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DISCUTINDO AS RETORICAS DO TEXTO DIDATICO DE FISICA A PARTIR DE UMA ANALISE DO SEU PROJETO GRAFICO

Guaracira Gouvêa, Mercè Izquierdo, Isabel Martins

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
X
Ano
2006
Data
16/08/2006
Linha de pesquisa
Linguagem E Cogniçao No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DISCUTINDO AS RETÓRICAS DO TEXTO DIDÁTICO DE FÍSICA A PARTIR R DE UMA ANÁLISE DO SEU PROJETO GRÁFICO 1 :

* Guaracira Gouvêa, Isabel Martins - Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências e Saúde - - - NUTES/UFRJ 2

Mercè Izquierdo - Departamento de Didática da Matemática e e das Ciências Experimentais UAB

## INTRODUÇÃO

Este estudo está inserido nos temas de Educação em Ciências que têm interesse em investigar o papel dos distintos sistemas de signos ou modos semióticos constitutivos das interações discursivas ocorridas em aulas de ciências, entendendo que toda prática educativa envolve processos comunicacionais por meio do uso de diferentes mídias com suas linguagens específicas. Essas linguagens são constituídas por estruturas que podemos chamar de retóricas, pois cada mídia no ato de sua produção tem uma intencionalidade que é materializada por meio dessas estruturas. No caso particular desta pesquisa, a mídia escolhida foi o livro didático de ciências - - Física ou Química utilizado no ensino secundário espanhol.

A escolha por estudar o livro didático se deve ao fato deste suporte ser, atualmente, o mediador preferencial nas interações discursivas realizadas em sala de aula de ciências (BITTENCOURT, 2004), nesse sentido, constitui-se em um objeto de estudo relevante para a educação em ciências.

Estudo desenvolvido por Martins (2006) aponta para a necessidade de considerar o livro didático como objeto cultural cujos textos, híbridos semióticos, são atravessados por diversas formações discursivas, materializando o discurso sobre ciência na escola e mediando interações entre sujeitos - autores e leitores (professores ou estudantes). Argumenta que este novo olhar para o livro didático permite avançar para além da constatação de erros conceituais ou aspectos ideológicos e elaborar reflexões que relacionam diferentes dimensões relevantes do ensino das ciências como, por exemplo, linguagem e ensino de ciências.

A linguagem, categoria que abrange as diferentes formas de produção de enunciações, é entendida por nós na perspectiva colocada por Bahktin que a considera uma produção humana em seus atos de enunciação. Considera a enunciação como substância da língua e a interação como categoria básica da concepção da linguagem.

A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas lingüísticas nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. s. A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua . (BAKHTIN, 2002: 123, grifos do autor).

- O livro didático como objeto cultural é a expressão da enunciação dos autores, social e historicamente datada e é apropriado por professores e estudantes nas práticas das aulas

de ciências materializadas por novas enunciações por meio das diferentes linguagens.Na perspectiva desta dimensão linguagem é que se insere esta proposta de pesquisa, particularmente da linguagem imagética e o livro didático de ciências.

- O foco deste estudo, desta forma, está na linguagem expressa pelo texto verbal escrito e pelo texto imagético gravados nesse suporte e formado por diferentes estruturas, verbais e gráficas que neste trabalho são consideradas estruturas retóricas, constitutivas das narrações nos atos enunciativas.

## IMAGENS E EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS

Imagens têm sido meios de expressão da cultura humana desde as pinturas pré-históricas das cavernas, milênios antes do aparecimento do registro da palavra pela escritura. Todavia, enquanto a prpropagação da palavra humana começou a adquirir dimensões galácticas, já no século XV de Gutenberg, a galáxia imagética teria de esperar até o século XX para se desenvolver. Hoje, na idade vídeo e infográfica, nossa vida cotidiana - desde a publicidade televisiva ao café da manhã até as ultimas notícias no telejornal da meia noite - está permeada de mensagens visuais, de maneira tal que tem lavado os apocalípticos da cultura ocidental a deplorar o declínio das mídias verbais. (SANTAELLA E NÖTH,1999, p.13).

Uma das questões que se coloca nos estudos das imagens é como se estabelecem ou não relações entre os códigos verbal e visual. Para alguns autores, para se falar de imagens, utiliza-ase o código verbal e este não se desenvolve sem imagens. Assim, estuda-se imagem como representações visuais - - - signos e como representações mentais, ambas indissociáveis. Dentro dessa perspectiva surgem diversos estudos desde o próprio conceito de representação, à função cognitiva da imagem, ao contexto lingüístico, à semiótica a da imagem e suas manifestações em diferentes mídias e à leitura de imagens.

