O QUE PENSAM ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO SOBRE PROJETOS TEMATICOS NAS AULAS DE FISICA
Terezinha De Fatima Pinheiro, José De Pinho-Alves Filho
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- X
- Ano
- 2006
- Data
- 17/08/2006
- Linha de pesquisa
- Didática, Currículo E Avaliaçao No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O QUE PENSAM ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO S SOBRE PROJETOS TEMÁT ICOS NAS AULAS DE FÍSICA
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Terezinha de Fátima Pinheiro José de Pinho Alves Filho 2
Universidade Federal de Santa Catarina/Colégio de Aplicação, tfpinheiro@ca.ufsc.br 2 Universidade Federal de Santa Catarina/Depto. de Física, j jopinho@fsc.ufsc.br r
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## Introdução
O Ensino de Ciências Naturais para a Educação Básica, como indicam as pesquisas da área, necessita levar em conta as concepções dos estudantes. Isto significa que é necessário considerar o que eles já conhecem e a maneira como eles entendem o mundo. A partir da compreensão destes aspectos, torna-se possível a adoção de estratégias de ensino capazes de fofornecer significado ao que será aprendido e de permitir a compreensão e incorporação de conhecimentos cientificamente aceitos. Da mesma maneira, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio - área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - - PCN/EM/CNM&T, recomendam que as competências e habilidades devam ser buscadas através de atividades que tenham significado para o educando.
Buscar o atendimento das recomendações acima requer, ao mesmo tempo, reflexões teóricas a respeito do processo de ensino-aprendizagem e a proposição de estratégias de ensino que procurem superar a maneira tradicional como este ensino vem se realizando. O Curso de Licenciatura em Física da UFSC tem promovido reflexões sobre as perspectivas e possibilidades de atatuação em sala de aula e tem procurado propor iniciativas que atendam a estas solicitações. Para tanto, programa a elaboração de projetos temáticos de ensino de Física e sua aplicação em situação de ensino, como atividades a serem desenvolvidas nas disciplinas de Instrumentação para o Ensino de Física (B e C).
Tais iniciativas necessitam ser aplicadas em sala de aula regular para que se possa avaliar seus limites e possibilidades. O ambiente escolar é o espaço adequado para o desenvolvimento de ações capazes es de apresentar propostas que atendam essas necessidades. A questão que se coloca é: como possibilitar a aplicação de projetos piloto sem provocar grandes alterações na estrutura programática?
Para viabilizar estas ações propomos um projeto de pesquisa e e extensão numa parceria entre professores do Departamento de Física e do Colégio de Aplicação, de modo a possibilitar o desenvolvimento de atividades nas aulas de Física do Ensino Médio que contemplem os objetivos explicitados nos planos de ensino de Física e, ao mesmo tempo, oportunizem a aplicação de projetos piloto. A oportunidade de aplicar os módulos temáticos tem propiciado a verificação, em situações reais de sala de aula, da aplicabilidade de tais propostas.
Utilizando como suporte teórico alguns referenciais construtivistas, como Driver (1983, 1988 e 1999), que procuram compreender a relação entre os esquemas conceituais dos estudantes e o processo de ensino e aprendizagem; o conceito de Transposição Didática (Chevalard, 1991) para auxiliar na compreensão das transformações pelas quais passam determinado conhecimento até se tornar conteúdo escolar e, a perspectiva da Alfabetização Científica e Técnica (Fourez,1994) para orientar os objetivos e finalidades do
ensino de Física, estamos procurando refletir sobre a adoção de projetos temáticos para o desenvolvimento dos conteúdos de Física, a partir de situações contextualizadas.
Nesta fase do projeto, oportunizamos o desenvolvimento de projetos temáticos como atividade de prática de ensino nas primeiras séries, no primeiro semestre de 2005. Tradicionalmente as aulas ministradas por estagiários dão continuidade aos conteúdos que o professor da classe está ministrando no momento do estágio e estas aulas são ministradas em seqüência de aproximadamente doze aulas seguidas. Assim, esta é a primeira oportunidade em que as atividades dos estagiários diferem do que vinha sendo desenvolvido em sala. Muda o conteúdo, a metodologia e o as atividades são desenvolvidas em uma hora aulas semanal. As outras duas aulas continuam sob a responsabilidade da professora titular. Vale ressaltar que os projetos temáticos não estão vinculados diretamente aos conteúdos previstos para a série e os módulos de ensino se caracterizam por se constituírem de atividades que satisfazem as necessidades de informação do tema em discussão. As atividades, de acordo com a seqüência didática, são desenvolvidas, utilizando de várias estratégias como trabalhos em grupo, análise de filmes, desenvolvimento de atividades experimentais etc.
