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COLABORAÇÃO DOCENTE E ENSINO DE FÍSICA

Guilherme De Paula Nascimento, Marcos Correa Da Silva, Glauco Dos Santos Ferreira Da Silva

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XX
Ano
2024
Data
20/08/2024
Linha de pesquisa
Formação E Ação Docente Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## COLABORAÇÃO DOCENTE E ENSINO DE FÍSICA TEACHING COLLABORATION IN PHYSICS EDUCATION

Guilherme Nascimento 1 , Marcos Correa da Silva 2 , Glauco S F Silva 3

- 1 Licenciatura em Física/CEFET/RJ - Campus Petrópolis, guilherme.nascimento@aluno.cefet-rj.br (Apoio CNPq)
- 2 Licenciatura em Física/CEFET/RJ - Campus Petrópolis, marcos.silva@cefet-rj.br (Apoio FAPERJ)

3 Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Educação/ Licenciatura em Física/CEFET-

RJ - Campus Petrópolis, glauco.silva@cefet-rj.br (Apoio FAPERJ)

## Resumo

Este trabalho é parte de um projeto de pesquisa mais amplo em andamento sobre práticas colaborativas. O objetivo é apresentar os resultados iniciais de uma revisão de literatura sobre colaboração, especificamente, no ensino de Física. Para isso, realizamos o levantamento bibliográfico através do Portal de Periódicos da Capes, utilizando os seguintes termos de busca: 'codocência' ou 'co-docência', 'docência compartilhada', 'colaboração docente', 'co-ensino', 'ensino colaborativo' e 'ensino em equipe'. O corpus de análise relacionado ao ensino de física é composto por quatro artigos. Utilizamos a metodologia de Análise de Conteúdo para organizar, analisar e avaliar os artigos, destacando três elementos para e na colaboração docentes: as suas características, as possibilidades e os obstáculos. Os contextos em que os artigos foram escritos apontaram para a formação de professores. O nosso estudo evidenciou que as principais características da colaboração docente são as relações horizontais e o co-planejamento. As possibilidades dizem respeito ao desenvolvimento pessoal e profissional dos professores e uma melhora na aprendizagem dos alunos e os principais obstáculos são a falta de planejamento conjunto e a falta de tempo.

Palavras-chave : Ensino de Física. Revisão de literatura. Colaboração docente. Codocência

## Abstract

This paper is part of a broader ongoing research project into collaborative practices. The objective is to present the initial findings of a literature review on collaboration, specifically, in Physics teaching. To do this, we carried out a bibliographical survey through the Capes Periodicals Portal, using the following search terms: 'coteaching' or 'co-teaching', 'shared teaching', 'teaching collaboration', 'teaching collaborative' and 'team teaching'. The corpus of analysis related to physics teaching consists of four articles. We use the Content Analysis methodology to organize, analyze and evaluate the articles, highlighting three elements for and in teacher collaboration: their characteristics, possibilities, and obstacles. The contexts in which the articles were written pointed to teacher training. Our study showed that the main characteristics of teaching collaboration are horizontal relationships and co-planning. The possibilities concern the personal and professional development of teachers and an improvement in student learning and the main obstacles are the lack of joint planning and lack of time.

Keywords : Physics Education. Literature review. Teaching collaboration.

## Introdução

O presente trabalho é um recorte de um projeto iniciação científica, que se desenvolve no contexto mais amplo de uma pesquisa em andamento do Edital Universal do CNPq, que investiga os diferentes arranjos institucionais entre universidades, escolas públicas e comunidades nos quais se priorizam a horizontalidade, a pluralidade e a integração entre sujeitos, saberes e experiências formativas nos desafios da constituição de políticas educacionais voltadas para a formação docente. Como parte de nossa contribuição para essa pesquisa, desenvolvemos uma revisão bibliográfica sobre colaboração docente, entendida como uma forma de relação entre universidades e escolas de educação básica (Nascimento, 2023). Nosso interesse estava nas formas como essa colaboração ocorre, identificando suas características, os principais obstáculos para sua implementação e suas potencialidades para o desenvolvimento do trabalho docente.

