os demais colegas não demonstram abertura suficiente para um trabalho em equipe como exige uma atividade planejada em conjunto. Esta dificuldade é confirmada na resposta da professora de Educação Física, que escreveu: " falta receptividade, preferem realizar as atividades sozinhos, sem depender dos outros". Para Mafis, em um trabalho interdisciplinar, os objetivos deveriam ser "comuns e não individuais" para que a "integração" seja possível.
Nafis percebe como dificuldade a incapacidade dos professores " de desvincularrse da ordem estabelecida no conteúdo programático"o". A realização de atividades interdisciplinares exige uma flexibilização no que é trabalhado como conteúdo, mas os professores resistem a mudanças, fixando-se nos conteúdos bimestrais ou anuais de uma determinada série como condição para a realização das atividades. A professora de Português escreveu que "m"muitos acham que os conteúdos são estanques", o que leva à crença do professor de História de que "n"nem sempre os 'conteúdos' dão margem para uma interdisciplinaridade".
Dos vários argumentos apresentados como dificuldades para um trabalho interdisciplinar, destacamos os seguintes relatos dos professores de outras disciplinas: "falta de abertura e estrelismo"o"; "m"menosprezo às idéias sugeridas"; "r"resistência para discutir e elaborar projetos"; "falta de interesse dos professores de outras disciplinas". Essa postura é interpretada por um professor de Filosofia como "i"insegurança em aceitar a 'intromissão' na sua disciplina".
Por outro lado, um dos professores de Química afirmou que " com relação aos professores da área de ciências naturais não há resistência", o que sugere que professores de uma mesma área de conhecimento trabalham melhor entre si do do que quando são convidados a integrar com disciplinas de outras áreas. Uma professora de Artes, disciplina da área de Códigos e Linguagens, escreveu que: " a maior dificuldade é encontrar ressonância na área de Exatas" (sic).
Os professores reclamam, ainda, da falta de tempo para discussão de idéias e estratégias interdisciplinares. De acordo com eles, planejar e elaborar atividades interdisciplinares requer tempo. O tempo para discutir como realizar a interdisciplinaridade tem sido pouco ou inexistente durante os horários de coordenação coletiva, quando os docentes reúnem -se para discutir assuntos gerais e comuns. A conseqüência, como argumentam os professores de Matemática e de Biologia, é a "falta de articulação" e a "falta
disponibilidade para as discussões (planejamento)". A professora de Artes descreveu essa falta de tempo da seguinte forma: "poucos momentos de encontros entre as diferentes áreas e dentro desses encontros outros assuntos em pauta", porque é preciso, escreveu o professor de Filosofia, "destinação de tempo para a reunião e elaboração de trabalhos com outros professores(as)".
## 2) Em relação ao conteúdo da disciplina que lecionam:
Para realizar o trabalho interdisciplinar, o conhecimento do " contexto histórico" o" parece ser uma das dificuldades para os professores de Física, como relata Sefis. Outra está na falta de " fontes interdisciplinares", segundo Mafis. Já professores de outras disciplinas apontam como obstáculo os "l"livros didáticos segmentados", porque isto dificulta " encontrar eixos com outras disciplinas". Para esses últimos é importante ter um ponto de partida, "u"uma bibliografia que auxilie a possibilidade de integração". Isso mostra que talvez existam lacunas na formação docente desses profissionais. Em sua formação, o professor deveria ser instrumentado a usar alternativas ao livro didático (LD) e a conhecer as pontes existentes entre as disciplinas, enquanto o LD seria apenas uma das fontes de pesquisa dos alunos.
Os professores dessa pesquisa, especialmente aqueles que concluíram seus cursos de formação antes de 2000, possuem uma formação voltada especificamente para a disciplina que lecionam. Para Nafis, o obstáculo reside na sua " formação voltada especificamente para o ensino de conceitos e equações". Isso conduz a um " desconhecimenento do conteúdo de outras disciplinas", como reforça o professor de Biologia, ou a um "c"conhecimento da disciplina muito fragmentado", como escreveu o professor de Matemática. Os professores formados recentemente mostram-se mais abertos a um trabalho interdisciplinar. Para eles é mais fácil estabelecer elos de ligação entre as disciplinas, pois não vêem o conteúdo como um obstáculo à integração, como resumiu um dos professores de Química: "não percebo obstáculos".
