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UMA ANÁLISE DA PRESENÇA DAS TDIC NO CURRÍCULO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA NA UFMS

Keissy Carla Oliveira Martins, Maria Inês De Affonseca Jardim

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XX
Ano
2024
Data
22/08/2024
Linha de pesquisa
Formação E Ação Docente Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## UMA ANÁLISE DA PRESENÇA DAS TDIC NO CURRÍCULO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA NA UFMS

## TEACHER TRAINING CURRICULUM AT UFMS: AN ANALYSIS OF THE PRESENCE OF ICDT IN THE PHYSICS

Keissy Carla Oliveira Martins 1 , Maria Inês de Affonseca Jardim 2

1 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, keissy.martins@ufms.br

2

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, maria.jardim@ufms.br

## Resumo

A presente pesquisa teve como objetivo analisar as estruturas curriculares (ementas e disciplinas) do curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul no que se refere à presença de disciplinas que abordassem conteúdos relacionados às Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC). A partir do estudo das estruturas curriculares dos anos de 1991, 2003, 2010, 2011, 2014 e 2018, observamos, incialmente, a presença de disciplinas relacionadas à computação, a presença de conteúdos relacionados às TDIC em disciplinas de formação de professores com início em 2003, a existência de disciplinas optativas com enfoque em TDIC, e uma expansão da presença de disciplinas de formação de professores que apresentam em suas ementas conteúdos relacionados às TDIC. Em contrapartida, apontamos para a ausência de disciplina do tipo obrigatória que tenha como foco as discussões sobre essas tecnologias. Por fim, indicamos a necessidade de estudos que investiguem a utilização real dessas tecnologias na formação de professores de Física na UFMS.

Palavras-chave : TDIC; Formação de Professores; Currículo; Ensino de Física.

## Abstract

The present research aimed to analyze the curricular structures (syllabi and courses) of the Physics Teaching degree at the Federal University of Mato Grosso do Sul regarding the presence of courses addressing content related to Information and Communication Digital Technologies (ICDT). Through the study of the curricular structures from the years 1991, 2003, 2010, 2011, 2014, and 2018, we observed the initial presence of computer-related courses, the inclusion of ICDT-related content in teacher training courses starting in 2003, the existence of elective courses focusing on ICDT, and an expansion of the presence of teacher training courses that include ICDTrelated content in their syllabi. On the other hand, we highlighted the absence of a mandatory course specifically focused on discussions about these technologies. Finally, we indicate the need for studies investigating the actual use of these technologies in the training of Physics teachers at UFMS.

Keywords

: ICDT; Teacher Training; Curriculum; Physics Teaching.

## Introdução

Podemos pensar o currículo de formação de professores a partir de três níveis: currículo formal, currículo real e currículo oculto, apresentados por Libâneo (2018), como uma perspectiva crítica do currículo. O currículo formal ou oficial é definido pelo autor como o '[...] estabelecido pelos sistemas de ensino ou instituição educacional. É o currículo legal expresso em diretrizes curriculares, objetivos e conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo' (LIBÂNEO, 2018, p.142).

O currículo real, ou experienciado está relacionado à prática do professor, às ações desenvolvidas em sala de aula a partir do currículo formal, isto é, é o currículo materializado que emerge das decisões docentes, influenciado por seus valores, crenças e significados. Por último, o currículo oculto que é um currículo não prescrito relacionado ao que é transmitido de forma implícita a partir das ações docentes.

Na presente pesquisa qualitativa, analisamos do currículo formal de um curso de Licenciatura em Física, especificamente acerca da organização das disciplinas no que se refere à presença de conteúdos ligados às Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC). O curso em discussão é oferecido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que teve criação aprovada em 1980 e início em 1981 como licenciatura curta com habilitação em Física, e reconhecimento pelo MEC em 1984.

