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O ENSINO DE FÍSICA E O AUTISMO: UM LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO ENTRE 2010 A 2023

Izabelly Francini Ribeiro Savioli, João Henrique Cândido De Moura

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XX
Ano
2024
Data
23/08/2024
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão, Diversidade E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O ENSINO DE FÍSICA E O AUTISMO: UM LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO ENTRE 2010 A 2023

## PHYSICS TEACHING AND AUTISM: A BIBLIOGRAPHIC SURVEY BETWEEN 2010 TO 2023

Izabelly Francini Ribeiro Savioli 1 , João Henrique Cândido de Moura 2

1 IFSP - Campus Registro, izabelly.francini@aluno.ifsp.edu.br 2 IFSP - Campus Registro, joaomoura@ifsp.edu.br

## Resumo

Este trabalho apresenta um estudo na área do Ensino de Física para alunos, público alvo, da educação especial. O estudo teve como objetivo apresentar quais são as principais contribuições apontadas pelas pesquisas da área de Ensino de Física frente ao trabalho com alunos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) durante o período de 2010 a 2023. Para atender a esse objetivo, foi realizado um levantamento bibliográfico dos trabalhos publicados nos eventos: Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC) e Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF); na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e no Portal de Periódicos da CAPES que contemplem a inclusão de pessoas com Autismo e o Ensino de Física. Os resultados indicaram uma quantidade muito baixa de trabalhos que abordam essa temática comparados ao total de trabalhos. Nesse sentido, foram analisados 09 trabalhos dos quais abordam a temática Ensino de Física e o Autismo, dois quais serão apresentados de forma parcial algumas contribuições de abordagens/métodos presentes nesses trabalhos que tenham como objetivo a inclusão de alunos com autismo e as principais dificuldades encontradas para trabalhar com esses estudantes. Através do presente estudo, espera-se contribuir para o debate sobre o Ensino de Física para estudantes com TEA, considerando as demandas específicas deste público, e a reflexão sobre as práticas pedagógicas pertinentes a estes alunos, de maneira que seja possível pensar em uma inclusão especializada no contexto do ensino de Física.

Palavras-chave : Ensino de Física. Transtorno do Espectro Autista. Educação Inclusiva. Levantamento bibliográfico.

## Abstract

This work presents a study in the area of Physics Teaching for target students in special education. The study aimed to present the main contributions highlighted by research in the area of Physics Teaching in relation to work with students with ASD (Autism Spectrum Disorder) during the period from 2010 to 2023. To meet this objective, a bibliographical survey of works published at the events: National Symposium on Physics Teaching (SNEF), National Meeting on Research in Science Education (ENPEC) and Research Meeting on Physics Teaching (EPEF); in the

Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD) and in the CAPES Periodicals Portal that include the inclusion of people with Autism and Physics Teaching. The results indicated a very low number of works that address this topic compared to the total number of works. In this sense, 09 works were analyzed which address the theme of Teaching Physics and Autism, two of which will be partially presented, some contributions of approaches/methods present in these works that aim to include students with autism and the main difficulties encountered for work with these students. Through this study, we hope to contribute to researchers seeking more and more knowledge about Physics Teaching aimed at this public, so that there is reflection on pedagogical practices and then a specialized inclusion is possible, which meets the demands.

Keywords : Teaching Physics. Autism Spectrum Disorder. Inclusive education. Bibliographic survey.

## Introdução

A oferta de educação a pessoas da Educação Especial 1 tradicionalmente se configurou como um sistema paralelo e segregado de ensino. Entretanto, com o decorrer dos anos passou a ter caráter de inclusão. Conforme a LDB/96, o ensino aos alunos da Educação Especial deve ser oferecido preferencialmente na rede regular de ensino, conforme garante a Constituição Brasileira de 1988. A partir das políticas de inclusão, observa-se que o número de matrículas na rede regular de ensino de alunos da educação especial aumentou; entre esses alunos, estão os com TEA.

Identifica-se o Autismo como transtorno de diferentes níveis de suporte que afeta o sistema neurológico, prejudicando o desenvolvimento social e de aprendizagem. Considerando a diversidade de perfis dos autistas, que eles são muito mais frequentes 2 do que se supunha décadas atrás e o seu direito à inclusão, é de extrema importância o avanço de pesquisas que abordem a temática.

Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo realizar um levantamento bibliográfico e investigar como a área de pesquisa em ensino de Física aborda a temática dos alunos autistas.

## Fundamentação Teórica

Durante o decorrer dos anos, os critérios de diagnóstico do autismo passaram por mudanças. Os comportamentos apresentados são pautados através da utilização da Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento (CID 11), da Organização Mundial da Saúde e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5), da Associação Psiquiátrica Americana. (Teixeira et. al., 2010 apud Mozel, A. 2023).

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é denominado como um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por prejuízo da interação e da comunicação social, acompanhado por repertórios restritos e repetitivos de comportamentos, atividades e interesses.

