Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE A PRODUÇÃO DE MODELOS TÁTEIS-VISUAIS PARA ENSINO INCLUSIVO DE ASTRONOMIA

Vagner Diego De Araujo Freire, Tassiana Fernanda Genzini De Carvalho

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XX
Ano
2024
Data
20/08/2024
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2024

Texto completo

## REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE A PRODUÇÃO DE MODELOS TÁTEIS-VISUAIS PARA ENSINO INCLUSIVO DE ASTRONOMIA

## BIBLIOGRAPHICAL REVIEW ON THE PRODUCTION OF TACTILE-VISUAL MODELS FOR INCLUSIVE ASTRONOMY TEACHING

## Vagner Diego de Araujo Freire 1 , Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho 2

- 1 Universidade Federal de Pernambuco/Núcleo de Formação Docente/Licenciatura em Física, vagner.freire@ufpe.br
- 2 Universidade Federal de Pernambuco/Núcleo de Formação Docente/Licenciatura em Física, tassiana.fgcarvalho@ufpe.br

## Resumo

Este trabalho apresenta uma revisão bibliográfica das produções que abordavam o uso de materiais táteis-visuais no contexto do ensino inclusivo de Astronomia, especificamente para pessoas com deficiência visual. O critério para a seleção dos trabalhos considerou se estes produziram ou propuseram a elaboração de materiais didáticos para o ensino de Astronomia para discentes com deficiência visual. Desta forma, buscou-se trabalhos acadêmicos no Google Acadêmico, SciELO e nos artigos da RBEF, SNEA e RELEA. As produções foram organizadas e categorizadas, com relação ao ano, tipo de produção e tema ou conteúdo desenvolvido. Constatou-se que, possivelmente por influência dos PCN, existe uma predominância de modelos táteis-visuais que reproduziram a Terra, o Sol e a Lua, assim como constatou-se também que os tópicos de física que apareceram nestas produções, embora em menor número, foram: eclipses solar e lunar, fases da Lua, Big-Bang e expansão do Universo, leis de Kepler, movimento de rotação e translação da Terra, formação de crateras da Lua e estações do ano. Estes tópicos possivelmente também foram influenciados pelos conteúdos propostos nos PCN e na BNCC. Foi constatado também que noções de tridimensionalidade e proporcionalidade nem sempre foram consideradas na produção dos modelos, o que pode levar ao desenvolvimento de concepções equivocadas sobre os corpos celestes e as distâncias no espaço.

Palavras-chave : Astronomia, Deficiência Visual, Ensino Inclusivo, Modelos Táteis-Visuais, Revisão Bibliográfica.

## Abstract

This work presents a bibliographical review of productions that addressed the use of tactile-visual materials in the context of inclusive Astronomy teaching, specifically for people with visual impairments. The criteria for selecting the works considered whether they produced or proposed the development of teaching materials for teaching Astronomy to students with visual impairments. In this way, academic works were searched on Google Scholar, SciELO and in and in articles from RBEF, SNEA and RELEA. The productions were organized and categorized, in relation to the year, type of production and theme or content developed. It was found that, possibly due to the influence of the PCN, there is a predominance of

tactile-visual models that reproduced the Earth, the Sun and the Moon, as well as it was also found that the physics topics that appeared in these productions, although in smaller numbers, were: solar and lunar eclipses, phases of the Moon, Big-Bang and expansion of the Universe, Kepler's laws, Earth's rotation and translation movement, formation of craters on the Moon and the seasons. These topics were possibly also influenced by the content proposed in the PCN and BNCC. It was also found that notions of three-dimensionality and proportionality were not always considered in the production of models, which can lead to the development of misconceptions about orb, stars and distances in space.

Keywords : Astronomy, Visual Impairment, Inclusive Teaching, Tactile-Visual Models, Bibliographic Review.

## Introdução

A Astronomia passou a ser incluída, com mais ênfase, nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, seguindo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (Brasil, 1998; Brasil, 2002), resultando na adoção dela no currículo de vários estados brasileiros e garantindo a sua presença em livros didáticos. De maneira ainda mais recente, passou a ser sugerida ainda mais fortemente por meio da Base Nacional Curricular Comum (BNCC) (Brasil, 2018).

