ENSINO INCLUSIVO DE FÍSICA SOB PERSPECTIVA DO TEA E TDAH - UMA REVISÃO
Rodrigo Cavalcante Sabino, Daisy Martins De Almeida
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2024
- Data
- 22/08/2024
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ENSINO INCLUSIVO DE FÍSICA SOB PERSPECTIVA DO TEA E TDAH - UMA REVISÃO
## A REVIEW OF INCLUSIVE PHYSICS TEACHING FROM THE PERSPECTIVES OF ASD AND ADHD
## Rodrigo Cavalcante 1 , Daisy Martins de Almeida 2
1 Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física, rodrigo.cavalcante@estudante.ufcg.edu.br
21 Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física, daisy.martins@professor.ufcg.edu.br
## Resumo
Tendo em vista que o conhecimento físico muitas vezes requer abstração e que estudantes neurodivergentes podem ter dificuldades com este tipo de raciocínio, este trabalho buscou avaliar, a partir da incidência de artigos disponíveis na literatura, se o tema em questão é relevante. Trata-se de uma revisão sistemática sobre questões relacionadas ao Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista(TEA) e o ensino de Física, perfis relacionados a deficiência de concentração (TDAH) e de compreensão de pensamento abstrato (TEA). A estratégia de busca utilizada visou pesquisas científicas localizadas via plataforma Google Acadêmico®. As fontes de publicação dos artigos coletados foram confrontadas com a classificação Qualis Periódicos levando em conta o quadriênio 2016 a 2020. O objetivo foi observar a relevância do tema em um panorama mais amplo através do quanto ele está sendo abordado pela comunidade acadêmica. As evidências obtidas indicam, tanto nas pesquisas em ensino de Ciências quanto nas pesquisas em ensino de Física, certa falta de interesse em perfis cognitivos atípicos. Outro aspecto que aflorou da busca foi a lacuna de artigos retratando TDAH e TEA em estudantes nas etapas de segunda fase do ensino fundamental e do ensino médio.
Palavras-chave : Ensino de física; Ensino inclusivo; Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade; Transtorno do Espectro Autista.
## Abstract
This study evaluates the significance of Physics education for students diagnosed with Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) and Autism Spectrum Disorder (ASD). These profiles are typically associated with challenges in concentration and abstract thinking. A systematic review of scientific articles, available on the Google Scholar® platform, was conducted to observe the volume of research on this topic over the four-year period from 2016 to 2020. The publications were cross-referenced with the Qualis Journals classification to ascertain their relevance. The findings reveal a noticeable lack of interest in atypical cognitive profiles within both Science and Physics education research. Furthermore, a significant gap was identified in the studies focusing on ADHD and ASD among students in the second phase of elementary education and high school.
Keywords : Physics teaching; Inclusive education; Attention Deficit Hyperactivity Disorder; Autism Spectrum Disorder.
## Introdução
Historicamente a educação brasileira teve como finalidade a exclusão social, tendo em vista que o principal objetivo se tratava de qualificar o cidadão autoproclamado de alta classe e segregar ainda mais a sociedade como um todo. O setor público brasileiro, não apenas a área de educação, ignorou as pessoas com necessidades específicas.
Em paralelo é possível destacar instituições como a Sociedade Pestalozzi, fundada em 1932 em Minas Gerais - SPMG. A relação entre filantropia, poder público e conhecimento científico foi o adotado por Helena Antipoff na SPMG. Essa instituição promoveu, na primeira metade do século XX, iniciativas de auxílio às crianças 'anormais'. A SPMG tinha como foco de atuação as crianças que eram marginalizadas pela sociedade da época, por não se enquadrarem nos padrões de normalidade vigentes. Essas crianças podiam ter algum tipo de deficiência sensorial, física ou intelectual, manifestar comportamentos considerados inadequados ou desviantes diante a sociedade. A SPMG buscava oferecer a essas crianças uma educação que respeitasse suas diferenças e potencialidades (Borges, Barbosa, 2019). Como o termo 'anormal' englobava diversas condições, tanto médicas quanto sociais, a SPMG promoveu a criação de várias entidades que ofereciam assistência médica, psicológica, social e educacional (Borges, Barbosa, 2019).
