CONCEITOS DE FÍSICA E ALGUNS SABERES POPULARES NA TECNOLOGIA SOCIAL: ''CAPTAÇÃO DE ÁGUA DA CHUVA"
Bruno Freitas Dos Santos, Bruno Carrasco De Mello, Simoni Tormöhlen Gehlen
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2024
- Data
- 22/08/2024
- Linha de pesquisa
- Cts/Ctsa, Alfabetização Científica, Letramento Científico E Alfabetização Científica E Tecnológica No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CONCEITOS DE FÍSICA E ALGUNS SABERES POPULARES NA TECNOLOGIA SOCIAL: 'CAPTAÇÃO DE ÁGUA DA CHUVA'
## PHYSICS CONCEPTS AND SOME POPULAR KNOWLEDGE IN SOCIAL TECHNOLOGY: 'RAINWATER HARVESTING SYSTEM'
## Bruno Freitas dos Santos 1 , Bruno Carrasco de Mello 2 , Simoni Tormöhlen Gehlen 3
1 Universidade Estadual de Santa Cruz/Departamento de Ciências Exatas/ brunocarrasco2019@gmail.com
- 2 Universidade Estadual de Santa Cruz/Departamento de Ciências Exatas/brunico16@gmail.com
- 3 Universidade Estadual de Santa Cruz/Departamento de Ciências Exatas/stgehlen@uesc.br
## Resumo
O objetivo desta pesquisa consiste em investigar a presença de saberes populares e conhecimentos científicos, em especial, os de Física, na reaplicação de uma Tecnologia Social (TS). Metodologicamente, a pesquisa foi realizada no período de março até dezembro de 2023, em uma escola pública localizada em Ilhéus/BA, com o foco na implementação da Estação de Saber: 'Captação de água da Chuva', com a participação de técnicos, moradores da comunidade, alunos e pesquisadores. As informações foram obtidas de áudio gravações das atividades e analisadas por meio da Análise Textual Discursiva, tendo como referência a categoria: 'conhecimentos populares e conceitos de Física na reaplicação da TS'. Dentre os resultados, destacase que o sistema de ' Captação de água da Chuva' foi construído a partir do diálogo entre o morador e o técnico, e que os aspectos como as características do solo, pressão necessária para a água chegar ao reservatório e as medidas dos materiais foram determinadas pelos saberes populares e conhecimento do técnico, sendo esses aspectos diretamente ligados a conceitos físicos, incluindo unidades de medida, hidrostática e hidrodinâmica.
Palavras-chave : Saberes Populares, Paulo Freire, Tecnologia Social, Ensino de Física.
## Abstract
The objective of this research is to investigate the presence of community knowledge and scientific knowledge, especially in Physics, in the reapplication of a Social Technology (TS). Methodologically, the research was conducted from March to December 2023 in a public school located in Ilhéus/BA, focusing on the implementation of the "Rainwater Harvesting Knowledge Station," with the participation of technicians, community residents, students, and researchers. The information was obtained from audio recordings of activities and analyzed through Discursive Textual Analysis, with the category "popular knowledge and Physics concepts in the reapplication of TS" as a reference. Among the results, it is highlighted that the "Rainwater Harvesting" system was built through dialogue between residents and technicians, and aspects such as soil characteristics, pressure needed for water to reach the tank, and material measurements were determined by popular knowledge and the technician's expertise, with these aspects directly linked to physical concepts, including units of measurement, hydrostatics, and hydrodynamics.
Keywords : Popular Knowledge, Paulo Freire, Social Technology, Physics Teaching.
## Introdução
Alguns estudos na área da Educação em Ciências/Física têm utilizado a perspectiva de Paulo Freire para promover à formação social, ética e moral, possibilitando que os sujeitos compreendam as demandas sociais da comunidade em que vivem. Essas demandas podem ser identificadas a partir da proposta freireana, como a Investigação Temática (IT), que tem contribuído na reorganização de currículos escolares (Roso, 2017; Archanjo, 2019).
Após a identificação de demandas sociais, a Tecnologia Social (TS) pode ser uma alternativa para solução de alguns problemas sociais. A TS, redefinida por Dagnino (2020) como Tecnociência Solidária, é compreendida na perspectiva da representatividade dos saberes populares e das relações entre Ciência e Tecnologia (CT), por meio da ação da comunidade, ao desenvolver meios de produção a partir da apropriação da realidade, com valores que permeiam a autonomia, associativismo e cooperação. Algumas pesquisas abordam a TS sob a perspectiva freireana com o propósito de identificar demandas sociais locais e orientar atividades educacionais (Santos et al., 2023; Silva; Almeida, 2023). Essas atividades têm como referência as necessidades locais das comunidades próximas à escola, incorporando valores como a autogestão, a cooperatividade e o diálogo de saberes da comunidade (Roso, 2017).