No caso deste trabalho estamos estudando imagens impressas no suporte papel, que estão associadas a um referente mesmo quando abstratas, isto significa inserir a imagem na cultura, pois o referente é uma produção cultural.

Atualmente, as imagens que ilustram os textos impressos que conhecemos estão contidas, em geral, no mesmo espaço de página, podem sobrepor-se ao texto, estar sob este texto, podem ser fragmentadas, não completas, isto é, são criadas diferentes formas de interação texto escrito/imagem que as técnicas contemporâneas permitem. Porém, nem sempre foi assim, e as narrativas nem sempre se fizeram a partir do texto escrito com imagens. Segundo Chartier (1999), a partir do advento da imprensa até o século XIX, no mundo ocidental, a imagem está fora do texto em páginas separadas, pois a técnica de impressão do texto era diferente da imagem - técnica de gravura em cobre. Com o desenvolvimento das técnicas de impressão, tanto de textos como de imagens, estas puderam ser impressas com os textos.

No entanto, as relações entre texto e imagens são estabelecidas de formas diferentes dependendo do suporte de comunicação. Ilustrar um texto escrito é diferente de desenhar um cartum ou histórias em quadrinhos. Da mesma forma as leituras desses textos-imagens são distintas. Para Mangel, (1997) ao ler jornal, a leitura do texto e das imagens converge. Passeia pelas notícias e seções e quase involuntariamente realiza apreensão dos anúncios, tratado por ele como narrativas em molduras. Em revistas, as imagens permitem leituras em níveis diferenciados. Primeiro lêem -se as manchetes, depois as aberturas de matérias e por fim o texto completo. Algumas vezes as imagens são sínteses do que vai ser discorrido.

Atualmente, convive-se com um mundo imagético produzido por diferentes meios de comunicação. A leitura de imagens para obter informações, conhecimentos e para fruição é amplamente utilizada, não só porque pouco se lêem os textos escritos sem imagens, mas principalmente porque se desenvolveram técnicas diferenciadas de apresentar textos imagéticos que se difundem no tempo e no espaço com muita facilidade - - o texto oral e/ou imagético supera texto escrito como meio de comunicação. Desta f forma,

a leitura da imagem como uma tecnologia incorporada à cultura, está ampliando seu campo e retomando a projeção que teve seu passado. O texto ocupou grande espaço a partir da invenção da imprensa e da democratização do acesso à informação escrita. Na chamada sociedade moderna, a ênfase dada à educação pelo texto escrito foi muito maior do que a ênfase dada à educação pela imagem porque esta última permanece como atividade marginal, associada à ornamentação ao lúdico, ao dispensável, secundário, ilustrativo. Conseqüentemente houve uma perda gradual da educação pela imagem. Hoje ninguém aprende a lê-l-la . (BARBOSA, 1995, p.6).

Da mesma forma que a leitura do texto escrito, a leitura das imagens não se restringe a simples leitura de signos, fazendo-se necessário um aprendizado de leitura das imagens. Nessa perspectiva, o visual é visto não como subordinado ou menos importante, mas como um modo semiótico que interage e coopera com o lingüístico (KRESS et al l 1998).

Nas imagens que acompanham o texto escrito, podemos considerar a ilustração como uma forma de comunicação estética e que durante uma leitura permite pausa para reflexões. É percebida de forma unívoca pelas pessoas - - - cada uma tem sua leitura de imagens, sua história de produção de sentidos. A ilustração como representação de uma idéia pode ser fiel ao texto ou o texto pode esclarecê-ê-la; pode estar irremediavelmente presa com o texto; pode ir além do texto ou simplesmente decorar o texto.

No caso do texto científico, um híbrido sesemiótico (LEMKE, 1998), as imagens são de fundamental importância tanto na construção quanto na representação e comunicação de idéias e conceitos científicos. É possível mesmo dizer que elas são inerentes ao próprio conhecimento científico. Exemplos da própria História da Ciência incluem como Faraday construiu a realidade dos campos eletromagnéticos através da visualização de linhas de força ou como Watson e Crick explicaram a estrutura da molécula do ácido desoxirribonucleico a partir da metáfora da dupla hélice. Entidades que não ocorrem juntas são reunidas e visualizadas em conjunto, de forma que seja possível ver ordem ou relações entre elas. A tabela periódica e os diagramas ilustrando taxonomias de espécies são exemplos destes arranjos intencionais. A Ciência também requer, muitas vezes, a visualização de estruturas internas e de componentes de órgãos biológicos ou artefatos técnicos .