## 3) Em relação à organização do trabalho pedagógico:
Para Nafis, o maior obstáculo está em "t"tratar a interdisciplinaridade como uma atividade separada do resto", ou seja, como algo que se trabalha em momentos especiais dentro do conjunto de atividades pedagógicas. Nota-se que o problema reside em cada um preocupar -se com a sua própria aula, não vendo a ação pedagógica como um conjunto de ações integradas entre professores. Isso pode ser explicado pela falta de uma experiência desses professores em realizar atividades interdisciplinares .
Mafis identifica como obstáculo o fato de que "a"até o presente momento não foi citado qual é o objetivo pedagógico da escola". Um posicionamento firme da escola, como um todo, favorável às atividades interdisciplinares, é um aspecto a ser levando em conta para que elas sejam valorizadas e tidas como importantes para o conjunto dos professores. Segundo os PCN+ (BRASIL, 2002b),
o projeto pedagógico permite que cada professor conheça as razões da opção por determinado conjunto de atividades, quais competências se buscam desenvolver com elas e que prioridades norteiam o uso dos recursos materiais e a distribuição da carga horária (p. 9).
O maior obstáculo de Sefis é "p"participar das reuniões" em que são planejadas as atividades interdisciplinares. Devido à sua pouca carga horária na escola, ele não participa dos encontros de coordenação, reuniões em que é discutido o trabalho interdisciplinar.
Os professores de outras disciplinas percebem como obstáculo não haver um coordenador que sistematize as idéias do grupo de professores, que os reúna, incentive e sugira a organização desse trabalho, como comenta a professora de Educação Física: "falta de uma pessoa que coordene esse trabalho interdisciplinar"r". Na mesma perspectiva, a professora de Biologia afirmou que "o"os trabalhos interdidisciplinares avançaram na escola à medida que uma pessoa coordenou, incentivou os professores nesse sentido".
## 4) Em relação à aceitação e participação dos alunos:
Mafis identifica como dificuldade que "c"com a noção interdisciplinar e aplicação de 'trabalhos interdisciplinares', o aluno desfoca o conteúdo da disciplina do seu dia-a-dia", ou seja, para ele o ensino da Física torna-se superficial, mais voltado a generalidades e menos centrado nas teorias e problemas específicos da disciplina.
O ensino disciplinar caracteriza-se por uma forte valorização do que é ensinado em cada disciplina e a interdisciplinaridade parece diluí-í-lo em generalidades, como apontou Mafis. O resultado disso é que, assim como os professores deste nível de ensino, a tendência do aluno no EM é " ter uma visão isolada das diversas disciplinas" como identificaram o professor de Biologia e o professor de Filosofia, para quem eles têm " dificuldade em perceber a relação entre as disciplinas", devido à "f"falta de experiência na formação escolar no trabalho interdisciplinar", explicou o professor de Matemática. A visão disciplinar é reforçada à medida que o aluno permanece na escola e avança nas séries até chegar no EM, quando o número de disciplinas dá um novo salto em quantidade, fragmentando ainda mais o conhecimento escolar.
Sefis percebe que os alunos "têm falta de hábito de leitura". Eles "não demonstram interesse em aprofundar-r-se em assuntos demasiado técnicos e pouco voltados à sua vivência", na avaliação de Nafis. A professora de Biologia identifica uma dificuldade semelhante, ou seja, a "f"falta de interesse e motivação para a aprendizagem", pois, como escreveu o professor de História, "n"nem sempre os trabalhos estão ligados à realidade dos alunos". Os PCN+ (BRASIL, 2002b) ressaltam que "a trtradição estritamente disciplinar do ensino médio, de transmissão de informações desprovidas de contexto [...] resultam em desinteresse e baixo desempenho" (p.10-11) dos alunos.
A professora de Geografia avalia positivamente o trabalho e afirmou que "os alunos, na sua maioria, têm se mostrado receptivos às atividades interdisciplinares". Uma das explicações possíveis para essa contradição entre as respostas é a falta de entusiasmo de alguns professores em relação às atividades interdisciplinares, pois vêem a sua realização como uma nova carga de trabalho, e não como a possibilidade de uma aprendizagem integrada e voltada para temas contextualizados.