Para este trabalho, vamos apresentar a discussão em cenários que envolvem o ensino de Física. Para tanto, fizemos um recorte dos artigos encontrados, selecionando aqueles que discutiam a colaboração docente no âmbito do ensino de Física. Essa revisão de literatura surge para entender como a colaboração docente é desenvolvida no ensino de física e como a comunidade escolar enfrenta esse processo. Para tanto, estamos interessados em identificar características, obstáculos e possibilidades da colaboração docente em cenários que envolvem o ensino de Física.

## Metodologia

Este trabalho se baseou em uma revisão bibliográfica feita por Silva e Martins (2017) na qual os autores buscavam identificar os variados sentidos dados a colaboração docente e como essa atividade se organizava. Nossos esforços foram em atualizar essa revisão, buscando explicitar as características, obstáculos e possibilidades da colaboração docente.

O processo de busca consistiu em selecionar, dentro do Portal de Periódicos da Capes, os artigos que surgiam quando inseríamos os termos de busca propostos por Tractenberg (2011), que realizou um trabalho de estado da arte sobre colaboração docente. Levando em conta a abrangência desse estudo, resolvemos, tal como Silva e Martins (2017), usar os mesmos termos propostos por Tractenberg (2011). Sendo esses: 'codocência' ou 'co-docência', 'docência compartilhada', 'colaboração

docente', 'co-ensino', 'ensino colaborativo' e 'ensino em equipe'. Como se trata de uma atualização, o período de busca se restringiu aos artigos publicados entre 2017 2022.

Para organizar o corpus de análise foi necessário inserir alguns critérios de inclusão e exclusão: (i) artigos que revisados por pares, tendo sido excluídas as duplicatas e aqueles que tiveram problemas para download. (ii) Foram excluídos os artigos que não apresentam os termos de busca no título, no resumo ou nas palavraschaves. Esses dois critérios proporcionaram um primeiro conjunto de textos, que foram submetidos a uma leitura flutuante (Bardin, 2011) com o objetivo de identificar as características, obstáculos e possibilidades da colaboração docente. Caso não houvesse eram excluídos. Constituído esse corpus, selecionamos somente os artigos que estavam envolvidos com o ensino de Física. Dessa forma, de um total de 23 artigos (Nascimentos, 2023), identificamos quatro, tal como mostra o quadro 1.

Quadro 1 : Identificação e codificação dos artigos que tratam de formas de colaboração docente no ensino de Física.

Fonte : Nascimento (2023)

Em nosso trabalho anterior, Nascimento (2023) apresentamos em detalhes todo o processo metodológico, a partir Análise de Conteúdo (AC) de Bardin (2011), através de cinco etapas, sendo a primeira a organização do material. Nessa primeira etapa separamos os artigos por códigos referentes ao termo de busca, criamos pastas onde eles se armazenavam e fizemos as leituras, de uma forma geral, dos artigos. Na segunda etapa, separamos os excertos, nossas unidades de registro, e estabelecemos as unidades de contexto como sendo os pontos de interesse deste artigo (características, obstáculos e possibilidades da colaboração docente). Na terceira etapa definimos as categorias como sendo os termos de busca da pesquisa.

E por fim, nas duas últimas etapas, são as descrições do material e as interpretações do autor a respeito do material, etapas essas que serão apresentadas no decorrer do trabalho.

## Considerações iniciais a respeito do material analisado

Como primeiro ponto importante para a análise dos artigos buscamos identificar o Qualis Capes dessas revistas, sendo dois no extrato A1 (CD1 e CD2) e dois no extrato A4 (DC1 e DC2). Essas duas avaliações servem para mostrar a relevância das revistas em que esses artigos foram publicados e mostra que a colaboração entre docentes é um ponto de importância para as pesquisas.

Apresentando as primeiras informações a respeito dos artigos, trazemos as principais palavras-chaves e os contextos em que os artigos estão inseridos. Essas informações servem para entendermos de que lugar os autores falam e sobre o que falam. Palavras-chave como 'formação de professores' (CD1), 'formação docente' (CD2), 'Estágio de docência' (DC1), mostram o interesse dos estudos em desenvolver processos colaborativos em contextos de formação de professores, marcantemente a formação inicial, tendo em vista que três dos quatro artigos selecionados tratam do estágio. 'Educação especial' e 'ensino de Física inclusivo' são palavras-chave que aparecem em DC2.

No Quadro 2, podemos observar que os artigos tratam da educação superior, indicando a carência de pesquisas sobre práticas colaborativas na educação básica.