## Procedimentos Metodológicos

Com o objetivo de compreender como as disciplinas que abordam TDIC estavam distribuídas na estrutura curricular do curso no decorrer dos anos, acessamos os documentos disponíveis no Boletim Oficial de Serviços da UFMS; tivemos acesso a documentos dos anos: 1991, 2003, 2010, 2011, 2014 e 2018. Utilizamos como técnica a Análise Documental, na qual definimos os documentos, realizamos a leitura flutuante e, em seguida, a definição de palavras e sinônimos que seriam buscados nas ementas dos cursos: TIC, TDIC, tecnologia, computação/computacional, web, programação, audiovisual, informática e virtual.

## Resultados e Discussões

O primeiro documento ao qual tivemos acesso foi a mudança na estrutura curricular do curso que ocorreu em 1991, aprovada pela Resolução nº018 de 22 de

fevereiro de 1991 pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFMS. A partir dessa resolução, o curso apresenta carga horária total de 2.775 horas/aula. Neste documento, estavam presentes duas disciplinas relacionadas à computação: 'Introdução à Ciência da Computação' (disciplina obrigatória - OB) e 'Introdução à Linguagem Pascal' (disciplina optativa - OP). No entanto, não tivemos acesso às ementas dessas disciplinas.

Observamos a publicação da Resolução nº 6 de 20 de fevereiro de 2003 do Departamento de Física/Centro de Ciências Exatas e Tecnologias, referente à lotação de disciplinas no Curso de licenciatura em Física. Nessa resolução, não aparecem as expressões 'estrutura curricular' ou 'grade curricular', mas é apresentado um quadro com disciplinas, carga horária, tipo de regime (semestral ou anual), além da ementa.

Apesar de não se tratar da estrutura curricular completa vigente naquele ano, optamos por apresentá-la aqui por trazer em sua ementa conteúdos relacionados às tecnologias. A disciplina (OB) 'Instrumentação para o Ensino de Física', com carga horária de 136 horas, continha em sua ementa discussões relacionadas à informática no Ensino de Física e Novas Tecnologias no ensino de Física, como Informática no ensino de Física e Novas tecnologias no ensino de Física.

Em 2010, foi aprovada a distribuição de disciplinas, por meio da Resolução nº 135 de 19 de agosto de 2010 do Conselho de Graduação, publicada no Boletim Oficial de Atos de Administrativos da UFMS. Nessa estrutura, o curso passa a ter carga horária total de 3.360 horas.

Com relação às tecnologias, observamos a presença de disciplinas obrigatórias e optativas cuja nomenclatura está diretamente relacionada a alguma tecnologia, como 'Introdução às Ferramentas Computacionais em Física', 'Física Computacional' e 'Informática na Educação', além de disciplinas que possuem esse tipo de conteúdo em suas ementas, como 'Prática de Instrumentação para o Ensino de Física II' e 'Educação em Astronomia II'. O Quadro 1 mostra os tópicos relacionados às TDIC presentes nas ementas das disciplinas, carga horária e o tipo (OB ou OP).

Quadro 1 - Disciplinas da estrutura de 2010 cujas ementas estão relacionadas às tecnologias

Fonte: Resolução nº 135 de 19 de agosto de 2010 do Conselho de Graduação Nota: Produção própria (2023)

No ano de 2011, com a publicação da Resolução nº 59, de 29 de agosto de 2011, no Boletim Oficial de Atos de Administrativos da UFMS, o curso passa a ter uma carga horária de 3.082 horas/aula. No que se refere às disciplinas relacionadas às tecnologias, desaparece da estrutura curricular a disciplina obrigatória 'Introdução às Ferramentas Computacionais em Física'; na disciplina 'Prática de Instrumentação para o Ensino de Física II' permanecem os conteúdos relacionados à informática e novas tecnologias no ensino de Física.