No presente trabalho, apresentamos os resultados de pesquisa que tem por objetivo investigar a respeito do que pensam os alunos do ensino médio sobre o ensino por meio da abordagem temática, após terem participado de aulas de Física, em que projetos temáticos foram desenvolvidos.
## Metodologia
Elaboramos um questionário para o qual nos referenciamos em um trabalho de Ledbetter (1993), a respeito das concepções de ciências de estudantes com a mesma faixa etária de nossos alunos e num trabalho de Pinho -Alves(1990), no qual um questionário, também utilizando a escala de Likert, procura investigar as concepções curriculares subjacentes à prática docente de professores de Física. Em ambos os trabalhos o alvo da investigação é apresentado ao pesquisado de maneira indireta, por meio de diversas palavras, frases ou pequenos textos, a partir de categorias inicialmente pensadas pelo pesquisador. Com o objetivo de melhor inferir a respeito das respostas dadas, são colocados termos diferentes, mas com o mesmo significado ou objetivo. Além da escolha de um número que indica a intensidade de preferência, o entrevistado apresenta uma frase que justifica a opção. O consultado deveria indicar o grau de concordância com as afirmações por meio da escolha de um número. Caso não concordasse com a afirmação deveria assinalar 1, mas se concordasse totalmente com a afirmação assinalaria 5. Os demais valores permitiam a flutuação de escolha entre os extremos (não concordo-concordo).
- O questionário foi respondido ao término da aplicação do prprojeto temático. Vinte e quatro alunos de uma turma de primeira série, onde o projeto desenvolvido se referia ao estudo dos movimentos, incluindo rotações, a partir dos saltos que a atleta Daiane dos Santos efetuou por ocasião do campeonato mundial de atletismo, no qual recebeu a medalha de ouro e a derrota ocorrida durante as últimas olimpíadas. Os outros vinte e quatro alunos que responderam ao questionário participaram de aulas nas quais o projeto se estruturou em torno de informações a respeito do forno de microondas.
- O projeto temático elaborado pelos licenciados de Física na disciplina de Instrumentação, compreende a organização de 8 aulas (média de 45 minutos) de um dado conteúdo de Física (alguns não explorados no Ensino Médio). Devem ser contextualizados em situações da atualidade, podendo ser acontecimentos ou objetos tecnológicos de uso cotidiano. O projeto temático "Voando alto com Daiane dos Santos" objetivou explorar a Dinâmica das Rotações, o que implicava trabalhar conceitos complexos e novos para o Ensino Médio como: momento de inércia, torque e momento angular.
Utilizando de gravações/simulações feitas pela atleta em laboratórios de biomecânica que mostravam os saltos e detalhavam movimentos de rotação, é iniciada a decomposição destes movimentos e suas causas. Não iremos detalhar o projeto, pois não é objeto deste trabalho, mas podemos adiantar que o mesmo não seguiu a apresentação à clássica hierarquização dos livros didáticos. A adoção de uma nova Transposição Didática justificativa reformulou os conceitos envolvidos, agregando um conjunto de atividades experimentais interativas. Entretanto, mesmo que a nova formatação, o assunto não diminuiu seu grau de complexidade, ainda que não tenha explorado matematicamente os conceitos físicos.
- O outro projeto temático se inspirou no "Forno de Microondas" " para a exploração de ondas eletromagnéticas e interação matéria-energia. A descrição fenomenológica foi priorizada em detrimento a abordagem matemática.
## Resultados e discussão
Como pode ser observrvada na tabela I, apresentada a seguir, a grande maioria dos entrevistados afirmou desconhecer os assuntos tratados. Os que afirmavam conhecer mencionaram que era um conhecimento superficial. O tema proposto nas atividades foi considerado como elemento motivador para grande parte dos alunos. Isto se confirma quando manifestam o gosto pela associação entre conceitos físicos e situações conhecidas.
A metodologia adotada e o uso de recursos didáticos variados tiveram a aprovação da grande maioria. Boa parte dos alunos julga que os módulos não atrapalham o andamento das aulas, ao contrário, facilita o aprendizado, especialmente pelo uso de vídeos e experimentos.
Tabela I -Respostas dos alunos por afirmação e intensidade em números absolutos e percentuais
Chama à atenção a dispersão que ocorre na afirmação 4, que trata da relação entre fórmulas e conceitos. Apesar de 31% indicar que o pouco uso de relações matemáticas não atrapalha a compreensão dos conceitos é significativo o número de alunos que expressa textualmente esta necessidade:
"As aulas foram excelentes, com experiências, discussões, etc. Mas na hora de usar os conceitos fica complicado. Então, continuar com as experiências, mas não esquecer do conteúdo teórico" (Aluno 3-1D).