Assim, tanto nos manuais técnicos, nos livros de divulgação, nas revistas científicas ou de divulgação e nos livros didáticos, o discurso c científico recorre às imagens com diferentes fins, e isso independe da faixa etária a que se destina a publicação. Martins (1997) afirma que nos livros didáticos modernos há uma marcante presença das representações visuais (fotos, gráficos, fluxogramas, diagramas esquemáticos, desenhos a mão livre, "tirinhas" de histórias em quadrinhos). Além de um espaço maior dedicado a essas representações, suas relações com o texto escrito mudaram. Para a autora, nos livros modernos as ilustrações compõem o texto, é necessário ler as imagens e textos juntos. Há uma nova categoria de análise denominada "texto + imagem" que precisa ser estudada em conjunto. 3

Em nosso trabalho estamos considerando como unidade de análise o conjunto formado pelo texto verbal escrito e texto imagético, pois esse conjunto se constitui em uma estrutura retórica que indicará uma determinada intencionalidade pedagógica no sentido de expressar um objetivo de ensino e um determinado modelo de ciência. Ainda, e estamos considerando o livro didático de ciências como um objeto cultural, desta forma participante das interações simbólicas da cultura, particularmente da cultura escolar e da cultura científica.

## NARRATIVAS E PROJETO GRÁFICO

Em um primeiro momento, consideramos como unidade de análise o projeto gráfico dos livros escolhidos, pois nos interessava perceber como as estruturas gráficas (texto verbal e imagético) que compõem este projeto constituem-se em determinados tipos de estruturas

retóricas que expressam a intencionalidade do autor em relação ao seu objetivo didático, tanto no que se refere à condução do processo de ensino quanto ao seu modelo de ciência.

O projeto gráfico de uma obra impressa depende fundamentalmente de acerca de qual mídia estamos falando -livro, jornal, revista, folheto -. Assim, ao nos referirmos ao livro didático estes têm uma forma de apresentação que os identifica como tal, ou seja, é constituído por certas estruturas gráficas. Atualmente, a estrutura gráfica deste tipo de livro, em geral, é formada por: capa e contracapa, folha de rosto, apresentação, índice e desenvolvimento de um conteúdo específico. Este último está hierarquicamente constituído por capítulos que são lidos na ordem de apresentação e, normalmente, um é pré-requisito do outro.

Os livros didáticos atuais são fartamente ilustrados (CARNEIRO, 1997), é usual colocar no início de cada capítulo, na página denominada de abertura, imagens produzidas de forma muito diferenciadas e com significados também diferenciados. Os tipos de imagem utilizados nos livros didáticos de ciências em estudos realizados no Brasil por Martins, Gouvêa e Piccinni, (2005) indicam que as imagens presentes nos livros dos primeiros quatro anos do ensino fundamental são tipicamente naturalistas e remetem a cenários familiares do cotidiano infantil. Por outro lado, as imagens nos livros destinados às quatro últimas séries se tornam cada vez mais abstratas e passam a privilegiar representações esquemáticas de fenômenos microscópicas. Além disso, o traço utilizado nos livros para as crianças é mais simples, isso o desenho tem uma relação de baixa iconicidade com o seu referente.

Os tipos de imagem utilizados nos livros didáticos de ciências são diversos quanto à técnica de produção, bem como quanto a sua origem, isto é sua produção se deu no contexto do cotidiano, das artes, da ciência, dos meios de comunicação, entre outros contextos. Nesse sentido, a leitura desses livros propicia a interação com diferentes formas de expressão estética.

A articulação entre texto imagético e texto verbal escrito constitui o projeto gráfico que determina um aspecto visual para cada livro, de forma a lhe dar uma identidade. Assim o livro é facilmente reconhecível e citado por essa identidade. Desta forma, poderíamos dizer que o aspecto gráfico é recurso de retórica, pois as estruturas que o compõem orientam caminhos de leitura. Esses caminhos, construídos pela intencionalidade do autor, são narrativas elaboradas a partir da articulação entre o texto verbal escrito e o imagético, nesse sentido podemos afirmar que o projeto gráfico se constitui em uma narrativa que tente orientar a escolha do livro pelo professor e tente conduzir a aprendizagem dos estudantes.