Quadro 2: Contextos dos artigos

Fonte: Nascimento (2023).

## Características da colaboração docente

Nos cenários analisados identificamos situações de colaboração que envolviam dois ou mais sujeitos: professores experientes, professores em formação e professores da educação especial. Santos et al (2019), em CD1, exploram a codocência entre professores de diferentes disciplinas, apresentando ' a ação de co-

m possibilidades de abordagens interdisciplinares é uma forma de trabalho para além da parceria, [...] e comenta que esse processo tem surgido também na formação de professores possibilitando co-aprendizagens ' (p.16). Segundo os autores fatores como empatia, sintonia e afinidade abrem espaço para que diferentes professores colaborem entre si, permitindo a atuação em co-docência.

Em CD2, Silva, Martins e Fernandes (2022) apontam que, na codocência, para que as relações interpessoais aconteçam de maneira exitosa é necessário que haja respeito, confiança, empatia e companheirismo entre os codocentes. Esses aspectos acompanhados de uma boa comunicação e da responsabilidade compartilhada de atingirem objetivos comuns auxilia na criação de relações horizontais. Segundo os autores, ' atenção, confiança e respeito constituem os alicerces para que haja a sintonia necessária entre os sujeitos, permitindo que ocorra a circulação de liderança' (p.242). A circulação de liderança significa que os sujeitos que colaboram na codocência assumem posições de liderança em diferentes momentos da atividade em execução e em função dos contextos que se apresentam durante a ação. A possibilidade de assumir a liderança num processo de ensino, mesmo quando a relação se estabelece entre professores experientes e professores em formação, como é o caso discutido nesse artigo, aponta para a horizontalidade nas relações de poder estabelecidas entre os sujeitos que colaboram.

Outro ponto de destaque durante todo o processo de ensino é a necessidade de compartilhamento de todas as responsabilidades do ensino. No artigo DC2, Peixe e Leonel (2020), através de uma entrevista com professores da educação especial, mostram a importância da colaboração se pautar na responsabilidade compartilhada.

Os professores da Educação Especial foram questionados sobre o que eles consideram importante para que haja a docência compartilhada de forma efetiva, um ponto elencado por quase todos, e que merece destaque, é que a responsabilidade deve ser tanto do professor da área como do professor de Educação Especial, pois alguns consideram que o aluno é de responsabilidade do professor de Educação Especial. (p.75)

Hoffmann e Schirmer (2020), em DC1, mostram através do relato dos estágios de docência nas ciências da natureza, que é necessário a participação de todos os sujeitos, em todos os momentos do ensino, para que ocorra a colaboração.

Esta (Docência Compartilhada) ocorre na prática dos docentes do curso, em todas as disciplinas da área de Ciências da Natureza, e se mantém, do mesmo modo, no momento dos estágios, no qual três professores (de diferentes formações: química, física e biologia), compartilham a atividade de

ensino, desde o planejamento passando por todos os momentos de sua execução. (p.276)

Através das informações obtidas nas análises dos artigos foi possível organizar um mapeamento que direciona as características da colaboração docente. Esse mapa mostra a forma como o processo de colaboração se desenvolve, como podemos ver na figura 1. No entanto, vale destacar que os artigos enfatizam as relações interpessoais e o planejamento coletivo como partes fundamentais do processo de colaboração.

Figura 1: Mapeamento das características da colaboração docenteFonte: Nascimento (2023)

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## Obstáculos da colaboração docente

Sabemos que as implementações de mudanças trazem consigo diversos problemas pois apresentam novas perspectivas e novas formas de agir. Dos artigos analisados somente dois deles apontaram os obstáculos que envolvem a colaboração docente.

Os autores do artigo DC1 apresentam como um obstáculo a colaboração docente a falta de comunicação constante entre os atores da colaboração, como podemos ver no excerto a seguir: ' Um dos grandes desafios, neste sentido, é o estabelecimento de um diálogo constante, tanto no momento das orientações, quanto das tomadas de decisões' (p.276). Por este artigo tratar de estágios supervisionado, o contato com esses professores é importante para formação dos futuros professores.