Entretanto, as aulas de astronomia ainda são, muitas vezes, baseadas em representações bidimensionais, usando o quadro, desenhos e imagens, em uma abordagem que nem sempre trabalha adequadamente as escalas de tamanho e distância, comprometendo o entendimento da constituição dos astros e interferindo no desenvolvimento de noções de espacialidade e demais conceitos que necessitam de certa abstração para serem compreendidos. Longhini e Mora (2010) e Leite (2002) falam do problema que é abordar a astronomia de forma bidimensional, sem apresentar as questões da espacialidade, o que desenvolve concepções equivocadas sobre os astros e o Universo.

Diante desses desafios de representação, especialmente no que diz respeito aos conteúdos de astronomia, o desafio torna-se ainda maior quando se trata de ensinar para discentes com deficiência, especialmente a visual, que necessitam de meios diferentes para ter acesso às informações e aos conhecimentos.

A compreensão que trataremos da deficiência neste trabalho apoia-se nos pressupostos da 'Defectologia' 1 de Vigotski (2022). Compreendemos que a

deficiência é muito mais social do que biológica, na medida em que o tratamento dado às pessoas com deficiência parte de um pressuposto capacitista, e impõe limitações relacionadas à incapacidade de fazer ou de aprender certas coisas, especialmente em um mundo que valoriza muito o sentido da visão (CAMARGO, 2012). Vigotski (2022) também ressalta a importância de considerar o ambiente social e as interações com os outros para entender e promover o desenvolvimento da criança com deficiência, e enfatiza o papel da tecnologia, como por exemplo os materiais táteis-visuais, como ferramenta para o desenvolvimento e a comunicação.

É possível ainda conectar as ideias de Vigotski e de Camargo (2012) no que diz respeito à compensação social, considerando que abordagens pedagógicas inclusivas tornam possíveis de superar as dificuldades encontradas pelo aluno. Camargo (2012) discute a importância da inclusão dos discentes com deficiência visual e apresenta as estratégias pedagógicas que podem ser usadas pelos professores, destacando que a inclusão não se resume apenas à presença destes estudantes em uma sala de aula, mas na adaptação do currículo, dos materiais didáticos e da metodologia de ensino para que todos possam participar.

Diante dessas perspectivas, este trabalho procurou fazer uma revisão das produções que abordavam o uso de materiais táteis-visuais para o ensino inclusivo de Astronomia, especificamente para pessoas com deficiência visual.

## Metodologia

Foi feita uma pesquisa bibliográfica a respeito das produções que tratavam de materiais táteis-visuais para o ensino inclusivo de Astronomia, especificamente para pessoas com deficiência visual. Os levantamentos das publicações foram realizados até 10 de outubro de 2022, porque este período foi estabelecido como parte de um cronograma de uma iniciação científica. O critério para a seleção dos trabalhos levou em conta se produziram ou propuseram a elaboração de materiais didáticos para o ensino de Astronomia para discentes com deficiência visual. Pretendia-se contemplar os trabalhos dos últimos 20 anos (de 2002 a 2022), mas a primeira publicação encontrada e considerada é de 2008.

Primeiramente, foi utilizado o Google Acadêmico com as palavras-chaves: 'astronomia deficiente visual', 'astronomia cego', 'astronomia deficiência visual', e foram analisados os 10 primeiros números de janelas do buscador, porque os trabalhos encontrados depois disso fugiam do escopo proposto para a análise. Também foi procurado por trabalhos na SciELO e nos periódicos: Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF), e Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia (RELEA), bem como nos anais do Simpósio Nacional de Educação em Astronomia (SNEA) com as mesmas palavras-chaves. Nesses casos, tendo menor quantidade de produções, o critério de quantidade de janelas não foi necessário, considerando todas as produções encontradas nesses meios. Organizou-se um quadro algumas informações sobre os trabalhos produzidos.

Quadro 01: Trabalhos analisados

Fonte: os autores

## Resultados

Conforme mostra o Quadro 01, foram encontradas 28 produções que se enquadram nos critérios de análise desta pesquisa. Os tipos de publicações ficaram

divididos entre artigos de periódicos (12), de eventos (9), ou monografia, dissertações e teses (7).

O Gráfico 1 propõe uma organização em relação aos temas ou conteúdos dos materiais táteis-visuais, apresentados a partir do levantamento feito. Foram consideradas todas as temáticas das publicações encontradas a partir das palavras-chaves apresentadas na metodologia:

Gráfico 1 : Temas/conteúdos dos modelos táteis-visuais

<!-- image -->

Fonte: os autores

Foram ocultados deste gráfico os modelos propostos apenas uma vez: maquete das Leis de Kepler; matriz com eixo de rotação e inclinação da Terra; modelo de órbitas planetárias; maquete de translação da Terra; aplicativo acessível (glossário com termos astronômicos, carta celeste, informações de objetos astronômicos com audiodescrição); relógio de Sol analemático; maquete de um observatório solar indígena; maquete tátil das estações do ano.