No ano de 2014, a partir da Resolução nº 633 de 2014 do Conselho de Ensino e Graduação, foi aprovado o Projeto Pedagógico do curso de licenciatura do Instituto de Física. Neste projeto, o curso passa a ter carga horária de 3090 horas-aula. Notamos o aumento de optativas que abordam as TDIC (conforme mostra o Quadro 2): aparecem as disciplinas 'Introdução à Física', 'Modelagem Molecular em Sistemas Complexos' e 'Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) No Ensino de Ciências Naturais'. A única disciplina obrigatória em que há discussões relacionadas às tecnologias é a de 'Instrumentação e Prática para o Ensino de Física II'.

Quadro 2 - Disciplinas da estrutura de 2014 cujas ementas estão relacionadas às tecnologias

Fonte: Resolução nº 633 de 25 de novembro de 2014 do Conselho de Ensino e Graduação Nota: Produção própria (2023).

No ano de 2018, a partir da Resolução nº 603 de 2018 do Conselho de Graduação, foi aprovado o Projeto Pedagógico do curso de licenciatura do Instituto de Física. Neste projeto, o curso passa a ter carga horária de 3.230 horas e passa a ser ofertado em período noturno.

Neste Projeto Pedagógico de Curso, fica evidenciado na seção Metodologias de Ensino que será feito o uso intensivo de TIC. Além disso, destaca-se como uma das metodologias o estudo de simulações computacionais para investigação e modelos. O Quadro 3 a mostra as disciplinas cujas ementas estão relacionadas às tecnologias na estrutura curricular de 2018.

Quadro 3 - Disciplinas da estrutura de 2018 cujas ementas estão relacionadas às tecnologias

XX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - 2024Fonte: Resolução nº 603 de 3 de dezembro de 2018 do Conselho de Ensino e Graduação. Nota: Produção própria (2023).

Observamos que, nessa nova estrutura curricular, a quantidade de disciplinas optativas nas quais são discutidas as tecnologias apresentou um aumento significativo, e que, a partir desse ano, 3 disciplinas obrigatórias passam a ter conteúdos relacionadas às TDIC como uso de recursos audiovisuais em Física ('Prática de Ensino I' e 'Instrumentação e Prática de Ensino II'), além de experimentação em laboratórios virtuais (em 'Prática de Ensino III').

Olhando para outras produções que também fizeram análise de currículos de cursos de licenciatura em Física, Guedes (2020), ao investigar o uso das TIC em cursos de licenciatura em Física dos Institutos Federais do estado do Rio Grande do Sul, verificou que as discussões sobre as tecnologias para o ensino ficavam a cargo apenas de algumas disciplinas específicas voltadas para isso. A autora destacou que:

[...] é crucial que o educador tenha em sua formação disciplinas que trabalhem e articulem com esse saber e que, além de disciplinas específicas que abordem o uso das TIC, outras disciplinas também abordam o conceito, pois desta forma os futuros professores perceberão que a inclusão das TIC é processual e as mudanças que se operam no contexto educacional com a introdução de novas tecnologias permitem aos indivíduos maiores informações científicas sobre a utilização das mesmas, bem como dos conhecimentos necessários ao educador que atua nessa era de globalização (GUEDES, 2020, p. 25, grifo nosso).

Quanto a isso, o currículo formal do curso de licenciatura em Física da UFMS caminha neste sentido, pois há a presença de disciplinas específicas, mesmo que de caráter optativo, e de disciplinas que abordam as TDIC como um dos tópicos na ementa. Concordamos com Guedes (2020) que essa forma como as tecnologias se

apresentam no currículo formal permitem o desenvolvimento da percepção de que a inclusão das TIC é processual.

Guidotti (2014), ao investigar a forma como as TIC estão inseridas no curso de formação inicial de professores de Física das instituições FURG, UFPEL, UNIPAMPA, UFSM e UFRGS, fez um levantamento de disciplinas obrigatórias e optativas relacionadas às TIC ofertadas no curso de Física dessas instituições. Em 6 dos 8 cursos cujos Projetos Pedagógicos foram analisados, o número de disciplinas obrigatórias em que as TIC estão presentes é superior ao número de optativas. Comparando esse fato com a estrutura curricular vigente do curso de licenciatura em Física da UFMS, observamos que, dentre as 38 disciplinas obrigatórias, 3 apresentam conteúdos relacionados às TIC em sua ementa; quanto ao número de optativas, há 6 na estrutura curricular de 2018, situação oposta à observada por Guidotti (2014) na maioria dos Projetos de Curso analisados por ele.