Para que seja possível trabalhar a TS no contexto escolar, é importante considerar os conhecimentos da comunidade em que a escola está inserida. O estudo de Archanjo (2019) explicita possíveis relações entre os conhecimentos de moradores e os conhecimentos científicos. O autor explica que durante a reaplicação de uma TS, no caso, a Fossa Séptica Ecológica, os moradores se apropriaram de conhecimentos biológicos, como os agentes patogênicos, e físicos, como pressão, densidade e conceitos de hidrodinâmica. Algumas pesquisas na área de Ensino de Física têm apontado a valorização dos conhecimentos populares, contudo, ainda é necessário investigar de que forma esses conhecimentos populares podem contribuir na elaboração de TS, no âmbito escolar. Neste sentido, o objetivo deste trabalho consiste em investigar a presença de saberes da comunidade e de conhecimentos científicos, em especial, os de Física, no contexto de uma TS, em uma escola pública localizada em Ilhéus/BA.
A TS como possibilidade de diálogo entre técnicos e moradores
Paulo Freire (1987) propôs o processo de IT para a obtenção de Temas Geradores, que foi contextualizado para a educação escolar (Delizoicov, 1991). Na IT, em síntese, busca-se a visão de uma determinada comunidade sobre a realidade em que vive. Essa compreensão sobre a realidade, muitas vezes, configura-se como possíveis situações-limite, ou seja, uma visão limitante sobre uma problemática, que se mantém devido à ausência de conhecimento para superá-la. Essas situações-limite, ao serem legitimadas pela própria comunidade, representam um Tema Gerador, para o qual são selecionados conteúdos programáticos e possíveis ações que podem ser as Tecnologias Sociais, representando a visão dos educadores (Silva, 2004).
No contexto escolar, Archanjo e Gehlen (2020, p.371) entendem que a TS tem 'como ponto de partida as demandas sociais locais e a integração dos conhecimentos populares e científicos, a fim de promover uma formação que possibilite discutir, conscientizar e superar a realidade investigada'. Nas atividades que envolvem a implementação e/ou reaplicação de uma TS, seguindo a perspectiva freireana, há necessidade de que os conhecimentos dos especialistas e dos moradores da comunidade sejam compartilhados em uma postura de educador-educando, que aprende ao ensinar e ensina ao aprender, visando interpretar suas habilidades para superar a situação-limite. Ou seja, uma perspectiva de coaprendizagem que requer novos entendimentos científicos e populares associados a reaplicação e implementação por meio da TS (Roso, 2017; Auler, 2022).
Essas discussões estão em sintonia com Freire (1983), em especial, ao fazer referência ao papel do técnico agrônomo em seu livro 'Extensão ou Comunicação?', que não é se limitar a ações assistencialistas, mas de atuar em conjunto com o camponês para a construção de uma conscientização mútua, na qual os saberes do técnico permitirão a transformação social, apropriando-se dos saberes populares e enriquecendo-os a partir da sua formação. Isso sinaliza que é importante uma atuação crítica dos sujeitos durante o processo, sendo necessário a colaboração entre os conhecimentos técnicos e saberes populares.
## Procedimentos Metodológicos
A pesquisa foi realizada no período de março até dezembro de 2023, em uma escola pública de Ensino Médio em Tempo Integral, localizada no bairro Teotônio Vilela, no município de Ilhéus/BA, em parceria com o Grupo de Estudos e Pesquisa
sobre a Abordagem Temática (GEATEC), vinculado à Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). As atividades, foco de análise desta pesquisa, são continuidade de um processo formativo iniciado no ano de 2022 (Santos et al., 2023), em que foram obtidas algumas compreensões dos moradores do bairro, acerca da realidade em que vivem. Dentre essas compreensões, que representam algumas situações-limite (Silva, 2004), estão a acomodação dos moradores em relação aos alagamentos no bairro e a falta de rede de drenagem de água. Essas situações foram legitimadas no contexto da comunidade e no processo formativo de professores, em que foi sistematizado o Tema Gerador (TG) 'Um olhar sobre o Vilela: crescimento sem planejamento' (Santos et al., 2023).
Em 2023, a pesquisa foi desenvolvida a partir das Estações de Saber ,baseadas na proposta do DCRB (Bahia, 2022), para o Ensino Médio Integral, em específico, na construção do sistema de 'Captação de Água da Chuva' que foi caracterizada como uma TS. Essa etapa seguiu os aspectos do Contratema: 'Por um Vilela melhor: uma ação entre comunidade, escola e poder público', em que foram selecionados conteúdos, conceitos e ações para melhor compreender e superar alguns aspectos do TG (Santos, et al., 2023). A construção do sistema contou com a participação de um professor da UESC, que aqui foi reconhecido como técnico, devido sua experiência prática em projetos específicos voltados à construção de sistemas de captação de água da chuva, um morador da comunidade e integrantes do GEATEC.