Se, por um lado, a análise dos dados acima mostra as dificuldades que os professores identificam na realização de atividades interdisciplinares, por outro lado, como veremos abaixo, a análise aponta para as estratégias empregadas pelos docentes para superar os obstáculos a esse trabalho.
## 1) Com relação ao trabalho integrado com outros professores:
Na concepção dos professores de Física, a superação do isolamento entre os profissionais só acontecerá quando os docentes se dispuserem a trabalhar em equipe. Para promover essa integração Sefis escreveu que "p"procuro chegar próximo deles e conversar"r", enquanto Mafis acredita que se deve "t"tentar chegar em um conteúdo comum a todas as áreas, assegurando a integração entre elas". Para Nafis, o importante é "p"pensar como outras disciplinas, principalmente da sua área, podem ser envolvidas" em atividades interdisciplinares. Procurando superar as dificuldades de um trabalho integrado da forma como estes professores de Física descrevem, talvez se consiga acabar o que foi denominado por uma professora de Português de "e"estrelismo" o" com que certos docentes levam seu trabalho.
Vários ououtros docentes demonstram a disposição necessária para um trabalho em equipe e vontade de: " motivar os professores a trabalhar em equipe", para que ocorra " diálogo e elaboração de projetos em conjunto", e com esse diálogo "tentar chegar em um conteúdo comum um a todas as áreas" e, desta forma, ir " assegurando a integração entre elas". Esses professores acreditam que o trabalho em equipe ajudará a " buscar temas que realmente possam ser interligados", como escreveu o professor de História.
## 2) Com relação ao conteúdo da disciplina que lecionam:
Na opinião de vários professores, a saída para superar uma formação inicial com lacunas é a atualização por meio de "p"pesquisa, estudo, conversas com outros profissionais mais experientes" ou "a"atualização por meio de pesquisas e leituras", como escreveram os professores de Biologia e de Matemática. Esta solução individual de superar uma formação inicial que não se caracterizou por uma abordagem relacional (LENOIR, 1998), é apontada também pelos professores de Física. Sefis escreveu que "b"busco informação na internet ou revistas científicas", assim como Nafis que estuda " procurando encontrar maneiras de conectar a Física com outros a assuntos".
No entanto, o "p"planejamento em grupo (com professores de diversas disciplinas)" e " um maior contato entre as áreas", são soluções apontadas pelo professor de Biologia e a professora de Artes como formas de superar o obstáculo que representa o conteúdo da sua disciplina para a integração com as demais. Esse tipo de ação acaba favorecendo uma formação continuada de todo o grupo simultaneamente.
- A " elaboração de material didático" o" ou "c"criar o próprio material com a ajuda dos alunos" foi descrita como forma de superar a falta de fontes interdisciplinares que sirvam de apoio ao trabalho. Mafis prefere continuar "aplicando paradidáticos" (sic). A primeira solução é difícil para quem não tem tempo ou habilidade para redigir material pedagógico, mas, sem dúvida, interessante, pois o professor tem muito a aprender com a elaboração de material interdisciplinar. A segunda alternativa é complicada já que esse tipo de obra ainda é raro no mercado de livros.
## 3) Em relação à organização do trabalho pedagógico na escola:
Na opinião de Nafis, a saída para um ensino não fragmentado, que ocorre devido à organização disciplinar, está em "p"promover, inicialmente, aproximações entre duas ou três disciplinas". Para realizar um trabalho interdisciplinar é preciso promover coordenações coletivas. De acordo com o professor de Biologia, é importante "a coordenação ser feitita de forma coletiva" a" para " priorizar as discussões coletivamente sobre interdisciplinaridade", como escreveu a professora de Artes. O professor de Matemática menciona "a utilização da coordenação pedagógica para melhorar o entrosamento entre as áreas e avaliar experiências positivas", enquanto a professora de Biologia expressa que para a superação dos obstáculos ao trabalho interdisciplinar deve-se ter uma "c"coordenação acompanhada, com suporte e cobrança"a", pois, sem isto, de acordo com um dos professores de Química, "a superação ocorre de forma falha, pois acaba trabalhando muito e sozinho" (sic).
