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CONCEPÇOES EPISTEMOLOGICAS VEICULADAS PELOS PCNS NA AREA DE CIENCIAS NATURAIS DE 5$^o$ A 8$^o$ SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL

Patrícia Pino, Fernanda Ostermann, Marco Antonio Moreira

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
IX
Ano
2004
Data
27/10/2004
Linha de pesquisa
- Filosofia, História E Sociologia Das Ciências No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

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## CONCEPÇÕES EPISTEMOLÓGICAS VEICULADAS PELOS PCNS NA ÁREA DE CIÊNCIAS NATURAIS DE 5º A 8º SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL

Patrícia Visintainer Pino -

[patricia.pino@ufrgs.br] Fernanda Ostermann - [fernanda@if.ufrgs.br] Marco Antonio Moreira - [moreira@if.ufrgs.br]

Instituto de Física - UFRGS

Apesar de já completados seis anos da publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o ensino fundamental, ainda é pequeno o número de artigos que critica a reforma curricular e sua implantação, principalmente na área de Ciências Naturais. A maioria dos artigos sobre esse tema coloca em discussão a questão política que envolve a proposta, mas nenhum deles faz um questionamento relacionado às concepções epistemológicas subjacentes aos PCNs. As publicações revisadas neste trabalho tiveram como foco de discussão a real proposta política da reforma (Candau, 1999), a implantação dos temas transversais (Macedo, 1999; Lopes, 2001) e até mesmo as dificuldades encontradas por parte dos professores quando da tentativa de implantar os PCNs na escola (Ricardo, 2002). Além disso, poucas dessas publicações discutem a implantação dos PCNs para a área de Ciências Naturais no ensino fundamental. Na tentativa de suprir essa carência é que este trabalho faz uma análise crítica dos PCNs, em particular na área de Ciências Naturais, tendo como principal foco de investigação as concepções epistemológicas apresentadas. Este trabalho é uma etapa de u ma pesquisa que culminará com uma dissertação de mestrado em Física na área de ensino em Física. O estudo foi realizado tendo-se como referencial epistemólogos contemporâneos (e.g., Khun 1998; Lakatos, 1993; Bachelard, 1973), em particular, a visão construtivista que compartilham acerca do desenvolvimento científico.Em síntese, essa análise mostrou que a posição dos PCNs em relação à concepção de ciência é ambígua. Eles, obviamente, encaram o conhecimento como um processo de construção, no entanto, induzem os professores a uma visão empirista-indutivista de ciência, ao utilizarem expressões como 'descobrir' fenômenos, sem maiores esclarecimentos. O documento não explicita possíveis referenciais epistemológicos para o ensino de Ciências, o que acaba por reforçar a visão empirista-indutivista, ainda tão predominante no ensino de Ciências (Silveira e Ostermann, 2002). A posição ambígua do documento em relação à noção de ciência preocupa pelo simples fato de que pesquisas mostram que a visão positivista de desenvolvimento científico ainda prevalece entre os professores (Khalick e Lederman, 2000). Inúmeras vezes, durante a exposição de idéias, o documento teve a oportunidade de colocar-se contrário a essa visão, mas, infelizmente, não o fez. Caberia, no entanto, a um documento oficial rejeitá-la explicitamente. Provavelmente, assumir apenas uma postura epistemológica não seja tão rico para o trabalho do professor, mas combater a visão empirista-indutivista -ponto de consenso entre os epistemólogos contemporâneos - é sim tarefa de uma reforma curricular que se propõe a dar diretrizes inovadoras para o trabalho em sala de aula.

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