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A imaginaçao científica: aspectos da construçao do conhecimento sob a perspectiva da criaçao subjetiva

Iva Gurgel*, Maurício Pietrocola

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
IX
Ano
2004
Data
27/10/2004
Linha de pesquisa
- Filosofia, História E Sociologia Das Ciências No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A IMAGINAÇÃO CIENTÍFICA:

## ASPECTOS DA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

## SOB A PERSPECTIVA DA CRIAÇÃO SUBJETIVA.

Ivã Gurgel [gurgel@fe.usp.br] a Maurício Pietrocola [mpietro@usp.br] b

a Instituto de Física e Faculdade de Educação - USP. b Faculdade de Educação - USP

Consideramos que diversos temas da pesquisa em ensino devem ser discutidos epistemologicamente, de forma a compreendermos melhor a dinâmica de construção do conhecimento. Este trabalho demonstra a importância e as implicações do papel da imaginação neste processo.

Propomos que o conhecimento precisa ser adequado às necessidades pessoais de entendermos o mundo. Modelos que estabelecem determinados tipos de explicações podem não ser adequados aos sujeitos e ao contexto em que eles estão inseridos. Einstein, nosso principal referencial para esse trabalho, notava que as boas explicações são determinadas pelas perguntas que as fazem ser necessárias. Na vida essas perguntas não são predeterminadas. Consideramos que a capacidade de criar explicações é a principal habilidade a ser desenvolvida nos indivíduos.

- A imaginação nesse contexto torna-se elemento fundamental na construção do conhecimento. Ressaltamos dois aspectos importantes no ato de imaginar:
- - A imaginação atua no campo simbólico, definindo idéias em categorias arbitrárias.
- - A criação científica é compromissada com o todo de conhecimento. A imaginação simbólica deve estar vinculada racionalmente à estrutura do conhecimento.

Einstein demonstra claramente a importância da vinculação racional da imaginação e das conseqüências das deduções lógicas vinculadas a ela. A imaginação é um elemento que está presente no fazer científico, principalmente em atividades de resolução de problemas anômalos à ciência normal. Consideramos que os problemas que o indivíduo enfrentará em sua vida são problemas semelhantes a esses, visto que não são problemas resolvidos por uma matriz disciplinar.

Na discussão científica, as idéias criadas pelo cientista precisam ser vinculadas à estrutura lógica determinada pela ciência. A principal habilidade a ser desenvolvida é a de testarmos nossas hipóteses imaginadas com o objetivo de determinarmos a validade de nossas explicações. A estrutura racional da ciência permite esse diálogo entre idéias. Quando criamos situações hipotéticas podemos fazer um diálogo racional com a ciência, criando perguntas relacionadas com sua hipótese inicial e observando as implicações desta através da manipulação da sua estrutura. Esse processo é muito semelhante ao processo de criação apresentado por Einstein que nos demonstra que quando há uma redefinição de um conceito durante a criação, a dedução lógica determina as conseqüências geradas por essa redefinição. Ao tentarmos construir explicações trabalhamos desta forma. Por essa dinâmica ser pouco discutida no campo da filosofia e do ensino de ciências, buscamos aprofundar epistemologicamente estas idéias indicando suas conseqüências para o ensino.

## REFERÊNCIAS:

EINSTEIN, A. Escritos da maturidade. Rio de Janeiro: Editora nova Fronteira, 1994.

GRANGER, G. G. Imaginação Poética, Imaginação Científica. In: Discurso. n.29. São Paulo: Discurso Editorial, 1998.

HOLTON, G. A imaginação científica. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

PATY, M. A criação científica segundo Poincaré e Einstein. In: Estudos Avançados, 15, n.41, São Paulo: EDUSP, 2001.

PIETROCOLA, M. Curiosidade e Imaginação . In: CARVALHO, A. M. P..(org). Ensino de Ciências: unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Thomson, 2004.

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