Como o projeto pedagógico da escola ainda estava sendo discutido quando esse questionário foi respondido, o obstáculo da falta de um objetivo pedagógico da escola pode ser contornado, de acordo com a observação de Mafis, da seguinte forma: "os professores em grupos, área ou individual desenvolvem o que pensa ser mais correto para o pedagógico da escola" (sic). Nesta forma de superar as falhas na organização do trabalho pedagógico, aparece de novo o individualismo com que certas soluções são adotadas quando não existe um trabalho integrado do corpo docente.
Sefis, por não encontrar com os demais professores durante as reuniões de planejamento, somente durante o horário das aulas, procura "conversar no dia seguinte com os professores participantes". Essa é uma solução precária, porque ele não opina, mas apenas reproduz o que outros decidiram realizar como atividade interdisciplinar.
## 4) Em relação à aceitação e participação dos alunos:
Mafis acredita que, para superar as dificuldades de aceitação dos alunos das atividades interdisciplinares, deve-se " cobrar e orientar dentro dos próprios assuntos referentes à disciplina (conteúdo)". Para esse professor, o objeto de conhecimento interdisciplinar deve ter relação direta com o que está sendo ensinado em suas aulas de Física, o que nem sempre acontece.
Sefis mostra "a cada um a importância do hábito de praticar leitura", como forma de superar as dificuldades que ele enfrenta em relação aos alunos que não gostam de ler.
Nafis, assim como a professora de Geografia, para quem " a aceitação dos alunos foi maravilhosa, até surpreendente", é mais otimista, afirmando que os alunos "acham difícil no início, mas depois gostam das ativididades porque são mais dinâmicas e envolvem coisas do dia -a-dia".
A forma como os docentes motivam os alunos para as atividades interdisciplinares varia entre eles. A professora de Biologia escreveu que é preciso "trabalhar com temas do seu interesse" e" 1 . O professor de História, mais enfático, escreveu que se deve "t"trabalhar interdisciplinarmente apenas quando os temas têm uma ligação legítima com a realidade do aluno". Estes professores acreditam que a falta de interesse dos alunos deve-se a realização de atatividades que estão distantes da realidade e das motivações pessoais dos alunos.
A dificuldade para a realização de atividades interdisciplinares pode ser superada pelo "d"diálogo", de acordo com o professor de Filosofia, para quem, os professores devem " mostrar aos alunos as interfaces do conhecimento", ou como escreveu o professor de Matemática, " esclarecer sobre a importância do desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar [e] mostrar que o conhecimento das ciências não é fragmentado".
Outros, como o professor de Biologia, afirmam que uma forma de superar a visão disciplinar do aluno consiste em "p"permitir que o aluno inter-r-relacione os diversos conteúdos em sua prática de estudos". Essas posições são no mínimo estranhas se perguntamos: de quem é a tarefa de encontrar conexões entre conteúdos aparentemente distintos? De acordo com os PCN+ (BRASIL, 2002b) "é preciso um esforço consciente dos professores [...] para que o aluno não tenha que fazer sozinho a tradução dos discursos disciplinares" (p. 29). Portrtanto, estabelecer vínculos entre conteúdos das diferentes disciplinas é uma tarefa de professores e alunos.
Examinando os obstáculos com que se deparam ao realizar atividades interdisciplinares e encontrando formas de superá-los, pouco a pouco, os docentes modificam sua ação pedagógica, como eles bem identificaram ao responder o questionário. Examinando as modificações apontadas por eles, chegamos aos seguintes resultados:
## 1) Mudanças de enfoque no ensino da Física
De acordo com Sefis, "a "a mudança houve no contexto dos problemas envolvendo a Física que passa a ser estudada junto às outras disciplinas", o que na opinião do professor " é muito válido quando [há] o envolvimento das disciplinas diferenciadas" (sic). A professora de Artes identificou uma mudança que complementa a constatada por Sefis. Ela afirma a que " as atividades interdisciplinares interferem positivamente no programa de curso, impulsionando [o professor] r] a pesquisar outras áreas do conhecimento". Por pesquisarmos outras áreas, destaca a professora, acaba tornando a aula "mais consistente porque integra outros saberes e atende ao processo intertextual que norteia o conhecimento hoje".