## CATEGORIAS DE ANÁLISE

Este estudo buscou analisar as diferentes estruturas verbais e gráficas, constitutivas do projeto do gráfico de livro didáticos que neste trabalho são consideradas estruturas retóricas, constitutivas das narrações nos atos enunciativos. A consideração do projeto gráfico como estrutura retórica é possível na medida que adotamos o sentido de retórica proposto por Kress et al (2001) e Martins (2000) que extrapola as dimensões de persuasão e convencimento, tradicionalmente associadas ao termo, e enfatiza a articulação de diferentes modos de comunicação como linguagem, imagens, gestos, etc, na produção de textos que objetivam instigar o interlocutor a considerar uma nova visão de mundo. Esta noção de retórica além de permitir análises de processos através dos quais o conhecimento é comunicado, ensinado e legitimado ilumina debates acerca de questões atuais sobre as relações entre Ciência e Ciência Escolar, tais como: desafios às diferentes concepções para a utilização da atividade experimental; análises do papel de metáforas no ensino; uma discussão da contribuição de práticas argumentativas na construção do conhecimento etc.

Neste trabalho , tomamos como referência o trabalho de Izquierdo (2005), que considera que os textos didáticos narram histórias que expressam uma visão de mundo por meio da intenção comunicativa do autor, isto significa que estas têm uma função retórica, numa perspectiva afim àquela adotada por Martins (2000) descrita acima. Assim, utilizamos

as categorias analíticas propostas por Izquierdo (2005), e ainda , segundo a mesma autora (IZQUIERDO, 2000; IZQUIERDO e RIVERA, 1997) caracterizamos as narrativas segundo sua comunicabilidade (Potter,1996), isto é, de que forma se comunicam com o leitor e que tipo de leitor está considerando e segundo sua factualidade, ou seja, que tipos de fatos as constituem. A seguir segue um esquema indicando essas categorias com suas subdivisões, elaborado por Izquierdo (2005, p.16)

## w COMUNICABILIDADE

## n MODELO DE CIÊNCIA

- l AFIRMATIVA
- w RETÓRICA APODÍDICA
- w RETÓRICA MAGISTRAL
- l RESOLUÇAO DE DÚVIDA
- w RETÓRICA DE DÚVIDA
- w DÚVIDA REAL

## n MODELO DE LEITOR

- l SEGUNDO DIDÁTICA TRADICIONAL
- w DISCÍPULO
- w COLEGA
- l SEGUNDO NOVA DIDÁTICA
- w COLABORADOR
- w ATIVO

## w FACTUALIDADE

- n FATOS -VIDA COTIDIANAOU DE LABORATÓRIO
- n FATOS TRANSFORMADOS EM SÍMBOLOS

As narrativas que expressam um modelo de ciência afirmativo são constituídas de estruturas

retóricas apodídicas - - mostram que o mundo é assim, as leis regem a natureza; ou magistral que apresenta modelos e fenômenos idealizados que coincidem com a natureza. O modelo de ciência de resolução de dúvidas é constituído por estruturas retóricas de dúvida ou de dúvida real; a diferença entre elas é que a primeira coloca a dúvida e a seguir responde, utilizando a questão somente para iniciar o desenvolvimento do conteúdo, e a segunda explora a dúvida para desenvolver o conteúdo e este desenvolvimento é que permitirá a resposta. Os modelos de leitor estão associados ao tipo de modelo de ciência expresso pelas narrativas que também vão indicar um determinado tipo de ação didática. Desta forma, se o autor conduz as narrativas segundo um modelo de ciência afirmativa, o seu leitor virtual é um discípulo ou colega e a proposta didática é tradicional. Da mesma forma, se o autor por suas narrativas elabora um modelo de ciência de resolução de dúvidas, o seu leitor está sendo pensado como um colaborador ou aprendiz ativo e sua proposta didática e a nova didática. Na perspectiva da factualidade as narrativas podem estar fundamentadas em fatos reais da vida cotidiana ou de experimentos de laboratório ou em fatos transformados em símbolos.

A partir dessas categorias é quque realizamos a análise do projeto gráfico de dois livros de física, um português e outro espanhol, dirigidos ao ensino secundário, correspondente ao ensino médio no Brasil, que está descrita a seguir.