"Gostei muito da explicação do estagiário, porém faltou o conteúdo no caderno, pois as aulas eram muito práticas (é muiuito bom), mas não é possível lembrar de tudo que foi dito em sala de aula." (Aluno 5-1D)
"Poderia ter anotado alguns tópicos com poucas informações no quadro. Uma escrita mais organizada para os alunos copiarem no caderno". (Aluno 7-7-1D)
"É bom porque conhecemos mais sobre algo que está presente de forma muito forte na atualidade, mas o conteúdo não foi muito aproveitado pelo fato de não termos o conhecimento prévio necessário." (Aluno 20-1B)
O estagiário deveria ter passado um resumo da matéria que ele deu u em sala de aula. (Aluno 24-1B)
Dispersão similar é encontrada nas respostas à afirmação 6, que afirma que este tipo de estágio dificulta o andamento normal das aulas. Alguns manifestam certa estranheza com a mudança de metodologia e expressam algum desconforto por trabalhar, simultaneamente, assuntos diferentes.
"Foi bom, mas seria bom acrescentar exercícios durante as aulas". (Aluno Q3-3-1B)
"É "ruim" porque interrompe o conteúdo da professora". (Aluno 5
-1B)
"Enrola um pouco com o que está sendo oferecido do nas aulas". (Aluno o 11-1B)
Também é interessante o fato de que muitos alunos (42%) manifestaram que não têm interesse de participar de situações que envolvem outros projetos temáticos.
## Conclusões
Como poucos alunos fazem comentários a respeito de suas respostas, apresentamos os dados dos questionários e provocamos discussão a respeito dos números obtidos. Neste momento evidenciam -se os receios provocados por metodologias ainda pouco utilizadas e as inseguranças resultantes de alterações no contrato didático (Joshua & Dupin, 1993). Nos comentários verbais evidenciou-se ainda mais o que poucos haviam escrito. Apesar de se sentirem motivados pelas mudanças, eles ainda sentem necessidade de sistematização dos conteúdos realizada pelo professor e se sentem inseguros em utilizar os textos produzidos por eles como fontes de informação confiável. Os alunos sentem-se inseguros quanto a sua aprendizagem, pelo fato dos conceitos não terem sido sistematizados ou organizados pelo professor para serem copiados no caderno. Nesta direção também está a razão de não manifestarem interesse em participar de outras iniciativas semelhantes. Alegam que estas novidades são boas, mas que basta uma vez por ano, pois muitos projetos iriam atrapalhar o desenvolvimento do conteúdo. Isto porque não consideram estas atividades como momentos efetivos de ensino e aprendizagem.
A fala dos alunos revela, de forma implícita, o receio pelo novo. Em sua maioria, procedentes do Ensino Fundamental, estão acostumados com o processo de ensino onde o conteúdo é apresentado pelo professor de forma sistemática, linear e grau de dificuldade progressiva. A necessidade de organização da informação "feita pelo professor" no quadro negro é fundamental para que tenham segurança e confiança de que o conteúdo está correto e é aquele que deve ser aprendido. Isto é um indicativo da falta de autonomia na organização de suas notas de aulas e de perceber quais os pontos fundamentais daquilo que é tratado.
Se recorrermos ao conceito de Contrato Didático , (Brousseau, 1996) , vamos encontrar justificativas para este tipo de comportamento dos alunos. A quebra da maneira como o saber foi tratado gera conflito. A adoção de um processo de ensino mais dialogado, centrado na discussão dos fenômenos físicos e deles procurando construir r variáveis, ainda não faz parte do cotidiano escolar r dos alunos.
Outro aspecto redundante, quase óbvio, é que o grau de confiança no professor da classe sempre será maior do que no "estagiário", pois além do assunto ser novo, o estagiário, por mais que não queira, demonstra certo nervosismo.
## BIBLIOGRAFIA
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## Anexo 1
## Modelo de questionário
## CONSULTA
## Prezado(a) aluno(a)
Gostaríamos de saber sua opinião a respeito das atividades desenvolvidas no estágio/projeto. Para tanto, solicitamos que responda o questionário a seguir, indicando o grau de concordância com as afirmações por meio da escolha de um número. Caso você não concorde com a afirmação assinale 1, mas se você concorda totalmente com a afirmação assinale 5. Se você desejar, pode fazer algum comentário a respeito de sua escolha.
Agradecemos a sua colaboração.
A parte do conteúdo que achei mais interessante foi:
R:
Faça um comentário sobre a aplicação do projeto, analisando pontos positivos e pontos negativos das aulas, dos conteúdos e até mesmo do estagiário. Pedimos sinceridade nos comentários, pois eles nos auxiliarão na promoção de melhorias no projeto e na metodologia adotada. Caso necessite de mais espaço, utilize o verso desta folha.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.