- O autor relaciona o número à proporção de disciplinas obrigatórias relacionadas às TIC ao fato de que os docentes estão sendo formados com a certeza de que tiveram tais discussões em sua formação, já que as disciplinas são obrigatórias. No caso do curso que é nosso objeto de estudo, há a garantia de oferta dessas das 3 disciplinas obrigatórias; quanto às optativas, não há garantia sobre sua oferta.

## Considerações Finais

A partir do estudo das estruturas curriculares do curso de Licenciatura em Física da UFMS em diferentes períodos, no que se refere à presença de disciplinas que possuem conteúdos relacionados às TDIC, observamos que esses conteúdos aparecem primeiramente (nos documentos acessados por nós) nas disciplinas relacionadas à formação de professores no ano de 2003.

Apesar de ter acontecido um progressivo aumento no número de disciplinas em que as TDIC estão presentes na estrutura curricular, a maior parte dessas disciplinas é do tipo optativa e não há uma disciplina obrigatória específica para as discussões sobre o uso das tecnologias no ensino de Física. Sendo assim, entendese que o uso intensivo das tecnologias mencionado no PPC vigente estará presente em disciplinas além das que destacamos.

Destacamos que a presente pesquisa teve como objetivo estudar o currículo oficial de formação de professores de Física nesta instituição, especificamente no que se refere às disciplinas e suas ementas. No entanto, para se ter uma visão sobre como ocorre o uso dessas tecnologias de fato, é necessário transcender aos demais níveis de currículo, conforme descritos por Libâneo (2018).

## Referências

GUEDES, G. T. C. Uma Investigação Sobre a Formação Docente e a Integração das Tecnologias da Informação e Comunicação nos Cursos de Licenciatura em Física dos Institutos Federais do Estado do Rio Grande do Sul . Dissertação (Mestrado em Ensino de Física), Centro de Ciências Naturais e Exatas, Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria, RS, p. 124, 2020.

GUIDOTTI, C. dos S. Investigando a Inserção das Tecnologias na Formação Inicial dos Professores de Física nas Universidades Federais do Rio Grande do Sul . Dissertação (Mestrado em Educação em Ciências), Universidade Federal do Rio Grande. Rio Grande, RS, p. 119, 2014.

LIBÂNEO, A. C. Organização e Gestão da Escola: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: Alternativa, 2018.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL. Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Resolução nº018/1991, de 22 de fevereiro de 1991 . Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFMS, 1991.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL. Departamento de Física/CCET. Resolução nº 6/2003, de 20 de fevereiro de 2003. Aprova a lotação de disciplinas no Curso de licenciatura em Física. Departamento de Física/Centro de Ciências Exatas e Tecnologias, 2003.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL. Conselho de Graduação. Resolução nº 135/2010, de 19 de agosto de 2010. Aprova a semestralização da Estrutura Curricular do novo Projeto Pedagógico do Curso de Física - Licenciatura do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Conselho de Graduação, 2010.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL. Conselho de Ensino e Graduação. Resolução nº 59/2011, de 29 de agosto de 2011 . Aprova a semestralização da Estrutura Curricular do Projeto Pedagógico do Curso de Física Licenciatura do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Conselho de Ensino e Graduação, 2011.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL. Conselho de Ensino e Graduação. Resolução nº 633/2014, de 25 de novembro de 2014 . Aprova o novo Projeto Pedagógico do curso de Física - Licenciatura do Instituto de Física. Conselho de Ensino e Graduação, 2014.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL. Conselho de Graduação. Resolução nº 603/2018, de 3 de dezembro de 2018 . Aprova o Projeto Pedagógico do curso de licenciatura do Instituto de Física. Conselho de Graduação, 2018.

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