Os autistas, como parte do público da Educação Especial, por muito tempo tiveram como oferta uma educação nas escolas regulares alheia às características. No entanto, a educação de alunos com necessidades educativas especiais que, tradicionalmente se pautava num modelo de atendimento segregado, tem se voltado para Educação Inclusiva. Nesse sentido, a pesquisa científica desempenha um papel fundamental na transformação da educação inclusiva para alunos autistas. Historicamente, abordagens tradicionais nem sempre atendiam às necessidades específicas desse grupo, deixando muitos sem o apoio adequado para prosperar no ambiente educacional. Contudo, novas perspectivas sobre o ensino para autistas têm surgido, pautando o desenvolvimento das práticas pedagógicas (DE OLIVEIRA; STROHSCHOEN, 2019).

O impacto dessas pesquisas é percebido na evolução das políticas educacionais. Diretrizes curriculares são reformuladas com base em evidências, garantindo que as escolas adotem práticas pedagógicas contemporâneas e eficazes. Assim, a ciência influencia não apenas o ambiente de sala de aula, mas também a esfera administrativa e política da educação. A interação entre cientistas e educadores também tem fortalecido a implementação das descobertas (PEÇANHA et al., 2023). O diálogo entre esses profissionais permite que as pesquisas sejam traduzidas em práticas pedagógicas tangíveis, garantindo sua aplicação efetiva.

Segundo Rios e Camargo (2019), é essencial reconhecer que, apesar de todos os avanços, a pesquisa em educação inclusiva e autismo é um campo em constante evolução. A formação de educadores deve ser vista como um compromisso de longo

prazo, onde a atualização constante é imperativa. A pesquisa científica tem enriquecido imensamente a formação de educadores na área da educação inclusiva de autistas. O conhecimento gerado por estudos rigorosos não apenas capacita, mas também empodera os educadores a proporcionar uma educação de qualidade, adaptada e eficaz para todos os alunos, independentemente de suas peculiaridades.

## Metodologia

A seguinte pesquisa tem abordagem qualitativa, do tipo levantamento bibliográfico, no qual utilizamos como banco de dados: os anais dos eventos nacionais do ensino de Física e Ciências - SNEF, EPEF, ENPEC e as bases de dados da biblioteca digital de teses e dissertações (BDTD) e o Portal de Periódicos da CAPES.

Para selecionar os trabalhos, utilizamos os seguintes descritores: autismo, autista, Transtorno do Espectro Autista, Educação inclusiva, Ensino de Física, Ensino de Ciências. Nos anais dos congressos citados acima, utilizamos apenas os descritores Educação inclusiva e autismo nos eventos realizados a partir de 2010. Nos outros acervos, os descritores Ensino de Física/Ciências foram cruzados com demais.

A partir de então, seguindo com a leitura dos resumos das produções encontradas, elencamos aqueles que abordam especificamente a temática de Ensino de Física e o TEA, descrevendo contextos de ações pedagógicas possíveis e análises de materiais didáticos. Assim, realizamos a análise dos trabalhos selecionados para apresentar quais são as principais contribuições frente às práticas pedagógicas com esses estudantes.

## Resultados

Diante desses critérios, foram identificados 09 trabalhos que abordam especificamente a temática, sendo estes apresentados no quadro 1:

Quadro 1 Relação dos Trabalhos sobre Ensino de Física e Autismo

Fonte: Elaborado pelos autores, 2023.

Portanto, conforme apresentado no quadro 2, investigamos nos trabalhos quatro tópicos: Distribuição da produção científica por Região, o tema da Física abordado, local da aplicação da pesquisa e o nível de ensino que as pesquisas se vinculam.

Quadro 2 - Síntese dos trabalhos

XX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - 2024

Fonte: Elaborado pelos autores, 2023.

## Discussões e Considerações finais

A partir das leituras dos trabalhos, percebeu-se que alguns pesquisadores antes de iniciar as abordagens metodológicas buscaram conhecer os alunos, sua rotina, suas singularidades, interesses, dificuldades e facilidades - proporcionando assim também a familiarização do aluno com o pesquisador. Os trabalhos que utilizaram dessa abordagem obtiveram melhores resultados com o envolvimento desses estudantes e alcançaram alguns objetivos.

Entre os interesses dos alunos utilizados para realização dos trabalhos, destacamos: o personagem Pikachu, no qual foi desenvolvida uma atividade que consistia em um jogo de cartas sobre os planetas, relacionando-o com o jogo Pokémon; e peças de lego, no qual a partir da construção de um carrinho feito pelo estudante com as peças foram trabalhados os conceitos de força e movimento.

Outro aspecto analisado é que quando o autista tem uma certa autonomia, sem pressão para realização de uma atividade, porém com a mediação do docente, apresenta melhores resultados. Muitas vezes o estudante terá dificuldade para verbalizar, visto que é uma característica do autista, mas poderá responder as atividades e questionamentos de outras maneiras.