As informações foram obtidas de gravações em áudio durante a construção do sistema de Captação de Água da Chuva, que foram transcritas e analisadas por meio da Análise Textual Discursiva (Moraes; Galiazzi, 2011), em três etapas: i) Unitarização: leitura e fragmentação das falas do técnico e do morador, que caracterizam as unidades de sentido; ii) Categorização: essas unidades foram agrupadas de acordo com suas semelhanças semânticas e organizadas na categoria a priori: 'conhecimentos populares e conceitos de Física na TS'; iii) Metatexto: Nessa etapa foi realizada a reorganização das unidades na categoria em busca de novas compreensões, que auxiliaram na identificação de aspectos relacionados aos conhecimentos populares e conceitos de Física na construção da TS. Os sujeitos participantes da pesquisa foram distinguidos por M1 para o morador; T1 para o técnico e Pq1 para um integrante do GEATEC.
Conhecimentos populares e conceitos de Física na TS
A implementação do sistema 'Captação de Água de Chuva' ocorreu na escola com a participação de um técnico, um morador da comunidade e pesquisadores do GEATEC. Durante a construção deste sistema, vários foram os diálogos entre esses participantes evidenciando a utilização de alguns conhecimentos populares e científicos. Dentre os diálogos, destaca-se a fala do técnico T1 explicando que um fator fundamental para entender a problemática do alagamento no bairro Teotônio Vilela é a influência do solo em que a escola está inserida.
- T1: [...] Então, essas áreas que a gente tem com esse tipo de classificação de solo ela pode prejudicar se você num captar água da chuva por isso que alaga, é o que pode acontecer aqui em outros bairros em Ilhéus, que tem uma área onde foi aterrado o manguezal.
O técnico T1 apresenta uma compreensão dos impactos ambientais causados pela modificação do solo, ao ressaltar a importância de considerar qual tipo de solo está abaixo da escola. Enfatizando que não é somente a chuva que causa o alagamento naquela região, mas que há uma relação com a umidade da terra, em que o terreno não consegue absorver o excesso de água. Para amenizar a situação, foi elaborado um projeto de instalação de um sistema de captação de água da chuva, em conjunto com a comunidade local. Essa atividade configurou-se como uma TS, uma vez que permite a construção de uma tecnologia que poderá solucionar as demandas sociais vivenciadas pelos moradores da comunidade (Roso, 2017). Além disso, os pressupostos da TS estão alinhados com as questões socioambientais e sustentabilidade, permitindo a transformação da realidade local.
Quanto aos conhecimentos científicos, chama atenção que durante a construção do suporte em que se colocará a caixa d'água, o técnico T1 explica para o morador M1 que:
[...] um pouco mais acima da caixa para botar a mangueira, para ter uma pressão mínima para ela sair, então ela sai tranquilo, fica 70 cm de altura, onde você que vai aguar aqui o altura mais ou menos similar, legal, ó, carrega tudo tranquilo, da pressão numa boa, né? Porque o que você vai fazer? O que você vai fazer é uma saída reduzida. Sai com a saída de 50 pra uma de 30 pra uma de 20 para a mangueira, a essa pressãozinha que ela vai dando, com saídas, né? (T1 - grifo e parênteses nosso).
Observa-se que o técnico T1 utiliza alguns conceitos de Física, como pressão e fluxo de líquidos, em que menciona a altura para garantir a pressão mínima da mangueira, e a pressão hidrostática - onde a altura influencia na pressão da saída do líquido. Contudo, T1 apenas pontua algumas ações necessárias para uma otimização da captação de água, sem apresentar uma explicação mais detalhada para o morador.
Ou seja, há necessidade de um diálogo mais próximo com o morador, para a compreensão e valorização do seu conhecimento.
Para Gondim (2007), o reconhecimento e a riqueza das práticas populares muitas vezes são negligenciados, isso implica em uma educação voltada apenas para o conhecimento científico. Portanto, a relação entre conceitos de área e pressão precisa ser contextualizada de forma que o técnico (no papel de educador) elucide para o morador, o que seriam os conceitos físicos abstratos em exemplos concretos. Além disso, é necessário que durante uma TS se efetive a coaprendizagem, em que o 'ator social', pertencente à comunidade, desenvolva a capacidade de reaplicação, compartilhando esses saberes novos com a comunidade (Roso, 2017). Durante o diálogo entre M1 e Pq1, destaca-se a explicação do morador para o comprimento do cano que seria colocado para conectar a calha até a caixa d'água.