Já no artigo DC2 os autores apontam três obstáculos relacionados ao trabalho de colaboração entre professores da educação especial e de outras áreas. O primeiro obstáculo apontado por eles é referente ao planejamento conjunto, o qual pode ser inexistente, ou desenvolvido de maneira precária, com pouco tempo dedicado pelos professores a essa atividade. O segundo obstáculo é a falta de compreensão dos professores de outras áreas acerca do que seja a inclusão. O terceiro ponto apresentado foi que 'muitos professores das outras áreas consideram que a responsabilidade sobre os estudantes com deficiência é dos professores de Educação Especial' (p. 72)

É interessante notar que os obstáculos relatados pelos autores desses dois trabalhos apontam para a inexistência de elementos característicos da colaboração que foram apontados na figura 1. Um dos fatores relevantes para a colaboração é a comunicação entre os professores, algo que os autores de DC1 apontam a sua ausência como um obstáculo. Responsabilidade compartilhada e objetivos comuns são características importantes da colaboração docente. Os autores de DC2 apontam a ausência desses elementos como sendo obstáculos à colaboração. Também o fato de os professores não terem acordo quanto a concepção de inclusão chama a atenção para um obstáculo de natureza conceitual, tendo em vista que diferentes concepções acerca de inclusão vão provocar dificuldades no estabelecimento dos processos de comunicação necessários ao estabelecimento da colaboração docente. O mesmo que se diz acerca das concepções sobre inclusão pode ser pensado sobre, por exemplo, formas de se ensinar Física, ou o papel do ensino de Física na formação para a cidadania. Concepções pedagógicas ligadas ao papel da educação e da escola na sociedade interferem na forma como se desenvolvem as relações interpessoais entre os docentes que buscam estabelecer relações de colaboração.

A identificação desses obstáculos ajuda a conscientizar os professores da necessidade se atentarem para possível dificuldades no processo de colaboração. Fazendo com que assim se preparem e atentem para as possibilidades de estabelecer processos de colaboração.

## Considerações finais

As características da colaboração nos apresentam alguns caminhos que devemos traçar para que a colaboração entre docentes ocorra. Através da definição

das características foi possível perceber a importância de se trabalhar as relações interpessoais e a necessidade do planejamento conjunto dos professores, como apresentado na figura 1.

Os outros pontos de interesse do trabalho, os obstáculos e possibilidades, demonstram que a colaboração docente pode apresentar diversos beneficos, para os alunos, para os professores e até mesmo para a comunidade. No entanto, se não nos atentarmos para as dificuldades que surgem durante esse trajeto acabaremos em um cenário de frustrações sem os resultados esperados.

Como resultado deste trabalho, indicamos que a colaboração gera possibilidades de crescimento pessoal e profissional para os professores, além de possibilitar a troca de conhecimento e experiências entre os envolvidos. A possibilidade de planejamento conjunto abre a chance de diálogo entre diferentes áreas, como no caso de professores de Física e professores de educação especial, apontada em DC2. O planejamento comum permite o ajuste de expectativas em relação ao trabalho, bem como o compartilhamento de objetivos e metodologias. Já as situações de co-ensino permitem que a interação entre os professores iniciantes e seu parceiro mais experiente apontem mudanças para o rumo da aula, buscando melhores formas de ensinar e aprender.

Assim, os resultados propostos pela colaboração apontam para um caminho que beneficia os professores e alunos no processo de ensino. Com isso, os processos colaborativos para e no ensino de Física surgem como uma alternativa, pois possibilita aos professores trabalharem mais os temas e apresentarem visões e perspectivas diferentes sobre um mesmo assunto

## Referências

BARDIN, L. Tradução de Luis Antero Neto e Augusto Pinheiro. Análise de conteúdo: edição revista e ampliada. São Paulo: Edições setenta . 2011.

NASCIMENTO, G. P. Uma revisão de literatura sobre colaboração docente : características, possibilidades e obstáculos. TCC (Licenciatura em Física) - Curso de Licenciatura em Física - Cefet/RJ, Petrópolis, 2023.

SILVA, M. C., Martins I. G. R., Estágio supervisionado e colaboração docente: dois caminhos que se cruzam. XI ENPEC . Florianópolis, SC. julho de 2017.

TRACTENBERG, L. Colaboração docente e ensino colaborativo na educação superior em ciências, matemática e saúde : contexto, fundamentos e revisão sistemática. Rio de Janeiro: UFRJ/ NUTES, 2011.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.