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Cosmologia e Arte: Reflexões através da Literatura

José França De Andrade, Tassiana Fernanda Genzini De Carvalho, João Eduardo Ramos, Claudio Mateus Da Silva

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XX
Ano
2024
Data
20/08/2024
Linha de pesquisa
Epistemologia, Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## COSMOLOGIA E ARTE: REFLEXÕES ATRAVÉS DA LITERATURA. COSMOLOGY AND ART: REFLECTIONS THROUGH LITERATURE.

## José França de Andrade 1 , Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho 2 , João Eduardo Ramos 3 , Claudio Mateus da Silva 4

1 Universidade Federal de Pernambuco, PPGECM, franca.andrade@ufpe.br 2 Universidade Federal de Pernambuco, Centro Acadêmico do Agreste, tassiana.fgcarvalho@ufpe.br 3 Universidade Federal de Pernambuco, Centro Acadêmico do Agreste, joao.framos@ufpe.br 4 Universidade Federal de Pernambuco, PPGECM, claudio.mateus@ufpe.br

## Resumo

O presente trabalho tem como foco principal a discussão dos aspectos científicos presentes na obra literária "Divina Comédia", mais especificamente aqueles relacionados à cosmologia. Busca-se compreender como tais elementos podem contribuir de maneira positiva para a educação científica em sala de aula, abrindo espaço para novas possibilidades de aprendizagem e promovendo a desconstrução de visões distorcidas da ciência, caso assim o professor se propuser a trabalhar. Para tanto, foram discutidos e analisados trechos de três obras intituladas Inferno, Purgatório e Paraíso, que compõem a epopeia clássica escrita por Dante Alighieri. Ao associar como os modelos científicos são apresentados na obra literária, propomos contextualizar o período histórico em que o autor e o texto estavam inseridos, realizando uma breve reflexão sobre a Idade Medieval Europeia, proporcionando uma abordagem de ensino mais interdisciplinar e menos hiper especializada apenas nos aspectos físicos da cosmologia. Sendo realizado dessa maneira, através da experimentação dos recursos ficcionais e artísticos, o ensino de cosmologia pode ampliar e complexificar a abordagem de cosmologia no contexto educacional.

Palavras-chave : Divina Comédia; cosmologia medieval; ciência e cultura.

## Abstract

The focus of this paper is to discuss the scientific aspects present in the literary work "Divine Comedy", more specifically those related to cosmology. The aim is to understand how these elements can contribute positively to science education in the classroom, opening space for new learning possibilities and promoting the deconstruction of distorted views of science, if the teacher sets out to do so. To this end, excerpts from three works entitled Inferno, Purgatorio and Paradiso, which make up the classic epic written by Dante Alighieri, were discussed, and analyzed. By associating how the scientific models are presented in the literary work, we propose to contextualize the historical period in which the author and the text were inserted, carrying out a brief reflection on the European Medieval Age, providing a more interdisciplinary teaching approach and less hyper-specialized only in the physical aspects of cosmology. If done in this way, by experimenting with fictional and artistic resources, the teaching of cosmology can broaden and complexify the approach to cosmology in the educational context.

Keywords : Divine Comedy; medieval cosmology; science and culture.

## Aproximação entre ciências e artes

A educação ministrada nas salas de aula enfrenta um desafio crucial que distância e restringe as conexões entre os diversos campos de conhecimento: o reducionismo e a fragmentação do saber. Essa abordagem, muitas vezes, nos impede de reconhecer a diversidade e complexidade inerentes à experiência humana. Devido a esse tipo de pensamento simplificador, especialmente na área das ciências, é comum termos a percepção equivocada de que o conhecimento adquirido é algo esotérico, absoluto e imutável, comprometendo assim a própria construção do conhecimento em sala de aula.

Quando abordamos as ciências e especialmente, a Física, é comum, devido a esse ensino fragmentado e, muitas vezes, descontextualizado, enfrentarmos dificuldades para estabelecer conexões entre essa e outras áreas do conhecimento. Conforme destacado por Cachapuz et al. (2005), desenvolvemos uma percepção das ciências como algo cultural e historicamente isolado da sociedade, o que cria uma visão distorcida que negligencia as dimensões da atividade científica e seu impacto nos âmbitos social, cultural e histórico.

A segmentação do conhecimento, como apontado por Cachapuz et al. (2005) e Caraça (2001), frequentemente conduz a interpretações distorcidas da realidade. Além disso, podemos observar que essa fragmentação do saber faz ainda menos sentido nas salas de aula, especialmente hoje em dia, em que é desafiador estabelecer fronteiras nítidas entre as diversas disciplinas existentes.

