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ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM CONTEXTO REMOTO: PERCEPÇÕES DE UMA LICENCIANDA EM FÍSICA

Caroline Dorada Pereira Portela, Ivanilda Higa

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XX
Ano
2024
Data
20/08/2024
Linha de pesquisa
Formação E Ação Docente Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM CONTEXTO REMOTO: PERCEPÇÕES DE UMA LICENCIANDA EM FÍSICA

## SUPERVISED TEACHING INTERNSHIP IN A REMOTE CONTEXT: A PHYSICS GRADUATE STUDENT PERCEPTIONS

## Caroline Dorada Pereira Portela 1 , Ivanilda Higa 2

1 Instituto Federal do Paraná - Campus Paranaguá/ Universidade Federal do Paraná - Programa de Pós-Graduação em Educação, caroline.portela@ifpr.edu.br

2 Universidade Federal do Paraná - Programa de Pós-Graduação em Educação/Departamento de Teoria e Prática de Ensino, ivanilda@ufpr.br

## Resumo

O objetivo desta pesquisa é analisar as percepções de uma licencianda sobre o estágio curricular supervisionado no curso de licenciatura em Física de uma instituição federal de ensino da região sul do Brasil, no período da pandemia de Coronavírus. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, com análise de entrevista semi-estruturada utilizando-se alguns princípios da Análise de Conteúdo (Bardin, 2008). As análises indicam que, na percepção da licencianda entrevistada, o estágio supervisionado durante a pandemia foi repleto de desafios e limitações como: a pouca interação com os estudantes e o tempo reduzido nas aulas síncronas; a necessidade de adequar-se à metodologia e conteúdos propostos pelo professor supervisor, tendo pouco espaço para exercer seu protagonismo docente. Após a realização do estágio supervisionado, a licencianda apontou a necessidade de experiência em sala de aula para se sentir como professora. Mesmo reconhecendo ter os conhecimentos necessários para atuar como docente, ainda precisa praticar e ter experiência, ressaltando a importância das interações e vivências no contexto escolar como elementos constituintes da formação docente.

Palavras-chave : estágio supervisionado, pandemia, ensino remoto, formação docente.

## Abstract

The objective of this research is to analyze a graduate student perceptions about the supervised internship in the Physics degree course at a federal educational institution in the south region of Brazil, during the period of the Coronavirus pandemic. This is a qualitative research, with analysis of semi-structured interviews, using some principles of Content Analysis (Bardin, 2008). The analyzes indicate that, in the perception of the interviewed graduate, the supervised internship during the pandemic was full of challenges and limitations such as: little interaction with students and reduced time in synchronous classes; the need to adapt to the methodology and content proposed by the supervising teacher, having little space to exercise her teaching role. After completing the supervised internship, she pointed out the need of experience in the classroom to feel like a teacher. Even though she recognizes that she has the necessary knowledge to work as a teacher, she still

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needs to practice and have experience, highlighting the importance of interactions and experiences in the school context as constituent elements of teacher training.

Keywords : supervised internship, pandemic, remote teaching, teacher training.

## Introdução

O Estágio Curricular Supervisionado consiste, em muitos casos, no primeiro contato dos(as) licenciandos(as) com as escolas de educação básica na perspectiva da atividade docente, e dessa forma, o estágio de docência apresenta-se como momento formativo importante para a aprendizagem da profissão docente (Marafigo et al , 2022).

No início do ano de 2020, o mundo todo foi surpreendido pela pandemia de Coronavírus, que abalou todos os setores da vida em sociedade. No Brasil, em 17 de março de 2020, o Ministério da Educação autorizou a substituição das aulas presenciais por aulas remotas através de tecnologias digitais enquanto durasse a situação de emergência de saúde pública atrelada à pandemia de Coronavírus (BRASIL, 2020a).

- O desenvolvimento de estágios com utilização de meios digitais foi estabelecido somente em junho de 2020, diante da impossibilidade de retorno presencial às aulas (BRASIL, 2020b). Nesse sentido, Souza e Ferreira (2020) destacaram o grande desafio em ofertar e manter atividades de estágio supervisionado de forma remota e consideraram a inexistência da vivência na escola na condição de estagiários, que professores em formação inicial em cursos de licenciatura estavam experienciando, como uma situação catastrófica para toda a sociedade.