Pq1: [...] e aí M1 ? você usou o que aí mesmo, essa medida aí? M1: O 'olhômetro' [...]. Pq1: [...] Aí você preferiu usar o cano inteiro porque fica melhor do que aquele com emenda? M1: Tá certo a emenda mesmo, pro lado de lá tem que emendar, o tamanho não dá não.
O morador M1 utiliza o termo 'olhômetro', ao indicar que a medida foi realizada sem instrumentos de medição precisos. Com esse conhecimento, o morador consegue informar a necessidade da emenda do cano até o reservatório para a instalação do sistema. Nesse sentido, foi possível observar a presença de alguns conceitos de Física no diálogo, como as unidades de medida e a associação aos princípios da mecânica dos fluidos, pois um cano contínuo pode oferecer menor resistência ao fluxo de água em relação ao com emenda. Contudo, o 'olhômetro' não é uma unidade de medida confiável para a instalação de um projeto, sendo um saber empírico insuficiente para a solução do problema, necessitando de conceitos científicos mais precisos.
É importante que esses conhecimentos do morador sejam observados e, quando necessário, considerados. Os conhecimentos populares são expressos a partir de práticas integradas a um local específico e a grupos coletivos, aprendidos por meio de experiências vividas pelos moradores, pela prática, e transmitidos de geração para geração através da comunicação verbal, comportamentos e expressões corporais (Gondim, 2007). O morador a partir do 'olhômetro' - que é o saber popular - carece de conhecimentos físicos para afirmar com certeza quais as medidas necessárias para a implementação do sistema de captação da água.
É possível observar que durante a instalação dos canos próximos ao telhado, o técnico T1 e o morador M1 abordam o mesmo problema, que é a vazão das calhas até a caixa d'água, como segue o diálogo:
M1: Você disse que fica melhor, né vei?
- T1: Eu acho que esse outro cano aí, vai dar uma vazão melhor, porque quando pegar para juntar a água dessas duas aí mesmo, nessa caixinha, essa caixinha não vai dar conta dessa captação de água da chuva não. Vai ser água com força.
M1- Não tem que botar o cano de medial para outro. É uma vazão de água muito grande aí. Vai ser mesmo. É. Se a chuva estiver quase cheia o tanque e bater aí, já foi.
O técnico T1 e o morador M1 dialogam sobre qual o diâmetro será utilizado para redirecionar a água da tubulação acoplada nas calhas até o reservatório. T1 utiliza o termo 'vazão', um conceito físico, e M1 o repete ao concordar com a decisão de aumentar o diâmetro do cano. Neste caso, há indicativos do técnico T1, ao associar o termo 'vazão' com o fluxo de água no interior do cano, ter levado o morador a compreender a importância de aumentar o diâmetro devido ao volume de chuvas na região. Essa compreensão pode ser atribuída ao saber empírico adquirido pelo morador ao viver nessa localidade. Essa troca de conhecimentos entre o técnico e morador é fundamental em atividades que envolvem a TS, uma vez que não há somente uma reaplicação de conhecimentos técnicos mas, a partir da participação da comunidade, há uma construção de novos saberes contextualizados para aquela comunidade (Roso, 2017).
Ao desenvolver o sistema de captação de água da chuva foi possível aproximar o técnico e o morador em uma relação dialógica de coaprendizagem efetiva (Archanjo; Gehlen, 2020). Uma vez que houve uma construção de conhecimento em que os saberes populares e os saberes científicos foram apresentados de forma a se complementarem para o desenvolvimento da TS, a partir de uma visão crítica da realidade, e potencializando uma possível reaplicação futura em outros locais da região.
## Conclusões
No desenvolvimento da TS 'Captação de água da Chuva' os conhecimentos científicos e saberes populares foram fundamentais, uma vez que a interação entre o morador e o técnico possibilitou a construção do sistema de captação da água na escola. O morador M1 apresenta conhecimentos relacionados ao diâmetro do cano em função do volume da água das chuvas na região da comunidade. Contudo, M1 menciona o termo 'olhômetro' para a medida dos materiais a serem utilizados na construção do sistema, em que estão ausentes conhecimentos relacionados a
unidades de medida. Neste caso, os conhecimentos populares não foram suficientes, sendo o conhecimento do técnico essencial para a construção da TS. Dentre os conhecimentos apresentados pelo técnico, destaca-se conceitos relacionados à Física, como a hidrostática para avaliar o reservatório de água e hidrodinâmica ao avaliar como os canos seriam instalados.
Por fim, com a construção da TS foi possível sinalizar a importância do diálogo entre conhecimentos científicos e os saberes populares. Todavia, é necessário avançar em pesquisas para investigar qual é o papel de cada conhecimento em determinadas situações e como abordá-los no contexto escolar.
## Referências
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