A iniciativa de Helena Antipof não constitui a regra, é apropriado afirmar que a grande maioria dos avanços na educação inclusiva resultam de uma forte luta social da classe em questão. A luta mais recente, que vem sendo travada na última década, diz respeito ao ensino para pessoas com transtornos, especialmente o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
O ensino para TDAH e TEA no Brasil se apresenta como um tema complexo e desafiador, que envolve aspectos legais, pedagógicos, sociais e econômicos. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB (BRASIL,1996), os alunos com necessidades educacionais especiais têm direito à educação inclusiva, regulamentada pela lei de inclusão com procedimentos que respeitem suas diferenças e potencialidades (BRASIL, 2012). No entanto, na prática, muitas escolas
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ainda não estão preparadas para atender adequadamente esses alunos que enfrentam dificuldades de aprendizagem, comportamento e relacionamento. O número de diagnósticos vem crescendo no país e as escolas precisam estar preparadas para lidar com cada caso, no Brasil, estima-se que existam dez milhões de pessoas com Transtorno de Déficit de atenção e Hiperatividade (TDAH) (Martins, 2022) e a estimativa para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) se aproxima de seis milhões de pessoas (Paiva, 2022).
No ensino quando nos referenciamos o ensino de física, dada a grande necessidade de abstrações e interpretações baseadas em conhecimentos prévios, é esperada uma certa dificuldade por parte dos alunos que possuem algum transtorno, necessitando entender o contexto do aluno e suas especificidades para tornar a aula mais inclusiva possível.
## Metodologia
Dada a fluidez do meio educacional, e a robustez dos acervos de pesquisa sobre educação, se faz necessário o uso de ferramentas de identificação de qualidade e validade desses estudos. Advindo da constante necessidade de atualização e relevância das práticas na área de saúde, a revisão sistemática se torna uma importante aliada na dinâmica educacional, se tratando de uma metodologia científica para identificar produções acadêmicas relevantes para pesquisa e, em contraponto, mostrar através de critérios, qual a importância que é dada ao assunto em questão. (Cook, Mulrow; Haynes , 1997).
Foi escolhida a RSL para expor e validar uma suspeita trazida pela questão, a falta de atenção que é dada a pesquisa no ensino de física voltado para pessoas atípicas dentro dos periódicos, especialmente as que possuem Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Para a revisão sistemática de literatura, utilizou-se a base de dados eletrônicos Google Scholar , tendo em vista maior acessibilidade. A pesquisa também foi feita no banco de artigos SciELO , entretanto não foram encontrados resultados. Para análise dos resultados encontrados, foi utilizado uma ficha catalográfica feita através do software Excel , para importar os resultados da busca na base de dados, onde foi possível eliminar os trabalhos duplicados e analisar os artigos restantes. Para restringir os resultados, foram aplicados filtros manuais, onde
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foram retirados teses, dissertações e monografias tendo em vista a verificação dessas pesquisas na bolha de periódicos. Para verificar o levantamento foi utilizada a plataforma Sucupira para observar a classificação Qualis dos periódicos, devido à transição entre os quadriênios da qualificação Qualis , a classificação associada aos trabalhos foi a referente ao periódico no ano de publicação dos artigos.
A busca investigou trabalhos escritos em Língua Portuguesa que apresentavam como descritores os termos: ("Ensino de física" OR "Ensino de ciências" OR " Ensino em ciências" OR " ensino em física") AND ("TDAH" OR "TEA" OR " Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade" OR " " transtorno do espectro Autista" ).
## Resultados
Inicialmente a pesquisa encontrou aproximadamente 1400 resultados, como um dos intuitos da RSL é verificar a relevância do tema no meio acadêmico, foi aplicado o filtro 'artigos de revisão' na plataforma, sendo encontrados 48 publicações através desse levantamento.
Posteriormente, foi feita a aplicação dos filtros manuais, sendo retirados as teses, dissertações e Trabalhos de Conclusão de Curso, chegando a 34 publicações. Com os resultados obtidos, através da plataforma Sucupira, foi feita a verificação Qualis dos periódicos, assim restringindo as publicações as quais não passaram por revisão por pares, chegando a 27 publicações, como mostrado no Gráfico 1 a seguir.