Por outro lado, Silva, Santana e Mota (2022) pontuaram sobre a existência de possibilidades do estágio não presencial no contexto da pandemia, permitindo aos licenciandos reflexões sobre situações atípicas, como a da própria pandemia, e mobilizando conhecimentos e habilidades para o uso dos recursos disponíveis.

Nesta direção, apresenta-se um recorte de uma pesquisa mais ampla, realizada com licenciandos em Física que desenvolveram os estágios supervisionados no contexto remoto, durante a pandemia de Coronavírus. Neste

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## XX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - 2024

trabalho, analisam-se as percepções de uma licencianda sobre o estágio curricular supervisionado na licenciatura em Física no período da pandemia de Coronavírus.

## Percurso metodológico e contexto da pesquisa

A presente pesquisa apresenta-se com predominância qualitativa (Ludke; André, 1986). Como instrumento para coleta de dados foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas, com o objetivo de investigar as percepções dos licenciandos sobre as implicações do desenvolvimento do Estágio Curricular Supervisionado de Docência, durante a pandemia de Coronavírus.

O desenvolvimento do estágio curricular supervisionado na instituição pesquisada foi realizado em formato remoto durante o período da pandemia de Coronavírus com utilização do Google Meet 1 tanto para os encontros síncronos da disciplina para discussão e orientação das atividades, quanto para observação, acompanhamento e intervenções em turmas de Ensino Médio na mesma instituição de oferta do curso de licenciatura. Também foi utilizado o ambiente virtual Moodle 2 para atividades assíncronas, tais como como fóruns, textos para leitura e elaboração de resumos, produção de diários de bordo com relato das atividades desenvolvidas no contexto do estágio.

Mesmo diante do contexto de ensino remoto, a concepção de Estágio com Pesquisa (Pimenta; Lima, 2006) foi considerada como perspectiva de desenvolvimento das disciplinas de estágio supervisionado por considerar a possibilidade de ampliar a compreensão sobre o contexto de realização dos estágios e ainda, propiciar a formação do professor enquanto pesquisador da própria prática, a partir do estágio, problematizando, refletindo e compreendendo as situações vivenciadas.

Neste artigo, apresentamos os resultados da análise das percepções de uma licencianda sobre o estágio curricular supervisionado na licenciatura em Física no período da pandemia de Coronavírus, a partir das seguintes questões: quais os principais desafios enfrentados no desenvolvimento do estágio supervisionado remoto? Quais as implicações do estágio supervisionado remoto na formação de

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professores de física? A entrevista foi realizada no segundo semestre do ano de 2022, aproximadamente seis meses após a finalização das disciplinas de estágio, utilizando-se a plataforma do Google Meet, com duração aproximada de 90 minutos.

Optou-se por utilizar princípios da Análise de Conteúdo (Bardin, 2008) para análise dos dados produzidos, buscando extrapolar o conteúdo aparente manifestado nas mensagens. Neste tipo de análise, as inferências produzidas geram subsídios para interpretações acerca do que querem dizer, em profundidade, certas afirmações presentes nos materiais analisados (Bardin, 2008).

Inicialmente, realizou-se a leitura flutuante da transcrição da entrevista e na sequência, procedeu-se a codificação do material de análise em torno dos temas abordados na entrevista. As unidades de registro/temas que foram tomados como indicadores qualitativos das análises são: expectativa; interação; limitações; experiência docente.

## Resultados

Primeiramente, apresenta-se o perfil da entrevistada com características explorando aspectos gerais, como por exemplo, idade, local de nascimento, escolaridade dos pais, ano de ingresso no curso de licenciatura em Física e ocupação na época de realização da entrevista. Posteriormente, abordamos sobre suas percepções acerca do desenvolvimento do estágio supervisionado no contexto da pandemia.

Daniele 3 nasceu e sempre morou na mesma cidade, no mesmo município onde se localiza a instituição na qual cursou a Licenciatura em Física, no litoral do estado. Sempre estudou em escola pública. Fez curso técnico em Comércio Exterior no Ensino Médio, mas nunca atuou nesta área. Ingressou no curso de licenciatura em Física em 2018 e o concluiu em 2022. Participou como bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) por cerca de um ano e meio. Trabalhou esporadicamente com aulas particulares mediante procura de interessados que sabiam de sua formação. No momento da entrevista estava sem emprego e aguardava abertura de concurso ou processo seletivo para contratação de professor temporário na rede estadual de ensino.