Devido a característica dos autistas serem mais visuais que verbais e possuírem grande dificuldade para imaginar coisas que não são palpáveis, atividades que trabalham esse sentido despertam maior interesse pelos mesmos. Com isso, ao se pensar atividades para o público com TEA é importante que sejam lúdicas, como experimentos, por exemplo, onde o aluno poderá ver e sentir o fenômeno físico acontecer.

Entretanto, Borges (2021) salienta que experimentos são de extrema importância, pois auxiliam na compreensão do fenômeno. Mas, quando desenvolvidos de maneira roteirizada podem acabar evidenciando características do TEA, pois a repetição mecânica de relações e contextos não favorece a ampliação das habilidades que é esperado nos alunos. Nesse sentido, é importante que o professor tenha condições no ambiente escolar de poder dispor de tempo para reestruturar a proposta do trabalho, possibilitando momentos investigativos e de ampliação de saberes.

Uma das características da pessoa com autismo é a ansiedade. Logo, quando as atividades fogem da rotina do estudante, é necessário que haja um preparo, como por exemplo, a apresentação de um rol das atividades a serem desenvolvidas, para que a realização delas seja agradável ao estudante e consequentemente haja um melhor aproveitamento, com o objetivo de trabalhar as potencialidades do aluno. Outra característica está relacionada com a falta de concentração. Assim, intervalos entre as atividades e propostas com curta duração podem contribuir para um aprendizado que seja efetivo.

Estratégias de ensino como Sequências Didáticas, Sequência de Ensino Investigativa (SEI), metodologias baseadas na experimentação com materiais de baixo custo e em mapas conceituais e mentais, apareceram nos trabalhos encontrados. O uso desses mapas, que além de organizar as ideias acerca do conteúdo, pode ser elaborado através de desenhos, e, fazer a utilização das TDIC para facilitar o processo de ensino-aprendizagem, são ferramentas que obtiveram sucesso entre os trabalhos. Além do uso das TDIC de forma geral.

Algumas dificuldades foram apontadas pelos pesquisadores, entre elas: o número de alunos elevados em sala dificulta o trabalho e impossibilita a aprendizagem, ainda mais quando o discente necessita de uma atenção especializada como o autista. Os maiores obstáculos surgem por parte dos professores que

desconhecem os transtornos e não tiveram possibilidades de acessar recursos e conhecimentos para se entender o autismo. Percebe-se também a falta de investimento das administrações públicas em relação à inclusão e à formação acadêmica dos professores. Por fim, os trabalhos ainda apontam que atividades muito estruturadas se tornam mais difíceis ao aluno autista, visto que podem reforçar uma tendência do espectro que é justamente os ciclos repetitivos de ações, não proporcionando condições de interação, mantendo-se circunscritos a aplicações de fórmulas.

## Referências

BARBOSA, Milena Pinheiro. Metodologias adaptadas para o Ensino de Física para Alunos Autistas no Ensino Superior. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação), campus universitária de Ananindeua, UFPA, Ananindeua, 2020.

BORGES, Aline dos Anjos Davi. Ensino de física e autismo: articulações no ensino médio. 2021.127 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, 2018. DOI http://dx.doi.org/10.14393/ufu.di.2021.23

BRASIL. Ministério da Educação. Nota Técnica n. 04/2014/MEC/SECADI/DPEE. Orientação quanto a documentos comprobatórios de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação no Censo Escolar. Brasília, 2014.

DE OLIVEIRA, Aldeni Melo; STROHSCHOEN, Andreia Aparecida Guimarães. A importância da ludicidade para inclusão do aluno com transtorno do espectro autista (TEA). Revista eletrônica pesquiseduca, v. 11, n. 23, p. 127-139, 2019.

MOURA, Tiago Fernando Alves de, CAMARGO, Eder Pires de. Experiências sensoriais em pessoas com autismo e o Ensino de Ciências. Sisyphus: Journal of Education, v. 10, n. 3, p. 141-165, 2022. DOI: https://doi.org/10.25749/sis.27551

MOZEL, A. AUTISMO. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 26756218, [S. l.], v. 4, n. 1, p. e412630, 2023. DOI: 10.47820/recima21.v4i1.2630. Disponível em: <https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/2630> . Acesso em: Jun. 2023.

PEÇANHA, Luiza Souza; DE MOURA GAÇVÃO, Ieda Barra. O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS AUTISTAS. Revista Científica Doctum: Educação, v. 1, n. 3, 2023.

RIOS, Clarice; CAMARGO, Kenneth Rochel. Especialismo, especificidade e identidade-as controvérsias em torno do autismo no SUS. Ciência & Saúde Coletiva, v. 24, p. 1111-1120, 2019.

SANTOS, Tânia Cristina Serenini dos. Proposta de uma sequência didática para trabalhar gravitação universal com uma discente com transtorno do espectro autista. 2020. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campo Mourão, 2020.

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