## AS IMAGENS E AS NARRATIVAS

## LIVRO 1 -RITMOS E MUDANÇASAS

Este livro é constituído por uma apresentação dirigida ao professor destacando que atende os objetivos dos novos programas de Física para o ensino secundário de Portugal, e informando a estrutura da obra, justificando-a do ponto de vista curricular e didático. O livro é dividido em duas partes: Mecânica e Interações e Campos, precedidas de um capítulo de revisão denominado "E"Em jeito de revisão".No capìtulo 1 sobre Mecânica são abordados os seguintes tópicos: Relatividade de Galileo; Dinâmica da partícula material; Dinâmica dos sistemas de partículas. No capìtulo 2 sobre Interações e Campos são abordados os seguintes tópicos: Interações à distância; Campos.

Em cada capítulo há seções denominadas Física em Ação - - a ligação da Física ao cotidiano -; Actividades - - tarefas de natureza experimental -; Aplicação - - questões sobre assuntos do capítulo -; Exemplo - - exercícios resolvidos -. Ao final de cada capítulo há seções denominadas História da História; Aplicações - - tarefas para os estudantes -; Miscelânea - texto complementar para leitura -.

Neste livro, impresso a quatro cores, entidades físicas estão representadas na capa e cada capítulo, excetuando o de revisão, é iniciado por quatro páginas. A primeira página tem imagem desenhada e o título do capítulo, e a segunda tem uma fotografia que ocupa toda a página com uma breve legenda e às vezes outra fotografia menor sobreposta, como apresentado simplificadamente na figura 1.

Figura 1 - Desenho simplificado das páginas 1 e 2 de cada capítulo.

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A terceira página apresenta a lista dos conteúdos que serão abordados e contem afirmações sobre estes e na quarta página são apresentadas fotografias sobre situação cotidiana ou de laboratório com legendas em linguagem científica que se referem à situação apresentada, como apresentado simplificadamente na figura 2.

FIG 2

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Para cada sub -tema de cada capítulo há uma página de abertura com uma imagem e com o título desse sub -item e os conteúdos a serem apresentados, como mostra simplificadamente a figura 3.

Figura 3 - - - Desenho simplificado da página inicial de cada item.

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No desenvolvimento do texto, como forma de separar as informações principais das complementares, em cada página há uma reta vertical, dividindo o espaço da página em dois. Na parte maior estão as informações principais como textos apresentado o conteúdo, leituras complementares, exemplos de aplicação, descrição de experimentos e exercícios para serem resolvidos. Na parte menor estão informações complementares, como legendas explicativas, soluções de exercícios, imagens dos experimentos e exercícios propostos.

## ANÁLISE

A narrativa orientadora do desenvolvimento do texto deste livro pode ser classificada como retórica magistral, e já está explicitada em sua apresentação:

"Na globalidade dos capítulos estabelece-e-se a ligação entre as idéias, os fenômenos físicos e a vida cotidiana, mostrando como os conhecimentos de Física contribuem para a melhor compreensão dos fenômenos naturais ou das aplicações tecnológicas." " (p. 2)

Os recursos de retórica que justificam essa classificação estão presentes também na capa do livro, descrita a seguir. O título "RITMOS E MUDANÇAS"em caixa alta, centralizado; abaixo "FÍSICA 12 O ANO", outro tipo de letra e corpo menor, alinhado à direita; nome dos autores em caixa alta à direita em outro tipo de letra e em outra cor; logo abaixo há um texto dentro de uma elipse em duas cores chamando a atenção para a pertinência do conteúdo às orientações oficiais. A imagem de fundo da capa é constituída por um conjunto de linhas em forma de triângulos que se repetem em certa ordem (espirais retilíneas), e na sua metade inferior há traçados de diferentes linhas.Observa-se que o título do livro está expresso em linguagem cotidiana, mas a opção por linhas na capa, que para um conhecedor de Física representam trajetórias, bem como a imagem de fundo, significa associar esse cotidiano a entidades da Física, ou pelo menos que o estudante perceba uma possível associação entre: Ritmos, Mudanças, Movimentos, Trajetórias, Simetrias e a Física.

Outro recurso de retórica que contribui para a caracterização feita por nós da perspectiva adotada é a abertura de cada capítulo e o início das seções. Por exemplo, o capítulo 1 é iniciado por página dupla; na primeira em cima, à esquerda, o título em caixa alta; a seguir desenho de jovens de patins descrevendo diferentes circunferências; na outra página no centro a imagem de uma nadadora em um momento de um salto; a direita uma fotografia menor de uma outra pose do salto, e à esquerda embaixo a frase: "A presença, nem sempre evidente, dos ritmos. No estudo das mudanças ...".