Verifica-se que o planeta Terra foi o objeto astronômico mais representado diretamente, em 31 produções: três modelos táteis, dez modelos do Sistema Solar, seis modelos de eclipses, quatro de escala dos planetas, duas atividades cinestésicas corporal do sistema Terra-Sol-Lua, uma matriz com eixo de rotação e inclinação da Terra, uma maquete de translação da Terra, uma maquete

Terra-Lua-Sol, uma representação Terra-Sol-Lua com massa de modelar (feito pelo aluno), um modelo da Terra e Lua de Isopor, uma maquete tátil das estações do ano.

O Sol foi o segundo astro mais representado, 27 vezes. Para a análise, foram desconsideradas as representações indiretas do Sol, isto é, aquelas em que o Sol não foi reproduzido, incluindo o modelo do relógio de Sol analemático e a maquete de um observatório solar indígena. A lua foi representada 19 vezes. O céu e as constelações foram feitos em 14 materiais táteis-visuais.

## Conclusão

A análise mostrou uma recorrência de produções de modelos táteis-visuais do planeta Terra, da Lua, do Sol, do Sistema Solar foram os mais feitos, possivelmente porque estes temas estão presentes nos currículos de ensino desde os PCN, e agora na BNCC.

Os tópicos de Física que mais apareceram nestas produções foram: Eclipses Solar e Lunar, Fases da Lua, Leis de Kepler, Eixo de rotação e inclinação da Terra, Big-Bang e Expansão do Universo, Movimento de Rotação e Translação da Terra, Formação de Crateras da Lua, e as Estações do Ano. Todos estes tópicos também estão presentes, direta ou indiretamente, nos PCN e na BNCC, ainda que o fato de estarem presentes não significa que são bem desenvolvidos nas aulas.

Houve uma predominância de representações bidimensionais em modelos celestes, incluindo cartas, mapas, e planisférios celestes (14 modelos), enquanto que as constelações foram representadas de forma tridimensional apenas três vezes, considerando sua profundidade, sem mencionar se estavam na proporção. Desta forma, se observa que o problema apontado por Longhini e Mora (2010) e Leite (2002) também ocorre nas representações que são feitas para incluir alunos com deficiência, quando não se tem esse cuidado ao fazer as representações.

Observa-se que nenhum modelo proposto abordou outros objetos astronômicos do Sistema Solar, como por exemplo de cometas, asteroides ou meteoros. Houve apenas uma representação do cinturão de asteroide, mas colocando-os muito próximos e podendo gerar uma concepção errônea de como o cinturão é de fato.

Este trabalho é parte de uma pesquisa em desenvolvimento que se propõe a construir modelos de cometa e uma sequência didática para abordar sua constituição e sua órbita, para o ensino de Astronomia na Educação Básica. A revisão da literatura mostrou importantes aspectos a serem considerados, e a importância do alinhamento entre o material proposto, as publicações e os teóricos.

Conclui-se que mesmo se utilizando de materiais táteis-visuais, ou materiais pedagógicos adaptados, estando de acordo com Vigotski e Camargo, faz-se necessário se atentar as noções de espacialidade e tridimensionalidade e para aspectos de astronomia e da educação inclusiva na formação docente, para que concepções errôneas não sejam desenvolvidas pelos estudantes.

## Referências

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais : Ciências Naturais. Ministério da Educação e dos Desportos - MEC; SEMTEC, Brasília, 1998.

BRASIL. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+). Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Ministério da Educação e dos Desportos - MEC; SEMTEC, Brasília, 2002.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular . Versão final. Ministério da Educação e Cultura - MEC; Brasília, 2018.

CAMARGO, E. P. Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de Física . São Paulo: Editora UNESP, 2012.

LEITE, C. Os professores de ciências e suas formas de pensar a astronomia . Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

LONGHINI, M. D.; MORA, I. M. Uma investigação sobre o conhecimento de astronomia de professores em serviço e em formação. In: LONGHINI, M.D. (Org.). Educação em Astronomia : experiências e contribuições para a prática pedagógica. Pp. 87-116. Campinas: Editora Átomo, 2010.

Vigotski, L. S. Obras Completas - Tomo Cinco: Fundamentos de Defectologia. Tradução do Programa de Ações Relativas às Pessoas com Necessidades Especiais (PEE). - Cascavel: EDUNIOESTE, 2022.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.