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''Olha esse vídeo aqui!": vídeos curtos como via de mão dupla no ensino/aprendizagem da Física

Thamirys De Fatima De Souza, Ernani Vassoler Rodrigues.

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XX
Ano
2024
Data
20/08/2024
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ' Olha esse vídeo aqui!': vídeos curtos como via de mão dupla no ensino/aprendizagem da Física

## 'Look at that video!': short videos as two ways path for teaching/learning Physics

## Thamirys F. Souza 1 , Ernani V. Rodrigues 2

1

- UFES - Universidade Federal do Espírito Santo/Departamento de Física/thamirys.souza@edu.ufes.br
- 2 UFES - Universidade Federal do Espírito Santo/Departamento de Física/ernani.rodrigues@ufes.br

## Resumo

Neste trabalho, utilizamos uma plataforma de vídeos curtos em aulas de Física para avaliarmos tanto o consumo quanto a produção de conteúdos audiovisuais, as representações coletivamente compartilhadas de um grupo de estudantes do Ensino Médio. Utilizando uma estratégia metodológica da psicologia social, buscamos avaliar representações sociais emergentes dos estudantes em dois momentos: assistindo vídeos de Física na rede tiktok® e produzindo vídeos. Utilizamos nuvens de palavras para avaliar a estrutura representacional de lexemas evocados livremente pelos estudantes. Nossos resultados indicam uma maior apropriação de elementos do discurso científico da Física na etapa de produção de vídeos do que na etapa de consumo de conteúdo audiovisual. Isso remonta vantagens de eventos de nano-aprendizagem já reportados na literatura, além de indicar a potencialidade da produção de conteúdo tanto como forma de dar voz aos estudantes, quanto como forma de aprendizagem de conceitos ligados aos fenômenos dos vídeos utilizados para reação.

Palavras-chave : Ensino de Física. Eventos de nano-aprendizagem. Mídia. Educação. Vídeos curtos.

## Abstract

In this work, we use a short video platform in a high school Physics classroom to evaluate emerging collective representations from students in both the consumption and production of audiovisual content. Using a methodological strategy from social psychology, we sought to evaluate students' emerging social representations in two moments: we showed Physics videos on the tiktok® network and produced videos of incidents related to them. We use word clouds to evaluate the representational structure of lexemes freely evoked by students. Our results indicate a greater appropriation of elements of the scientific discourse of Physics in the video production stage than in the audiovisual content consumption stage. This highlights the advantages of nano-learning events already reported in the literature and, in addition, indicate the potential of content production both as a way of giving students a voice, and as a way of learning concepts linked to the phenomena present in the videos used for react.

Keywords : Media education. Nano-learning event. Physics education. Short videos.

## Introdução

As plataformas de vídeos curtos têm influenciado o discurso público contemporâneo em diferentes áreas. Caracterizadas por sua efemeridade, as postagens curtas em plataformas digitais compartilháveis ativam um transiente de copresença despertando pares da interação social digital para temas e condições de contorno de aspectos momentâneos da vida (SCHELLEWALD, 2021).

Na plataforma denominada tiktok®, as postagens em vídeo rodam em loop e continuam rodando após os vídeos tocados pela primeira vez terminarem. Mesmo não sendo isentas de críticas e de sanções governamentais (ZHU, 2020), o potencial de engajamento do modo de operar dessa plataforma é inegável. Por isso, iniciativas de trazer para a sala de aula de Física o uso dessas formas de mídia já se registram, com ações para o ensino de Mecânica Clássica (MOHOTTALA, 2023) e Relatividade Restrita (SHOLINA, MULIYATI e PURWAHIDA, 2023).

Com isso, entendemos que o ensino da Física escolar básica pode se valer de vídeos já produzidos em plataforma de rápido acesso para promoção de debates em sala de aula enquanto, ao mesmo tempo, esse formato de vídeo pode ser utilizado para acomodar produções dos alunos do ensino médio nas quais conceitos, visões e concepções não alinhadas à ciência podem ser identificadas pelo educador. Há, então, duas vias de relação envolvidas: (i) o 'consumo' vídeos produzidos por outrem; (ii) a produção de vídeos onde se expressam visões, mirando espectadores. Em ambas, são viáveis diferentes linguagens audiovisuais como reportagens, dublagens, reacts e outras.