A " integração dos temas", de acordo com o professor de Matemática "e"enriquece a prática, favorece a atualização e melelhora a formação do aluno". O professor de Química ainda acrescenta que "a facilidade com que os conteúdos abordados fluem provoca maior envolvimento dos alunos, o que gera um grau de conhecimento maior, melhorando a habilidade em todas as áreas do conhecimimento".
Assim como existe, segundo uma das professoras de Português, uma " maior possibilidade de desenvolver no aluno a capacidade de estabelecer relações entre os conteúdos e, ao mesmo tempo, de elaborar, assimilar e pôr em prática os conhecimentos adquiriridos". Essas idéias nos mostram que, com uma abordagem interdisciplinar, também o professor de Física acaba mudando seu enfoque em relação ao conteúdo ensinado, pois acaba precisando perceber e estabelecer os elos de ligação da Física a com as demais
disciplinas para ter condições de orientar seus alunos. Com essa mudança de enfoque os professores acabam percebendo que uma abordagem interdisciplinar demanda a aquisição de conhecimentos de outras disciplinas e, portanto, a necessidade de formação continuada.
## 2) Necessidade de formação continuada
Ao ser levado a "a"avaliar o perfil de outras disciplinas", Mafis constata que tem "que estudar e adquirir conhecimentos sobre outras disciplinas " (sic). A necessidade de formação continuada é percebida também na Química, como escreve um dos professores: "como os temas dos projetos interdisciplinares são mais abrangentes, nem sempre estão ligados aos conteúdos e 'força' o professor a estar buscando aperfeiçoar-r-se para ajudar os alunos".
Mafis constata ainda que, como há "f"fafalta de materiais e cursos de preparo para trabalhos interdisciplinares", "à"às vezes são juntados conteúdos diversos em torno de um tema, sem integrá-los " (sic). Essa observação mostra a forma empírica com que os docentes têm procurado colocar em prática a interdisciplinaridade e, portanto, aponta para a a necessidade de formação continuada que capacite o atual professor a estabelecer os elos de conexão com as outras áreas. A " falta de preparo para trabalhar de forma interdisciplinar"r", como descreve a professora de Biologia, torna difícil para o professor, que não trabalhou a interdisciplinaridade durante seu curso de formação, "oportunizar ao aluno interligar o conteúdo com o seu cotidiano e fatos que ocorrem a sua volta, observando a aplicabilidade em sua vivida", que é a forma como o professor de Biologia afirma que procura fazer junto a seus alunos.
## 3) União e interação da equipe docente
Nafis acredita que a maior mudança observada na sua ação pedagógica consiste em " uma maior interação com os professores de outras disciplinas". A necessidade de estabelecer elos de ligação entre os conteúdos favorece "um maior contato, uma troca de informações que permite saber como e o que o outro professor trabalha em sua disciplina". A observação de Nafis é partilhada por uma das professoras de Português que constata que " a interdisciplinaridade nos aproxima e os professores, além do profissionalismo, desenvolvem mais amizade". A amizade aumenta, segundo ela "devido à responsabilidade dos critérios e avaliação com colegas".
A maior interação entre a equipe docente é, ao mesmo tempo, causa e conseqüência de mudanças na "metodologia de trabalho pedagógico"o", como observa um dos professores de Química e "f"facilita o trabalho, pois dispomos de mais tempo para atender os alunos", reforçam outro professor de Química e a professora de Biologia, que afirma que há "g"ganho de tempo" com as atividades interdisciplinares.
## Considerações finais
Essa pesquisa evidenciou alguns aspectos relevantes em relação ao trabalho interdisciplinar realizado por professores de Física de uma escola do Distrito Federal. A realização de atividades interdisciplinares tem exigido desses professores o trabalho em equipe, que inclui a cooperação profissional, o desapego em relação a posições individualistas, o respeito ao tempo e à capacidade de cada um contribuir com o trabalho coletivo.
Ficou evidenciado que o o trabalho individualizado, com o qual os professores estão habituados, dificulta a cooperação integrativa, inibindo, portanto, o trabalho interdisciplinar . Para a interdisciplinaridade tornar-se viável, é preciso criar dentro da escola a cultura do trabalho em equipe e da cooperação profissional, o que permite a troca construtiva de pontos de vista, estabelecendo, desta forma, um clima de confiança no trabalho de uns e outros.