Não é possível hoje em dia equacionar 'saber' a 'ciência' como fizeram os positivistas do século passado, ao pretenderem que o único modo de obtenção do conhecimento verdadeiro é o científico (Caraça, 2001).

Todavia, estudiosos como Charles P. Snow (1993), Jacob Bronowski (1998), Bachelard (1996), Zanetic (2006), dentre outros, relatam em seus trabalhos como a aproximação entre ciência e arte nos traz benefícios na compreensão de seu contexto histórico e cultural, e também funciona como uma ponte, promovendo um diálogo e uma aproximação entre ciências e sua natureza ética, epistemológica e educacional, a fim de desconstruir o conhecimento puramente racional e elitista. O objetivo, com isso, seria trazer o conhecimento científico para uma realidade contextualizada e

fundamental para a construção de um cidadão contemporâneo, por meio de um ensino científico mais complexo e interdisciplinar.

A relação entre ciência e arte remete às ideias de Bachelard (1996), que reconhecia não só ser possível construir conhecimento através de conceitos científicos, mas também através da arte, da literatura e de poesias, não se preocupando em enfatizar demasiadamente uma filosofia em detrimento de outras, além de destacar continuidade e a ruptura entre diferentes concepções epistemológicas.

Dessa maneira, o presente trabalho trata-se de uma pesquisa teórica e que se perguntar acerca do quão possível é aproximar os modelos científicos cosmológicos medievais através de obras literárias e, em específico, através da literatura da Divina Comédia (Alighieri, 2019). Procurando assim refletir também, de acordo com as ideias de Cachapuz et al. (2005), sobre até que ponto essa aproximação interdisciplinar nos auxilia na construção de uma visão menos deformada da Ciência, ou seja, a procura de uma ciência menos elitista e individualista, que esteja interligada a outras áreas de conhecimento, compreendendo que Ciências é um conhecimento contextualizado historicamente e filosoficamente que se caracteriza por um crescimento não linear dos saberes.

Para isso, foi realizada a leitura da obra e foram escolhidos trechos que trazem representações cosmológicas pertinentes à análise. A seleção desses trechos foi orientada pelos seguintes critérios: a presença explícita da visão cosmológica; a referência a autores/filósofos relevantes para a construção do pensamento cosmológico; e a relação direta da cosmologia com a teologia medieval.

## Análise da obra: o universo Dantesco

A obra de Dante, inicialmente intitulada Commedia e posteriormente denominada La Divina Commedia por Giovanni Boccaccio, é um poema épico com objetivos filosóficos. Dividida em três partes - que recebem os títulos de Inferno, Purgatório e Paraíso -, cada uma composta por 33 cantos, escritos e publicados na referida ordem entre 1304 e 1321, aproximadamente. Somados ao título de introdução, a obra conta com 100 cantos e 14.233 versos. A obra também é caracterizada por sua escrita inicial ter sido feita em italiano, língua considerada vulgar para a época, já que a alta literatura era escrita em latim. Essa opção visava a leitura

por todos que eram alfabetizados, para que, na visão do autor, as pessoas conseguissem sair do estado de miséria, de pecado, e fossem conduzidas à felicidade cristã. A primeira parte da obra retrata o Inferno, local em que teríamos os nove círculos concêntricos afunilados vindos das ideias medievais cosmológicos e que representam, em cada círculo, os pecados pelo quais as pessoas serão julgadas, sendo estes Limbo, Luxúria, Gula, Ganância, Ira, Heresia, Violência, Fraude e Traição se tornando mais graves à medida que se aprofunda com Lúcifer em seu ponto mais baixo.

Em oposição à descida do Inferno, a segunda parte retrata o Purgatório, que se apresenta como uma montanha que, segundo Dante, formou-se devido a uma cratera no Inferno criada com a queda de Lúcifer. O purgatório é dividido em: o AntePurgatório, para aqueles que se arrependeram tardiamente; o Baixo Purgatório, para aqueles que tiveram um amor prejudicial pervertendo-se; o Médio Purgatório, onde estão as almas daqueles que não conseguiram amar; e o Alto Purgatório, em que estão as almas daqueles que amaram em excesso; para enfim chegar ao paraíso terrestre, o Jardim do Éden.

Por fim, chegamos a terceira parte do poema de Dante, o Paraíso, que devido a devoção católica daquela época e contexto, o autor apresenta como a felicidade eterna, advinda da ideia de um Deus eterno e atemporal, relacionado a noção das almas do Paraiso. As almas eram comparadas a copos de diferentes tamanhos que estavam todos cheios, repletos de luz, e sem inveja ou desejo, obtendo o conhecimento de tudo em qualquer tempo que há e em contemplação com o pensamento divino diretamente. Ao longo de toda a obra, evidenciam-se as ideias cosmológicas aristotélicas-ptolomaicas, aceitas pela Igreja Católica, à qual Dante era devoto.