Por isso, neste trabalho temos por objetivo explorar produções audiovisuais curtas de temas da Física, feitas por um grupo de alunos do ensino médio, examinando representações emergentes sobre a atividade, a fim de avaliar suas potencialidades no ensino da Física.

## Considerações Teóricas

Diante da inerente efemeridade das postagens de vídeos curtos, Khlaif e Salha (2021) definem os conteúdos postados dessa forma como conteúdos de nano-aprendizagem que favorecem o design participativo e o compartilhamento de

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conhecimentos e aprendizados por comunidade. Dito isso, o empacotamento de conteúdo em poucos segundos pode favorecer o engajamento dos estudantes.

Mayer (2002) defende a aprendizagem em multimídia, argumentando que representações mentais são construídas quando estudantes são expostos a informação textual sobreposta à informação visual. Adnan, Syahirah e Isamail (2021) defendem o uso do tiktok® em situações educacionais, uma vez que atende à parte majorante da lista de atributos de Mayer (2002), fornecendo evidências de uma melhor experiência de aprendizagem dos estudantes em comparação a outras estratégias didáticas.

Uma vez que as experiências de aprendizagem se desdobram no tecido social dos estudantes, mudanças nas representações compartilhadas por eles podem ser estimuladas pela produção de vídeos curtos. Moscovici (2012) propõe que representações sociais emergem como fenômeno social de um grupo que, a partir de uma demanda do mundo, são pressionados a se posicionarem e que isso promove uma organização espontânea de ideias que auxiliam o grupo a converter aquilo que é desconhecido em algo familiar. Essas representações são estruturalmente organizadas com elementos centrais, mais sólidos e perenes, e como elementos periféricos, mais dinâmicos e imediatos (SÁ, 1996).

A partir de palavras livremente escolhidas pelos estudantes, é possível identificar elementos dessa estrutura, conferindo à demanda intelectual - como a produção de um vídeo curto - um sentido que seja compartilhado pelo grupo.

## Metodologia

Este estudo se desenvolveu em uma turma do segundo ano do Ensino Médio de uma escola pública no estado do Espírito Santo durante o segundo semestre de 2023. Foram selecionados sete vídeos sobre fenômenos ópticos na rede social tiktok®, a partir disso cada estudante recebia um dos vídeos, distribuído de modo randômico, para assistir e então evocava cinco palavras que lhes viessem à mente sobre o vídeo.

Posteriormente, os alunos foram organizados em grupos (máx. cinco alunos), conforme o vídeo recebido inicialmente e, durante o tempo de uma aula, investigariam sobre o tema da Física na internet e produziriam um roteiro prévio de vídeo a ser gravado. Como suporte à produção do roteiro, foram oferecidas

perguntas-chave relacionadas ao fenômeno (Figura 1). Foi estabelecido então um prazo para entrega de duas semanas, para que os alunos produzissem um vídeo no formato react - reação de uma pessoa com sua imagem sobreposta ao vídeo original - com duração máxima de três minutos.

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Fonte: Elaboração nossa.

Ao final do prazo, cada vídeo produzido foi exibido à turma, seguido de uma roda de discussão sobre os conceitos e concepções usados, dirimindo eventuais equívocos, seguido de nova rodada de evocações de cinco palavras sobre cada um dos vídeos.

## Resultados e Discussões

Dos sete vídeos oferecidos, seis tiveram produções executadas pelos grupos. As nuvens de palavras, pré e pós, por cada vídeo, estão representadas na Figura 2, a seguir.

Figura 2 Nuvem de palavras para as evocações iniciais e finais.Fonte: Elaboração nossa

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Embora dados linguísticos coletivos sejam sempre de sutil interpretação e não deterministas, podemos, em linhas gerais, reconhecer alguma apropriação de termos do discurso científico da Física comparando as evocações pós e pré. Como os estudantes já haviam estudando óptica, a presença de alguns dos conceitos específicos dos fenômenos mostrados nos vídeo, nas evocações pré, eram esperados. Entretanto, nota-se também nas nuvens pré, a preferência por elementos já presentes nos vídeos, restringindo os conceitos a: Refração, Absorção, Densidade, Difração e Radiação.

Já nas nas nuvens pós, foi detectado uma maior apropriação de termos ligados aos discursos trazidos nos reacts , extrapolando os elementos presentes nos vídeos iniciais. Isso é evidente na maior parte dos vídeos, exceto no 3 e 5, o que aponta um obstáculo em relação aos conceitos que envolvem a formação de imagem em um espelho. Nesses, os estudantes se concentraram em mencionar elementos mais pragmáticos e menos processuais do fenômeno, como a repetição dos termos espelho e imagem.