Na seqüência do desenvolvimento do capítulo, em página dupla, onde na primeira são expressas afirmações tais como: "um corpo quando em translação pode ser representado por um único ponto, o seu centro de massa"; na seguinte são colocadas cinco imagens - fotos de corpos em movimento ou em equilíbrio com legendas que expressam uma explicação física. Como exemplo podemos citar uma montanha russa fotografafada quando descreve um looping, com a seguinte legenda: "Sem ligações, cabos ou apoios, os corpos cairiam em queda livre. A existência de atritos não permite que a energia mecânica se conserve".

Na primeira página que inicia a seção II, do capítulo 1, "Dinâmica de uma partícula", a foto da montanha russa é retomada, mas sem legenda, e na página seguinte são mostradas fotos de movimentos ou equilíbrios com legenda explicativa considerando as forças aplicadas que são apresentadas no lado esquerdo superior de cada foto. Por exemplo, na fotografia de jovens em um balanço, são mostradas as forças que atuam no balanço de forma esquemática.

Ao longo do texto de cada capítulo, tomando ainda como exemplo o capítulo sobre a Mecânica, observamos que a introdução de uma a subseção sempre está apresentada por uma foto de um evento cotidiano (jogo de basquete); nos exercícios de aplicação há sempre o desenho de um evento com elementos representativos do real e de entidades científicas (movimento de uma rolha saindo de uma garrafa de champanha), e depois um outro desenho só com entidades científicas, por exemplo, neste caso, um esquema de forças atuando sobre a rolha.

É importante destacar que existe desde a capa, como já apresentamos, e ao longo do desenvolvimento do conteúdo, uma intencionalidade de associar o conhecimento físico à vida cotidiana, seja apresentando uma aplicação tecnológica ou um fenômeno natural. Nesse sentido, as fotos são fartamente utilizadas, em uma significação que sempre representam o real e mesmo quando são apresentadas em forma de desenhos, estes estão vinculados a situações cotidianas.

Os aspectos levantados acima, na perspectiva da comunicabilidade, nos permitem afirmar que o projeto gráfico do livro apresenta um modelo de ciência afirmativa construído por meio de uma retórica magistral, e tem subjacente um modelo de leitor pensado a partir de uma didática tradicional. As imagens mostram o que é relevante que se veja para compreender o fenômeno. As relações possíveis entre imagem e texto, entre elementos da mesma imagem, entre tipos de imagens e texto não são problematizados. O estudante aprenderá formas de representações das entidades físicas sem discuti-las.

Outro aspecto importante a destacar é que a opção por um único traço de desenho implica na criação de personagens que vão participando das narrativas, sejam narrativas cotidianas ou de eventos físicos. Nesse sentido, essa é uma estrutura retórica que possibilita uma unidade gráfica fortalecedora da narrativa magistral do livro, pois as explicações estão vinculadas a situações vividas por um personagem humanizado. Isto equivale dizer, a Física está em nosso cotidiano e reforça a perspectiva de tratar as entidades teóricas como objetos do mundo real, ou seja os modelos elaborados que constituem um dedeterminado mundo acabam por coincidir com o mundo real..

Na perspectiva da factualidade, o projeto gráfico apóia-se fundamentalmente em fotografias reais da vida cotidiana ou de laboratório, mas é importante destacar que convivem no mesmo espaço de página fotografias de eventos, desenhos representativos de eventos e entidades físicas e desenhos só com entidades físicas que indicam a possibilidade de ler o mundo real por meio de entidades físicas, corroborando com a caracterização de estruturas de retórica magistral do projeto gráfico.

## LIVRO 2 - - FÍSICA Y QUÍMICA - - 1 - - - BACHILLERATO

O livro apresenta conteúdos de Física e Química para o Bacharelado 1, de acordo com a reforma educativa de 1990 - - LOGSE - - da Espanha. Está composto por nove unidades, subdivididas em temas, sendo uma unidade introdutória, quatro dedicadas à Física, e cinco dedicadas à Química, distribuídas da seguinte forma: Unidade 1 - - A Ciência e seus Métodos; Unidade 2 - - Cinemática; Unidade 3 - - Dinâmica; Unidade 4 - - Energia; Unidade 5 - Eletricidade; Unidade 6 - - Teoria Atômica - - Molecular; Unidade 7 - - O Átomo e suas Ligações; Unidade 9 - - Química do Carbono. Ao final de cada unidade há uma seção denominada Complementos, constituída por: Ciencia, Técnica y Sociedad; Notas al Margen y Autoevaluación. As duas primeiras são textos para leitura e a última é um conjunto de exercícios para serem resolvidos. Em todos os temas da Física há uma atividade denominada Trabaja como um Científico, e pelo menos uma proposta de experimento. Nos temas voltados para a Química há uma seção denominada Trabaja en Laboratorio de Química .