As concepções cosmológicas de Dante se fazem presentes de maneira tanto sutil quanto explícita ao longo da obra. As repetições dos círculos concêntricos, presentes tanto no Inferno quanto no Paraíso, derivam da visão de mundo medieval que dividia a realidade em duas esferas distintas: o sublunar e o supralunar. O sublunar abarcava todas as substâncias sujeitas à corrupção, enquanto o supralunar, também conhecido como esfera celeste, era habitado exclusivamente pelos astros, santos, anjos e Deus, irradiando fluidos invisíveis que influenciavam o mundo abaixo.

Essas representações e ideias, influenciadas pelo Neoplatonismo, contribuíram para a concepção da quintessência, ou éter, que preenchia o espaço acima da esfera terrestre (Costa, 2002). Essa relação já se mostra presente no primeiro canto da obra, em que podemos perceber um elemento da visão cosmológica da época, com o Sol representado como um planeta, conforme a perspectiva aristotélica;

olhei pra alto e vi a sua vertente vestida já dos raios do planeta que certo guia por roda toda estrada a gente (Alighieri, 1999, Canto I - Inferno, v. 1618)

Seguindo a ótica medieval, Dante ainda se apropria de outro conceito, a teoria aristotélica da gravitação, mediante a qual afirmava-se que cada objeto tinha seu lugar natural, sendo o centro da Terra o local natural para alguns objetos, que, portanto, caíam em direção a ele. Já para outros objetos, o lugar natural seria a esfera celeste, afastando-se do centro da Terra em direção ao céu e à Lua. Dante incorpora esses conceitos ao descrever como Lúcifer não conseguia deixar o centro da Terra, pois estava no ponto para o qual todo peso convergia. O centro da Terra era também o centro do Universo, tornando-se o ponto do qual seria impossível escapar para as coisas que lá pertenciam naturalmente, como era o caso de Lucífero, relatado assim em seu poema;

Alcei os olhos, pensando encontrar Lucífero assim como o havia deixado, mas o encontrei de pernas para o ar. E se perplexo então eu tinha ficado, que o pense a gente que à razão é adversa, e não vê o ponto que eu tinha passado. (Alighieri, 1999, Canto XXXIV - Inferno, v. 91-96 - grifo nosso)

Mas Dante não apenas era influenciado pela cultura a seu redor como também

a influenciava. Isto porque a visão do Purgatório como descrito por Dante parte de grande criatividade do próprio autor, tanto em sua maneira física quanto nas regras e ideias associadas a este local (Barolini, 2014). Isso se deve ao fato de que essa ideia havia sido recentemente introduzida pela Igreja. Antes desse período, a doutrina predominante consistia, em grande parte, na crença de que os justos herdarão o Reino de Deus, enquanto os ímpios enfrentarão o castigo nas profundezas do Inferno. Dante, ao propor o conceito do Purgatório, não apenas expandiu as perspectivas da Igreja, mas também proporcionou uma representação visual única desse estado de penitência e quitação de dívidas pelos falecidos.

Por conta disso, as concepções ao redor da construção do Purgatório por Dante se estabelecem utilizando a ideia de ciclos concêntricos, mas dessa vez como níveis da montanha, já que esta era um conceito bem estabelecida de como se dava a formação do Universo segundo a ótica da Escolástica (Oliveira, 2010).

Apresentando-se também como no nível da Terra sob um céu estrelado, o Purgatório seria guardado pelo rio Tibre, que fica localizado no hemisfério sul e atravessa o território italiano, dando assim uma proximidade para aqueles que lessem seus escritos.

Já na obra Paraíso, fica claro a sua relação com o paradigma aristotélicoptolomaico por sua representação ser feita por nove céus concêntricos, sete desses correspondentes aos planetas do modelo geocêntrico: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. O oitavo céu seria formado por estrelas fixas e o nono, o Primum Mobile , seria o céu correspondente aos Serafins e, em simetria com a morada de Lúcifer, se encontraria o Empíreo, o local de Deus. Esses nove céus giravam em torno - mas acima - de uma Terra imóvel, que era fortemente dominada pelas influências divinas. Podemos, por fim, fazer uma relação entre um trecho da obra de Alighieri relacionado ao conceito de motor imóvel proposto por Aristóteles, como a causa primária de todo movimento primordial do Universo.