## Considerações Finais

Retomando nosso objetivo, de explorar produções audiovisuais, examinando representações emergentes e avaliando suas potencialidades no ensino da Física,

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vemos que a aprendizagem por multimídia de Mayer, se concretiza em doze princípios que visam auxiliar a aprendizagem e o processo cognitivo dos estudantes. Onde as informações seriam captadas pelos olhos e ouvidos (memória sensorial) e passariam por uma série de processos que resultariam numa integração dessas informações para a construção de uma memória de longo prazo. Assim, utilizando de elementos propostos pelo autor, construímos essa análise com intuito de avaliar o conhecimento adquirido pelos estudantes através da avaliação feita por eles de vídeos curtos.

Dessa forma, a expectativa era que, ao solicitar a evocação de palavras (evocação inicial) relacionadas ao vídeo, essas palavras viessem com pouca ligação conceitual com o fenômeno físico. E de fato foi o que ocorreu, grande parte dos vídeos apresentaram descrições visuais da mídia e pouca interação conceitual. Já para a evocação final, que ocorreu após a produção do vídeo react , era esperado que termos físicos aparecessem com maior frequência que na evocação inicial. E isso foi verificado, na medida que foi constatado que as palavras com maior ligação com o fenômeno físico aparecem maiores que as com ligações visuais.

Assim, através da utilização de uma plataforma já difundida e consolidada entre o público jovem, tiktok®, foi desenvolvido uma atividade onde os alunos não somente avaliariam seus conhecimentos físicos teóricos, mas também poderiam se fazer da linguagem artística do audiovisual para informar sobre o tema trabalhado em grupo. Entretanto, podemos identificar que alguns conhecimentos que mesmo abordados de forma mais criteriosa, acabam não sendo absorvidos pelos estudantes, como foi o caso das imagens formadas pelo espelho. Analisando as evocações, concluímos que os vídeos que mencionaram a formação de imagem em espelhos, tiveram palavras evocadas com menos ligação conceitual do que os demais, mesmo após os temas serem abordados com cada grupo. Nossos resultados apontam para a possibilidade de se explorar de modo mais aprofundado as produções dos alunos e de ampliar o arcabouço de análise sobre o processo. Mesmo assim, em suma, essa metodologia se mostrou profícua não somente para identificação de dificuldades dos estudantes, mas também como forma de apropriação da linguagem digital, dando voz aos participantes e ferramentas para que participem ativamente das formas contemporâneas de difusão de conhecimentos.

## Referências

ADNAN, N. I.; SYAHIRAH, R.; ISMAIL, I. N.. Investigating the Usefulness of TikTok as an Educational Tool. International Journal of Practices in Teaching and Learning (IJPTL) , v. 1, p. 2-6, 2021.

KHLAIF, Z. N.; SALHA, S.. Using TikTok in education: a form of micro-learning or nano-learning?. Interdisciplinary Journal of Virtual Learning in Medical Sciences , v. 12, n. 3, p. 213-218, 2021.

MAYER, Richard E. Multimedia learning. Psychology of learning and motivation , v. 41, p. 85-139, 2002.

MOSCOVICI, S. A psicanálise, sua imagem e seu público (Coleção Psicologia Social). Petrópolis, RJ: Vozes , 2012.

MOHOTTALA, H. et al. Learning Introductory Level Physics with Phys-TikToks. Creative Education , v. 14, n. 11, p. 2085-2095, 2023.

SA, C. P. Representações sociais: teoria e pesquisa do núcleo central. Temas psicol. , Ribeirão Preto, v. 4, n. 3, p. 19-33, 1996.

SCHELLEWALD, A. Communicative forms on TikTok: Perspectives from digital ethnography. International Journal of Communication , v. 15, p. 21, 2021.

SHOLINA, W.; MULIYATI, D.; PURWAHIDA, R. Development of Special Relativity Material Learning Videos on Social Media Tiktok. Current Steam and Education Research , v. 1, n. 1, p. 7-12, 2023.

ZHU, Y. The expectation of TikTok in international media: A critical discourse analysis. Open journal of social sciences , v. 8, n. 12, p. 136, 2020.

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