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Na entrevista desta licencianda, as unidades de registro/temas que se sobressaíram foram: a pouca interação com os estudantes nas aulas síncronas; a expectativa em realizar o estágio em um formato novo; o tempo reduzido das aulas remotas com as turmas de Ensino Médio; a necessidade de adequar-se à metodologia e conteúdos propostos pelo professor supervisor; e necessidade de experiência para sentir-se professora.

Sobre o acompanhamento das aulas da educação básica durante o estágio supervisionado, Daniele relatou dificuldades porque havia pouca interação dos estudantes nas aulas remotas e dessa forma, os estagiários só assistiam ao professor durante os encontros síncronos realizados com as turmas.

...) ( muito complicado porque a gente só via o professor, não via os alunos, não via as reações dos alunos, então, chega nesse momento que é mais difícil, né, porque a gente só acaba assistindo o professor, não a sala de aula mesmo. Então, raramente algum aluno perguntava algo, dizia algo, então, isso que tornava difícil, né, de acompanhar o Estágio III (Daniele, entrevista).

Além disso, Daniele destacou que estavam aprendendo a fazer estágio neste formato remoto.

(...) era algo novo, tipo, a gente tava aprendendo ali também a como fazer esse estágio desse jeito, né, desse novo modo, enfim, não foi algo super programado, foi o que dava, foi programado, mas para o momento foi o que deu para fazer (Daniele, entrevista).

Os estágios supervisionados de docência foram realizados em duplas e Daniele manteve a mesma dupla durante as disciplinas Estágio III e IV, que foram desenvolvidos com o mesmo professor supervisor na escola, porém com uma mudança de turma de estágio para outro. De acordo com Daniele, durante a disciplina Estágio III não houve tempo para discutir com o supervisor e os estagiários apenas aceitaram o que ele propôs para desenvolvimento de uma intervenção didática na turma: 'Foi da forma que ele queria, a gente tinha uma outra visão de como expor o conteúdo, mas não conseguimos' (Daniele, entrevista).

Já na disciplina Estágio IV, houve a possibilidade de desenvolver, no estágio, um projeto de ensino elaborado em outra disciplina, o que, conforme se observa nas análises, possibilitou uma experiência muito significativa para o estágio de docência, no desenvolvimento de uma sequência didática em três aulas síncronas. Daniele considerou que foi uma boa experiência:

(...) a gente teve uma sequência de três aulas, então a gente ficou à

vontade para desenvolver ali o que a gente pensava para aplicar aquele conteúdo e passar da forma que a gente entendia, com a nossa visão, um jeito, mesmo que fosse um estágio em dupla, a gente conseguiu trazer um pouco de cada um para as aulas. (...) Então, foi legal, foi bem desafiador porque a gente tinha uma visão e às vezes os alunos eles não reagiram da forma que a gente esperava, então a gente vai aprendendo nesses detalhes, né, de que às vezes a gente planeja algo e não vai ser tão bem aceito e daí é [preciso] pensar em outra maneira de abordar, outra maneira de talvez incentivar eles a participarem mais, mas no geral, assim, foi bem legal. (Daniele, entrevista).

Por outro lado, Daniele mencionou sentir-se decepcionada ao realizar os estágios remotamente porque gostaria de ter tido essa experiência presencialmente. Ainda que tivesse desenvolvido atividades relacionadas ao PIBID no início da graduação, considerava que o momento do estágio seria diferente pela maturidade e por todo o aprendizado adquirido ao longo do curso.

Então, eu gosto de olhar, conversar olhando nos olhos e eu acho que isso muda tudo (...) para mim foi muito difícil porque eu queria essa experiência de estar ali. Ainda bem como eu falei que eu tive essa parte no PIBID, então, querendo ou não, eu vivi isso no PIBID, mas eu sei que ia ser diferente porque querendo ou não eu já tava no último ano, a minha mentalidade era diferente, no PIBID eu entrei logo no primeiro ano, então, a gente é mais imaturo, e a gente muda, a gente vai amadurecendo tanto pessoalmente como profissionalmente né, como educador e tudo mais, a gente vai aprendendo, então ia ser legal ter esse outro lado assim, mas foi o que deu para fazer e foi uma experiência legal, não vou só criticar porque realmente o último estágio foi bem legal para o que estava sendo possível fazer, foi legal (Daniele, entrevista).