À fantasia foi-me a intenção vencida; mas já a minha ânsia, e a vontade, volvê-las, fazia, qual roda igualmente movida, o Amor que move o Sol e as mais estrelas. (Alighieri, 1999, Canto XXXIII - Paraíso, v. 142-145)

A causa primária ou o "motor" de todo o movimento inicial do universo, conforme o próprio nome sugere, não foi impulsionada por nenhuma causa precedente. Esse conceito aristotélico desempenhou um papel significativo na filosofia e na teologia medieval, que devido as suas consideráveis influências na obra de Alighieri, estabelece-se uma conexão direta a ser explorada. Essa concepção, datada muito antes à teoria do Big Bang, consegue criar uma ponte entre esses conhecimentos podendo ser explorada nos estudos da obra. Além disso, essa concepção encontra outro eco na história da física com Descartes no século XVI. Ao enunciar o que hoje relacionamos com o Princípio de Quantidade de Movimento, o filósofo se utilizou de uma argumentação religiosa:

Deus, em sua onipotência, criou a matéria ao mesmo tempo que o movimento e o repouso de suas partes, e graças à sua cotidiana influência, Ele mantém tanta quantidade de movimento no Universo hoje quanto Ele colocou quando o criou. (Descartes, 1982, p. 36)

## Considerações finais

Desde que foi publicada, a "Divina Comédia" não apenas despertou interesse, mas também serviu como fonte de inspiração e objeto de estudo em diferentes

campos. Representando uma das fontes originais mais acessíveis da cosmovisão medieval, a obra não apenas apresenta essa perspectiva, como também oferece um recorte contextual, histórico e cultural de sua época. Sua influência continua a perdurar, permeando filmes, livros, peças de teatro, jogos e músicas.

Entretanto, é relevante enfatizar que a importância desta obra literária não reside na apresentação de aspectos científicos. Em vez disso, ela proporciona oportunidades para estabelecer relações de maneira interdisciplinar com uma variedade de pensamentos históricos, científicos, sociais, naturais e filosóficos. Esses recortes oferecem a oportunidade de contextualização e servem como base para a compreensão da progressão contínua do pensamento e do entendimento científico, diretamente relacionados à atividade humana, social e cultural.

A utilização da ficção, do romantismo e até mesmo do absurdismo em obras literárias e, consequentemente, o afastamento destas da realidade, podem contribuir para o desenvolvimento de um pensamento mais complexo, partindo das motivações que levaram os autores a seguir essas linhas de pensamento. Simultaneamente, é de suma importância compreender que as produções literárias são fenômenos culturais, assim como as produções científicas. Isso ressalta que o conhecimento científico não apenas é mediado, mas também construído, evidenciando sua ligação direta com a natureza histórica e filosófica. Desse modo, os modelos literários e científicos apresentam paralelos, mesmo que possuam características distintas.

Ao optarmos por essa aproximação de ciência e arte, duas áreas distintas do conhecimento, que inicialmente podem ser vistas como caminhando em direções distintas, proporcionamos aos estudantes uma visão mais ampla sobre o mundo. Poderemos ter, assim, uma visão não redutora e não segmentada do conhecimento identificando as semelhanças que as unem e compreendendo de que maneira uma possível visão diacrônica entre essas áreas pode aprimorar a qualidade da educação em ciências oferecida aos alunos, dando aos professores a oportunidade de ultrapassar as limitações frequentemente impostas em suas escolas. Favorece-se, portanto, a reavaliação de metodologias, adicionando elementos culturais ao mundo da física à medida que se promove a perspectiva de interdisciplinaridade e demonstra que faz sentido colocar ciência e arte em diálogo como uma via estruturante para a educação.

Utilizam-se as inúmeras potencialidades para o processo de rupturacontinuidade e a apropriação do conhecimento dentro do campo da Física, em que a imaginação poética e a racionalidade científica, embora muitas vezes vistas como separadas, podem se complementar produtivamente no contexto da sala de aula. Essa abordagem possibilita, acima de tudo, a utilização de uma poderosa ferramenta para a compreensão interpretativa e uma aproximação da realidade. Assim, cria-se uma visão não restrita e lúdica da ciência por meio da literatura, abre-se caminho para a interdisciplinaridade e se aproxima da construção do pensamento crítico científico, auxiliando também na desconstrução de visões distorcidas da ciência por meio da literacia científica.

## Referências

ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia: Inferno, Purgatório e Paraíso. Tradução e notas de Ítalo Eugênio Mauro. Em português e italiano (original). 5. ed. São Paulo: Editora 34, 2019. ISBN 978-85-7326-120-2.

BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

BAROLINI, Teodolinda. 'Purgatorio 1: The Sapphire Sea.' Commento Baroliniano. Digital Dante, 2014. Disponível em: <https://digitaldante.columbia.edu/dante/divine-comedy/purgatorio/purgatorio-1/>. Acesso em: 12, dezembro de 2023.

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