Neste livro, impresso em duas cores, na capa há uma imagem ocupando a parte inferior à direita, contendo a representação de planetas, sol e tubos de ensaio, compondo uma possível imagem especular. Na abertura de cada unidade há uma imagem de fundo associada ao tema. Por exemplo, na unidade 4 - - Energia, a imagem de fundo é o lançamento de um foguete; na unidade 7 - - O Átomo e suas Ligações, a imagem é uma estrutura de átomos/moléculas. A figura 4 apresenta esquematicamente a diagramação da página de abertura de uma unidade.

Figura 4 - Desenho simplificado da página de abertura de uma unidade.

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A proposta gráfica das outras páginas é conduzida de forma a separar o desenvolvimento do texto das outras atividades e da seção Complementos por meio da divisão da página em duas partes e pela utilização de caixas de texto. As imagens ocupam diferentes posições no espaço da página, contudo, vale ressaltar, que estas imagens estão sempre vinculadas ao texto com ou sem legenda.

Desta forma o livro apresenta diferentes diagramações das páginas, como apresentado na figura 5, abaixo

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## ANÁLISE

Na perspectiva da comunicabilidade, as narrativas pertencentes a este livro são elaboradas a partir de estruturas retóricas apodídicas e as imagens utilizadas são recursos que compõem esta estrutura. Neste livro, na apresentação, a Ciência é mostrada como um dos fatos sociais mais importantes da sociedade moderna e assim é fundamental adquirir conhecimento científico para saber se relacionar com a Ciência. Para cumprir este objetivo pedagógico propõe diferentes atividades como experimentos, exercícios e, particularmente, uma atividade que denomina Trabaja como Científico, onde reforça procedimentos experimentais e aspectos do método científico.

A apresentação gráfica deste livro é um recurso retórico coerente com sua opção pedagógica e com a nossa classificação, pois tende a generalizar os fatos cotidianos no sentido de criar modelos por meio de desenhos com entidades físicas e demonstrar que a Ciência é um fato social primordial para a sociedade moderna por meio de imagens da História da Ciência ou fotografias de aparatos tecnológicos atuais. Isto reforça a possibilidade de significar os modelos científicos como o mundo real.

Um exemplo que ilustra esta afirmação está expressa na página dedicada à seção Notas al Margen, onde estão abordados os temas La Simultaneidade; Las distancias, Los Sistemas Inerciales; Natureza Relativa de la Velocidad y y Absoluta de la Aceleración e Combinación de Velocidades. Na parte sobre sistemas inerciais há uma fotografia do satélite Hubble, e na parte sobre as distâncias há um desenho de Afonso X el Sábio. Nestas mesmas páginas são apresentados dois desenhos, o primeiro associado à discussão sobre simultaneidade que representa um experimento de dois observadores com velocidades distintas observando duas lâmpadas; o outro, referente à combinação de velocidades, representa uma jovem mulher carregando uma mala e caminhando em uma esteira.

As imagens de Afonso X e do Hubble podem ser retiradas sem prejudicar a compreensão do texto escrito, mas jogam um papel fundamental no sentido de identificar a Ciência como uma produção histórica e importante até hoje. Os outros dois desenhos que compõem as estruturas retóricas para a explicação dos conceitos, o primeiro representa um experimento idealizado, o segundo vinculado a uma situação cotidiana. Nesse sentido essas estruturas são estruturas de retórica apodídicas. Um outro aspecto a destacar é que os traços desses desenhos são genéricos, isto é, estes observadores e esta jovem mulher branca de calça comprida podem ser qualquer ser humano do mundo ocidental. As situações cotidianas possuem identidade do mundo ocidental, da mesma forma como a Ciência. Assim, as estruturas retóricas contidas na apresentação gráfica deste livro foram elaboradas para a produção do conhecimento no sentido da cientifização do cotidiano. Isto significa tratar, do ponto de vista do traço, o desenho de uma a estrada, de uma mulher, de um trabalhador, da mesma forma que um gráfico ou um desenho de um esquema de forças. Este sentido faz os modelos científicos coincidirem com o mundo real e torna a Ciência a única forma de explicar os fatos cotidianos.

