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A NATUREZA DAS PRESSUPOSIÇOES ENTRE PROFESSORES E ALUNOS DE CIENCIA : UM ESTUDO MULTICULTURAL

Marcos Cesar Danhoni Neves, Edna Heloisa Schaeffer, Franciana Pedrochi, Solange Favero Oenning

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
IX
Ano
2004
Data
27/10/2004
Linha de pesquisa
- Filosofia, História E Sociologia Das Ciências No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A NATUREZA DAS PRESSUPOSIÇÕES ENTRE PROFESSORES E ALUNOS DE CIÊNCIA : UM ESTUDO MULTICULTURAL

Marcos Cesar Danhoni Neves (macedane@yahoo.com) 1 Edna Heloisa Schaeffer (schae@zipmail.com.br) 1 Franciana Pedrochi (fran@dfi.uem.br) 1 Solange Oenning (eresol@bol.com.br) 1

- * Mestrado em Educação para Ciência e o Ensino de Matemática, Centro de Ciências Exatas, Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo, 5790, Maringá-PR 87020-900

O presente trabalho busca um quadro mais amplo de pesquisas anteriores num viés crosscultural , iniciadas por Ogunniyi et al (1995) e por Bandiera et al (1999), procurando uma caracterização das pressuposições de professores e, agora, também de alunos, sobre as diversas visões de mundo com respeito a temas que envolvem as ciências em geral. Propomos também responder a questão que animava as investigações anteriores: 'pessoas - professores e adolescentes - do mundo ocidental mantêm visões de mundo similares ou elas diferem daquelas produzidas por pessoas que vivem em países não ocidentais?' Certas adaptações tanto ao formulário 'não ocidental' de questões (Botswana, Indonésia, Japão, Nigéria e Filipinas) quanto àquele ocidental (Itália e Brasil) foram realizadas no sentido de contextualizar melhor as situações envolvidas. As questões envolviam, pois, uma possibilidade de acesso a uma multiplicidade de visões de mundo relativas ao mundo natural e imersas em concepções teóricas antropológicas e sociologicamente ancoradas nas diferentes culturas. Procurou-se manter o questionário padrão mais próximo possível daquele usado por Ogunniyi et al e Bandiera et al no sentido de garantir uma comparação entre os resultados obtidos. Foram usadas oito situações ou 'casos' que compunham o formulário padrão. Num estudo multicultural desta natureza foi importante a busca de juízos 'neutros' elaborados por pessoas ligadas à área de educação científica, com o intuito de se buscar uma linguagem para os textos de cada um dos 'casos'. Essa etapa foi importante para garantir a possibilidade de diversos graus de abertura às possíveis visões de mundo que certamente emanariam do formulário final. Os estudos africano, asiático, italiano e brasileiro foram aplicados somente a professores de ciências daqueles continentes/países. O intuito do presente trabalho, diferentemente, é completar esse quadro, revelando, além da diferença cultural, a existência ou não de uma espécie de 'herança cultural' importada da escola e consagrada no cotidiano escolar, aproximando ou afastando as concepções de alunos e professores. Cada história fictícia, que formava cada um dos oito casos, foi lida atentamente, não se fazendo menção sobre sua natureza, ou seja, não a caracterizando como uma história real ou inventada. As respostas foram agrupadas segundo uma categorização comum aos estudos anteriormente citados. Esse tipo de estudo intercultural pode estabelecer algumas idéias sobre a natureza da ciência elaboradas por professores e alunos. É um problema que merece atenção, especialmente entre educadores, filósofos e cientistas. Outros estudos, com um viés diferente do relatado aqui foram realizados por Aikenhead, Solomon e Ruggieri, sugerindo ações para uma comunicação didática que ultrapasse a barreira da dicotomia 'imagem da ciência' versus 'ciência'. Nossa preocupação não é a dicotomia nem a sua superação, mas sim, se padrões de diferentes culturas se fundem e se fundamentam em crenças a-científicas.

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