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SER PROFESSOR DE FISICA OU INTRUTOR-TREINADOR DE FISICA?

Claudio Ichiba

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XV
Ano
2003
Data
23/03/2003
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Avaliação
Tipo
Comunicação

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## SER PROFESSOR DE FÍSICA OU INTRUTOR-TREINADOR DE FÍSICA? ·

## Ichiba, Claudio 1

1 Colégio Integrado e CIES - Centro Integrado de Ensino Superior

No Ensino Médio devemos ensinar a física ou seus conteúdos programáticos? Este trabalho tem como objetivo questionar e diferenciar tais concepções. Verifica-se que muitos professores seguem o paradigma do vestibular acreditando que um aluno(a) só terá aprendido se ele(a) souber resolver e/ou discutir exercícios-problemas. Desta forma, se os conceitos forem muito bem assimilados e devidamente exemplificados (com exercícios resolvidos) então os alunos não terão problemas a priori com os exercícios propostos. Será este o objetivo final? Ter alunos bem treinados em resolver exercícios? É essa a essência de educar na física? O ensino de física se reduziu a formar alunos-atletas para a maratona do vestibular. Neste quadro, a avaliação foi reduzida a uma verificação da dedicação do educando no seu treinamento. Ou seja, se ele foi assíduo, comprometido com as atividades, aproveitou o seu tempo, a sua probabilidade de sucesso será 'exponencialmente' melhor. Já as curiosidades, a magnificência, os limites da física e da ciência são apenas ilustrações abordadas para tornar o conteúdo mais interessante. Da mesma forma cumpre-se o papel das aulas práticas.

Por outro lado, verificamos em nossa escola uma metodologia onde não ficamos preso ao modelo do vestibular. Sem diferenciar sala de aula e laboratório apresentamos, em geral, ou uma experiência-problema, ou um tema a ser discutido (ex. tragédias e sistemas complexos, diminuição do gelo continental antártico, o provável e o improvável em filmes de ficção científica, ...) e em seguida, os alunos em grupos preocupam-se em encontrar uma hipótese (conceito trabalhado no início do curso) e testá-la. Finalizamos, comparado as propostas e os resultados até haver um consenso e até possíveis extensões. A fundamentação e os testes são feitos com bibliografia e materiais de baixo custo disponíveis no laboratório, na biblioteca e na internet. As avaliações seguem a mesma relação: problema-hipótese-teste.

Propomos uma ação de livre iniciativa apresentando uma experiência de sala de aula laboratório e fora dela discutindo casos, hipóteses e soluções na qual os conteúdos podem estar explicitamente e/ou implicitamente contidos. Assim, estamos ensinando 'a pescar' e não apenas 'entregando o peixe'. O professor deve estar preparado para discutir um assunto que não tem nenhuma relação aparente com o programa planejado anteriormente, mas relacionado com sua área de concentração: a física.

ichiba@uol.com.br

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