Do ponto de vista da factualidade, apesar de algumas imagens, fotografias ou desenhos, representarem situações reais ou de laboratório, os tipos de fotografia e o traço de desenho adotado transformam essas imagens em símbolos produzidos pela cultura científica.

Desta forma, as narrativas deste livro constroem os fatos na mesma perspectiva da comunicabilidade, apresentando uma Ciência afirmativa para um leitor que deve observar o mundo com um único filtro: o da Ciência.

## CONSIDERAÇÕES

Neste trabalho, tratamos como imagens tudo que não está expresso pelo código verbal escrito, assim, gráficos, diagramas, mapas, desenhos ou fotografias de experimentos, de cientistas, fenômenos naturais, paisagens urbanas ou naturais, entre outras muitas possibilidades foram analisados como imagens.

As imagens analisadas, principalmente as produzidas pela cultura científica, não possuem um referente analógico imediato, por exemplo, um esquema de força atuando em um corpo e isto implica em uma dificuldade de leitura. Na realidade, poderíamos considerar que as imagens científicas sofreram ao longo da história da produção do conhecimento científico um procesesso de nominalizaçao (HALLIDAY,1983) similar ao da linguagem verbal escrita, dificultando a sua compreensão, por isso a necessidade de aprendizagem da leitura de imagens.

Como estratégia de retórica para tornar as narrativas inteligíveis os dois livros, em seu projeto gráfico, apresentam os fatos reais ou de laboratório por meio de fotografias ou de desenhos com certo grau de iconicidade, assim garantem a possibilidade de leitura, pois fica explícito o referente. No entanto, quando vão apresentar as páginas onde estão impressas imagens cujo referente não é claro, ou poderíamos colocar até a questão se há referente, utilizam-se de recursos retóricos de representar na mesma imagem entidades científicas abstratas, como vetores, com desenhos ou fotografias de situações cotidianas. No entanto, a análise realizada indica que os livros estudados constroem nessas imagens as estruturas retóricas de forma diferenciada.

No livro 1, Ritmos e Mudanças, as imagens que apresentam entidades científicas abstratas e situações cotidianas são fotografias ou desenhos e estes últimos têm um traço que compõem personagens e um em particular que é representado várias vezes. Estas estruturas retóricas conduzem a leitura simbólica de forma a confundir o cotidiano com a ciência, pois há uma valorização do referente, este é mais presente e é tratado do ponto de vista gráfico de forma diferenciada das entidades científicas. No entanto, no livro 2, Física y Química, as imagens que apresentam entidade científicas abstratas e situações cotidianas são desenhos, com baixo grau de iconicidade em relação às imagens cotidianas, e são elaborados com o mesmo traço. Assim, as estruturas retóricas construídas conduzem a leitura simbólica de forma a sobrepor a ciência ao cotidiano, pois não há valorização do referente, este se confunde do ponto de vista gráfico com as entidades.

Do ponto de vista da comunicabilidade os dois livros possuem estruturas retóricas constitutivas de narrativas que apresentam um modelo de ciência afirmativa, mas os sentidos da produção de conhecimento são distintos. No livro um o sentido é do cotidiano para a ciência; do livro 2 é da ciência para o cotidiano.

Consideramos que estas narrativas não são arbitrárias, ao contrário, correspondem a práticas discursivas que se sustentam nos espaço educativo e que tomam parte numa rede de significações atribuídas ao ensinar e aprender ciências com suas propostas, metodologias e materiais de ensino.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, E. Leitura e Mídia Entre ler, ano 1, nº 3, jun./jul. - - publicação do PROLER, Casa da Leitura, Rio de Janeiro, 1995, pp. 6-11.

BAKHTIN, M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Problemas Fundamentais do Método Sociológico na Ciência da Linguagem. Editora HUCITEC, São Paulo, 1986.

BITTENCOURT, C. M. F. Apresentação da seção Em foco: História, produção e memória do livro didático . Educação e Pesquisa, Sept./Dec. 2004, V.30, nº.3, p.471-473.

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GALINDO, Alberto, SAVIRÓN, José M., MORENO, Antonio, PASTOR, José M., BENEDÍ, Angel, Física y Química - - 1 Bachillerato, Madrid, España: McGraw-Hill - - Interamericana de España S. A., 1996, publicado em Español.

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