Durante a entrevista, foi também questionado se ela se sentia professora após ter cursado as disciplinas de estágios. Ela assim se posiciona:

(...) eu terminei o estágio, eu terminei a faculdade, se você me perguntar agora eu ainda vou falar que não, mas não porque eu não tenho a capacidade, eu não tenha aprendido. Eu só acho que é porque foi muito daquilo de eu ainda não tive o meu próprio carro, sabe? Fazendo uma metáfora, eu entendo que eu tenho minha carteira de motorista, eu sou uma motorista, eu passei, eu passei na prova lá do Detran, eu tenho… chegou já, na verdade não, vai chegar, ainda não chegou, mas tá chegando o diploma, mas todas as vezes que eu dirigi, o instrutor estava do lado, era um carro que tinha ali aquele sistema de professor, professor está do lado, eu enxergo muito disso, eu e as minhas experiências eu tava andando na maioria das vezes em carros muito bons, sabe, muito novos, que tinham essas tecnologias e tudo mais (Daniele, entrevista).

Utilizando uma metáfora em que relaciona o processo de aprender a dirigir e tornar-se habilitado como motorista para explicar como se sentia, Daniele considerou que o fato de estar na turma de outro professor e ainda não ter experiência sozinha em sala de aula, fizeram com que ela não se sentisse professora ao final do estágio. Mesmo tendo o conhecimento necessário para atuar como docente, ainda precisa praticar e ter experiência.

Observa-se, assim, que o papel da prática docente no cotidiano escolar é extremamente importante para a formação e a atuação docente, evidenciando a necessidade de investimentos na formação docente e em políticas públicas que valorizem as parcerias entre universidades e escolas da educação básica para promover o trabalho colaborativo entre professores e estagiários visando uma maior centralidade dos estágios na formação de professores.

## Considerações Finais

O Estágio Supervisionado em formato remoto, na percepção da licencianda entrevistada, foi repleto de desafios e limitações, como por exemplo: a pouca interação com os estudantes nas aulas síncronas; o tempo reduzido das aulas remotas com as turmas de Ensino Médio e a necessidade de adequar-se à metodologia e conteúdos propostos pelo professor supervisor.

Nesse sentido, consideramos que, para Daniele, o aprendizado da docência não ocorreu da forma como ela esperava, em virtude do contexto de ensino remoto vivenciado. Diante disso, um aspecto destacado como fundamental para se sentir professora foi a necessidade de experienciar situações de docência em sala de aula.

A impossibilidade de vivenciar o estágio de docência no cotidiano escolar, pois no contexto de ensino remoto as interações com os alunos, com os professores supervisores e com os professores orientadores e com o próprio cotidiano escolar foram limitadas e diferentes de um contexto presencial, refletiu em vários aspectos da prática docente. Dessa inexequibilidade, depreende-se também os silenciamentos acerca da vivência da cultura escolar e da escola, assim como apontado em Souza e Ferreira (2020). O pouco contato possível, aconteceu com um jeito de ser e estar na profissão em um formato bastante diferente, mediado pelas tecnologias da informação e comunicação; de formas e com intensidades nada usuais, conforme destacado por Nóvoa e Alvim (2022).

Não se pode negar que haverá lacunas na formação inicial de professores tanto no contexto da pandemia quanto para além dela e, dessa forma, pretendemos contribuir na reflexão e na compreensão, a partir dos estágios supervisionados, dos processos de construção da identidade docente e da formação inicial e continuada de professores. Corroborando com Hegeto e Lopes (2022), diante da complexidade das demandas impostas à carreira docente na atualidade, devemos acompanhar o

trabalho docente no âmbito dos estágios supervisionados tendo como foco central o desenvolvimento profissional docente.

Como perspectiva de continuidade desta pesquisa, pretende-se ampliar a análise de entrevistas realizadas com outros licenciandos para melhor compreender as implicações do estágio supervisionado remoto na formação docente.

## Referências

BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Lisboa, Portugal; Edições 70, LDA, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 343, de 17 de março de 2020 . Dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo Coronavírus - Covid-19. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 março. 2020a.

BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 544, de 16 de junho de 2020 . Dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais, enquanto durar a situação de pandemia do novo coronavírus - Covid-19, e revoga as Portarias MEC nº 343, de 17 de março de 2020, nº 345, de 19 de março de 2020, e nº 473, de 12 de maio de 2020. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 junho. 2020b.

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