Os professores de Física entrevistados para essa pesquisa estão conscientes que a explosão do conhecimento os têm forçado a abordar questões e problemas de forma interdisciplinar a partir de temas . No entanto, quando tentam fazer um trabalho
interdisciplinar eles esbarram em carências de suas formações. Eles reconhecem essas carências, entendem que têm problemas para enxergar os pontos de conexão entre as várias disciplinas. Eles têm consciência de terem sido formados de forma absolutamente disciplinar, mas têm procurado estratégias que possibilitem ajudar r seus alunos a integrar o conhecimento. Isso demonstra que, mesmo lentamente, uma maneira diferente de construir o conhecimento escolar está sendo divisada e introduzida na escola. Devido às exigências colocadas pela interdisciplinaridade, os docentes desta escola estão percebendo a necessidade de estudar os objetos de conhecimento de outras disciplinas e de aprender uns com os outros. Isto mostra que a formação continuada do professor é extremamente relevante para tornar o trabalho interdisciplinar eficaz, pois realizar atividades integradas exige que o professor estude como estabelecer elos de ligação entre as disciplinas. Como o conhecimento é extremamente dinâmico, ou seja, muda constantemente é imprescindível que o professor se atualize para o seu trabalho tanto disciplinar quanto interdisciplinar.
Com esta pesquisa pudemos entender que a interdisciplinaridade exige planejamento coletivo e coordenado por alguém que seja hábil para unir e motivar os colegas e ao mesmo tempo em que oriente e dê suporte as atividades interdisciplinares .
Este trabalho de pesquisa também constatou que a realização do trabalho interdisciplinar demanda material didático que apresente as conexões entre a Física e temas diversos da realidade cotidiana e do conhecimento científico como um todo. Em outras palavras, contatou-se que para facilitar o trabalho interdisciplinar os docentes têm necessidade de material didático, ou paradidático, que não seja direcionado apenas para sua disciplina específica.
É importante ressaltar que para superar a barreira do individualismo, que impede um trabalho interdisciplinar eficaz, como mostra esta pesquisa, é necessário unir os professores para um trabalho conjunto. Partindo da tentativa de integrar conteúdos, os docentes superam, aos poucos, o isolamento dos demais, encastelados nas suas disciplinas de formação. A interação entre os profissionais torna-se possível em um processo de abertura que, sem dúvida, transforma a ação pedagógica de quem ousa abrir suas fronteiras para o novo e o desconhecido.
Em suma, esse trabalho nos mostra que o ensino da Física só tem a ganhar com a interdisciplinaridade, pois o professor é levado a adotar uma postura mais aberta em relação ao conhecimento estudado em outras disciplinas e em relação aos colegas de trabalho. Os professores aprender a trabalhar em equipe e a se unir para concretizar o objetivo da educação: a aprendizagem com vistas ao aluno saber lidar nesse mundo interdisciplinar. Desfaz -se, com a interdisciplinaridade, a idéia de que o conhecimento da Física é um objetivo em si mesmo e o professor aprende a ver as disciplinas dos colegas tão importantes quanto a sua. O conhecimento das outras disciplinas o ajuda a compreender melhor a cocomplexidade do conhecimento da Física e sua conexão com as outras para que ajude seus alunos a compreenderem o mundo , atual e globalizado, caracterizado pela complexidade de relações de todo tipo. O critério sobre o que ensinar acaba centrando-se em "para que ensinar Física" (BRASIL, 2002b, p. 61), o que deve levar em conta que estamos preparando jovens para serem capazes de lidar com situações reais. Assim, o aluno acaba ganhando com um ensino interdisciplinar, pois aprende a relacionar conceitos, fatos e fenômenos com o mundo real, o que é mais do que apenas compreender cada um desses objetos de conhecimento de forma isolada e estanque. Todo o processo de conhecimento passa a fazer mais sentido para os jovens, pois além de fazer parte do seu universo vivencial, como pressupõe a interdisciplinaridade, é baseado em um diálogo entre as disciplinas e entre os docentes.
## Referências
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