Gráfico 1 - Distribuição das publicações de acordo com a classificação Qualis
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Fonte : Autor
Tendo em vista que o tema abrange diversas áreas, partindo da psicologia até chegar ao ensino de física, os resultados foram elencados por área de pesquisa, levando em conta o periódico em que foi publicado. Buscando obter uma visualização superficial de como está distribuída a intenção de pesquisa sobre o tema como mostrado a seguir no Gráfico 2
Gráfico 2 - Distribuição das publicações baseado na área de pesquisaFonte : Autor
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Aplicando um critério de exclusão a partir dos títulos e resumos, chegamos à marca de 2 artigos que abordam o ensino de física, são eles 'ESTUDANTES DEFICIENTES NO ENSINO DE FÍSICA: REVISÃO NO SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE
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FÍSICA E NO ENCONTRO NACIONAL EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS'(2019) e 'A PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO PARA ENSINO DE FÍSICA A ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS: UMA REVISÃO DOS ARTIGOS PUBLICADOS NO XXIII SNEF'(2021)
O primeiro trata-se de uma revisão com abordagem qualiquantitativa do ensino e para análise das publicações que abordam a temática da inclusão no ensino de Física nos anais em três eventos do Simpósio Nacional de Ensino de Física -SNEF (2017, 2015, 2013) e no Encontro Nacional em Educação em Ciências - ENPEC utilizando como base a Análise de Conteúdo (Moraes, 1999 apud Duarte, 2019). Os trabalhos SNEF foram categorizados de acordo com o conteúdo dos artigos: Atividades com alunos cegos, com alunos surdos, e com alunos autistas, Formação de professores e Espaço não formal (Duarte, 2019). E os trabalhos no ENPEC foram sub-categorizados em: Deficiência em geral, Cegos e Surdos (Duarte, 2019). Quanto ao ensino de física para o Autismo, foi enunciado apenas um trabalho (Rosa e Rodrigues, 2017), que trata sobre a utilização de espaços não formais no ensino de pessoas dentro do espectro.
O segundo refere se a uma revisão de cunho qualitativo dos artigos propostos e enquadrados como produtos didáticos (Bandeira, 2008, p.14) publicados nas atas do SNEF (2019) (Alderete e Zara, 2021) , Foram coletados os artigos que continham os termos 'inclusiva' ou 'inclusão' e analisados quanto às características que as ações inclusivas devem apresentar na rede regular, destacadas por Mantoan ( 2003, p.39). Dentre os artigos analisados, apenas um se relaciona com o ensino de física para pessoas dentro do espectro autista (Galvão, 2019), tratando sobre a elaboração de sequências didáticas sobre astronomia em aulas de ciências ministradas para um grupo de alunos com TEA do quarto ano do ensino fundamental.
De maneira geral observa-se inicialmente uma grande lacuna de estudos, onde há muitas produções para o ensino primário, voltado ao desenvolvimento da primeira infância, e para o ensino superior, com o interesse de adequar e capacitar pessoas atípicas para a introdução no meio científico e no mercado de trabalho.
## Conclusões
Tratando-se de um levantamento bibliográfico, não se pode extrair conclusões profundas sobre os resultados obtidos. No entanto, é válido destacar
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## XX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - 2024
alguns questionamentos que podem ser levantados. Com base no exposto, presume-se que a educação para alunos com TDAH e TEA já se tornou relevante na academia, considerando a quantidade de TCCs, teses e dissertações que abordam a área.
No campo das pesquisas científicas, esses estudos ainda são incipientes, muito devido à falta de envolvimento das revistas acadêmicas com o tema. Isso nos leva a suspeitar que o tópico não gera um fator de impacto satisfatório e, quando associado ao ensino de Ciências, em especial à Física, a situação se agrava ainda mais. O que corrobora essa conjectura é a lacuna perceptível de publicações entre a educação infantil e superior. Essa lacuna levanta uma questão sobre o processo de formação dos docentes e a falta de contato com o tema durante o processo de formação.
Em um panorama regional da Paraíba, das oito instituições de ensino superior público existentes, apenas uma oferece formação específica em educação especial. Vale ressaltar que todas as instituições possuem formação em Libras, mas isso se deve a uma exigência legal. Os professores em atuação não possuem a preparação e o tempo necessários para lidar com qualquer aspecto fora de sua formação. Isso faz com que os docentes, que estão observando as dificuldades de seus alunos no dia a dia, não tenham a possibilidade de intervir adequadamente na educação dos mesmos.
## Referências
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\_\_\_\_\_. Lei nº 13.977, de 8 de janeiro de 2020. Altera a Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012 (Lei Berenice Piana), e a Lei nº 9.265, de 12 de fevereiro de 1996, para instituir a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 jan. 2020.
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